Postado em 25 de Maio de 2016 às 08h54

    Mimar filhos...um ato de amor????

    Psicologia Infantil (11)

    Na maioria das vezes, a simples perspectiva de gerar um filho já enche os futuros pais de alegria e amor. Esses pais passam a cultivar a idéia de serem os provedores e guardiões deste pequeno ser. Para aqueles que decidem investir nesta empreitada, é difícil imaginar alguém que não pense logo em cobrir o futuro herdeiro de agrados e de mimos, tentando satisfazer todas as suas vontades. Muitas vezes trata-se do primeiro filho que foi muito esperado e desejado, ou o primeiro menino, ou a primeira menina, ou mesmo aquele filho varão vindo inesperadamente tirar a família de certo acomodamento já existente. De qualquer forma o comportamento mais comum é tentar oferecer ao pequeno tudo aquilo que estiver ao seu alcance (e algumas vezes até o que não está), para vê-lo feliz.

    Toda vez que iniciamos o desenvolvimento de um novo papel social, nos remetemos a nossas memórias, aos modelos que tivemos e às nossas avaliações e julgamentos desses comportamentos e atitudes. Nosso papel de pais é naturalmente formado por esses modelos, percepções e crenças do que é certo ou errado e do que acreditamos que teria sido melhor para nós. Tentamos sempre evoluir na tentativa de superar os “erros” que nossos pais cometeram. Com a necessidade de trabalhar o dia todo, os pais são obrigados a deixar seus pequenos tesouros com babás, em creches ou em escolinhas, provocando culpa - muitas vezes inconsciente -, e uma conseqüente necessidade de recompensar seus filhos.

    A inexperiência em educar, natural de todo “pai de primeira viagem” e as inseguranças que surgem no desempenho de um papel tão novo e tão cheio de responsabilidade, são apenas mais alguns dos inúmeros fatores que interferem na forma como os pais estarão demonstrando todo esse amor a seus filhos. Daqui podemos ter uma idéia de como o “mimar” surge nas famílias. Entendemos “mimar” os filhos como oferecer todo amor, sem medida, protegendo-os, cobrindo-os de cuidados e agrados.

    O problema na verdade está no entendimento do que é amor. Amar também é frustrar é oferecer ao outro a possibilidade dele perceber que têm limites. É justamente essa noção que ajuda a desenvolver a percepção de individualidade e singularidade. Quando se descobre o que está fora de si e o que não está sob o nosso controle, nos damos conta de quem somos e, mais à frente em nosso desenvolvimento, de até aonde podemos chegar. Desenvolvemos daí a noção de respeito.

    Uma criança mimada, na verdade é alguém que se sente muito “amado”, tanto amado, que passa a acreditar que o outro não conta e que apenas seus desejos devem ser realizados. Torna-se egocêntrica, pois espelha o que sempre viveu em sua vida tendendo a ver a realidade por essa perspectiva. A sensação de ser muito amado, sempre positiva no desenvolvimento humano, torna-se questionável pela própria criança, pois receber muito sem ter de retribuir nada, traz consigo a sensação de não ser real de não ser verdadeiro. Sabemos intuitivamente que nas relações reais existe sempre uma troca.

    A questão central não é amar demais, mas, aprender que a frustração faz parte de nossas vidas e do amor, e serve para nos fortalecer. Se não vivenciamos a frustração, não conseguimos entender quais são nossos limites e por isso não temos a possibilidade de superá-los. Em conseqüência, também não conhecemos o limite dos outros e, portanto, temos mais dificuldade em respeitá-los.

    Quem ama frustra, coloca limites e dá parâmetros. Então, mimar os filhos pode ser um ato de amor se incluímos nesse conjunto de atitudes alguns parâmetros, como noções de individualidade, respeito a si próprio e ao outro, responsabilidade pessoal, moral, social e ética. Os parâmetros ajudam a dar sentido e realidade àqueles que cuidamos, preparando-os para viver e se relacionar.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 08h51

    O meu filho vai ser reprovado. E agora?

    Psicologia Infantil (11)

    Não é fácil mesmo, porque aquele é o seu filho, educado por você, estudando na escola que você escolheu. Num primeiro momento, as famílias responsabilizam a instituição. Em outros momentos culpam a si próprias. Mas, de qualquer forma, tudo parece se concentrar na culpa. Onde foi que eu errei? O que deu errado?

    Bem, as coisas não são tão simples assim. O que está em questão não é apenas a inteligência de seu filho. Por trás de uma possível reprovação existem vários aspectos que precisam ser considerados. Na grande maioria dos casos, a capacidade intelectual do aluno nem é colocada em dúvida. Claro que cada caso é um caso e é necessário que os pais procurem perceber que, quando as coisas não ocorrem como esperado, sua postura é fundamental para que o filho aceite e compreenda o que acontece e consiga crescer com a situação.
    Falar em reprovação é falar de auto-estima, sem dúvida alguma. O primeiro sentimento que surge é o de incapacidade. É comum que o aluno refira a si próprio com frases do tipo: "Eu sou burro mesmo..." ou "Sou lerda" ou ainda "Todos conseguem tão facilmente... Para mim é tudo mais difícil".
    Quando crianças e adolescentes se vêem diante desse quadro precisam sentir que os profissionais da escola e a família acreditam em seu potencial. Para que isso aconteça, avaliar as causas com eles e é muito importante e vai ajudá-los a perceber algumas coisas. Talvez seja esse o primeiro passo.

    Dificuldades são inerentes a qualquer processo de aprendizagem. Alguns amigos considerados brilhantes, muitas vezes nem são. Mas superam suas dificuldades à custa de sacrifícios e de estudo. Para alguns, esse chega a ser um processo de superação.

    O que parece ser importante, no entanto, é mostrar que nada nos é dado de graça. Que ser um bom aluno não é um dom natural. Cada qual tem seu caminho diferente e o desafio de seu filho é encontrar, com você e com os professores, saídas. O que vem a seguir é tentar incentivar, nas pequenas, mas importantes conquistas.

