Blog Psicologia Adolescente

    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h41

    A difícil arte de educar nos dias atuais

    Psicologia Adolescente (19)
    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Educar é um assunto corrente em consultório de psicologia. A necessidade de colocar limites é sempre muito questionada, tanto pelos...

    Educar é um assunto corrente em consultório de psicologia. A necessidade de colocar limites é sempre muito questionada, tanto pelos filhos como entre os novos e dedicados pais. Muitas pessoas viveram em sua própria educação a experiência de duros limites, constituídos em regras e proibições. Autoridade era misturada com Autoritarismo, a sabedoria da maturidade era confundida com verdade absoluta. Exigia-se da criança, do adolescente e mesmo dos adultos, total submissão e resignação; ser uma criança boazinha era sinônimo de atender as regras, jamais ser espontânea e nunca criar ou questionar algo; a liberdade em expressar suas idéias e pontos de vista confundia-se com enfrentamento e desrespeito aos “mais velhos”.

    É claro que esse modelo de educação trouxe muitos problemas e resultou em muitos adultos inseguros e até mesmo revoltados. A proposta da mudança era possibilitar a livre expressão dos potenciais e da espontaneidade infantil, como até hoje defendemos. Mas para alguns pais essa proposta foi confundida com a total permissividade, a educação do “tudo pode”, perdendo o entendimento da palavra não, do limite e do respeito.

    Nascemos totalmente espontâneos e criativos e com o decorrer do desenvolvimento através da educação aprendemos como usar nossos potenciais adequadamente, ou seja, respeitando as regras para viver socialmente. É também neste processo que aprendemos a acreditar ou não nesses potenciais. Nossas atitudes e comportamentos são o tempo todo avaliados e confirmados ou não, pelas pessoas com quem nos relacionamos e principalmente pelos nossos pais. É desta aprovação que surge a sensação de segurança interna que todos possuímos em maior ou menor quantidade, e também nossa auto-estima. É claro que para os pais não é uma tarefa fácil, pois implica em ter uma noção clara do que é ser adequado, o que depende de sua maturidade emocional.

    Há 40 anos atrás questionar uma ordem paterna, por mais absurda que ela fosse era praticamente um crime, castigável sem sombra de dúvida, com diversas formas de agressão tanto físicas como emocionais. Hoje em dia o questionamento já começa a ser entendido como algo positivo, pois ao trazer questionamentos novos a questões antigas aumentam-se as possibilidades de criar e descobrem-se novas formas de existir. O conhecimento deixa de ser percebido como uma “conserva cultural” e passa a ser percebido como algo dinâmico e em constante transformação e renovação.

    Mas como oferecer liberdade sem tornar a sociedade um caos?

    Introduzindo as noções de responsabilidade e respeito. Quando falamos em liberdade, falamos em respeito ao outro e em respeito a si mesmo, caso contrário estamos falando em invasão, e em desrespeito. Para convivermos em sociedade precisamos de algo que nos auxilie a lidar com as diferenças entre as pessoas, suas particularidades na sua forma de existir e de entender o mundo, pois apesar de sermos todos humanos, e similares em nossas necessidades, a forma de expressar nossos desejos difere de um para o outro, pois se relaciona ao grau de maturidade de cada um.

    Crescemos em famílias com crenças e culturas diferentes e somos influenciados pelo meio social no qual nos desenvolvemos. Esta delicada mistura é responsável pelos diferentes tipos de pessoas que nos tornamos. Portanto para vivermos socialmente necessitamos de alguns parâmetros, que se traduzem nas noções de ética, cidadania, gratidão e senso moral. Desta forma, quando pensamos em educar, precisamos checar dentro de nós como nos posicionamos em relação a isto e como esses parâmetros estão sendo exercitados nas relações que desenvolvemos.

    A educação se constitui basicamente naquilo que dizemos, confrontados pelo que fazemos. Ou seja, se pregamos o respeito mútuo e a honestidade, mas no dia-a-dia, valorizamos o “esperto”, aquele que sempre se dá bem, estamos sendo incoerentes e certamente essa incoerência fará parte de nossos de ensinamentos. A criança não aprende só pelo que houve e sim também pelo que vê.

    O mais importante ao processo de educação é o amor. Este gera a segurança interna, a confiança e a respeitabilidade, ingredientes indispensáveis para que a relação de intimidade necessária num processo de educação possa se estabelecer. Educar implica em intimidade, e você só ensina algo se é autorizado pelo outro, com esta autorização que se dá pela confiança que nasce nas relações onde o amor e a amizade são as palavras de ordem.

    Muitos pais se referem frequentemente às dificuldades em colocar limites, confusos entre cercear demais ou de menos. Esta dificuldade nasce de uma forma de entender o amor muitas vezes equivocada, onde se confunde limite com abandono e desamor, e consequentemente amar torna-se sinônimo de total permissividade, com a antítese do “nada pode” passando a ser o “pode-se tudo”.

    Colocar limites é ensinar que existe a frustração, que apesar de desagradável, faz parte do mudo real, ao vivo e a cores. O limite nos ajuda a perceber quem somos, o respeito nos ensina que temos limites e aumenta nossa consciência pessoal, e a responsabilidade nos ensina que tudo tem seu preço, pois estamos sempre em relações de troca, colhendo aquilo que semeamos. Oferecendo amor certamente colheremos alegria e felicidade. Para exercer o papel de educador, precisamos reavaliar o entendimento do "não", para esta importante palavra não se transformar numa forma de tirania e sim uma forma de proteção, exercício do amor e respeito a quem amamos.

    Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h40

      Adolescência: O que é normal nesta fase?

      Psicologia Adolescente (19)

      Quem tem um filho adolescente com certeza já deve ter feito a si mesmo essa pergunta. Afinal, como definir os limites da “normalidade” neste período de vida marcado por tantas mudanças? São tão rápidas as transformações físicas, as mudanças de humor e as diferenças de comportamento, que as atitudes dos jovens quase sempre parecem, aos adultos, estranhas e “fora de controle”.

