Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h34

    Diálogo entre pais e filhos adolescentes

    Psicologia Adolescente (19)

    Os pais muitas vezes se sentem inseguros, porque a tarefa de educar um filho não é fácil. Em geral eles desejam o melhor para os filhos, mas também têm a função de colocar limites e fazer respeitar regras e isso é uma coisa que adolescente não gosta muito. Ele está na fase de buscar sua individualidade e quer ser livre.

    No entanto, até duas pessoas que não falam a mesma língua, porque são de países diferentes, podem se entender. Existe uma linguagem universal que é a do olhar, do gesto, do corpo, do sorriso.

    Existem algumas atitudes que são muito importantes para facilitar a comunicação, não apenas entre pais e filhos, mas entre as pessoas de modo geral. A primeira delas é sermos verdadeiros e espontâneos ao expressarmos nossos sentimentos. O que é verdade toca mais facilmente o coração do outro. Ao invés de reagir com silêncio, com cara feia, devemos falar aquilo que estamos sentindo, tanto em relação ao que nos agrada quanto em relação ao que nos desagrada nas diversas situações.

    Outra coisa importante é a assertividade. A pessoa assertiva defende os seus direitos e coloca limites sem agredir nem ofender o outro. Isso é muito importante, porque muitas vezes o que ofende não é o que dizemos, mas como dizemos as coisas. Podemos falar para a pessoa que não gostamos de sua atitude ou que estamos magoados ou zangados, sem sermos agressivos.

    Há ainda outro fator de grande importância que é o bom humor. Famílias que sabem rir e se divertir juntas, (quer vendo um filme, comendo pipocas e rindo, quer simplesmente estando lado a lado) que brincam e fazem piadas, são mais saudáveis, se estressam menos e se tornam mais próximas. A brincadeira facilita o diálogo, quebra o gelo e torna o clima mais descontraído.

    E não posso deixar de citar ainda a inversão de papéis. Sempre que houver uma discussão por algum assunto, tente se colocar no lugar da outra pessoa. Isso ajuda a entender melhor o ponto de vista do outro. Os pais não são os que “sabem tudo” só porque têm mais idade. É importante poder discutir assuntos, ouvir idéias e opiniões e até poder mudar o “ponto de vista”. São gerações diferentes, com pontos de vista diferentes.O importante é poder conversar sobre isso.

    O diálogo é uma ponte que se estabelece entre as pessoas. Mas existem outras formas de linguagem. Um abraço, um carinho, um afago. Busque, investigue, procure, tente...sempre é tempo de aprender e de começar.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h32

    Drogas na adolescência ou uma droga de adolescência?

    Psicologia Adolescente (19)
    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Conforme cresce o mercado de drogas, diminui a idade dos jovens que experimentam ou fazem uso delas. Porque é mais fácil entrar no mundo da...

    Conforme cresce o mercado de drogas, diminui a idade dos jovens que experimentam ou fazem uso delas.

    Porque é mais fácil entrar no mundo da droga na adolescência?

    Porque a adolescência é um período de transição, onde ocorrem muitas mudanças no corpo e mente da pessoa. Alguns conseguem passar por este período sem problemas significativos, mas a maior parte tem conflitos.

    Adolescência e puberdade caminham juntas. Adolescência é o amadurecimento emocional e puberdade é o amadurecimento físico. As mudanças objetivam a maturação sexual. Têm seu início entre 11,12 anos e se completa por volta de 16, 17 anos.

    Essas mudanças no corpo geram grandes conflitos, o que contribui para o amadurecimento emocional. O adolescente precisa lidar com:

    1. O corpo infantil que se vai. A voz começa a mudar, o corpo, o cheiro...E não é possível exercer nenhum controle sobre as mudanças. È um corpo diferente, desconhecido, novo.
    2. Nesta fase começa a se pensar sobre as diferenças dos sexos. Começa a haver sentimentos antes não experienciados.
    3. A mudança na percepção dos pais, que antes eram vistos como grandes heróis, agora são vistos como seres falíveis, suscetíveis a erros, fracassos e outros sentimentos que não os fazem mais seres tidos como invencíveis.
    4. Não só o corpo infantil é que muda, mas a infância se vai. Surge o conflito entre a independência e dependência. Entrar no mundo dos adultos é um misto de desejo e temor. Significa a perda definitiva da condição de ser criança e estar protegido.

    É em meio a todos esses conflitos que a droga surge como um elemento capaz de torna-los mais suaves. Oferece uma fuga à realidade e por alguns instantes, sob o efeito da droga, o adolescente sente-se todo poderoso (pois se torna onipotente de fato).

