Postado em 25 de Outubro às 15h00

    Afinal, o que é Bullying?

    Gerais (41)
    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | A todo momento temos ouvido falar sobre bullying que é praticado em diferentes lugares, principalmente nas escolas. É importante que...

    A todo momento temos ouvido falar sobre bullying que é praticado em diferentes lugares, principalmente nas escolas.

    É importante que tenhamos um espaço para compreendermos o bullying a fim de evitar que outras tragédias venham a acontecer. Tragédias sim, porque a humilhação que muitas crianças e adolescentes sofrem, passam a ser uma tragédia na vida de deles.

    Então,o que é bullying? Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying. Para que seja bullying, é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas de classe ou de trabalho, por exemplo). Todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como bullying.

    O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato. O bullying pode ocorrer em qualquer lugar, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode
    parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.

    Ainda importa compreender que para ser bullying, a agressão física ou moral deve apresentar quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. Quando o agredido reage ou ignora, ele supera o motivo da agressão e acaba desmotivando a ação do agressor.

    De que forma o bullyng afeta as pessoas agredidas? Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças, adolescentes ou adultos que passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da
    personalidade. Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional das pessoas de tal maneira que elas optam por soluções trágicas, como o suicídio.

    E o que leva o autor do bullying a praticá-lo? Querer ser mais popular, sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo. É uma pessoa que não aprendeu a transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com o mal estar do agredido. O autor não é assim apenas na escola. Normalmente ele tem uma relação familiar na qual tudo se resolve pela violência verbal ou física e ele reproduz isso no ambiente escolar.

    E quem costuma ser o alvo do bullyng? Geralmente alguém tímido, com baixa autoestima e com pouco poder de reação. Além disso, pessoas diferentes, que se vestem diferente, com alguma parte do corpo diferente, etc.

    A platéia é sempre muito importante para o praticante do bullying, porque sem ela, ele não tem para quem se exibir. E a platéia passa a gritar palavras de incentivo, risos ou se calar sendo conivente com a humilhação, às vezes com medo de ser a próxima vitima.

    O que podemos fazer para ajudar? Primeiro explicar nas escolas – para professores, alunos e pais – o que realmente é bullying para que ele seja denunciado quando percebido. A escola deve chamar alunos e pais dos agredidos e dos agressores e abrir canais de comunicação. Não adianta apenas punir, seria tratar da mesma forma. O valentão tem algo a dizer. O humilhado pode precisar de ajuda psicológica. Mas o agressor e sua família precisam ser responsabilizados pelos danos. Todo ato tem conseqüências. Na sociedade, todos somos responsáveis, os pais, os amigos, os vizinhos...agora que você já sabe o que é bullying, fique atento, não deixe que mais pessoas sejam vítimas.


      Postado em 31 de Maio de 2016 às 11h34

      Três gerações vivendo juntas...e bem! É possível?

      Gerais (41)
      Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal |  Três gerações diferentes viverem juntas na mesma casa, é um desafio. Mas é uma realidade cada vez mais...

       Três gerações diferentes viverem juntas na mesma casa, é um desafio. Mas é uma realidade cada vez mais próxima de nós, porque as famílias estão mudando. Há o fato de que os idosos vivem por mais tempo, com mais saúde e em busca de suas realizações e junta-se a isto a realidade das separações. Filhos que retornam a casa dos pais já com seus próprios filhos, em virtude de separação ou dos avós que se dispõe a morar com seus filhos no sentido de auxiliá-los a cuidar dos netos. Seja qual for a razão, o fato é que esta situação pode trazer desgostos se não tivermos jogo de cintura, mas pode trazer imensos benefícios e aprendizagem de todas as partes se tivermos um olhar de compreensão para cada fase e pessoa.

      No passado o idoso era o detentor do conhecimento, nele se concentrava a sabedoria acumulada de várias gerações anteriores e ele era respeitado pela sua comunidade. Com a modernização da sociedade o idoso foi se perdendo no caminho. Ele passou a não ser mais tão valorizado, pois tornou-se desnecessária sua contribuição na construção da história viva de uma sociedade, porque o saber agora se concentra nas escolas, nas universidades, nos livros, nos museus e por último na Internet.

      Mas o idoso vem se reinventando a cada dia. Assim como não é mais atribuído a ele o único detentor do conhecimento, é importante que não atribuamos ao jovem a única esperança do futuro. São cargas que vão tomando outro sentido.

      O jovem pode aprender com o idoso suas experiências de vida e  pode ensinar ao idoso coisas sobre tecnologia e diferentes formas de comunicação, por exemplo. Ou seja, é uma troca possível.

      Os conflitos acontecem porque gerações diferentes têm visões de mundo distintas. Os de mais idade, tem toda a experiência de vida acumulada, e por causa disso, querem sempre poupar os mais jovens de experiências ruins, mas eles se esquecem de que aprendemos a viver vivendo, tendo experiências boas e ruins.

      Os mais velhos, quando na condição de pai ou mãe, sempre consideram os filhos como crianças inexperientes, é muito difícil, para eles, aceitarem que os filhos crescem e, ao se tornarem adultos, podem ter a opção de seguir caminhos diferentes dos pais, ou experimentarem tudo aquilo que foi uma experiência ruim para os pais.

      Eu acredito que o diálogo é sempre o mais recomendado quando os conflitos aparecem. Ele não impede que os jovens procurem, apesar da experiência dos mais velhos, fazerem o que desejam, mas, pelo menos, faz com que reflitam sobre o conhecimento que lhes é passado e, muitas vezes, que sigam os conselhos dados. No entanto, mesmo que os jovens reconheçam e ouçam o que os idosos dizem, isso não os impede de questioná-los e seguir seus próprios caminhos.

      Sempre haverá mudanças e elas serão cada vez mais aceleradas. Quanto mais a idade avança, mais difícil é mudar, porque os hábitos, que são a segunda natureza do homem, estão muito mais arraigados e profundamente instalados. Os jovens, então, por assimilarem as mudanças mais rapidamente do que os idosos, sempre terão o conceito de que estes estão ultrapassados.