      Definitivamente, eles não são mais os mesmos de alguns anos atrás, quando faziam o que o professor mandava, não questionavam as ordens do pai e da mãe e eram pouco influenciados pelo grupo de amigos. Agora, eles precisam livrar-se do que os prende à infância.

      O adolescente quer afirmar sua independência. Enquanto tenta acostumar-se ao seu novo corpo, ele tenta cortar os laços com a família . Para ele, é vital essa sensação de ruptura, a “separação psicológica”, porque sem ela não consegue se ver como um ser humano único, alguém que pode ser diferente, principalmente de seus pais, que são os mais próximos. É “normal” o adolescente protestar, não aceitar as idéias dos mais velhos, testar a autoridade, adquirir costumes diferentes, repetir gestos que desagradam, criticar características dos pais dentre outros.

      O adolescente adota atitudes e comportamentos que os adultos em geral só conseguem enxergar como rebeldes! Ele se volta para os companheiros, e é em seu grupo de iguais que consegue encontrar compreensão, pode expressar suas idéias e sentir-se mais forte e independente.

      Onde ficam os pais? Uma de suas tarefas mais importantes seria ajudar os filhos a tornarem-se independentes, com carinho, segurança e tranqüilidade. Mas como é difícil trocar o antigo papel de proteção pelo de orientação e confiança, ajudando os filhos a terem responsabilidade enquanto crescem. Como é difícil trocar velhos programas que serviam bem para a família, quando as crianças eram pequenas, por programas novos, com pessoas e idéias tão diferentes. É importante que os pais consigam acolher e abrir espaço dentro da família para esse filho que agora está tão diferente, que consigam dialogar sobre as idéias desse adolescente e ser claros, também ouvindo e ajudando na compreensão sobre a vida.

      Na maioria das famílias, não há um diálogo livre sobre várias questões, inclusive sobre a sexualidade. É uma época que muitas adolescentes engravidam e se tornam mães. Muitos pais ainda pensam e agem com discriminação. Enquanto estimulam o filho homem a iniciar a vida sexual bastante cedo, não querem nem imaginar que a filha também tenha desejos sexuais.

      Os comportamentos descritos acima caracterizam a adolescência , embora sejam estranhos para muitos adultos. Um adolescente pode ser grosseiro, agressivo e insolente - uma conduta normal, ainda que não admirada. Pode vez ou outra participar de uma molecagem em grupo, até destruir objetos, esvaziar pneus, ficar bêbado ou experimentar alguma droga, e, dentro de certos limites, também isso pode ser considerado “normal”.

      O que importa é que os pais estejam ao lado do filho adolescente, não para julgar, mas para conversar. É preciso colocar limites sem, no entanto, apelar para e rigidez. Há vários livros e vídeos que falam sobre o assunto, há também “sites” na internet sobre adolescentes, suas gírias, seus assuntos, suas idéias. Há ainda o auxílio de profissionais capacitados em ajudar essas famílias, são os psicólogos que trabalham com a família toda, ajudando-os a compreenderem suas dificuldades. Converse, converse, converse... Não sabe? Nunca é tarde para aprender.

      Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h38

      Como falar com seu filho sobre a adoção

      Psicologia Adolescente (19)

      Pais que estão pensando em adotar uma criança , ou que já o fizeram, enfrentam o medo e a ansiedade diante da perspectiva de explicar a seus filhos sua origem.

      “Mamãe, eu vim da sua barriga?” é uma pergunta natural e freqüente nas crianças.

      Pais esclarecidos, amorosos e bem intencionados preocupam-se com a importância do falar da adoção por saberem que isto pode influenciar diretamente na auto estima da criança e na sua maneira de estar no mundo. Por um outro lado, sabem também que, no processo de fazê-los entender a adoção, podem ocorrer na criança sentimentos de rejeição, tristeza e mágoa.

      É razoável, portanto, que uma série de sentimentos assustadores invadam o pensamento e o coração destes pais. “Será que eles nos amarão menos ou acharão que nós os amamos menos quando souberem que não vieram de nós?” “Será que eles se sentirão rejeitados pela sua mãe biológica?” “Ou, ao contrário, se sentirão mais ligados à sua mãe biológica?” “Será que acharão que foram nossa segunda opção e não uma real escolha?”

      Como então resolver este impasse?

      Falar “de onde eu vim?” envolve assuntos como parto, infertilidade e adoção, assuntos que, dependendo da faixa de idade, têm que ser adequadamente abordados.

      Ser honesto com seu filho implica também em respeitar seus limites cognitivos, intelectuais e emocionais para receber tais informações. E, sobretudo, deixá-lo expressar seus sentimentos e não tentar protegê-lo contra aqueles sentimentos de dor e tristeza, por mais difícil que isto seja!

      Tentar perceber o que seu filho pensa e o que quer saber é sempre uma esratégia melhor do que, em nome da verdade, começar a inundá-lo com informações. Vale lembrar, inclusive, que há algumas crianças extremamente curiosas e, outras, que custam a manifestar interesse pelo assunto, cabendo aos pais, nestas circunstâncias, provocar, delicadamente, o assunto.

      Aliás, as crianças são especialistas em fazerem perguntas em situações e ambientes os mais disparatados possíveis! Não se espante se, no meio do caminho para o colégio, com um transito horrível, você dirigindo e ele no banco de trás, seu filho sair-se com uma destas perguntas que você temia há tanto tempo!

      “Logo agora!!!” “O que faço? Paro tudo e respondo?” “Digo que vamos conversar depois?” “Tento disfarçar e fingir que não entendi para esperar um momento melhor ou o pai chegar a noite para explicarmos tudo, juntos?”

      Qualquer que seja a sua escolha, é importante conscientizar-se que falar sobre a adoção é um longo processo, que precisará de repetidas conversas durante a vida para ser assimilado e digerido por todos...