    Em meio a tantas mudanças e na vontade de conquistar sua independência, se une aos grupos. Com medo de não ser aceito por eles, se submete às regras. Muitas vezes busca independência, mas fica dependente das regras do grupo. É importante lembrar que ter grupos é bem saudável, o que deixa de ser saudável é quando o adolescente deixa de ser ele próprio, de ter seus valores para acatar os valores do grupo. É como se negar e despersonalizar-se.

    É importante lembrar que para o jovem, o prazer imediato que a droga pode oferecer é mais interessante do que o perigo que ela pode trazer..

    Umas das queixas mais freqüentes dos adolescentes com os quais trabalho é de não serem ouvidos pelos pais. Nem sempre esse “não ouvir” é proposital. Na maioria das vezes os pais até ouvem seus filhos, mas não conseguem estabelecer diálogo. Pensam que dialogar é impor, mandar. Que são mais velhos e por isso sabem mais, que a sua percepção é única e que o filho deve somente obedecer, etc.

    Estamos em um momento que há muita tecnologia, tv, internet, celular...E esses aparelhos vão ocupando o lugar das conversas saudáveis nas famílias. Há famílias que não sabem fazer uma refeição sem a tv ligada, não há tempo nem espaço para se ouvirem e trocar entre si.

    Quando esse espaço fica pequeno, o adolescente sai em busca de espaço e de ser ouvido em outros locais.

    Isso não quer dizer que a família é a única “culpada” na relação adolescente x drogas. Até porque não estamos tentando buscar culpados e sim compreensões. É importante que a família com adolescentes possa abrir espaço para acolher o novo, um novo corpo, novos amigos, novas percepções...E poder dialogar sobre isso, sempre.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h31

    Você tem dificuldade de tomar decisões?

    Medos e fobias (12)

    Todos os dias as pessoas têm uma série de decisões para tomar. Geralmente são decisões pequenas como: o que comer no almoço, se vão nesse ou no outro supermercado, que cor de vestido usar, qual camisa usar, em que momento levantar da cadeira para tomar um cafezinho, qual o horário a dormir, etc.

    Há 40 anos atrás, quando íamos ao supermercado em busca de algum produto, tínhamos apenas algumas opções. Hoje existe uma série delas para cada produto. É a indústria da escolha.

    Temos um excesso de informações de todos os lados, pressão por desempenho em todos os setores e repletas de alternativas, as pessoas precisam tomar decisões também a respeito de assuntos delicados. E pior, devem fazer isso sem ter muito tempo para pensar.

    Cada vez mais, o sucesso e a satisfação pessoal dependem da habilidade de fazer escolhas adequadas. Com frequência, as pessoas são obrigadas a tomar uma decisão que pode modificar sua vida.

    Até 40 anos atrás os empregos eram para sempre, assim como os casamentos. O número de decisões a tomar, a concorrência na questão profissional e a exigência do conhecimento eram menores.

    Atualmente, você escolher se vai se matricular numa pós graduação ou se inscrever naquele curso de extensão sobre liderança. No campo da aposentadoria, são mais de 260 fundos de previdência privada. A sua formação, seu trabalho e sua aposentadoria foram privatizadas. Passaram a ser de sua exclusiva responsabilidade. Agora, cabe apenas a você, e só a você, decidir o caminho a seguir.

    A vida afetiva já era privada, mas ninguém “ficava” nem dormia com a namorada ou namorado na casa dos pais.

    Então, o que fazer? Como ter certeza de tomar a decisão correta? Somente chegamos ao acerto por meio do sistema de tentativa e erro. Portanto recomenda-se cautela quando se fala e pensa a respeito de um problema. Não basta sentar-se num canto, fechar os olhos e meditar. Quando agem dessa forma, as pessoas tendem a adotar soluções com base em impulsos, ignorando até mesmo os aspectos mais simples.

    As melhores decisões, costumam ser tomadas de uma forma mais disciplinada, até mesmo com a ajuda de papel e lápis. Pode parecer brincadeira, mas os estudiosos recomendam que as pessoas não apenas analisem os prós e os contras de cada opção em jogo mas escrevam cada uma delas em colunas separadas como forma de avaliá-las e tê-las sempre diante dos olhos.

    A idéia básica, é sempre a mesma: reduzir a subjetividade a seu tamanho necessário. Por isso, a adoção de uma metodologia que reduz a impulsividade das decisões e ajuda a pessoa a ter munição. Isso tem o objetivo de fazer um julgamento pessoal de cada possibilidade em jogo. Pessoas mais bem treinadas e mais bem informadas tem mais condições de intuir o rumo a seguir.