    Percebam, podemos ter dois tipos de alunos reprovados: aquele que não conseguiu vencer o conteúdo mas se esforçou, e aquele que não conseguiu vencer o conteúdo mas não se esforçou. E é bem provável que os pais vão lidar com cada uma dessas situações de forma diferente.Aquele que se esforçou terá um sentimento de fracasso e precisará do apoio dos pais. Aquele que não se esforçou precisará também apoio, principalmente para compreender a importância do estudo.

    Já falei em outra matéria das imensas dificuldades que os pais enfrentam quando o adolescente não quer mais estudar. Por mais que saiba da necessidade de estudo, ele tem preguiça e percebe nas outras atividades mais “prazer” do que estudar. Sim, mais prazer, porque o jovem busca, de forma geral, apenas aquilo que lhe dá prazer. Precisamos compreender que na era da tecnologia, computadores, Internet, jogos, celulares de última geração e notícias novas a cada segundo, a escola, de uma forma geral, deixa de ser atraente. Neste caso, é muito importante que os pais incentivem o estudo de seus filhos, acompanhando com eles diariamente o que estão aprendendo, vendo os cadernos, percebendo as dificuldades, orientando, comentando sobre assuntos, trazendo a educação da escola também para a vida real.

    Se o quadro de reprovação for uma realidade, será necessário que você também se preocupe em preparar seu filho para lidar com uma nova turma. Ele será um aluno defrontando-se com crianças mais novas. O ruim? Bem, essa é uma experiência que se bem aproveitada pelos professores e pela família, pode ser muito proveitosa.

    Tudo vai ser fácil? Não, pode ser que, inicialmente, ele seja visto pelos colegas como o aluno repetentes, aquele que não deu conta, mas essa será uma nova história e construída com outro grupo, num outro momento. Se o corpo docente e a família estiverem atentos para lidar de forma construtiva, com as questões que surgirem, tudo será menos sofridos.

    É muito importante dizer que quando os filhos enfrentam dificuldades escolares, isto ocorre não porque "sejam dessa ou daquela maneira", mas porque "estão de um determinado jeito, num determinado momento de suas vidas”. Cabe à família compreender este momento e rever o que precisa ser revisto, encontrando novos caminhos. Eles sempre existem. Se você encontrar dificuldades, busque ajuda de um profissional capacitado.

    Não é fácil mesmo, porque aquele é o seu filho, educado por você, estudando na escola que você escolheu. Num primeiro momento, as famílias responsabilizam a instituição. Em outros momentos culpam a si próprias. Mas, de qualquer forma, tudo parece se concentrar na culpa. Onde foi que eu errei? O que deu errado?

    Bem, as coisas não são tão simples assim. O que está em questão não é apenas a inteligência de seu filho. Por trás de uma possível reprovação existem vários aspectos que precisam ser considerados. Na grande maioria dos casos, a capacidade intelectual do aluno nem é colocada em dúvida. Claro que cada caso é um caso e é necessário que os pais procurem perceber que, quando as coisas não ocorrem como esperado, sua postura é fundamental para que o filho aceite e compreenda o que acontece e consiga crescer com a situação.

    Falar em reprovação é falar de auto-estima, sem dúvida alguma. O primeiro sentimento que surge é o de incapacidade. É comum que o aluno refira a si próprio com frases do tipo: "Eu sou burro mesmo..." ou "Sou lerda" ou ainda "Todos conseguem tão facilmente... Para mim é tudo mais difícil".

    Quando crianças e adolescentes se vêem diante desse quadro precisam sentir que os profissionais da escola e a família acreditam em seu potencial. Para que isso aconteça, avaliar as causas com eles e é muito importante e vai ajudá-los a perceber algumas coisas. Talvez seja esse o primeiro passo.

    Dificuldades são inerentes a qualquer processo de aprendizagem. Alguns amigos considerados brilhantes, muitas vezes nem são. Mas superam suas dificuldades à custa de sacrifícios e de estudo. Para alguns, esse chega a ser um processo de superação.

    O que parece ser importante, no entanto, é mostrar que nada nos é dado de graça. Que ser um bom aluno não é um dom natural. Cada qual tem seu caminho diferente e o desafio de seu filho é encontrar, com você e com os professores, saídas. O que vem a seguir é tentar incentivar, nas pequenas, mas importantes conquistas.

    Percebam, podemos ter dois tipos de alunos reprovados: aquele que não conseguiu vencer o conteúdo mas se esforçou, e aquele que não conseguiu vencer o conteúdo mas não se esforçou. E é bem provável que os pais vão lidar com cada uma dessas situações de forma diferente.Aquele que se esforçou terá um sentimento de fracasso e precisará do apoio dos pais. Aquele que não se esforçou precisará também apoio, principalmente para compreender a importância do estudo.

    Já falei em outra matéria das imensas dificuldades que os pais enfrentam quando o adolescente não quer mais estudar. Por mais que saiba da necessidade de estudo, ele tem preguiça e percebe nas outras atividades mais “prazer” do que estudar. Sim, mais prazer, porque o jovem busca, de forma geral, apenas aquilo que lhe dá prazer. Precisamos compreender que na era da tecnologia, computadores, Internet, jogos, celulares de última geração e notícias novas a cada segundo, a escola, de uma forma geral, deixa de ser atraente. Neste caso, é muito importante que os pais incentivem o estudo de seus filhos, acompanhando com eles diariamente o que estão aprendendo, vendo os cadernos, percebendo as dificuldades, orientando, comentando sobre assuntos, trazendo a educação da escola também para a vida real.

    Se o quadro de reprovação for uma realidade, será necessário que você também se preocupe em preparar seu filho para lidar com uma nova turma. Ele será um aluno defrontando-se com crianças mais novas. O ruim? Bem, essa é uma experiência que se bem aproveitada pelos professores e pela família, pode ser muito proveitosa.