      Nas crianças da faixa etária de 1 a 5 anos, o pensamento está preparado para receber informações que não exijam nenhum raciocínio lógico; eles adoram ouvir suas histórias de como chegaram em nossa família e serem o centro das atenções...

      Conte-lhes, basicamente, que:

      • eles nasceram da mesma maneira que todas as crianças nascem
      • eles nasceram da barriga de outra mulher que não estava preparada para ser mãe de nenhum bebê naquela época
      • que vocês queriam muito ter um filho mas que nenhum bebê crescia na sua barriga e então vocês o adotaram e ele será seu bebê para sempre e
      • não esqueça de reforçar que, tanto o momento do seu nascimento, quanto o momento de sua adoção foi muito importante e bonito e que, depois de tanto tempo de espera, segurá-lo em seus braços foi algo de maravilhoso.

      Na faixa de idade de 6/7 anos é quando a criança percebe que, embora todas as pessoas venham ao mundo da mesma maneira, há uma diferença entre aqueles que nascem dentro de uma família e outros que entram numa família depois de nascerem. Começam a compreender que existem os pais que o conceberam e os pais que o criam.

      Na faixa de idade de 8 aos 11 anos é quando a criança começa a ter um raciocínio lógico e seu entendimento sobre as questões da adoção aumentam significativamente. É nesta etapa que vão questionar o porquê da decisão de sua mãe biológica.

      “Se ela não tinha dinheiro suficiente prá me criar, por que não arranjou um emprego?”
      “Se ela achava que não dava prá me criar sozinha, por que não se casou?”
      “Se ela não sabia como ser mãe, por que não tentou achar alguém que lhe ensinasse, lhe ajudasse?”

      E, por aí vão as questões, sem resposta,e as soluções que lhe parecem tão fáceis de terem sido encontradas pela mãe biológica... É quando elas começam a viver a adoção sob o aspecto das perdas e iniciam um doloroso processo de luto pela família perdida, não construída. Eles sofrem pelos pais que não conheceram assim como os pais adotivos vivem o luto pelo filho que nunca tiveram... Este luto pode manifestar-se de formas variadas, desde aqueles que falam diretamente sobre seus sentimentos, outros que adotam uma atitude mais defensiva e ainda há os que expressam seus sentimentos de raiva e mostram um comportamento desequilibrado.

      Não há um modelo certo ou errado em como falar sobre a adoção. O importante é ouvir o que seu filho está dizendo, permitir que expresse seus sentimentos, quaisquer que sejam eles, e estar sempre disponível para ouvi-lo e ajudá-lo na batalha da compreensão de sua origem.

      Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h35

      Porque é tão difícil ser adolescente

      Psicologia Adolescente (19)

      Conflito de Gerações

      Os amigos são tudo. Os pais nunca a entendem. Há dias em que tudo parece simples e outros que são tempestade pura, quando você só quer gritar com o mundo, dizendo que todos estão errados.

      É, a adolescência é assim, o corpo estica, arredonda, cresce para todos os lados. Quando percebe, você está dentro de uma nova embalagem e tem dificuldade para se reconhecer dentro dela.

      Mais dificil ainda é reconhecer as mudanças que estão acontecendo dentro da sua cabeça e fica a milhão com tanta coisa para pensar: escola, irmãos mais novos e os mais velhos também, as amigas, os garotos e seus pais.

      Ah, os pais... como é que do nada eles parecem não entender uma palavra do que você fala? Quando foi que eles se tornaram chatos? Quem são essas pessoas tão por fora e que não entendem nada?

      Na verdade, são os mesmos pais de sempre. Quem mudou foi você. Pense bem, quando você grita por causa de uma roupa ou bate a porta do quarto porque não poderá ir ao shopping, é um comportamento infantil. E tem ainda o excesso de agressividade com que você ataca todos.

      Seus pais também querem entender essa nova pessoa que fica cada dia mais independente e está aprendendo a ser madura. Mas que ainda tem muito que aprender.

      Será que dá para passar por esse período em paz com os pais? Dá sim. Respeito e doses cavalares de paciência ajudam bastante.

      A adolescência é o período em que a garota deixa de lado os valores dos pais para criar seus próprios valores. Muitas vezes, as adolescentes precisam testar gostos e pensamentos diferentes dos pais para descobrirem quem realmente são, a sua verdadeira personalidade como indivíduo.

      Essa busca pelos valores é que costuma causar um choque direto com os pais. Você quer muito ser ouvida, mas, por outro lado, não se esqueça de que eles têm mais experiência. Parece estranho, mas seus pais já foram adolescentes também, e podem dar toques importantes para que você passe por tudo isso de uma maneira mais fácil. A adolescência é um período de conflitos e mudanças para qualquer menina ou menino. E vocês vão se dar melhor se esse conflito for bem administrado com muita conversa e compreensão.

      Os pais também têm razão de reclamar do comportamento dos filhos. Se a adolescente quer mostrar que cresceu, está na hora de agir como tal. Nada de fazer cara feia ou ter comportamentos infantis diante de uma bronca ou proibição. Isso é normal e faz parte de seu amadurecimento.

      Ela alerta, por outro lado, para o fato de que muitos pais podem não se conformar por ter perdido o posto de heróis insubstituíveis dos filhos. Alguns têm dificuldade de suportar o olhar crítico dos jovens, que começam a questionar tudo e passam a ver os pais como são: pessoas com todos os defeitos e qualidades, porém com muito mais experiência. Lembre-se de que você também tem um monte de defeitos e que, por isso, é bacana pensar no lado dos pais e ouvir o que eles têm a dizer.

      O adolescente tem direito de: ser ouvida e poder expressar suas idéias, ter seu espaço, como o quarto, por exemplo, respeitado pelos pais, manter sua privacidade, por exemplo, ao telefone, com seu diário pessoal e em suas conversas, poder argumentar seu ponto de vista, quando deseja algo com que os pais não concordam, como usar roupas pretas ou salto.