      Os choques entre as gerações sempre irão existir, mesmo que mudem os motivos que os provoquem, uma vez que o que está por trás de qualquer conflito é a luta pelo poder.

      Por Ieda Dreger. 


      Postado em 31 de Maio de 2016 às 11h23

      Você acredita em que?

      Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Você pensa que você controla seu pensamento? Seu pensamento anda por caminhos que você mesmo nem imagina. Temos muitos pensamentos...

      Você pensa que você controla seu pensamento? Seu pensamento anda por caminhos que você mesmo nem imagina.

      Temos muitos pensamentos que não são bons para nós mesmos, são prejudiciais, e por que ainda assim continuamos pensando essas coisas? Por que são pensamentos automáticos. Eles vêm do inconsciente. Se não identificarmos estas crenças disfuncionais acabamos funcionando como que controlados por um controle remoto invisível.

      Mas, eu te garanto é possível tomar as rédeas da sua mente e conseqüentemente da sua vida. Como?  Vou contar!

      Como funciona o pensamento?

      Tudo o que a gente faz na vida é baseado no que a gente acredita, ou seja, baseado em nossas crenças internas. Tudo. A roupa que você escolhe lá na loja é baseada no que você acredita que é adequado ou não para você. O curso, a escola, que você fez foi baseado no que você acredita que se encaixa com você. As pessoas que você permite que entrem na sua vida são baseadas no que você acredita que possa ser bom.  

      Funcionamos baseado em nossas crenças internas, nem sempre o raciocínio lógico participa das nossas escolhas, das nossas decisões. Como por exemplo a decisão quanto a que namorado vai escolher ou qual bairro vai morar. Toda decisão é baseada em suas crenças internas.

      Cada crença interna é baseada em nossas representações mentais pessoais. Esta é a nossa forma de ver o mundo, e é diferente para cada pessoa. Dois irmãos criados juntos têm perspectivas diferentes um do outro, pois têm aprendizados diferentes, tem experiências diferentes. Todo sentimento, e todo que a gente tem é determinado pelo modo como a gente interpreta o mundo através das nossas crenças internas.

      Mas como é que se consegue perceber a perspectiva de cada um? Como é que descobrimos qual a crença interna de cada um, já que nem sempre são claras? O grande sinalizador são os nossos sentimentos. A forma como você reage, e a intensidade de suas emoções dão o caminho para chegar às crenças e que normas internas estão regendo sua mente.

      É por isso que o psicólogo está sempre perguntando, questionando quais sentimentos estão vindo à tona. Quais as angústias, quais as ansiedades, o que está deixando nosso paciente para baixo. Até conseguir identificar que sensação é essa que você está sentindo é comum a pessoa dizer ”eu me sinto muito mal”. Mas que sentimento é este? É angústia, é humilhação, é medo, é o que? Que nome tem esse sentimento.

      Esse é o grande caminho para o psicologo atingir a vida mental, o funcionamento cognitivo e assim fazer muita coisa pelo paciente. Quando descobrimos o que te deixa inseguro, quando descobrimos o porque, por exemplo, você sente que toda vez que está falando com alguém ou fazendo alguma coisa, sente que está sendo observado e julgado pelos outros, poderemos mudar esses sentimentos e finalmente você irá se permitir a ser livre dos medos.

      O importante é perceber que a gente forma algumas idéias muito distorcidas, e isso nos prejudica de uma forma tão silenciosa que ninguém percebe. É como um cupim que vai comendo a madeira por dentro. Para quem vê de fora está tudo perfeito, tudo lindo! Mas vai lá olhar por dentro...

       “A auto condenação envolve a crença em uma mentira a respeito de nós mesmos”.

      Avalie suas auto condenações, procure as mentiras que você vem contando para você mesmo. Você pode pensar “poxa aquela moça na adolescência foi o patinho feio, mas se ela se olhar no espelho ela não vai perceber que a realidade hoje é outra?” Não. Porque sempre interpretamos e muitas vezes distorcemos tudo o que acontece com a gente

      Falei agora há pouco das crenças que  a gente vai introjetando, a medida que passa pela vida vamos acumulando crenças a respeito de nós mesmos e do mundo. Estas crenças se tornam os nossos princípios. Já perceberam quando alguém faz determinada coisa por “princípio”? Muitas vezes a tal coisa não tem lógica. Quantas vezes a gente ouve ”pelos meus princípios eu só faço tal coisa”, ”pelos meus princípios não peço aumento nunca”. Esses princípios agem de uma forma autoritária. Chega um momento que você não questiona mais, não raciocina mais, simplesmente sai agindo e reagindo conforme seus princípios. Por tradição.

      Tem muita tradição sem lógica.Estes princípios são a base da nossa auto-estima. O quanto você se gosta, se valoriza, as qualidades que você consegue enxergar em você são baseados nas crenças que você adquiriu sobre você mesmo. O problema é que você vem carregando muita crença sem utilidade, muita crença que te atrapalha e te deixa depressivo, ansioso, etc.

      É por isso que as pessoas têm mania de ficar repetindo sempre os mesmos erros. É pura falta de perceber que existem outros caminhos. A gente continua errando porque sair dessa “zona de conforto” é muito difícil. Toda mudança tem que ser trabalhada. Eu acredito em trabalho. Pesquisar e descobrir qual é o nó que está amarrando. Dá trabalho mais vale à pena.

      Isso é crescimento. Bom crescimento é perceber bons frutos na sua vida.

      Por Ieda Dreger. 


      Postado em 31 de Maio de 2016 às 11h17

      Madrasta sofre menos quando assume seu papel. Não adianta bancar a substituta da mãe e nem a melhor amiga

      Gerais (41)
      Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Se por um lado a imaginação das pessoas propagou a fama de má da madrasta, por um outro lado mais realista, essa mulher costuma penar...