    Tudo vai ser fácil? Não, pode ser que, inicialmente, ele seja visto pelos colegas como o aluno repetentes, aquele que não deu conta, mas essa será uma nova história e construída com outro grupo, num outro momento. Se o corpo docente e a família estiverem atentos para lidar de forma construtiva, com as questões que surgirem, tudo será menos sofridos.

    É muito importante dizer que quando os filhos enfrentam dificuldades escolares, isto ocorre não porque "sejam dessa ou daquela maneira", mas porque "estão de um determinado jeito, num determinado momento de suas vidas”. Cabe à família compreender este momento e rever o que precisa ser revisto, encontrando novos caminhos. Eles sempre existem. Se você encontrar dificuldades, busque ajuda de um profissional capacitado.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 08h47

    Seu filho tem inveja do irmão ou coleguinha? Ajude-o

    Psicologia Infantil (11)

    Se você suspeita que seu filho sente inveja de seus irmãos ou companheiros, é importante que vocês, juntos, possam encontrar uma solução para que a inveja não se transforme em problemas. Não deve, porém, obcecar-se por isso: a inveja é um sentimento natural. Se você dramatizar muito correrá o risco de aumentá-la.

    CARINHO E PACIÊNCIA SÃO UMA BOA RECEITA
    É importante atuar com carinho e paciência. Não castigue o filho nem lhe jogue na cara continuamente seu comportamento, pois com isso não conseguirá outra coisa a não ser confirmar-lhe que, efetivamente, tem razão quando pensa que lhe quer menos que aos demais. Não lhe chame "invejoso" e peça a seus irmãos que tampouco o façam.

    Quando você estiver mais tranqüilo, converse com o filho sobre as conseqüências negativas da inveja: é um vício estéril que não lhe deixa ser feliz e destrói a auto-estima da pessoa, porque está sempre pensando que vele menos, sem pensar que também pode ser e fazer como o outro a quem tanto inveja. Ou seja, todos temos potenciais. Precisamos acreditar neles e desenvolve-los.

    AUMENTE A AUTO-ESTIMA DE SEU FILHO
    Procure aquelas coisas em que ele se destaca, elogie-lhe por seus pequenos triunfos e faça-lhe ver aos demais para que o reconheçam. Pouco a pouco faça-o entender as qualidades que tem, pois desta forma ele irá ganhando em segurança, e sua inveja irá diminuindo.

    Também convém que examine seu próprio comportamento. Evite os favoritismos e comparações entre os irmãos. Cada um de seus filhos deve compreender com clareza que você lhes quer do mesmo modo que aos outros: ao que é tranqüilo, como ao que é revoltado, ao que tira boas notas com ao que não as tira, ao que é mais jovem, como o que tem algum defeito ...

    Entretanto o tratar a todos do mesmo modo tampouco é uma boa solução: Alguns pais, acreditando assim evitar as invejas, quando compram um presente para o mais velho, por exemplo, por seu aniversário ou sua primeira comunhão, não são capazes de resistir às reclamações do filho pequeno: " E eu? O que você comprou para mim? ..." e lhe compram o mesmo ou alguma outra coisa em compensação. Com isso os pais não fazem outra coisa a não ser enviar a mensagem a seu filho de que "os ciúmes são rentáveis" com o qual o repetirão em situações similares.

    Portanto, quando o filho recorre aos ciúmes chorando, protestando ou acusando-lhes de fazer diferenças, os pais não devem curvar-se e ceder a seus caprichos já que assim estariam premiando seus ciúmes.

    Também, nas famílias numerosas os pais temos de tratar aos filhos "em rebanho" ou em bloco como se tivessem a mesma idade: a mesma hora de deitar-se, os mesmos programas de TV permitidos ... o que costuma provocar, com razão, os protestos irados dos maiores: "Por que com 12 anos devo ir para a cama à mesma hora que meu irmão de quatro anos? ..."

    A solução não está em pretender igualar a todos seus filhos em todos os momentos, mas estabelecer claramente as diferenças entre eles e entre suas circunstâncias. Cada um de seus filhos tem sua própria personalidade e conforme a ela deve educar-lhe, atuando em muitas ocasiões de forma diferente a como o faz com seus irmãos.

    CADA FILHO DEVE SER CONSIDERADO COMO ÚNICO
    Os pais devem tentar descobrir as qualidades de cada um e elogiá-las separadamente. Procure não medir a todos os filhos com rigorosa igualdade e exija a cada um separadamente atendendo a sua personalidade e a suas circunstâncias.

    Em alguns casos pode estar justificado que uma criança se sinta "preferida": depois de um trauma ou uma doença. Entretanto, em nenhum dos casos isso se deve converter em algo permanente. Um dia haverá que animar um filho, ao outro em outro dia ... O ideal seria que tivesse um turno e que cada um de seus filhos pudesse em um dado momento sentir-se o preferido.

    Se seu filho sente inveja, dedique-lhe um tempo especial, apenas para ele. Seu filho necessita sentir-se especialmente querido. Procure dar a cada um essa pequena dose de carinho e de atenção personalizada. Você pode, por exemplo, reservar alguns minutos pela noite para conversar com ele a sós, ou levá-lo sozinho para fazer alguns afazeres externos, ou pedir-lhe que lhe ajude na cozinhar enquanto conversa. O importante é que, ao menos durante alguns minutos, se sinta querido como uma pessoa individual.

    Tenha cuidado com o exemplo que lhe dá: veja se você é capaz de alegrar-se pelas coisas boas que acontecem com os demais. Desperte em seu filho a capacidade de admiração por outras pessoas, e por seus próprios irmãos, e ensine-lhe a procurar sempre os lados positivo dos demais.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 18h02

    Será que o Homem também tem medo?