      Mas os pais também têm direito de: pPedir mais responsabilidades, como manter o quarto arrumado, por exemplo, cobrar da filha (ou do filho) a responsabilidade pelo cuidado com seu corpo e com suas coisas, participar da vida das filhas (dos filhos) e orientar as escolhas, ser respeitada sempre

      Por que rolam tantas discussoões entre adolescentes e seus pais?

      ”Antes eu não discutia com a minha mãe. Agora eu discuto até ela chegar à mesma conclusão que a minha.” Irene, 11

      Sua mãe deve respeitar os seus gostos e desejos, assim como você também tem que respeitar os gostos dela. Mas, nem sempre, você terá seus desejos aceitos e precisará lidar com isso em várias situações em casa, na escola e por toda a vida.

      “Minha mãe quer que a gente volte aos tempos antigos. Eu gosto de roupa preta; ela, de roupa clara, e quer que eu use um visual antigo.” Beatriz,10

      Você está certa. Sua mãe quer que você se vista como ela, mas, conversando, você vai conseguir fazer com que ela a entenda. Mesmo não aceitando os seus gostos, ela deve respeitá-los.

      “Antes, minha mãe arrumava meu quarto e deixava tudo bonitinho. Agora, sou eu quem tem que arrumar. Ela diz que sou grande e que tenho que fazer isso. Mas, se quero ir ao shopping sozinha, ainda sou criança.” Inaiara, 10

      Arrumar o quarto deve ser sua obrigação, afinal o quarto é seu! Entenda que, aos poucos, seus pais irão perceber que você está crescendo em todos os aspectos e vão deixá-la ir ao shopping. Mas é preciso que você mostre a eles que está crescendo, sendo responsável.

      “ Tenho vergonha de falar de quem eu gosto para minha mãe. Antes, eu não sabia como era gostar de uma pessoa. Da primeira vez que contei, ela ficou rindo. Então, eu não falei mais” Flávia, 10

      Você está certa sim, mas seria bom perguntar a ela por que riu. Ninguém melhor do que sua mãe para dizer o porquê da risada. Deixe que ela explique e fale como você se sentiu chateada. Assim, pode confiar nela e contar o que sentir vontade.

      “Minha mãe me trata como criança. Quer que eu sente no colo e eu morro de vergonha. Parece que não percebe que eu mudei, que eu não uso mais roupas com desenhos de cachorrinho.” Gabriela, 10

      Que tal conversar com jeito com sua mãe e dizer que você não quer mais se sentar no colo dela, embora continue a amá-la? E que gostaria de ter o direito de usar as roupas que você escolher?

      Respeito e diálogo. Isso é o que há de mais importante numa relação. A maior parte das famílias não sabe conversar, e é preciso aprender. Corremos o risco de perder nossos filhos por isso. Sempre é tempo de aprender, se sentir necessidade, busque ajuda, mas aprenda a dialogar.

      Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h34

      Diálogo entre pais e filhos adolescentes

      Psicologia Adolescente (19)

      Os pais muitas vezes se sentem inseguros, porque a tarefa de educar um filho não é fácil. Em geral eles desejam o melhor para os filhos, mas também têm a função de colocar limites e fazer respeitar regras e isso é uma coisa que adolescente não gosta muito. Ele está na fase de buscar sua individualidade e quer ser livre.

      No entanto, até duas pessoas que não falam a mesma língua, porque são de países diferentes, podem se entender. Existe uma linguagem universal que é a do olhar, do gesto, do corpo, do sorriso.

      Existem algumas atitudes que são muito importantes para facilitar a comunicação, não apenas entre pais e filhos, mas entre as pessoas de modo geral. A primeira delas é sermos verdadeiros e espontâneos ao expressarmos nossos sentimentos. O que é verdade toca mais facilmente o coração do outro. Ao invés de reagir com silêncio, com cara feia, devemos falar aquilo que estamos sentindo, tanto em relação ao que nos agrada quanto em relação ao que nos desagrada nas diversas situações.

      Outra coisa importante é a assertividade. A pessoa assertiva defende os seus direitos e coloca limites sem agredir nem ofender o outro. Isso é muito importante, porque muitas vezes o que ofende não é o que dizemos, mas como dizemos as coisas. Podemos falar para a pessoa que não gostamos de sua atitude ou que estamos magoados ou zangados, sem sermos agressivos.

      Há ainda outro fator de grande importância que é o bom humor. Famílias que sabem rir e se divertir juntas, (quer vendo um filme, comendo pipocas e rindo, quer simplesmente estando lado a lado) que brincam e fazem piadas, são mais saudáveis, se estressam menos e se tornam mais próximas. A brincadeira facilita o diálogo, quebra o gelo e torna o clima mais descontraído.

      E não posso deixar de citar ainda a inversão de papéis. Sempre que houver uma discussão por algum assunto, tente se colocar no lugar da outra pessoa. Isso ajuda a entender melhor o ponto de vista do outro. Os pais não são os que “sabem tudo” só porque têm mais idade. É importante poder discutir assuntos, ouvir idéias e opiniões e até poder mudar o “ponto de vista”. São gerações diferentes, com pontos de vista diferentes.O importante é poder conversar sobre isso.

      O diálogo é uma ponte que se estabelece entre as pessoas. Mas existem outras formas de linguagem. Um abraço, um carinho, um afago. Busque, investigue, procure, tente...sempre é tempo de aprender e de começar.

      Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h32

      Drogas na adolescência ou uma droga de adolescência?

      Psicologia Adolescente (19)
      Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Conforme cresce o mercado de drogas, diminui a idade dos jovens que experimentam ou fazem uso delas. Porque é mais fácil entrar no mundo da...

      Conforme cresce o mercado de drogas, diminui a idade dos jovens que experimentam ou fazem uso delas.