      Se por um lado a imaginação das pessoas propagou a fama de má da madrasta, por um outro lado mais realista, essa mulher costuma penar na nova casa. Um de seus dramas mais comuns é ter que enfrentar a rejeição que sofre por parte dos enteados. Em geral, ela assume uma dessas duas estratégias: a de repetir os mesmos hábitos da mãe das crianças, (que a faz ser desaprovada por estar competindo com a ex-mulher do marido),  a outra postura costuma ser a de tornar-se a melhor amiga do filhos, colocando-se no mesmo patamar deles. Só que aí ela compete com as crianças pela atenção do marido e, mais uma vez, é renegada. Diante das tentativas frustradas , as questão que ficam são: como formar uma família em harmonia diante de tantos conflitos? Para os especialistas, a melhor saída é que a madrasta assuma a sua verdadeira posição, a de ser a esposa do marido.

      O número de mulheres que precisa enfrentar o desafio de ser aceita pelos filhos do parceiro só tende a crescer. As estatísticas mostram que as madrastas estão cada vez mais presentes nos lares brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mulheres solteiras que se casam com homens divorciados cresceu cerca de 60%, o que demonstra que este é um dos novos perfis da família brasileira.

      Há um livro bastante bacana escrito por Roberta Palermo, que chama "100% Madrasta: Quebrando os Preconceitos" (Integrare Editora).

      Parte do processo de convívio saudável entre madrasta e enteado é que ambos os lados compreendam que as famílias reconstituídas passam pelos mesmos conflitos que as famílias biológicas, de acordo com as fases de vidas de seus componentes. O agravante nesta situação de reconstituição está nas expectativas internas de cada membro, baseada no mito do amor incondicional dos pais. Por isso, cultivar a harmonia e o afeto através do diálogo costuma ser a melhor solução.

      São vários - e complexos - os fatores que interferem na relação madrasta e enteados. A rejeição por parte das crianças normalmente se dá por rebeldia e por causa da interferência da mãe biológica, que tenta usar seu poder de persuasão para convencer o filho de que a madrasta foi a culpada pelo fim do casamento.

      Já por parte da madrasta, os conflitos com a ex-esposa e a insegurança são as causas mais comuns. Entre os motivos que influenciam a relação com os filhos do marido estão a raiva e o ciúme da ex-mulher, falta de vínculos afetivos com a criança, medo de não conseguir conquistar o amor dos enteados, dificuldade em impor sua autoridade e receio de se tornar chata e perder o marido.

      A filósofa Fernanda Carlos Borges, autora do livro "A Mulher do Pai" (Summus Editorial), defende a participação mais intensa e independente da madrasta na criação dos enteados. Segundo ela, a madrasta não deve ser a sombra do pai já que os homens não são atentos ao ambiente emocional doméstico como as mulheres.

      A orientação é colocar ordem na casa sem medo de passar pela chata. Essa mulher está entre os adultos responsáveis pelas crianças e, portanto, tem o dever de educar.

      Aconselho a atuação presente das madrastas na vida dos enteados, porém, de comum acordo com o pai das crianças, porque se as coisas não vão bem, ficam ainda piores quando o pai desautoriza a madrasta na frente das crianças. Segundo as experiências expostas na Associação das Madrastas e Enteados-AME, (sim,existe uma associação) o grande dilema da nova madrasta é educar o filho da ex-esposa sem poder repreender ou questionar atitudes erradas em função da super-proteção dos maridos, que se sentem culpados e as desautorizam. Por isso, é importante combinar tudo, desde a hora de dormir e a das refeições até se pode ou não colocar o pé no sofá.

      A seguir, confira as dicas das especialistas para enfrentar a rejeição e assumir o papel de nova esposa do pai sem precisar bancar a substituta da mãe ou a melhor amiga dos enteados:

      • Não fale mal da mãe na frente da criança. Mesmo que a relação com a ex-mulher não seja boa, contenha-se. A criança é sempre fiel aos pais
      • Não seja a boazinha de plantão. Como todo mundo, você pode ser chata em alguns momentos e legal em outros.
      • Não estimule provocações. Se a criança diz que a comida da mãe é melhor do que a sua, não crie atrito e mostre-se interessada no que ela tem a dizer, isso a fará se sentir querida por você ou ao menos, ela irá perceber que você não está ali para causar confusão. Não tome isso como uma ofensa pessoal, pois a rebeldia é contra a situação, não só contra você.
      • Ciúmes entre filhos (as) com pai ou mãe é muito natural. A ideia é não entrar no embate e na disputa de atenção. Quanto maior for sua receptividade, mais facilmente você conseguirá seu espaço.
      • Conquiste seu espaço. É importante que cada par - pai e filho, madrasta e enteado ou o casal - tenha seus momentos a sós para fortalecer vínculos e evitar ciúme.
      • Se você tem uma relação amistosa com a mãe da crianças, vá à festinha da escola, participe de cada fase da vida dos enteados e demonstre carinho, pois essas são sempre excelentes atitudes a serem tomadas para viver sem crises. Caso o relacionamento entre vocês seja muito harmonioso, participe de uma maneira que não invada o espaço da mãe biológica. Que tal uma festinha surpresa em casa, só entre vocês?
      • Jamais bata na criança. Mesmo que os pais usem esse recurso, as crianças e a sociedade não têm a mesma capacidade de entender essa atitude quando parte da madrasta.

      Por Ieda Dreger.