    Medos e fobias (12)

    Os homens têm medos comuns, ou seja, medo de quase tudo: de barata, de brochar, de se meter numa briga de rua , de descobrirem que são uma farsa. Também morrem de medo de ter seu desempenho sexual comparado com a performance dos futuros parceiros dela, de serem comparados com os parceiros passados, de chorar, de perder o emprego, de engravidar a mulher, de não engravidar a mulher, de ter um filho que não se parece em nada com o papai, de decepcionar o filho, de ser comparado com o pai do melhor amigo do filho e, pior do que isso, de ser comparado com o irmão da mulher. O cunhado. Só porque ele tem mais dinheiro, sucesso e centímetros de altura.

    Neste mundo povoado por semideuses, não há lugar para o medo. É por esse motivo que o maior medo masculino é justamente o medo de ter medo. É assim porque os homens nascem , crescem e vivem sob a ordem biológica e ancestral de serem campeões em tudo. A prova disso temos desde cedo, na escola. Enquanto as meninas expõem detalhadamente seus sentimentos, compartilham experiências e discutem frustrações, aos meninos jamais é permitido ser inseguros sobre qualquer assunto.

    Isso acontece quando eles têm 11, 12 anos. Um monte de hormônios no sangue em nenhum manual de instruções. Costumo dizer que o menino de onze anos é o mais solitário dos seres da natureza, pois aprende tudo sem poder perguntar nada a ninguém. Ele não tem a quem recorrer. Se cometerem a imprudência de perguntar aos amigos como funciona uma menina, estão liquidados. Nesta idade, qualquer demonstração de inexperiência é fatal. Será motivo de piada, pois a crueldade entre meninos da escola não tem limites. São forjados para serem senhores do universo, samurais invencíveis, garanhões indomáveis. E quem agüenta este peso? Quem vai cuidar desses pobres meninos quando crescerem? As mulheres, é claro.

    O homem não fala de suas angústias porque está se preservando da possibilidade de ser criticado. Ele é educado para não passar vergonha, para nunca ser chamado de tolo. Obriga-se o menino a enfrentar precocemente situações para as quais ele não está preparado, mas tem de ir em frente porque é homem. Não pode ter medo dos colegas, não pode voltar da escola chorando, porque corre o risco de demonstrar muita sensibilidade. E sensibilidade para homem é sinal de fragilidade. Ele entra na vida adulta com as emoções resfriadas.

    O homem sabe muito pouco sobre as próprias emoções, embora tenha sentimentos. Por isso também evita discutir a relação. Não sabe falar de sentimentos e muitas vezes nem nominá-los adequadamente, simplesmente porque nunca lhe foi permitido viver desta forma.

    Uma das proezas da revolução feminina foi desmascarar o papel social do homem como macho autoritário, poderoso e provedor. Desmontada a farsa, foi permitido ao homem ser sensível, ordem que alguns deles obedeceram prontamente, nascia, então, o novo homem.

    Nesse movimento, porém, as mulheres perceberam que alguns homens passaram do ponto.

    Tornaram-se tão sensíveis e motivos que pareciam pouco másculo. Daí a queixa tão frequente e nos dias de hoje de que “não há mais homens de verdade” ou “estou cheia de ser o homem da relação”. Os homens ficaram sem saber o que fazer: se as mulheres querem tanto que sejam sensíveis e delicados, porque correm atrás dos cafajestes? Porquê trocam os homens, mesmo que só na imaginação, por “personal” com barriga definida?

    Muitas vezes os homens não expõem sentimentos por medo de serem cobrados depois. Elas geralmente usam as confidências contra eles. Eles também sabem que elas estão esperando um sujeito bem-sucedido, potente sexualmente e que possa oferecer segurança em todas as áreas. Fantasias demais. Ninguém pode ser perfeito, nem elas são.

    Quando você perceber que seu parceiro está numa enrascada, pode ser profissional pessoal, e morrendo de medo de errar, a melhor maneira de ajudá-lo é apoiar-se interferir muito. Em vez de aumentar a pressão, cobrando essa ou aquela atitude com o dedo em riste, diga apenas que confia nele, que ele saberá resolver o problema da melhor forma possível. Para um homem, nada mais reconfortante do que saber que voltará da batalha e será acolhido, mesmo depois de uma derrota. Ouvir eu te amo ainda é o melhor dos remédios.

    Essa confusão entre os sexos está instaurada faz muito tempo. E é bom o agente se entender logo, pois os anos andam rápido demais e já perdemos muito tempo com as comparações e com uma guerra que jamais terá vencedor. Vamos nos entender e nos fascinar com a maravilhosa diferença entre machos e fêmeas, homens e mulher ou que nome tenha essa aventura. Que seja romântica, mas sem deixar de ser divertida jamais.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h58

    Medo de dirigir?

    Medos e fobias (12)

    O medo de dirigir independe de classe social, credo, histórico familiar, etc. De um lado temos as pessoas inseguras, sejam elas homens ou mulheres, que apresentam insegurança em outras áreas da vida também, e que essa insegurança se reflete também no ato de dirigir (ou não) um carro. De outro lado temos as pessoas seguras demais em muitas áreas da vida e inseguras para dirigir. Destas, a maior parte são mulheres e estão numa faixa etária de 30 a 45 anos. E, quase todas tem vida profissional definida. Socialmente são consideradas vitoriosas.

    Dão conta de vida profissional, do lar, do papel de mãe, de esposa, de filha...Mas dão pouca atenção a si mesmas. Trata-se de pessoas bastante responsáveis, que, se assumem um compromisso, dão conta dele da melhor maneira possível. São confiáveis, organizadas, detalhistas. Preocupam-se com o problema dos outros e procurar não ferir ninguém.

    Mas não gostam de críticas. A crítica dos outros pode magoá-las e irritá-las. Não admitem errar, e por não admitirem-se errar, evitam fazer determinadas coisas. Entre fazer e errar, (mesmo que seja um erro natural, já que precisa de tempo e dedicação para aprender a dirigir) preferem não fazer.