      Porque é mais fácil entrar no mundo da droga na adolescência?

      Porque a adolescência é um período de transição, onde ocorrem muitas mudanças no corpo e mente da pessoa. Alguns conseguem passar por este período sem problemas significativos, mas a maior parte tem conflitos.

      Adolescência e puberdade caminham juntas. Adolescência é o amadurecimento emocional e puberdade é o amadurecimento físico. As mudanças objetivam a maturação sexual. Têm seu início entre 11,12 anos e se completa por volta de 16, 17 anos.

      Essas mudanças no corpo geram grandes conflitos, o que contribui para o amadurecimento emocional. O adolescente precisa lidar com:

      1. O corpo infantil que se vai. A voz começa a mudar, o corpo, o cheiro...E não é possível exercer nenhum controle sobre as mudanças. È um corpo diferente, desconhecido, novo.
      2. Nesta fase começa a se pensar sobre as diferenças dos sexos. Começa a haver sentimentos antes não experienciados.
      3. A mudança na percepção dos pais, que antes eram vistos como grandes heróis, agora são vistos como seres falíveis, suscetíveis a erros, fracassos e outros sentimentos que não os fazem mais seres tidos como invencíveis.
      4. Não só o corpo infantil é que muda, mas a infância se vai. Surge o conflito entre a independência e dependência. Entrar no mundo dos adultos é um misto de desejo e temor. Significa a perda definitiva da condição de ser criança e estar protegido.

      É em meio a todos esses conflitos que a droga surge como um elemento capaz de torna-los mais suaves. Oferece uma fuga à realidade e por alguns instantes, sob o efeito da droga, o adolescente sente-se todo poderoso (pois se torna onipotente de fato).

      Em meio a tantas mudanças e na vontade de conquistar sua independência, se une aos grupos. Com medo de não ser aceito por eles, se submete às regras. Muitas vezes busca independência, mas fica dependente das regras do grupo. É importante lembrar que ter grupos é bem saudável, o que deixa de ser saudável é quando o adolescente deixa de ser ele próprio, de ter seus valores para acatar os valores do grupo. É como se negar e despersonalizar-se.

      É importante lembrar que para o jovem, o prazer imediato que a droga pode oferecer é mais interessante do que o perigo que ela pode trazer..

      Umas das queixas mais freqüentes dos adolescentes com os quais trabalho é de não serem ouvidos pelos pais. Nem sempre esse “não ouvir” é proposital. Na maioria das vezes os pais até ouvem seus filhos, mas não conseguem estabelecer diálogo. Pensam que dialogar é impor, mandar. Que são mais velhos e por isso sabem mais, que a sua percepção é única e que o filho deve somente obedecer, etc.

      Estamos em um momento que há muita tecnologia, tv, internet, celular...E esses aparelhos vão ocupando o lugar das conversas saudáveis nas famílias. Há famílias que não sabem fazer uma refeição sem a tv ligada, não há tempo nem espaço para se ouvirem e trocar entre si.

      Quando esse espaço fica pequeno, o adolescente sai em busca de espaço e de ser ouvido em outros locais.

      Isso não quer dizer que a família é a única “culpada” na relação adolescente x drogas. Até porque não estamos tentando buscar culpados e sim compreensões. É importante que a família com adolescentes possa abrir espaço para acolher o novo, um novo corpo, novos amigos, novas percepções...E poder dialogar sobre isso, sempre.

      Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h31

      Educação é dever de quem?

      Psicologia Adolescente (19)

      Uma das coisas mais difíceis que existe nesta vida é educar um ser humano, pois que demanda a nossa atenção por um tempo bastante longo se não por toda a vida.

      Alguns fatores apontam as causas da falta de limites na educação das crianças de um modo geral, destacando os valores morais que sumiram do nosso cenário, diante do enorme número de casos de corrupção na política, empresas, igrejas, etc, apresentados na mídia, onde, dificilmente a lei consegue ser cumprida. Com isso, instaurou-se na cultura a idéia de que ser esperto é a grande jogada, o contrário; uma tremenda burrice, então, por qual razão seguir regras?

      Outro ponto importante vem a ser a ausência dos pais na vida dos filhos, em razão da carga horária dedicada ao trabalho, deixando a convivência educacional aos cuidados da escola, desde os primeiros momentos, nas creches e nas instituições educacionais, do governo ou particulares. Esta necessidade familiar gerou um sentimento de culpa nos pais, que, para compensar tais circunstâncias, acabam sendo permissivos demais com os seus filhos, impedindo momentos de se educar e proporcionar os valores que devem ser seguidos para a constituição da personalidade da criança e adolescente. Além disso muitos pais com filhos hoje adolescentes e outros adultos vêm de uma geração na qual pregou por muitos anos a idéia de que a liberdade total era a melhor saída, contrapondo à idéia de repressão sócio-histórica vivida por eles em sua juventude, o que acarretou em juízo de valores distorcido, vindo de um radicalismo social para outro, o que se sabe, nunca é bom.. Não houve ponderação e conseqüentemente faltou um plano médio, nem 8 nem 80, que fosse sendo ajustado à medida que as necessidades surgissem. Simplesmente foi-se estabelecendo este modelo de educação até o momento em que se evidenciaram os desastrosos resultados.

      Outra condição a ser pensada é o exagero que os pais têm com relação aos traumas que poderão causar, caso venham a ser mais enérgicos na educação dos seus filhos. Usar o bom senso e algumas regras para estabelecer limites na educação não arranca pedaço de ninguém e que dar limites também é uma forma de dar amor. Faz-se necessária a consciência de que para educar é preciso esforço, dedicação, perseverança e paciência; muita paciência.

      Nas escolas a relação entre o aluno e o professor chegou a uma condição muito favorável, quando entendemos que a participação do aluno está maior, diferentemente de outras épocas onde o papel se restringia apenas a ouvir e guardar as informações que chegavam.