      Postado em 31 de Maio de 2016 às 11h11

      Infidelidade - Perguntas e respostas

      Casais (31)

      Falando sobre infidelidade

      Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Falando sobre infidelidade No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a...
      No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a infidelidade. Fiz uma mescla de alguns deles e vou respondê-los a fim de esclarecer alguns mitos.
      1. Quando revelada a infidelidade, há o divórcio: Ninguém casa pensando que um dia vai ser traído, mas é inevitável também não pensar sobre isso. Diversas pessoas, quando não passaram por tal situação enchem a boca para dizer que jamais perdoariam e depois a história muda. Na grande maioria dos casos a infidelidade não é “o” problema, e sim a forma de manifestação de um problema. Para muitos casais com os quais trabalho a infidelidade é uma forma de reconstruir o casamento, amadurecer a relação e torná-la mais forte.
      2. Todo mundo trai. A infidelidade tem realmente crescido. Isso leva cada vez mais casais a buscarem ajuda psicológica. Mas estamos longe de dizer que TODOS traem. Isso seria uma posição confortável para aquele que trai. Pode aliviar a consciência apenas. Diversos casais vivem bem sem passar por esta turbulência.
      3. Quem trai não ama o cônjuge. Muitas vezes é apenas uma forma de mostrar a insatisfação, mesmo que ainda exista amor. Ainda que condenável, o início de relação extraconjugal está mais perto de uma falta de capacidade de lidar com os problemas de uma relação, de um casamento, do que a falta de amor. Às vezes a falta de diálogo para pequenos desgostos como rotina, desgaste, falta de afeto, etc.
      4. A terceira pessoa é mais bonita, mais elegante ou mais inteligente do que o cônjuge. Claro que num primeiro momento a gente pensa que se há uma troca, deve ser para melhor. Mas precisamos pensar que em qualquer início de relação há umanovidade, baseada na sobrevalorização das qualidades e na desvalorização dos defeitos, trás o frescor que parecia perdido, a paixão, o êxtase, “as borboletas no estômago”.
        A terceira pessoa representa, sobretudo, a oportunidade de viver momentos geradores de bem-estar (em oposição aos momentos de tensão do casamento). O que é valorizado é o prazer destes encontros, e não as qualidades pessoais do(a) amante.
      5. A responsabilidade é do cônjuge traído. Isso ainda é um papo que apareceu nas gerações mais antigas, mas ainda há quem acredite que a infidelidade aconteceu porque o cônjuge traído não “esteve à altura”. O pior, tem traídos que acreditam nisso. É preciso olhar para a relação no seu todo: compreender o papel que a infidelidade veio ocupar na história do casal é um processo mais complexo e profundo.
      6. A infidelidade apimenta a relação. Esta é outra ideia confortável para o cônjuge traidor. Ninguém gosta de ser enganado, seja em que área da vida for. Há formas consentidas de apimentar a relação como swing que seria trazer uma terceira pessoa a relação. Uma traição revela um problema que representa uma quebra de confiança a qual nem sempre é recuperável.
      7. É possível esconder “o caso” e proteger o casamento. Mesmo que o cônjuge traído não busque medidas radicais como colocar um detetive, a maioria das relações extraconjugais acaba por ser descoberta de uma ou de outra forma. Às vezes é por via dos filhos, outras vezes o próprio cônjuge traidor abre o jogo, ou deixa rastros tão evidentes que se faz descobrir, etc.A revelação do segredo pode constituir um forte abalo para todos os membros da família e, ao mesmo tempo, funcionar como um ponto onde se pode virar o jogo. Nenhum casamento está protegido quando há segredos desta natureza.
      8. A infidelidade é mais comum entre os casais que estão sempre a discutir. A verdade e realidade de cada casal está muito distante daquilo que observamos, por isso algumas vezes somos surpreendidos por pessoas que nos pareciam modelos e estão em processo de separação. Discutir não é necessariamente mau. Os casais que temem o confronto, a discussão sadia, estão tão vulneráveis ao problema da traição quanto aqueles que discutem muito. A harmonia conjugal não é mensurável através do número de discussões.
      9. Quem trai não sofre. A infidelidade não pode ser confundida com um azar, fruto de qualquer conspiração divina. Quem trai faz uma escolha e deve assumir essa responsabilidade. Mas isso não implica que a pessoa mereça ser condenada ou que não esteja a sofrer. Poucas pessoas conseguem manter uma relação extraconjugal sem se sentirem debaixo de forte pressão. Os sentimentos contraditórios por que passam podem ser difíceis de entender para quem acabou de ser traído, mas são reais. A atração pelo desconhecido e pela novidade, junta-se a sentimentos de culpa e amor ao cônjuge e podem gerar a sensação de que não há saída possível. Por isso, há pessoas que procuram ajuda especializada nestas circunstâncias.
      10. Lembre-se, fidelidade é uma questão de opção.

      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h41

      A difícil arte de educar nos dias atuais

      Psicologia Adolescente (19)
      Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Educar é um assunto corrente em consultório de psicologia. A necessidade de colocar limites é sempre muito questionada, tanto pelos...

      Educar é um assunto corrente em consultório de psicologia. A necessidade de colocar limites é sempre muito questionada, tanto pelos filhos como entre os novos e dedicados pais. Muitas pessoas viveram em sua própria educação a experiência de duros limites, constituídos em regras e proibições. Autoridade era misturada com Autoritarismo, a sabedoria da maturidade era confundida com verdade absoluta. Exigia-se da criança, do adolescente e mesmo dos adultos, total submissão e resignação; ser uma criança boazinha era sinônimo de atender as regras, jamais ser espontânea e nunca criar ou questionar algo; a liberdade em expressar suas idéias e pontos de vista confundia-se com enfrentamento e desrespeito aos “mais velhos”.

      É claro que esse modelo de educação trouxe muitos problemas e resultou em muitos adultos inseguros e até mesmo revoltados. A proposta da mudança era possibilitar a livre expressão dos potenciais e da espontaneidade infantil, como até hoje defendemos. Mas para alguns pais essa proposta foi confundida com a total permissividade, a educação do “tudo pode”, perdendo o entendimento da palavra não, do limite e do respeito.

      Nascemos totalmente espontâneos e criativos e com o decorrer do desenvolvimento através da educação aprendemos como usar nossos potenciais adequadamente, ou seja, respeitando as regras para viver socialmente. É também neste processo que aprendemos a acreditar ou não nesses potenciais. Nossas atitudes e comportamentos são o tempo todo avaliados e confirmados ou não, pelas pessoas com quem nos relacionamos e principalmente pelos nossos pais. É desta aprovação que surge a sensação de segurança interna que todos possuímos em maior ou menor quantidade, e também nossa auto-estima. É claro que para os pais não é uma tarefa fácil, pois implica em ter uma noção clara do que é ser adequado, o que depende de sua maturidade emocional.