    Se pararmos para pensar, você já foi criancinha, sabe o tempo que demora e o quanto de paciência nossos pais precisam ter para que aprendamos a caminhar. Depois para aprendermos a andar de bicicleta. Para a alfabetização. Tudo leva seu tempo, precisa de investimento pessoal, de paciência, de dedicação diária, para a arte de aprender a dirigir um carro.

    Com isso não quero dizer que depende unicamente de sua força de vontade a solução do seu medo de dirigir. É preciso perceber o que há por trás do medo de dirigir um carro. É preciso saber primeiro quem está no volante de sua vida, e depois, esclarecer que atitudes você deve tomar no volante do carro.

    Você já sabe o que faz, muitos ao seu redor reconhecem sua capacidade em muitas áreas de sua vida, porque você faz com perfeição, e se não faz desta forma, sofre. Você quer fazer, mas quer garantias de sucesso. E nem sempre isso é possível. Mas você pode e deve ir em frente, com determinação sim, mas sem se agredir.

    É preciso estabelecer prioridades. Você tem tempo para administrar a casa, para ser esposa, para a sua profissão, para o laser, para ser mãe...qual o tempo que você se proporciona para fazer alguma coisa que pode lhe trazer benefícios? Quanto tempo você tem dedicado a aprender a dirigir um carro? Será que você não está dando ênfase apenas a uma das áreas de sua vida? Você já fez uma lista de tudo o que quer conseguir daqui pra frente em sua vida e qual a ordem de prioridades?

    Tanto para os seguros como para os inseguros, o que importa é perceber que querer dirigir envolve um planejamento. Vencer o medo de dirigir também. Talvez você precise de ajuda de algum profissional para lidar com seus medos. Se sentir necessidade disso, um psicoterapeuta (psicólogo) é a melhor pessoa para lhe ajudar.

    No entanto, lembre-se de coisas básicas:

    1) Você precisa investir no ato de aprender a dirigir, como investe em qualquer outra atividade (computação, costura, natação...)


    2) Aprender é gradativo, acontece passo a passo


    3) É necessário que você compreenda que homens e mulheres são diferentes na vida e no trânsito.


    4) Peça o carro, pegue o carro, assuma o carro e não se cobre tanto. Você já faz tantas coisas que dão certo.


    5)
    Seja você mesma. Faça de acordo com o seu ritmo. Não invente uma pessoa que você não é.

    Vá em frente e boa sorte!

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h56

    Mimar filhos... Um ato de amor?

    Psicologia Adolescente (19)

    Na maioria das vezes, a simples perspectiva de gerar um filho já enche os futuros pais de alegria e amor. Esses pais passam a cultivar a idéia de serem os provedores e guardiões deste pequeno ser. Para aqueles que decidem investir nesta empreitada, é difícil imaginar alguém que não pense logo em cobrir o futuro herdeiro de agrados e de mimos, tentando satisfazer todas as suas vontades. Muitas vezes trata-se do primeiro filho que foi muito esperado e desejado, ou o primeiro menino, ou a primeira menina, ou mesmo aquele filho varão vindo inesperadamente tirar a família de certo acomodamento já existente. De qualquer forma o comportamento mais comum é tentar oferecer ao pequeno tudo aquilo que estiver ao seu alcance (e algumas vezes até o que não está), para vê-lo feliz.

    Toda vez que iniciamos o desenvolvimento de um novo papel social, nos remetemos a nossas memórias, aos modelos que tivemos e às nossas avaliações e julgamentos desses comportamentos e atitudes. Nosso papel de pais é naturalmente formado por esses modelos, percepções e crenças do que é certo ou errado e do que acreditamos que teria sido melhor para nós. Tentamos sempre evoluir na tentativa de superar os “erros” que nossos pais cometeram. Com a necessidade de trabalhar o dia todo, os pais são obrigados a deixar seus pequenos tesouros com babás, em creches ou em escolinhas, provocando culpa - muitas vezes inconsciente -, e uma conseqüente necessidade de recompensar seus filhos.

    A inexperiência em educar, natural de todo “pai de primeira viagem” e as inseguranças que surgem no desempenho de um papel tão novo e tão cheio de responsabilidade, são apenas mais alguns dos inúmeros fatores que interferem na forma como os pais estarão demonstrando todo esse amor a seus filhos. Daqui podemos ter uma idéia de como o “mimar” surge nas famílias. Entendemos “mimar” os filhos como oferecer todo amor, sem medida, protegendo-os, cobrindo-os de cuidados e agrados.

    O problema na verdade está no entendimento do que é amor. Amar também é frustrar é oferecer ao outro a possibilidade dele perceber que têm limites. É justamente essa noção que ajuda a desenvolver a percepção de individualidade e singularidade. Quando se descobre o que está fora de si e o que não está sob o nosso controle, nos damos conta de quem somos e, mais à frente em nosso desenvolvimento, de até aonde podemos chegar. Desenvolvemos daí a noção de respeito.

    Uma criança mimada, na verdade é alguém que se sente muito “amado”, tanto amado, que passa a acreditar que o outro não conta e que apenas seus desejos devem ser realizados. Torna-se egocêntrica, pois espelha o que sempre viveu em sua vida tendendo a ver a realidade por essa perspectiva. A sensação de ser muito amado, sempre positiva no desenvolvimento humano, torna-se questionável pela própria criança, pois receber muito sem ter de retribuir nada, traz consigo a sensação de não ser real de não ser verdadeiro. Sabemos intuitivamente que nas relações reais existe sempre uma troca.

    A questão central não é amar demais, mas, aprender que a frustração faz parte de nossas vidas e do amor, e serve para nos fortalecer. Se não vivenciamos a frustração, não conseguimos entender quais são nossos limites e por isso não temos a possibilidade de superá-los. Em conseqüência, também não conhecemos o limite dos outros e, portanto, temos mais dificuldade em respeitá-los.