      A criança de hoje está mais bem estimulada e responde com maior agilidade ao meio, o que lhe confere a boa posição de ser participante nos grupos sociais; casa e escola especialmente. Todavia, dada a falta de condução por conta da educação sem limites, a criança acaba se tornando um canhão sem direção, que atira para vários lados ao acaso a acerta em quem estiver na trajetória, e a si mesma invariavelmente.

      Para ilustrar este contexto da educação sem limites, relatarei uma cena que vi na sala de diretoria de uma escola do governo. De um lado encontrava-se a vice-diretora desta instituição, a qual descrevia o descaso de um aluno com relação aos estudos, seu comportamento rebelde e desrespeitador mediante as regras daquela escola, exaltando o fato de que este menino, de aproximadamente onze anos, já havia "bombado" em ano anterior e que em seu boletim constavam muitas faltas. De outro lado, a mãe, enlouquecida com aquelas faltas, tentando compreender aquele furacão que se lhe apresentava. Ao lado da mãe que estava sentada, encontrava-se sua filha menor, à frente do referido estudante, e ao lado dele outra irmã, presumivelmente mais velha. O quadro estava formado; o garoto permaneceu imóvel entre as pessoas de sua família e apenas comentou em tom humilde que a direção da escola lhe perseguia há muito tempo e que ele era bonzinho. Apesar da postura de cobrança por parte da diretoria da escola, é quase impossível obter do aluno um comportamento adequado, uma vez que lhe falta o direcionamento educacional, sutilmente revelado pela mãe quando alegou não ter tempo de poder criar o próprio filho, permanecendo ausente em virtude do trabalho.

      Tal situação é comum e é clara quanto às dificuldades existentes para todas as partes: do aluno que precisa e não tem a educação fundamental de ser acompanhado em casa por seus responsáveis; dos pais, que não têm tempo e sentem a dificuldade se ampliar conforme o tempo passa, desestimulando cada vez mais, ter que mexer com esta situação, e, para a escola, que acaba arcando com tal responsabilidade, sem ter estrutura para isso. A situação destas várias crianças e de suas famílias é caótica, não existindo meio termo para classificar o que se passa nesta inversão de valores, onde inexiste a educação pautada em acompanhamento e com limites. Muitos pais crêem que o tempo dará jeito na questão, deixando à sorte o futuro de seus filhos.

      O exercício do viver só é realizável vivendo, na prática, e o mesmo ocorre com a educação, portando, é preciso arregaçar as mangas e assumir o papel de orientador, de guia, de educador. Começar, antes tarde do que nunca a se envolver neste processo importante e determinador da vida do ser humano, cavando tempo e espaço para esta empreitada. Sempre que desejamos muito alguma coisa damos um jeito no tempo e espaço para alcançá-la. O que nos impede de lutar por esta causa mais do que nobre? Qual medo existe em tentar educar os próprios filhos?

      Como em qualquer situação da vida, haverá tropeços, que darão lugar ao adequado conforme a prática e a persistência desta convivência. Os rumos poderão ser diferentes, e certamente o serão. Outros benefícios virão naturalmente, como um maior sentimento de amor próprio, e em muitos casos, a unidade familiar. Mas é preciso começar, tentar, fazendo acontecer. Confie em si mesmo e mude o cenário, assumindo as responsabilidades e transmitindo muitos valores aos seus filhos, por via de uma educação que dá segurança e conforto, pois todos nós sempre desejamos isto. Se tiver alguma dificuldade, procure um profissional habilitado para lhe ajudar a lidar com seus filhos, mas não desista da idéia de estar ao lado deles e contribuir para a educação dos mesmos.

      Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h24

      Filho mal educado o seu trabalho é dobrado

      Psicologia Adolescente (19)

      Se você sente que a educação do filhote escapou ao seu controle, é hora de reavaliar a maneira como conduz a relação com ele.

      Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Certas ou erradas, as suas atitudes refletem nas ações dos herdeiros: pais são modelos e o filho é o espelho.

      Além da relação com os pais, outras variantes interferem no comportamento infantil: problemas emocionais, fatores genéticos e disfunções do organismo. Nenhuma delas deve levá-lo ao desespero, pois há solução para tudo; basta encarar o problema.

      Se não deu para prevenir, corrija

      Boca suja: Você fala palavrão? Quando está dirigindo, às vezes, escapa um, não é? Então, sinta o puxão de orelha! Crianças aprendem imitando os adultos. Antes de repreender seu filho por falar palavras feias, corrija o seu próprio comportamento.

      Se esse não é o caso, uma dica que funciona com os pequenos, é chamar sua atenção dizendo que vai lavar a boquinha suja deles. Também não permita que tios, primos e avós achem graça na situação: essa atitude estimula a criança a continuar falando bobagens.

      A hora de dormir ou quando a criança brinca tranqüilamente são ótimos momentos para reforçar que palavrões são feios e não devem ser repetidos. Na "calmaria" elas ficam atentas e absorvem facilmente aquilo que lhes for dito. Adequar a maneira de falar à idade de seu filho é importante: uma criança de 3 anos repete o palavrão e não sabe o que quer dizer, mas uma criança de 8 anos já sabe.

      Escândalo em público: Jamais atenda a exigências de seu filhote por vergonha da choradeira diante das outras pessoas. Se o fizer, ensinará que, gritando, chorando e se jogando ao chão, ele conseguirá o que quiser.

      Ajoelhe para ficar da altura da criança e chamar a sua atenção. Peça, com firmeza, que olhe para você. Dê a ela a oportunidade de desabafar, perguntando o que quer e por quê. 

      Proponha comprar o objeto do desejo no aniversário ou no Natal. Ou diga que sente muito, mas não dispõe de dinheiro. Descreva os motivos com calma, paciência e gestos afetuosos. Se a criança continuar agitada, explique que espernear não resolverá o problema e a convide-a a ver outras vitrines.