    Mais de 20% das pessoas ficam paralisadas diante da necessidade de fazer uma escolha. Essas pessoas costumam ser muito ansiosas, adotam a idéia de ocupar o tempo com diversas atividades e sofrem por concluir uma tarefa que exija um posicionamento seu, são aquelas que quase sempre atrasam a declaração do imposto de renda e o pagamento de contas, deixam de fazer o trabalho quando estão livres com o argumento de que funcionam melhor sob pressão. Para esse grupo de indecisos, a recomendação é perceberem sua dificuldade em tomar decisões como um problema e procurar a ajuda de um profissional. A indecisão atrapalha não apenas a pessoa indecisa mas também aqueles que o cercam.

    De qualquer maneira, a melhor forma de se tomar decisões, é estar conectado com tudo que está acontecendo ao seu redor. Como uma gama de informações, você consegue fazer mais facilmente as colunas sugeridas de prós e contras para sua tomada de decisões.
    Se você se considera uma pessoa que tem dificuldades de tomar decisões, procure a ajuda de um profissional. Com certeza e isso facilitará a sua vida.


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h31

    Educação é dever de quem?

    Psicologia Adolescente (19)

    Uma das coisas mais difíceis que existe nesta vida é educar um ser humano, pois que demanda a nossa atenção por um tempo bastante longo se não por toda a vida.

    Alguns fatores apontam as causas da falta de limites na educação das crianças de um modo geral, destacando os valores morais que sumiram do nosso cenário, diante do enorme número de casos de corrupção na política, empresas, igrejas, etc, apresentados na mídia, onde, dificilmente a lei consegue ser cumprida. Com isso, instaurou-se na cultura a idéia de que ser esperto é a grande jogada, o contrário; uma tremenda burrice, então, por qual razão seguir regras?

    Outro ponto importante vem a ser a ausência dos pais na vida dos filhos, em razão da carga horária dedicada ao trabalho, deixando a convivência educacional aos cuidados da escola, desde os primeiros momentos, nas creches e nas instituições educacionais, do governo ou particulares. Esta necessidade familiar gerou um sentimento de culpa nos pais, que, para compensar tais circunstâncias, acabam sendo permissivos demais com os seus filhos, impedindo momentos de se educar e proporcionar os valores que devem ser seguidos para a constituição da personalidade da criança e adolescente. Além disso muitos pais com filhos hoje adolescentes e outros adultos vêm de uma geração na qual pregou por muitos anos a idéia de que a liberdade total era a melhor saída, contrapondo à idéia de repressão sócio-histórica vivida por eles em sua juventude, o que acarretou em juízo de valores distorcido, vindo de um radicalismo social para outro, o que se sabe, nunca é bom.. Não houve ponderação e conseqüentemente faltou um plano médio, nem 8 nem 80, que fosse sendo ajustado à medida que as necessidades surgissem. Simplesmente foi-se estabelecendo este modelo de educação até o momento em que se evidenciaram os desastrosos resultados.

    Outra condição a ser pensada é o exagero que os pais têm com relação aos traumas que poderão causar, caso venham a ser mais enérgicos na educação dos seus filhos. Usar o bom senso e algumas regras para estabelecer limites na educação não arranca pedaço de ninguém e que dar limites também é uma forma de dar amor. Faz-se necessária a consciência de que para educar é preciso esforço, dedicação, perseverança e paciência; muita paciência.

    Nas escolas a relação entre o aluno e o professor chegou a uma condição muito favorável, quando entendemos que a participação do aluno está maior, diferentemente de outras épocas onde o papel se restringia apenas a ouvir e guardar as informações que chegavam.

    A criança de hoje está mais bem estimulada e responde com maior agilidade ao meio, o que lhe confere a boa posição de ser participante nos grupos sociais; casa e escola especialmente. Todavia, dada a falta de condução por conta da educação sem limites, a criança acaba se tornando um canhão sem direção, que atira para vários lados ao acaso a acerta em quem estiver na trajetória, e a si mesma invariavelmente.

    Para ilustrar este contexto da educação sem limites, relatarei uma cena que vi na sala de diretoria de uma escola do governo. De um lado encontrava-se a vice-diretora desta instituição, a qual descrevia o descaso de um aluno com relação aos estudos, seu comportamento rebelde e desrespeitador mediante as regras daquela escola, exaltando o fato de que este menino, de aproximadamente onze anos, já havia "bombado" em ano anterior e que em seu boletim constavam muitas faltas. De outro lado, a mãe, enlouquecida com aquelas faltas, tentando compreender aquele furacão que se lhe apresentava. Ao lado da mãe que estava sentada, encontrava-se sua filha menor, à frente do referido estudante, e ao lado dele outra irmã, presumivelmente mais velha. O quadro estava formado; o garoto permaneceu imóvel entre as pessoas de sua família e apenas comentou em tom humilde que a direção da escola lhe perseguia há muito tempo e que ele era bonzinho. Apesar da postura de cobrança por parte da diretoria da escola, é quase impossível obter do aluno um comportamento adequado, uma vez que lhe falta o direcionamento educacional, sutilmente revelado pela mãe quando alegou não ter tempo de poder criar o próprio filho, permanecendo ausente em virtude do trabalho.