    Quem ama frustra, coloca limites e dá parâmetros. Então, mimar os filhos pode ser um ato de amor se incluímos nesse conjunto de atitudes alguns parâmetros, como noções de individualidade, respeito a si próprio e ao outro, responsabilidade pessoal, moral, social e ética. Os parâmetros ajudam a dar sentido e realidade àqueles que cuidamos, preparando-os para viver e se relacionar.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h55

    Medo de errar

    Medos e fobias (12)

    Todos nós, algum dia, já tivemos medo de errar, de tomar alguma decisão e mais tarde chegar à conclusão de que ela não foi a decisão mais acertada!

    Mas existem pessoas que têm verdadeiro pavor de errar até nas mínimas coisas. Estão sempre preocupadas, agitadas, nervosas, aflitas, fazendo de tudo para acertar, policiando-se o tempo todo! E, mesmo que não queiram, sempre procuram fazer de tudo para não errar (tudo mesmo).

    Quer um exemplo de como pensam estas pessoas? Vamos nos colocar no lugar delas e imaginar uma situação...

    Você vai sair hoje à noite: é o primeiro encontro! Comece pensando nas condições climáticas: será que vai chover? Seria bom levar um guarda-chuva. E se esfriar? É melhor levar também uma blusa. Mas também é preciso pensar que a temperatura pode estar amena. Que roupa usar? Qual delas será a melhor? Antes de sair, você vai passar horas na frente do espelho fazendo caras e bocas, vai imaginar todas as situações possíveis de acontecer (se a pessoa disser isto, eu vou dizer tal coisa..., vou passar a mão no cabelo três vezes, vou cruzar apenas a perna direita, não vou colocar o cotovelo na mesa, etc...) e planejar a melhor forma de se comportar para causar a melhor e mais perfeita impressão possível.

    Para essas pessoas é necessário, imprescindível, que tudo dê certo nos seus mínimos detalhes! E esta situação se repete, praticamente, em todos os momentos da vida destas pessoas que não aceitam errar!

    É claro que todos nós desejamos que tudo sempre dê certo, mas, na maioria das vezes, feliz ou infelizmente, as coisas não acontecem conforme planejamos. Para aquele que tem medo de errar isto é um caos. Ele sempre pensa: "Onde foi que eu errei? A culpa é toda minha porque eu não pensei que isto poderia ocorrer!”

    A culpa é sempre dele, porque ele não foi capaz de prever aquela situação, nunca de outra pessoa ou mesmo do acaso! O que fazer para evitar se sentir culpado? Prever e planejar cada vez mais cada detalhe para tudo dar certo (porque a sensação de culpa provoca uma dor insuportável e é preciso evitá-la a qualquer custo!).

    Quanto tempo perdido! Que sofrimento, não é?

    E é por isso que essas pessoas vivem agitadas, nervosas, tensas...Sempre pensando, tentando prever o que fazer para não errar e, na maioria das vezes, errando e sofrendo...Perdem um tempo enorme de suas vidas, muitas vezes deixam de viver momentos preciosos por estarem ocupadas com seus pensamentos e planos...E elas jamais se conscientizam de que a vida é imprevisível, e que quase sempre as coisas acontecem de forma diferente do que esperamos.

    O importante é ser autêntico, ou seja, ser você mesmo. Ser o que você imagina que o outro estaria esperando de você é ser um falso você. Ser o que você acha que seria o mais perfeito de você também é ser um falso você. Ser alguma coisa apenas para agradar aos outros ainda é ser um falso você.

    A maior parte das pessoas não se conhece e assim, não sabe quem é, não tem claros seus atributos, seus defeitos, suas qualidades...e vai vivendo conforme o que é importante para os outros. Quando sabemos quem somos, aprendemos a lidar com erros e acertos, tendo certeza de que o que estamos fazendo é o nosso melhor naquele momento.

    Lembre-se: ninguém é perfeito, errar é humano. É preciso aceitar os erros e aprender com eles - em vez de ficar se culpando - e ter claro quer todos nós erramos am vários momentos de nossas vidas. Mas ainda mais importante é perceber que as coisas que dão certo e errado nem sempre dependem somente de nós. Existem fatores externos além dos internos, e nenhum deles é sempre previsível.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h54

    Porque os jovens perderam a noção dos limites?

    Psicologia Adolescente (19)

    Semana passada uma estagiária manda matar a pessoa que estava substituindo temporariamente no trabalho, há três anos um juiz jovem mata outro jovem por uma discussão banal (e fica impune), no mês de junho deste ano, uma empregada doméstica é espancada na rua por cinco jovens de classe média do Rio; em dezembro de 2005, três universitários da PUC de Campinas são presos por dopar e estuprar uma colega; em fevereiro de 99, numa festa de calouros e veteranos da Faculdade de Medicina da USP, um calouro é encontrado morto na piscina, e a causa foi que ninguém foi ajudá-lo a sair e ele não sabia nadar. Em 97, três adolescentes jogam álcool e ateiam fogo num homem adormecido perto de uma parada de ônibus em Brasília.

    Em quase todas as histórias os absurdos foram justificados como brincadeiras. Que tipo de brincadeiras são essas onde uns riem e outros morrem, são humilhados e machucados? Quando as pessoas brincam costumam combinar a brincadeira e ter o consentimento de todos. Quando não for assim passa da brincadeira para a violência.

    Imagino que como eu, muitas pessoas devem estar se perguntando o que aconteceu com os valores, a educação, a família e a escola. Penso que é um tema que não esgota sua discussão em algumas linhas, mas penso também que é preciso dialogar muito para que tenhamos tempo de mudar o que ainda pudermos.

    Claro que não existe uma causa única para os fatos, como também não existe uma solução única, linear, o que não nos dá direito de ficar alheios à busca de soluções.