      Se a criança aceitar o acordo, beije-a ou faça um gesto de carinho. Ensinar a passividade e a desistência dos desejos acarreta o risco de forjar um adulto sem expectativas nem forças para lutar por ideais, que abre mão dos desafios diante do primeiro obstáculo. E não é isso que queremos.

      Para acabar com as brigas: Converse com a criança antes da visita chegar. Discretamente, sem mostrar a sua preocupação, sugira ao seu filho que mostre os brinquedos para os amiguinhos que logo estarão com ele.

      Sugira a ele selecionar os brinquedos: guardar em lugar seguro aqueles que não quer dividir e deixar os outros disponíveis para brincar com os colegas. Isso evita confusão.

      Criança levada, atenção redobrada:Comportamento agressivo e gestos bruscos merecem um olhar atento, pois há riscos de acidentes. A mensagem que a criança passa é a seguinte: "Olhe para mim, estou aqui, fale comigo".

      Dê a atenção exigida no momento. Não é correto pular no sofá, mas a criança não espera gritos, nem tapas, apenas uma historinha ou um aconchego. Há atitudes que funcionam como "calmantes". Quando o filho não pára de correr, pular e gritar pela casa, faça cócegas nele, sussurre palavras doces e dê um abraço gostoso. Acalma a criança e dá a ela a segurança e o colo de que precisa.

      Esporte descarrega a energia; para a meninada agitada é uma ótima pedida. Brincar em lugares abertos, também: dá para correr, andar de bicicleta e jogar bola. Não esqueça de alimentá-los e hidratá-los bem para essas atividades.

      Regras que resultam em boa conduta

      • Prometer e não cumprir tem um péssimo significado para os filhos, pois quebra a confiança depositada nos pais.
      • Não encha a criança de brinquedos caros e sofisticados para compensar a sua ausência: quando adulto pensará que pode comprar tudo na vida, inclusive pessoas.
      • Melhore o seu comportamento, ou logo estará se perguntando: "com quem esse menino aprende essas coisas?"
      • Use o bom senso para impor limites. Se a criança pular no sofá com você por perto para garantir que não se machuque, tudo bem. Mas se pendurar no lustre é abuso!
      • Faça questão de chegar na hora certa aos compromissos que envolvem seu filho - reunião na escola, pediatra e festa dos amiguinhos. Atrasos fazem a criança pensar que não é importante para você, desencadeando rebeldia.
      • Questione aspectos morais, fale da convivência em sociedade e mostre indignação diante de coisas erradas para deixar bem clara a importância da ética e da honestidade.
      • Obrigações domésticas ensinam noções de organização: guardar brinquedos, arrumar o próprio quarto, retirar o prato da mesa, colocar o copo na pia e hora certa para as tarefas da escola.

      Se você perceber que não está conseguindo ou que perdeu o controle sobre a situação, busque auxílio de um profissional capacitado em lidar com famílias. Ele poderá auxiliar vocês. Nunca estamos sozinhos e não há problemas sem solução.

      Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h22

      Filhos e Drogas: Um problema que precisa ser olhado com carinho

      Psicologia Adolescente (19)

      Costumo encontrar em meu consultório, pais perguntando sobre “sinais” de que os filhos podem estar utilizando drogas.

      Erroneamente, muitos desses pais sequer se questionam quando ocorrem situações de distanciamento afetivo dos filhos para com eles. Preferem entender este como sendo um processo natural do desenvolvimento adolescente. A busca de novos referenciais e algum isolamento dos pais são de fato necessários para a elaboração da identidade do futuro adulto, mas apenas até certo ponto.

      Distanciamentos afetivos, de modo geral, requerem um olhar mais atento por parte dos pais e merecem maior atenção quando conjuntamente surgem mudanças importantes de personalidade e comportamento. Exemplo: Quando aparecem retraimentos espontâneos, dificuldades e mesmo falta de vontade de conviver com a família e com amigos que sempre costumaram ser referências fraternas. Quando as festas sociais e familiares ficam determinantemente fora de cogitação. Tudo isso ocorre de modo sutil, porém, em determinado momento um quadro maior vai se delineando e os pais podem perceber o filho mais próximo de um estranho do que de alguém com quem mantiveram contato desde o nascimento.

      Outro fator de relevância são as altas jornadas de sono ao longo do dia e o uso freqüente da desculpa sobre o excesso de cansaço ser devido às atividades do dia-a-dia ou mesmo pelas baladas noturnas. Essas situações devem ser observadas pelos pais pelo bom senso somado aos dados de realidade. Verificar se o jovem prefere passar horas a fio trancado dentro do quarto ou banheiro também pode ser algum sinal de que algo pode estar fora do prumo.

      Carlos diz que a idéia era a de buscar mais e mais sensações de prazer. Por um momento, esqueceu-se daquilo que o impulsionou para este tipo de jornada: a angustia pelo vazio interior enorme e sem nome. Foi a facilidade de se obter tudo. Foi a ausência de autopresença em sua própria vida, somada ao desvalor e à rapidez que este império sedutor em que vivemos nos traz.

      Vivemos permeados por situações de conquistas importantíssimas, mas que duram apenas um ínfimo momento. É deste modo que a vida em si vai perdendo a sua própria dimensão e valor. Tudo fica raso e sem sentido.

      Então a busca passa a ser frenética, perseguindo-se um sentido que dê significado. Na maioria das vezes a angústia faz com que se procure o caminho mais rápido e fácil, o que infelizmente não provoca o verdadeiro encontro consigo mesmo. Ao contrário, retira mais e mais o prazer de se estar vivo, enterrando cada vez mais a possibilidade de poder viajar saudavelmente na imaginação, projetando e criando situações para conquista e crescimento pessoal.

      O que ocorre é a perda da linha do tempo tanto para o passado, como para o futuro. Perde-se a validade sagrada do momentum vívido.