    Tal situação é comum e é clara quanto às dificuldades existentes para todas as partes: do aluno que precisa e não tem a educação fundamental de ser acompanhado em casa por seus responsáveis; dos pais, que não têm tempo e sentem a dificuldade se ampliar conforme o tempo passa, desestimulando cada vez mais, ter que mexer com esta situação, e, para a escola, que acaba arcando com tal responsabilidade, sem ter estrutura para isso. A situação destas várias crianças e de suas famílias é caótica, não existindo meio termo para classificar o que se passa nesta inversão de valores, onde inexiste a educação pautada em acompanhamento e com limites. Muitos pais crêem que o tempo dará jeito na questão, deixando à sorte o futuro de seus filhos.

    O exercício do viver só é realizável vivendo, na prática, e o mesmo ocorre com a educação, portando, é preciso arregaçar as mangas e assumir o papel de orientador, de guia, de educador. Começar, antes tarde do que nunca a se envolver neste processo importante e determinador da vida do ser humano, cavando tempo e espaço para esta empreitada. Sempre que desejamos muito alguma coisa damos um jeito no tempo e espaço para alcançá-la. O que nos impede de lutar por esta causa mais do que nobre? Qual medo existe em tentar educar os próprios filhos?

    Como em qualquer situação da vida, haverá tropeços, que darão lugar ao adequado conforme a prática e a persistência desta convivência. Os rumos poderão ser diferentes, e certamente o serão. Outros benefícios virão naturalmente, como um maior sentimento de amor próprio, e em muitos casos, a unidade familiar. Mas é preciso começar, tentar, fazendo acontecer. Confie em si mesmo e mude o cenário, assumindo as responsabilidades e transmitindo muitos valores aos seus filhos, por via de uma educação que dá segurança e conforto, pois todos nós sempre desejamos isto. Se tiver alguma dificuldade, procure um profissional habilitado para lhe ajudar a lidar com seus filhos, mas não desista da idéia de estar ao lado deles e contribuir para a educação dos mesmos.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h27

    Como você lida com os imprevistos da vida?

    Medos e fobias (12)
    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Toda pessoa tem sonhos, ideais e objetivos de vida. A energia que a pessoa gasta para concretizar isso geralmente é recompensada de uma ou de outra...

    Toda pessoa tem sonhos, ideais e objetivos de vida. A energia que a pessoa gasta para concretizar isso geralmente é recompensada de uma ou de outra forma. A simples idéia de trabalhar para concretizar um sonho já é algo que reconforta, dá ânimo. De resto, há pessoas que não chegam a atingir determinadas metas mas que morrem felizes porque passaram a vida lutando por aquilo que queriam. Nenhum de nós sabe exatamente como estará daqui a cinco ou dez anos. Mesmo assim gostamos de planejar e é bom que o façamos. É tranquilizador e revigorante, por exemplo, sabermos que, se trabalharmos, se dermos o nosso melhor, seremos capazes de juntar dinheiro para fazer uma viagem ou para comprar uma casa ou para cumprir qualquer outro sonho.

    Independentemente das convenções sociais e daquilo que as pessoas mais próximas esperam de nós, agrada-nos pensar acerca daquilo que queremos fazer da nossa vida. Algumas pessoas “sabem” que vão querer casar-se antes dos 30, outras assumem a sua vontade de terem um determinado número filhos e outras definirão a altura em que ambicionam ganhar o seu primeiro milhão. Isso é desejo e planejamento.

    Mas a vida não corre sempre como nós queremos e, à medida que amadurecemos, percebemos que alguns dos nossos sonhos vão ter de ficar pelo caminho e temos que aprender a lidar com os imprevistos. Dificilmente conseguimos entrar na vida adulta sem que nos deparemos com obstáculos, perdas ou rejeições com que não contávamos. Nessas alturas, podemos escolher viver as emoções associadas ao respectivo acontecimento e contornar o obstáculo, mesmo que isso implique algum tempo e muita energia, ou, pelo contrário, fingir que nada mudou e ignorar os próprios sentimentos ou até a nova realidade.