      Há 40 anos atrás questionar uma ordem paterna, por mais absurda que ela fosse era praticamente um crime, castigável sem sombra de dúvida, com diversas formas de agressão tanto físicas como emocionais. Hoje em dia o questionamento já começa a ser entendido como algo positivo, pois ao trazer questionamentos novos a questões antigas aumentam-se as possibilidades de criar e descobrem-se novas formas de existir. O conhecimento deixa de ser percebido como uma “conserva cultural” e passa a ser percebido como algo dinâmico e em constante transformação e renovação.

      Mas como oferecer liberdade sem tornar a sociedade um caos?

      Introduzindo as noções de responsabilidade e respeito. Quando falamos em liberdade, falamos em respeito ao outro e em respeito a si mesmo, caso contrário estamos falando em invasão, e em desrespeito. Para convivermos em sociedade precisamos de algo que nos auxilie a lidar com as diferenças entre as pessoas, suas particularidades na sua forma de existir e de entender o mundo, pois apesar de sermos todos humanos, e similares em nossas necessidades, a forma de expressar nossos desejos difere de um para o outro, pois se relaciona ao grau de maturidade de cada um.

      Crescemos em famílias com crenças e culturas diferentes e somos influenciados pelo meio social no qual nos desenvolvemos. Esta delicada mistura é responsável pelos diferentes tipos de pessoas que nos tornamos. Portanto para vivermos socialmente necessitamos de alguns parâmetros, que se traduzem nas noções de ética, cidadania, gratidão e senso moral. Desta forma, quando pensamos em educar, precisamos checar dentro de nós como nos posicionamos em relação a isto e como esses parâmetros estão sendo exercitados nas relações que desenvolvemos.

      A educação se constitui basicamente naquilo que dizemos, confrontados pelo que fazemos. Ou seja, se pregamos o respeito mútuo e a honestidade, mas no dia-a-dia, valorizamos o “esperto”, aquele que sempre se dá bem, estamos sendo incoerentes e certamente essa incoerência fará parte de nossos de ensinamentos. A criança não aprende só pelo que houve e sim também pelo que vê.

      O mais importante ao processo de educação é o amor. Este gera a segurança interna, a confiança e a respeitabilidade, ingredientes indispensáveis para que a relação de intimidade necessária num processo de educação possa se estabelecer. Educar implica em intimidade, e você só ensina algo se é autorizado pelo outro, com esta autorização que se dá pela confiança que nasce nas relações onde o amor e a amizade são as palavras de ordem.

      Muitos pais se referem frequentemente às dificuldades em colocar limites, confusos entre cercear demais ou de menos. Esta dificuldade nasce de uma forma de entender o amor muitas vezes equivocada, onde se confunde limite com abandono e desamor, e consequentemente amar torna-se sinônimo de total permissividade, com a antítese do “nada pode” passando a ser o “pode-se tudo”.

      Colocar limites é ensinar que existe a frustração, que apesar de desagradável, faz parte do mudo real, ao vivo e a cores. O limite nos ajuda a perceber quem somos, o respeito nos ensina que temos limites e aumenta nossa consciência pessoal, e a responsabilidade nos ensina que tudo tem seu preço, pois estamos sempre em relações de troca, colhendo aquilo que semeamos. Oferecendo amor certamente colheremos alegria e felicidade. Para exercer o papel de educador, precisamos reavaliar o entendimento do "não", para esta importante palavra não se transformar numa forma de tirania e sim uma forma de proteção, exercício do amor e respeito a quem amamos.

      Por Ieda Dreger


        Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h40

        Adolescência: O que é normal nesta fase?

        Psicologia Adolescente (19)

        Quem tem um filho adolescente com certeza já deve ter feito a si mesmo essa pergunta. Afinal, como definir os limites da “normalidade” neste período de vida marcado por tantas mudanças? São tão rápidas as transformações físicas, as mudanças de humor e as diferenças de comportamento, que as atitudes dos jovens quase sempre parecem, aos adultos, estranhas e “fora de controle”.

        Definitivamente, eles não são mais os mesmos de alguns anos atrás, quando faziam o que o professor mandava, não questionavam as ordens do pai e da mãe e eram pouco influenciados pelo grupo de amigos. Agora, eles precisam livrar-se do que os prende à infância.

        O adolescente quer afirmar sua independência. Enquanto tenta acostumar-se ao seu novo corpo, ele tenta cortar os laços com a família . Para ele, é vital essa sensação de ruptura, a “separação psicológica”, porque sem ela não consegue se ver como um ser humano único, alguém que pode ser diferente, principalmente de seus pais, que são os mais próximos. É “normal” o adolescente protestar, não aceitar as idéias dos mais velhos, testar a autoridade, adquirir costumes diferentes, repetir gestos que desagradam, criticar características dos pais dentre outros.

        O adolescente adota atitudes e comportamentos que os adultos em geral só conseguem enxergar como rebeldes! Ele se volta para os companheiros, e é em seu grupo de iguais que consegue encontrar compreensão, pode expressar suas idéias e sentir-se mais forte e independente.

        Onde ficam os pais? Uma de suas tarefas mais importantes seria ajudar os filhos a tornarem-se independentes, com carinho, segurança e tranqüilidade. Mas como é difícil trocar o antigo papel de proteção pelo de orientação e confiança, ajudando os filhos a terem responsabilidade enquanto crescem. Como é difícil trocar velhos programas que serviam bem para a família, quando as crianças eram pequenas, por programas novos, com pessoas e idéias tão diferentes. É importante que os pais consigam acolher e abrir espaço dentro da família para esse filho que agora está tão diferente, que consigam dialogar sobre as idéias desse adolescente e ser claros, também ouvindo e ajudando na compreensão sobre a vida.