      A grande questão fica na linha divisória do que pode ser entendido dentro de um padrão de normalidade ou de alguns tipos de comportamentos que podem servir como fortes sinalizadores de que algo de muito errado pode estar ocorrendo secretamente na vida de seu filho. Os sinais surgem e os pais devem ficar atentos aos movimentos e atitudes que antes não faziam parte da rotina e da estrutura de personalidade dos filhos.

      Dependendo do tipo de droga utilizada, poderá ocorrer a diminuição drástica do apetite e ate sensações de enjôo ou mesmo vômitos.

      Também se torna recorrente o esquecimento de palavras durante as frases.

      Sabemos que o adolescente está em constante transformação e que todo este caminho mutante serve de experimentação para a jornada adulta que a sucede. Por isso mesmo é que os pais devem estar presentes, entendendo os processos de mudanças fundamentais, mas em momento algum se dispersando de uma visão mais acurada e amadurecida em relação aos filhos. Atentando inclusive para não relevarem as percepções por mais sutis que possam parecer em relação as atitudes diferentes do usual que seu filhos possam estar tendo.

      Denunciar para si próprios de que algo pode não estar caminhando bem em relação aos próprios filhos pode incomodar profundamente todo e qualquer tipo de ideal dos pais, negá-los, porém num futuro não distante, pode trazer uma dor que muitas vezes torna-se irrecuperável.

      E muitos pais, na sala ao lado, continuam vendo televisão...

      Por Ieda Dreger


      Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h21

      Filhos que mandam e pais que obedecem?

      Psicologia Adolescente (19)

      A responsabilidade de educar filhos é intransferível, ainda que algumas pessoas busquem fazê-lo. Mas o outro que vem cuidar é um substituto, nunca um pai. E as próprias crianças compreendem isso quando dizem: “você não é meu pai (mãe), você não me manda”

      Um substituto recebe dos pais as informações necessárias para cuidar dos filhos, mas dificilmente pode tomar providências e iniciativas com relação a educação, regras de comportamento e disciplinas. Isso é possível ver em sala de aula, quando um professor for mais rígido na conduta com o aluno, este geralmente se queixa aos pais que, por sua vez, vão tirar satisfação dos professores.

      Mas muitos pais não fazem sua parte e tentam transferir sem nenhuma autoridade ao outro. Nada dá certo desta forma.

      É importante compreender que ser pais implica autoridade. Autoridade não significa apenas dominar, nem impor superioridade. Essa é uma das formas. O papel dos pais é colocar as regras de forma clara e ajudar para que elas sejam cumpridas. As regras precisam ser claras e é necessário saber se a criança compreendeu. A partir disso existe uma cobrança. Este é o papel de pais que cuidam.

      É bom que as regras além de serem claras, estejam escritas e posteriormente fixadas em algum local bem visível, que pode ser a cozinha ou o quarto de dormir das crianças.

      Deverá também ser estabelecido um castigo para cada transgressão. O castigo precisa ter a ver com a regra descumprida. Além disso, de nada adianta um castigo de um mês quando os pais conseguem cobrar apenas uma semana. Melhor poucos dias ou horas, mas bem cobrados. Se não corremos o risco de os filhos não levarem mais a coisa a sério. Perdem o respeito pelos pais e pelo castigo em conseqüência.

      Ex: de nada vale dizer que vai ficar um mês sem usar o vídeo game se você não tem como fiscalizar isso em algum período do dia. Ou dizer para o adolescente que ele vai ficar um mês sem sair de casa e na semana seguinte deixar ele sair porque ficou com dó.

      Seguindo, Na primeira transgressão da criança ela deverá ser advertida de que em sua próxima vez de transgressão haverá o castigo. E isso de fato deve ocorrer.

      Firmeza e convicção são qualidades necessárias aos pais para exercerem seu domínio.

      Também é muito importante que o filho, uma vez que tenha cumprido o castigo, peça desculpas aos seus pais pelo que fez, e assim receberá um abraço dos mesmos.

      Esta é uma técnica que funciona muito bem, mas é preciso estar atento e não passar por alto nas transgressões, por cansaço ou comodidade, por pena, preguiça ou outros.

      Gritos, berros e chantagens de crianças em lugares públicos ou ruas, bem como os “ataques” de fúria devido a algum capricho não realizado, poderão ser resolvidos acalmando a criança com palavras tranqüilas, fala lenta, suave. Porque neste momento, gritar é se colocar na altura da birra dele. Fique de joelhos para estar na altura dos olhos do filho e converse. Depois de sair do local publico, vocês conversam sobre o fato e você então dará o castigo que corresponde aos gritos e falta de controle demonstrada pela criança.

      Se você falar suavemente não resolve, abrace seu filho bem firme, leve-o para casa e tenham uma boa conversa sobre o que aconteceu, colocando o castigo, como por exemplo, não levá-lo para passear (se tiver sido o caso) por um período, ou não levá-lo ao mercado (se foi onde ele extrapolou) por um período, etc.

      Não compre tudo o que a criança solicitar. É importante que, em média, uma vez por mês, vocês possam combinar que ela vai poder escolher uma coisa em tal valor. E estipule um valor baixo. Não permita assim, que ela faça birra porque quer comprar isso ou aquilo. Tem pais que quando a criança pede um rabicó para prender o cabelo, vão logo comprando 5 pares. Que idéia de valor estou construindo?

      Uma criança aprende melhor o valor das coisas quando precisa lutar para obtê-las, de forma justa, e assim aprende também o seu valor pessoal por ter lutado e conseguido efetivamente um resultado.

      Lembre-se, as crianças sempre vão protestar por não terem o que querem, isso é próprio delas, mas como pais, precisamos ensinar a lidar com a frustração de nem sempre terem o que querem e na hora que querem. Frustração é uma grande fonte de aprendizado. Não se limite a ensinar apenas o que é bom.

      Aqui estão apenas algumas dicas, se mesmo assim a educação está difícil, busque a ajuda de um psicólogo competente.

      Por Ieda Dreger


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