    Algumas pessoas são mais resistentes à mudança do que outras, porque sentem mais dificuldades em lidar com o que não estava planejado, com os desvios impostos pela vida. Encaram os acidentes de percurso como pequenos estorvos porque não estão dispostas a abdicar dos seus sonhos, ou de olhar a história de outra forma. Na verdade estas pessoas tem menos resiliência que as outras. Uma não é melhor que outra, apenas quem tem menos resiliência acaba sofrendo um pouco mais com as mudanças de rumo, porque tem menos “jogo de cintura”.

    Quando falamos no impacto desta dificuldade podemos falar de situações mais sérias, como as que envolvem a negação por parte dos pais da existência de uma doença em algum dos seus filhos. Com certeza que não será fácil assumir (para si mesmo ou para o exterior) que o filho é esquizofrênico, vai perder uma perna, vai ter mais dificuldade em estudar que outras crianças, etc. Este assunto implica num desvio considerável em relação às expectativas que um pai ou uma mãe construiu em relação ao seu filho, mas implica sobretudo que os pais vão precisar arregaçar as mangas, olhar a vida com outra perspectiva, buscar ajuda e ajudar o filho a encontrar saídas para ter qualidade de vida. Quando, pelo contrário, um casal se recusa a aceitar que o emagrecimento excessivo da sua filha esteja relacionado com um problema sério como a anorexia nervosa, abastecendo-se de caixas de vitaminas, está, de modo infrutífero, tentando fugir da realidade de um ACIDENTE DE PERCURSO.

    Sejamos nós um anônimo qualquer ou uma celebridade mundialmente reconhecida, vamos nos confrontar com o não planejado, o não esperado. É possível que algum dos nossos sonhos seja subitamente interrompido por um acidente, pela perda de emprego ou por qualquer outro imprevisto. De repente, tudo muda, às vezes de forma definitiva. Aquilo que fazemos quando isso acontece pode determinar a duração da nossa ansiedade, bem como do resto da família. Quando nos agarramos a uma visão distorcida da realidade, negando a existência do problema, alimentamos a esperança de que o sonho possa, ainda assim, concretizar-se, como se dependesse apenas da nossa força de vontade. Mas a verdade é que esta é uma escolha que faz com que soframos ainda mais e que nos mantem presos numa teia de sofrimentos e mentiras.

    Seguir em frente implica reconhecer os imprevistos e aceitar que a vida é recheada de eventos não planeados e indesejados. “Esbravejar” perante uma realidade que já aconteceu é importante, mas permanecer apenas esbravejando sem tomar outra decisão e ter outra atitude de seguir em frente com escolhas sensatas fará com que gastemos o nosso (precioso) tempo e a nossa energia. Cuide-se.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h24

    Filho mal educado o seu trabalho é dobrado

    Psicologia Adolescente (19)

    Se você sente que a educação do filhote escapou ao seu controle, é hora de reavaliar a maneira como conduz a relação com ele.

    Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Certas ou erradas, as suas atitudes refletem nas ações dos herdeiros: pais são modelos e o filho é o espelho.

    Além da relação com os pais, outras variantes interferem no comportamento infantil: problemas emocionais, fatores genéticos e disfunções do organismo. Nenhuma delas deve levá-lo ao desespero, pois há solução para tudo; basta encarar o problema.

    Se não deu para prevenir, corrija

    Boca suja: Você fala palavrão? Quando está dirigindo, às vezes, escapa um, não é? Então, sinta o puxão de orelha! Crianças aprendem imitando os adultos. Antes de repreender seu filho por falar palavras feias, corrija o seu próprio comportamento.

    Se esse não é o caso, uma dica que funciona com os pequenos, é chamar sua atenção dizendo que vai lavar a boquinha suja deles. Também não permita que tios, primos e avós achem graça na situação: essa atitude estimula a criança a continuar falando bobagens.

    A hora de dormir ou quando a criança brinca tranqüilamente são ótimos momentos para reforçar que palavrões são feios e não devem ser repetidos. Na "calmaria" elas ficam atentas e absorvem facilmente aquilo que lhes for dito. Adequar a maneira de falar à idade de seu filho é importante: uma criança de 3 anos repete o palavrão e não sabe o que quer dizer, mas uma criança de 8 anos já sabe.

    Escândalo em público: Jamais atenda a exigências de seu filhote por vergonha da choradeira diante das outras pessoas. Se o fizer, ensinará que, gritando, chorando e se jogando ao chão, ele conseguirá o que quiser.