        Na maioria das famílias, não há um diálogo livre sobre várias questões, inclusive sobre a sexualidade. É uma época que muitas adolescentes engravidam e se tornam mães. Muitos pais ainda pensam e agem com discriminação. Enquanto estimulam o filho homem a iniciar a vida sexual bastante cedo, não querem nem imaginar que a filha também tenha desejos sexuais.

        Os comportamentos descritos acima caracterizam a adolescência , embora sejam estranhos para muitos adultos. Um adolescente pode ser grosseiro, agressivo e insolente - uma conduta normal, ainda que não admirada. Pode vez ou outra participar de uma molecagem em grupo, até destruir objetos, esvaziar pneus, ficar bêbado ou experimentar alguma droga, e, dentro de certos limites, também isso pode ser considerado “normal”.

        O que importa é que os pais estejam ao lado do filho adolescente, não para julgar, mas para conversar. É preciso colocar limites sem, no entanto, apelar para e rigidez. Há vários livros e vídeos que falam sobre o assunto, há também “sites” na internet sobre adolescentes, suas gírias, seus assuntos, suas idéias. Há ainda o auxílio de profissionais capacitados em ajudar essas famílias, são os psicólogos que trabalham com a família toda, ajudando-os a compreenderem suas dificuldades. Converse, converse, converse... Não sabe? Nunca é tarde para aprender.

        Por Ieda Dreger


        Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h38

        Como falar com seu filho sobre a adoção

        Psicologia Adolescente (19)

        Pais que estão pensando em adotar uma criança , ou que já o fizeram, enfrentam o medo e a ansiedade diante da perspectiva de explicar a seus filhos sua origem.

        “Mamãe, eu vim da sua barriga?” é uma pergunta natural e freqüente nas crianças.

        Pais esclarecidos, amorosos e bem intencionados preocupam-se com a importância do falar da adoção por saberem que isto pode influenciar diretamente na auto estima da criança e na sua maneira de estar no mundo. Por um outro lado, sabem também que, no processo de fazê-los entender a adoção, podem ocorrer na criança sentimentos de rejeição, tristeza e mágoa.

        É razoável, portanto, que uma série de sentimentos assustadores invadam o pensamento e o coração destes pais. “Será que eles nos amarão menos ou acharão que nós os amamos menos quando souberem que não vieram de nós?” “Será que eles se sentirão rejeitados pela sua mãe biológica?” “Ou, ao contrário, se sentirão mais ligados à sua mãe biológica?” “Será que acharão que foram nossa segunda opção e não uma real escolha?”

        Como então resolver este impasse?

        Falar “de onde eu vim?” envolve assuntos como parto, infertilidade e adoção, assuntos que, dependendo da faixa de idade, têm que ser adequadamente abordados.

        Ser honesto com seu filho implica também em respeitar seus limites cognitivos, intelectuais e emocionais para receber tais informações. E, sobretudo, deixá-lo expressar seus sentimentos e não tentar protegê-lo contra aqueles sentimentos de dor e tristeza, por mais difícil que isto seja!

        Tentar perceber o que seu filho pensa e o que quer saber é sempre uma esratégia melhor do que, em nome da verdade, começar a inundá-lo com informações. Vale lembrar, inclusive, que há algumas crianças extremamente curiosas e, outras, que custam a manifestar interesse pelo assunto, cabendo aos pais, nestas circunstâncias, provocar, delicadamente, o assunto.

        Aliás, as crianças são especialistas em fazerem perguntas em situações e ambientes os mais disparatados possíveis! Não se espante se, no meio do caminho para o colégio, com um transito horrível, você dirigindo e ele no banco de trás, seu filho sair-se com uma destas perguntas que você temia há tanto tempo!

        “Logo agora!!!” “O que faço? Paro tudo e respondo?” “Digo que vamos conversar depois?” “Tento disfarçar e fingir que não entendi para esperar um momento melhor ou o pai chegar a noite para explicarmos tudo, juntos?”

        Qualquer que seja a sua escolha, é importante conscientizar-se que falar sobre a adoção é um longo processo, que precisará de repetidas conversas durante a vida para ser assimilado e digerido por todos...

        Nas crianças da faixa etária de 1 a 5 anos, o pensamento está preparado para receber informações que não exijam nenhum raciocínio lógico; eles adoram ouvir suas histórias de como chegaram em nossa família e serem o centro das atenções...

        Conte-lhes, basicamente, que:

        • eles nasceram da mesma maneira que todas as crianças nascem
        • eles nasceram da barriga de outra mulher que não estava preparada para ser mãe de nenhum bebê naquela época
        • que vocês queriam muito ter um filho mas que nenhum bebê crescia na sua barriga e então vocês o adotaram e ele será seu bebê para sempre e
        • não esqueça de reforçar que, tanto o momento do seu nascimento, quanto o momento de sua adoção foi muito importante e bonito e que, depois de tanto tempo de espera, segurá-lo em seus braços foi algo de maravilhoso.

        Na faixa de idade de 6/7 anos é quando a criança percebe que, embora todas as pessoas venham ao mundo da mesma maneira, há uma diferença entre aqueles que nascem dentro de uma família e outros que entram numa família depois de nascerem. Começam a compreender que existem os pais que o conceberam e os pais que o criam.

        Na faixa de idade de 8 aos 11 anos é quando a criança começa a ter um raciocínio lógico e seu entendimento sobre as questões da adoção aumentam significativamente. É nesta etapa que vão questionar o porquê da decisão de sua mãe biológica.

        “Se ela não tinha dinheiro suficiente prá me criar, por que não arranjou um emprego?”
        “Se ela achava que não dava prá me criar sozinha, por que não se casou?”
        “Se ela não sabia como ser mãe, por que não tentou achar alguém que lhe ensinasse, lhe ajudasse?”

        E, por aí vão as questões, sem resposta,e as soluções que lhe parecem tão fáceis de terem sido encontradas pela mãe biológica... É quando elas começam a viver a adoção sob o aspecto das perdas e iniciam um doloroso processo de luto pela família perdida, não construída. Eles sofrem pelos pais que não conheceram assim como os pais adotivos vivem o luto pelo filho que nunca tiveram... Este luto pode manifestar-se de formas variadas, desde aqueles que falam diretamente sobre seus sentimentos, outros que adotam uma atitude mais defensiva e ainda há os que expressam seus sentimentos de raiva e mostram um comportamento desequilibrado.