    Podemos citar como causa a perda da autoridade dos pais que passaram a ser permissivos demais diante das exigências dos filhos, mas há também a dificuldade nos diálogos e em conseqüência disso, uma quebra de valores.

    A escola também tem responsabilidade porque alguns alunos passam grande parte do dia numa delas. Mas muitas vezes me pergunto diante do que observo em meu consultório: como colocar limites dentro da escola se isso não é feito em casa? Desta forma vem o desacato ao professor que também sente-se amarrado. Não quero desta forma, isolar a escola de sua responsabilidade, mas tenho visto muitos pais delegarem a educação e limites de seus filhos a outros, como forma de não assumirem esta responsabilidade.

    Cada pessoa quando nasce tem sentimentos primários (ódio, inveja) que convivem com outros (solidariedade, lealdade, compaixão). O que determina que caminhos cada um seguirá é a possibilidade de transformar esses sentimentos primários em canais que não afetem negativamente a vida de outras pessoas e as suas próprias.

    Cabe à família, escola e sociedade ajudar a criança a transformar os impulsos em comportamentos aceitáveis.

    Quando isolamos nossos filhos e os protegemos das “mazelas da vida” em muitos momentos levamos eles a uma intolerância que torna mais difícil desenvolver a solidariedade.

    Passar valores aos filhos é fundamental. Se gritarmos e batemos ensinamos que a violência resolve. Se deixarmos nosso filho ganhar no jogo, perdemos a chance de ensinar a eles que na vida também temos perdas e precisamos aprender a lidar com elas, além do que não estamos ensinando eles a jogarem e ainda estamos ensinando a trapaça, se permitirmos que deixem seus quartos e afazeres bagunçados, que tipo de responsabilidade estamos pregando? Sim, cada idade tem suas responsabilidades.

    “Ah, mas não queremos vê-los sofrerem”, dizem os pais quando não podem dar tudo o que os filhos querem ou não podem permitir tudo o que gostariam. Esquecem que a frustração faz parte da vida e não é falha no processo de desenvolvimento. Crianças que não aprendem a lidar com a frustração tornam-se birrentas, impacientes e intolerantes e tem a tornarem-se adultos que não conseguem viver com o adiamento de suas satisfações, querem tudo na hora.

    À escola cabe traduzir normas que regem o convívio humano e o código de ética. Além disso, tudo o que acontece dentro dos muros de uma escola é responsabilidade sua. Tenho visto muitos apelidos maldosos e brincadeiras embaraçosas nas escolas sendo tratadas como eventos normais.

    À família cabe dialogar, colocar limites e assumir as brigas que podem existir com isso.

    Penso que o grande perigo na vida do adolescente é o cinismo. Se os jovens acreditam que nada tem a ver com o que acontece no mundo a sua volta perdemos a chance de ter um mundo melhor. É na adolescência que se instala a capacidade de raciocínio abstrato, é o melhor momento para aprender valores como a tolerância com o diferente, a justiça, o sentimento de solidariedade e compreensão. È hora de encontrar canais adequados para despejar a insatisfação e a rebeldia. Quem sabe esses canais possam ser espaços onde a indignação com a injustiça contribua para melhorar o mundo, em vez de aceitar que nele só os espertalhões que levam vantagem.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h53

    O meu filho vai ser reprovado, e agora?

    Psicologia Adolescente (19)

    Não é fácil mesmo, porque aquele é o seu filho, educado por você, estudando na escola que você escolheu. Num primeiro momento, as famílias responsabilizam a instituição. Em outros momentos culpam a si próprias. Mas, de qualquer forma, tudo parece se concentrar na culpa. Onde foi que eu errei? O que deu errado?

    Bem, as coisas não são tão simples assim. O que está em questão não é apenas a inteligência de seu filho. Por trás de uma possível reprovação existem vários aspectos que precisam ser considerados. Na grande maioria dos casos, a capacidade intelectual do aluno nem é colocada em dúvida. Claro que cada caso é um caso e é necessário que os pais procurem perceber que, quando as coisas não ocorrem como esperado, sua postura é fundamental para que o filho aceite e compreenda o que acontece e consiga crescer com a situação.

    Falar em reprovação é falar de auto-estima, sem dúvida alguma. O primeiro sentimento que surge é o de incapacidade. É comum que o aluno refira a si próprio com frases do tipo: "Eu sou burro mesmo..." ou "Sou lerda" ou ainda "Todos conseguem tão facilmente... Para mim é tudo mais difícil".

    Quando crianças e adolescentes se vêem diante desse quadro precisam sentir que os profissionais da escola e a família acreditam em seu potencial. Para que isso aconteça, avaliar as causas com eles e é muito importante e vai ajudá-los a perceber algumas coisas. Talvez seja esse o primeiro passo.

    Dificuldades são inerentes a qualquer processo de aprendizagem. Alguns amigos considerados brilhantes, muitas vezes nem são. Mas superam suas dificuldades à custa de sacrifícios e de estudo. Para alguns, esse chega a ser um processo de superação.

    O que parece ser importante, no entanto, é mostrar que nada nos é dado de graça. Que ser um bom aluno não é um dom natural. Cada qual tem seu caminho diferente e o desafio de seu filho é encontrar, com você e com os professores, saídas. O que vem a seguir é tentar incentivar, nas pequenas, mas importantes conquistas.

    Percebam, podemos ter dois tipos de alunos reprovados: aquele que não conseguiu vencer o conteúdo mas se esforçou, e aquele que não conseguiu vencer o conteúdo mas não se esforçou. E é bem provável que os pais vão lidar com cada uma dessas situações de forma diferente.Aquele que se esforçou terá um sentimento de fracasso e precisará do apoio dos pais. Aquele que não se esforçou precisará também apoio, principalmente para compreender a importância do estudo.