    Ajoelhe para ficar da altura da criança e chamar a sua atenção. Peça, com firmeza, que olhe para você. Dê a ela a oportunidade de desabafar, perguntando o que quer e por quê. 

    Proponha comprar o objeto do desejo no aniversário ou no Natal. Ou diga que sente muito, mas não dispõe de dinheiro. Descreva os motivos com calma, paciência e gestos afetuosos. Se a criança continuar agitada, explique que espernear não resolverá o problema e a convide-a a ver outras vitrines.

    Se a criança aceitar o acordo, beije-a ou faça um gesto de carinho. Ensinar a passividade e a desistência dos desejos acarreta o risco de forjar um adulto sem expectativas nem forças para lutar por ideais, que abre mão dos desafios diante do primeiro obstáculo. E não é isso que queremos.

    Para acabar com as brigas: Converse com a criança antes da visita chegar. Discretamente, sem mostrar a sua preocupação, sugira ao seu filho que mostre os brinquedos para os amiguinhos que logo estarão com ele.

    Sugira a ele selecionar os brinquedos: guardar em lugar seguro aqueles que não quer dividir e deixar os outros disponíveis para brincar com os colegas. Isso evita confusão.

    Criança levada, atenção redobrada:Comportamento agressivo e gestos bruscos merecem um olhar atento, pois há riscos de acidentes. A mensagem que a criança passa é a seguinte: "Olhe para mim, estou aqui, fale comigo".

    Dê a atenção exigida no momento. Não é correto pular no sofá, mas a criança não espera gritos, nem tapas, apenas uma historinha ou um aconchego. Há atitudes que funcionam como "calmantes". Quando o filho não pára de correr, pular e gritar pela casa, faça cócegas nele, sussurre palavras doces e dê um abraço gostoso. Acalma a criança e dá a ela a segurança e o colo de que precisa.

    Esporte descarrega a energia; para a meninada agitada é uma ótima pedida. Brincar em lugares abertos, também: dá para correr, andar de bicicleta e jogar bola. Não esqueça de alimentá-los e hidratá-los bem para essas atividades.

    Regras que resultam em boa conduta

    • Prometer e não cumprir tem um péssimo significado para os filhos, pois quebra a confiança depositada nos pais.
    • Não encha a criança de brinquedos caros e sofisticados para compensar a sua ausência: quando adulto pensará que pode comprar tudo na vida, inclusive pessoas.
    • Melhore o seu comportamento, ou logo estará se perguntando: "com quem esse menino aprende essas coisas?"
    • Use o bom senso para impor limites. Se a criança pular no sofá com você por perto para garantir que não se machuque, tudo bem. Mas se pendurar no lustre é abuso!
    • Faça questão de chegar na hora certa aos compromissos que envolvem seu filho - reunião na escola, pediatra e festa dos amiguinhos. Atrasos fazem a criança pensar que não é importante para você, desencadeando rebeldia.
    • Questione aspectos morais, fale da convivência em sociedade e mostre indignação diante de coisas erradas para deixar bem clara a importância da ética e da honestidade.
    • Obrigações domésticas ensinam noções de organização: guardar brinquedos, arrumar o próprio quarto, retirar o prato da mesa, colocar o copo na pia e hora certa para as tarefas da escola.

    Se você perceber que não está conseguindo ou que perdeu o controle sobre a situação, busque auxílio de um profissional capacitado em lidar com famílias. Ele poderá auxiliar vocês. Nunca estamos sozinhos e não há problemas sem solução.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h22

    Filhos e Drogas: Um problema que precisa ser olhado com carinho

    Psicologia Adolescente (19)

    Costumo encontrar em meu consultório, pais perguntando sobre “sinais” de que os filhos podem estar utilizando drogas.

    Erroneamente, muitos desses pais sequer se questionam quando ocorrem situações de distanciamento afetivo dos filhos para com eles. Preferem entender este como sendo um processo natural do desenvolvimento adolescente. A busca de novos referenciais e algum isolamento dos pais são de fato necessários para a elaboração da identidade do futuro adulto, mas apenas até certo ponto.

    Distanciamentos afetivos, de modo geral, requerem um olhar mais atento por parte dos pais e merecem maior atenção quando conjuntamente surgem mudanças importantes de personalidade e comportamento. Exemplo: Quando aparecem retraimentos espontâneos, dificuldades e mesmo falta de vontade de conviver com a família e com amigos que sempre costumaram ser referências fraternas. Quando as festas sociais e familiares ficam determinantemente fora de cogitação. Tudo isso ocorre de modo sutil, porém, em determinado momento um quadro maior vai se delineando e os pais podem perceber o filho mais próximo de um estranho do que de alguém com quem mantiveram contato desde o nascimento.