        Não há um modelo certo ou errado em como falar sobre a adoção. O importante é ouvir o que seu filho está dizendo, permitir que expresse seus sentimentos, quaisquer que sejam eles, e estar sempre disponível para ouvi-lo e ajudá-lo na batalha da compreensão de sua origem.

        Por Ieda Dreger


        Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h35

        Porque é tão difícil ser adolescente

        Psicologia Adolescente (19)

        Conflito de Gerações

        Os amigos são tudo. Os pais nunca a entendem. Há dias em que tudo parece simples e outros que são tempestade pura, quando você só quer gritar com o mundo, dizendo que todos estão errados.

        É, a adolescência é assim, o corpo estica, arredonda, cresce para todos os lados. Quando percebe, você está dentro de uma nova embalagem e tem dificuldade para se reconhecer dentro dela.

        Mais dificil ainda é reconhecer as mudanças que estão acontecendo dentro da sua cabeça e fica a milhão com tanta coisa para pensar: escola, irmãos mais novos e os mais velhos também, as amigas, os garotos e seus pais.

        Ah, os pais... como é que do nada eles parecem não entender uma palavra do que você fala? Quando foi que eles se tornaram chatos? Quem são essas pessoas tão por fora e que não entendem nada?

        Na verdade, são os mesmos pais de sempre. Quem mudou foi você. Pense bem, quando você grita por causa de uma roupa ou bate a porta do quarto porque não poderá ir ao shopping, é um comportamento infantil. E tem ainda o excesso de agressividade com que você ataca todos.

        Seus pais também querem entender essa nova pessoa que fica cada dia mais independente e está aprendendo a ser madura. Mas que ainda tem muito que aprender.

        Será que dá para passar por esse período em paz com os pais? Dá sim. Respeito e doses cavalares de paciência ajudam bastante.

        A adolescência é o período em que a garota deixa de lado os valores dos pais para criar seus próprios valores. Muitas vezes, as adolescentes precisam testar gostos e pensamentos diferentes dos pais para descobrirem quem realmente são, a sua verdadeira personalidade como indivíduo.

        Essa busca pelos valores é que costuma causar um choque direto com os pais. Você quer muito ser ouvida, mas, por outro lado, não se esqueça de que eles têm mais experiência. Parece estranho, mas seus pais já foram adolescentes também, e podem dar toques importantes para que você passe por tudo isso de uma maneira mais fácil. A adolescência é um período de conflitos e mudanças para qualquer menina ou menino. E vocês vão se dar melhor se esse conflito for bem administrado com muita conversa e compreensão.

        Os pais também têm razão de reclamar do comportamento dos filhos. Se a adolescente quer mostrar que cresceu, está na hora de agir como tal. Nada de fazer cara feia ou ter comportamentos infantis diante de uma bronca ou proibição. Isso é normal e faz parte de seu amadurecimento.

        Ela alerta, por outro lado, para o fato de que muitos pais podem não se conformar por ter perdido o posto de heróis insubstituíveis dos filhos. Alguns têm dificuldade de suportar o olhar crítico dos jovens, que começam a questionar tudo e passam a ver os pais como são: pessoas com todos os defeitos e qualidades, porém com muito mais experiência. Lembre-se de que você também tem um monte de defeitos e que, por isso, é bacana pensar no lado dos pais e ouvir o que eles têm a dizer.

        O adolescente tem direito de: ser ouvida e poder expressar suas idéias, ter seu espaço, como o quarto, por exemplo, respeitado pelos pais, manter sua privacidade, por exemplo, ao telefone, com seu diário pessoal e em suas conversas, poder argumentar seu ponto de vista, quando deseja algo com que os pais não concordam, como usar roupas pretas ou salto.

        Mas os pais também têm direito de: pPedir mais responsabilidades, como manter o quarto arrumado, por exemplo, cobrar da filha (ou do filho) a responsabilidade pelo cuidado com seu corpo e com suas coisas, participar da vida das filhas (dos filhos) e orientar as escolhas, ser respeitada sempre

        Por que rolam tantas discussoões entre adolescentes e seus pais?

        ”Antes eu não discutia com a minha mãe. Agora eu discuto até ela chegar à mesma conclusão que a minha.” Irene, 11

        Sua mãe deve respeitar os seus gostos e desejos, assim como você também tem que respeitar os gostos dela. Mas, nem sempre, você terá seus desejos aceitos e precisará lidar com isso em várias situações em casa, na escola e por toda a vida.

        “Minha mãe quer que a gente volte aos tempos antigos. Eu gosto de roupa preta; ela, de roupa clara, e quer que eu use um visual antigo.” Beatriz,10

        Você está certa. Sua mãe quer que você se vista como ela, mas, conversando, você vai conseguir fazer com que ela a entenda. Mesmo não aceitando os seus gostos, ela deve respeitá-los.

        “Antes, minha mãe arrumava meu quarto e deixava tudo bonitinho. Agora, sou eu quem tem que arrumar. Ela diz que sou grande e que tenho que fazer isso. Mas, se quero ir ao shopping sozinha, ainda sou criança.” Inaiara, 10

        Arrumar o quarto deve ser sua obrigação, afinal o quarto é seu! Entenda que, aos poucos, seus pais irão perceber que você está crescendo em todos os aspectos e vão deixá-la ir ao shopping. Mas é preciso que você mostre a eles que está crescendo, sendo responsável.

        “ Tenho vergonha de falar de quem eu gosto para minha mãe. Antes, eu não sabia como era gostar de uma pessoa. Da primeira vez que contei, ela ficou rindo. Então, eu não falei mais” Flávia, 10

        Você está certa sim, mas seria bom perguntar a ela por que riu. Ninguém melhor do que sua mãe para dizer o porquê da risada. Deixe que ela explique e fale como você se sentiu chateada. Assim, pode confiar nela e contar o que sentir vontade.