    Já falei em outra matéria das imensas dificuldades que os pais enfrentam quando o adolescente não quer mais estudar. Por mais que saiba da necessidade de estudo, ele tem preguiça e percebe nas outras atividades mais “prazer” do que estudar. Sim, mais prazer, porque o jovem busca, de forma geral, apenas aquilo que lhe dá prazer. Precisamos compreender que na era da tecnologia, computadores, Internet, jogos, celulares de última geração e notícias novas a cada segundo, a escola, de uma forma geral, deixa de ser atraente. Neste caso, é muito importante que os pais incentivem o estudo de seus filhos, acompanhando com eles diariamente o que estão aprendendo, vendo os cadernos, percebendo as dificuldades, orientando, comentando sobre assuntos, trazendo a educação da escola também para a vida real.

    Se o quadro de reprovação for uma realidade, será necessário que você também se preocupe em preparar seu filho para lidar com uma nova turma. Ele será um aluno defrontando-se com crianças mais novas. O ruim? Bem, essa é uma experiência que se bem aproveitada pelos professores e pela família, pode ser muito proveitosa.

    Tudo vai ser fácil? Não, pode ser que, inicialmente, ele seja visto pelos colegas como o aluno repetentes, aquele que não deu conta, mas essa será uma nova história e construída com outro grupo, num outro momento. Se o corpo docente e a família estiverem atentos para lidar de forma construtiva, com as questões que surgirem, tudo será menos sofridos.

    É muito importante dizer que quando os filhos enfrentam dificuldades escolares, isto ocorre não porque "sejam dessa ou daquela maneira", mas porque "estão de um determinado jeito, num determinado momento de suas vidas”. Cabe à família compreender este momento e rever o que precisa ser revisto, encontrando novos caminhos. Eles sempre existem. Se você encontrar dificuldades, busque ajuda de um profissional capacitado.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h51

    Seu filho está apático?

    Psicologia Adolescente (19)

    Preguiça, moleza, desinteresse...

    Tudo parece muito chato. Tudo? Tudo mesmo? Ora, não é bem assim, nós sabemos disso. Quando o assunto é festa, música e baladas, tudo ganha cor e forma. Eles querem agito. O movimento rápido, o social, e a velocidade com que tudo acontece é o que interessa ao jovem. O mundo assim está. As cenas passam por nós e muito rapidamente sem que nós tenhamos a possibilidade de pensar muito bem no que ocorre, sem a oportunidade de metabolizar, de se entregar de corpo e alma para as tarefas e para as relações. É como se nada tivesse profundidades, como se ficássemos sempre na superfície.

    Quando se fala em preguiça e desinteresse por parte dos jovens, estamos falando, principalmente, em ausência de cores, de luz em seu cotidiano. Claro que é uma fase difícil. Eles ficam verdadeiramente intratáveis, em alguns casos. Não há pai ou mãe que, neste período, não viveu momentos de ansiedade, muitas vezes torturantes. O que fazer para mobilizar o jovem de hoje? Como mostrar a ele o que é produtivo, naquilo que fará realmente diferença em sua vida? De que forma sacudir o jovem efetivamente?

    Bem, regras definidas e únicas não existem. Mas algumas tentativas devem ser feitas por pais e mães que estejam buscando saídas para a esta fase tão delicado. Para isso, seria importante lembrar que:

    1. Cada filho é um e no caminho de se descobrir seus desejos e potencialidades é necessário investigar suas tendências. O que oferecer como possibilidade para ajudar a aflorar o prazer, o gosto e, conseqüentemente, a disciplina para direcionar determinada atividade? Há filhos que gostam de músicas por exemplo, outros de desenho. Há, também, aqueles que, desde cedo, são pequenos cientistas. Aqui, o que vale é a percepção e a sensibilidade para oferecer, disponibilizar material, livros, indicar o filme...Conversar sobre cada uma destas possibilidades enquanto elas forem acontecendo.
    2. Mostre que, no caminho de qualquer trabalho, as dificuldades existem. Nem por isso a gente desiste das coisas ou e elas ficam necessariamente desagradáveis. Ao contrário. Inúmeras vezes os adolescentes desistem de seus objetivos no primeiro problema. É natural porque não percebem ainda que o prazer fica maior quando os desafios são vencidos. São os adultos que precisam ensiná-los a ter persistência.
    3. É fundamental que, ao longo do caminho, o jovem se sinta autônomo. Para isso, oriente-o no que for preciso, mas vá afrouxando o cerco à medida em que perceber que seu interesse aumenta e que e ele já é capaz de andar com as próprias pernas. Verá que cada descoberta virará uma festa.
    4. Existe, no entanto, uma máxima que deve ser levada em conta quando se fala em perceber os filhos e orientá-los conforme seu interesse: ter olhos para ver e ouvidos para ouvir.

    Parece simples, mas não é. E não é mesmo. Nós nos queixamos muito da apatia juvenil, mas nos esquecemos da nossa apatia. Da nossa correria do dia-a-dia, de nossos olhos que já não brilham mais diante os desafios, de nossas ausências de perspectiva diante de determinadas situações. Frequentemente nos esquecemos de que os jovens são o reflexo de sua família e da comunidade em que estão inseridos. Se este ambiente social não tiver energia, não buscar o novo, não procurar suas necessidades e não desenvolver a disciplina, os adolescentes também não o farão.

    Fazer brilhar os olhos para ter perspectiva. Sonhar, desejar algo que não signifique simplesmente um bem material, e sim o desenvolvimento de uma habilidade é fazer com que seu filho perceba, numa idade tão complexa e de perda de identidade, que é criativo e produtivo. Mais do que isto, nesta fase tão delicada, é preciso dar sentido a seus atos. Fazer com que as ações tenham um significado faz parte da missão de pais que se olham, se percebem e se revêem em seus atos do dia a dia.

    Para isso, busque a lanterna, aquela que está escondida... ela irá ajudá-lo a descobrir caminhos nesta fase e servirá para iluminar a vida de seu filho e a sua.

    Por Ieda Dreger