    Outro fator de relevância são as altas jornadas de sono ao longo do dia e o uso freqüente da desculpa sobre o excesso de cansaço ser devido às atividades do dia-a-dia ou mesmo pelas baladas noturnas. Essas situações devem ser observadas pelos pais pelo bom senso somado aos dados de realidade. Verificar se o jovem prefere passar horas a fio trancado dentro do quarto ou banheiro também pode ser algum sinal de que algo pode estar fora do prumo.

    Carlos diz que a idéia era a de buscar mais e mais sensações de prazer. Por um momento, esqueceu-se daquilo que o impulsionou para este tipo de jornada: a angustia pelo vazio interior enorme e sem nome. Foi a facilidade de se obter tudo. Foi a ausência de autopresença em sua própria vida, somada ao desvalor e à rapidez que este império sedutor em que vivemos nos traz.

    Vivemos permeados por situações de conquistas importantíssimas, mas que duram apenas um ínfimo momento. É deste modo que a vida em si vai perdendo a sua própria dimensão e valor. Tudo fica raso e sem sentido.

    Então a busca passa a ser frenética, perseguindo-se um sentido que dê significado. Na maioria das vezes a angústia faz com que se procure o caminho mais rápido e fácil, o que infelizmente não provoca o verdadeiro encontro consigo mesmo. Ao contrário, retira mais e mais o prazer de se estar vivo, enterrando cada vez mais a possibilidade de poder viajar saudavelmente na imaginação, projetando e criando situações para conquista e crescimento pessoal.

    O que ocorre é a perda da linha do tempo tanto para o passado, como para o futuro. Perde-se a validade sagrada do momentum vívido.

    A grande questão fica na linha divisória do que pode ser entendido dentro de um padrão de normalidade ou de alguns tipos de comportamentos que podem servir como fortes sinalizadores de que algo de muito errado pode estar ocorrendo secretamente na vida de seu filho. Os sinais surgem e os pais devem ficar atentos aos movimentos e atitudes que antes não faziam parte da rotina e da estrutura de personalidade dos filhos.

    Dependendo do tipo de droga utilizada, poderá ocorrer a diminuição drástica do apetite e ate sensações de enjôo ou mesmo vômitos.

    Também se torna recorrente o esquecimento de palavras durante as frases.

    Sabemos que o adolescente está em constante transformação e que todo este caminho mutante serve de experimentação para a jornada adulta que a sucede. Por isso mesmo é que os pais devem estar presentes, entendendo os processos de mudanças fundamentais, mas em momento algum se dispersando de uma visão mais acurada e amadurecida em relação aos filhos. Atentando inclusive para não relevarem as percepções por mais sutis que possam parecer em relação as atitudes diferentes do usual que seu filhos possam estar tendo.

    Denunciar para si próprios de que algo pode não estar caminhando bem em relação aos próprios filhos pode incomodar profundamente todo e qualquer tipo de ideal dos pais, negá-los, porém num futuro não distante, pode trazer uma dor que muitas vezes torna-se irrecuperável.

    E muitos pais, na sala ao lado, continuam vendo televisão...

    Por Ieda Dreger


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h21

    Filhos que mandam e pais que obedecem?

    Psicologia Adolescente (19)

    A responsabilidade de educar filhos é intransferível, ainda que algumas pessoas busquem fazê-lo. Mas o outro que vem cuidar é um substituto, nunca um pai. E as próprias crianças compreendem isso quando dizem: “você não é meu pai (mãe), você não me manda”

    Um substituto recebe dos pais as informações necessárias para cuidar dos filhos, mas dificilmente pode tomar providências e iniciativas com relação a educação, regras de comportamento e disciplinas. Isso é possível ver em sala de aula, quando um professor for mais rígido na conduta com o aluno, este geralmente se queixa aos pais que, por sua vez, vão tirar satisfação dos professores.

    Mas muitos pais não fazem sua parte e tentam transferir sem nenhuma autoridade ao outro. Nada dá certo desta forma.

    É importante compreender que ser pais implica autoridade. Autoridade não significa apenas dominar, nem impor superioridade. Essa é uma das formas. O papel dos pais é colocar as regras de forma clara e ajudar para que elas sejam cumpridas. As regras precisam ser claras e é necessário saber se a criança compreendeu. A partir disso existe uma cobrança. Este é o papel de pais que cuidam.

    É bom que as regras além de serem claras, estejam escritas e posteriormente fixadas em algum local bem visível, que pode ser a cozinha ou o quarto de dormir das crianças.