        “Minha mãe me trata como criança. Quer que eu sente no colo e eu morro de vergonha. Parece que não percebe que eu mudei, que eu não uso mais roupas com desenhos de cachorrinho.” Gabriela, 10

        Que tal conversar com jeito com sua mãe e dizer que você não quer mais se sentar no colo dela, embora continue a amá-la? E que gostaria de ter o direito de usar as roupas que você escolher?

        Respeito e diálogo. Isso é o que há de mais importante numa relação. A maior parte das famílias não sabe conversar, e é preciso aprender. Corremos o risco de perder nossos filhos por isso. Sempre é tempo de aprender, se sentir necessidade, busque ajuda, mas aprenda a dialogar.

        Por Ieda Dreger


        Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h35

        A crise masculina, diante de tantas mudanças e novas exigências

        Medos e fobias (12)

        Ainda confuso diante das novas – e às vezes conflitantes – conquistas e solicitações femininas e sociais, o homem esforça-se para mudar, teme perder o lugar historicamente garantido, mas acumula ganhos inegáveis à medida que lida melhor com seu lado emocional.

        A crise que nossa cultura passa hoje é uma crise que questiona os padrões da masculinidade. Começa nos anos 60 com todo o movimento mundial por mudanças. Houve um questionamento muito grande dos padrões do que estava se esperando do ser humano. Na década de 70 começou esta questão da sensibilização do homem, da necessidade de mudança da postura masculina.

        O homem se depara hoje com novas exigências da mulher, antes ela tinha vida familiar somente ao redor dos filhos e a vida sexual somente com um homem, hoje ela tem termos de comparação, além de conversar com amigas sobre o assunto. E o pedido da mulher se torna ambíguo. Por um lado ela busca um homem que deixe aflorar sua sensibilidade, que mostre de forma mais humana seus sentimentos...mas ainda sente-se mal em ver um homem fragilizado, com medo, chorando. Não sabe como agir, fica sentindo-se culpada. E na realidade quando se consegue esse tipo de comunicação na relação, de cada um poder explicitar o seu sentimento, a relação torna-se ainda mais forte, porque ninguém é o “todo poderoso”.

        As mulheres têm mesmo um jogo de cintura para lidar com as relações afetivas muito melhor do que o homem. Assim como descobre um jeito de fazer menos força física e criar uma máquina, o homem também descobre o jeito de ter relações sexuais sem se envolver. Isso ele resolve facilmente – como ter uma vida sexual sem fazer força, a força que seria o envolvimento afetivo. Mas o domínio das relações afetivas foi abortado dele, do inconsciente..

        Ele tinha isso quando criança, com a mãe, com a família. Mas quando foi crescendo foi ouvindo: “ homem não chora”. E quando foi a luta no campo de trabalho, mesmo com medo, não falou, se escondeu dentro de si mesmo. Não podia entrar em contato com o que sentia.

        A mulher, por sua vez, teve todo o tempo para sentir, ser tímida, frágil, pedir ajuda, não querer se expor muito ao mundo, ficar em casa mais apegada à mãe. Assim, a mulher vai desenvolvendo a aoutopercepção do que sente em relação às pessoas e vai aprendendo a lidar com isso. E hoje, com a conquista da formação profissional e intelectual, sabe muito mais como as relações acontecem. Se articula mais, se não está bem com “x”, procura “y”, se está sozinha procura companhia dos amigos...Já o homem não sabe lidar com isso. Busca múltiplas relações e se enfia rapidamente numa relação com o pânico de ficar sozinho. Acaba num beco sem saída. E fica lá porque é melhor estar num lugar em que tenha uma constância afetiva relativa, mesmo infeliz. São as nossas diferenças. Não estamos falando de certo e errado, estamos falando de diferenças de educação, e vale aqui lembrar que quem educa um homem (menino) ainda é uma mulher.

        Em muitos momentos os homens sabem o que as mulheres querem, sabem do que precisam, mas não tem disposição de discutir isso. E sofrem mais de inúmeras doenças por não falarem de seus sentimentos. Mas não sabem faze-lo e têm medo de perder o controle sobre suas emoções (que sempre aprenderam a deixar guardadas) se falarem sobre elas. Todos nós temos falhas, medos, tristezas, alegrias...Ninguém é “super” o tempo todo. E quando exigimos isso do outro estamos colocando em suas costas um peso muito grande, o peso de não poder ser quem realmente é.

        Em minha prática clínica há homens que buscam psicoterapia especificamente para tratar da sexualidade, (isso precisa ser feito por algum profissional que tenha formação na área, ou seja, em sexologia), e aqui é importante lembrar que a relação sexual é um espelho da relação afetiva. A mulher cresceu, lutou, conquistou espaços. O resultado pode ser, para o homem, mais insegurança. E na cama isso pode manifestar-se como o nome de ejaculação precoce. (Como o problema não é só dele, é importante que sua parceira participe da busca de soluções.)

        Homens e mulheres representam sempre vários papéis dentro de um relacionamento. Um homem deve ser para uma mulher um pouco pai, um pouco amante, um pouco sócio, um pouco aliado e um pouco filho. E a mulher deve ser o correspondente complementar a cada um desses papéis. Se o homem se fixa num só desses papéis ou se em vez de sócio se comporta como dono e, em vez de aliado, como comandante, e nem cogita ser um pouco filho, o desequilíbrio reproduz uma relação desigual.

        Após a fase de dominação masculina e da antítese da rebeldia feminina, talvez estejamos nos encaminhando para a síntese. Um momento histórico para pesar os prós e contras das experiências passadas e escolher um caminho mais harmonioso. Quem sabe seja o fim da guerra dos sexos. Em conseqüência a mulher pode mostrar sua força e o homem pode mostrar sua sensibilidade (que não tira sua força), sua acessibilidade, ficar mais próximo da mulher, numa posição que não é acima nem à frente, é ao lado.



        Por Ieda Dreger.