    Deverá também ser estabelecido um castigo para cada transgressão. O castigo precisa ter a ver com a regra descumprida. Além disso, de nada adianta um castigo de um mês quando os pais conseguem cobrar apenas uma semana. Melhor poucos dias ou horas, mas bem cobrados. Se não corremos o risco de os filhos não levarem mais a coisa a sério. Perdem o respeito pelos pais e pelo castigo em conseqüência.

    Ex: de nada vale dizer que vai ficar um mês sem usar o vídeo game se você não tem como fiscalizar isso em algum período do dia. Ou dizer para o adolescente que ele vai ficar um mês sem sair de casa e na semana seguinte deixar ele sair porque ficou com dó.

    Seguindo, Na primeira transgressão da criança ela deverá ser advertida de que em sua próxima vez de transgressão haverá o castigo. E isso de fato deve ocorrer.

    Firmeza e convicção são qualidades necessárias aos pais para exercerem seu domínio.

    Também é muito importante que o filho, uma vez que tenha cumprido o castigo, peça desculpas aos seus pais pelo que fez, e assim receberá um abraço dos mesmos.

    Esta é uma técnica que funciona muito bem, mas é preciso estar atento e não passar por alto nas transgressões, por cansaço ou comodidade, por pena, preguiça ou outros.

    Gritos, berros e chantagens de crianças em lugares públicos ou ruas, bem como os “ataques” de fúria devido a algum capricho não realizado, poderão ser resolvidos acalmando a criança com palavras tranqüilas, fala lenta, suave. Porque neste momento, gritar é se colocar na altura da birra dele. Fique de joelhos para estar na altura dos olhos do filho e converse. Depois de sair do local publico, vocês conversam sobre o fato e você então dará o castigo que corresponde aos gritos e falta de controle demonstrada pela criança.

    Se você falar suavemente não resolve, abrace seu filho bem firme, leve-o para casa e tenham uma boa conversa sobre o que aconteceu, colocando o castigo, como por exemplo, não levá-lo para passear (se tiver sido o caso) por um período, ou não levá-lo ao mercado (se foi onde ele extrapolou) por um período, etc.

    Não compre tudo o que a criança solicitar. É importante que, em média, uma vez por mês, vocês possam combinar que ela vai poder escolher uma coisa em tal valor. E estipule um valor baixo. Não permita assim, que ela faça birra porque quer comprar isso ou aquilo. Tem pais que quando a criança pede um rabicó para prender o cabelo, vão logo comprando 5 pares. Que idéia de valor estou construindo?

    Uma criança aprende melhor o valor das coisas quando precisa lutar para obtê-las, de forma justa, e assim aprende também o seu valor pessoal por ter lutado e conseguido efetivamente um resultado.

    Lembre-se, as crianças sempre vão protestar por não terem o que querem, isso é próprio delas, mas como pais, precisamos ensinar a lidar com a frustração de nem sempre terem o que querem e na hora que querem. Frustração é uma grande fonte de aprendizado. Não se limite a ensinar apenas o que é bom.

    Aqui estão apenas algumas dicas, se mesmo assim a educação está difícil, busque a ajuda de um psicólogo competente.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h19

    A difícil arte de educar nos dias atuais

    Psicologia Infantil (11)

    Educar é um assunto corrente em consultório de psicologia. A necessidade de colocar limites é sempre muito questionada, tanto pelos filhos como entre os novos e dedicados pais. Muitas pessoas viveram em sua própria educação a experiência de duros limites, constituídos em regras e proibições. Autoridade era misturada com Autoritarismo, a sabedoria da maturidade era confundida com verdade absoluta. Exigia-se da criança, do adolescente e mesmo dos adultos, total submissão e resignação; ser uma criança boazinha era sinônimo de atender as regras, jamais ser espontânea e nunca criar ou questionar algo; a liberdade em expressar suas idéias e pontos de vista confundia-se com enfrentamento e desrespeito aos “mais velhos”.

    É claro que esse modelo de educação trouxe muitos problemas e resultou em muitos adultos inseguros e até mesmo revoltados. A proposta da mudança era possibilitar a livre expressão dos potenciais e da espontaneidade infantil, como até hoje defendemos. Mas para alguns pais essa proposta foi confundida com a total permissividade, a educação do “tudo pode”, perdendo o entendimento da palavra não, do limite e do respeito.

    Nascemos totalmente espontâneos e criativos e com o decorrer do desenvolvimento através da educação aprendemos como usar nossos potenciais adequadamente, ou seja, respeitando as regras para viver socialmente. É também neste processo que aprendemos a acreditar ou não nesses potenciais. Nossas atitudes e comportamentos são o tempo todo avaliados e confirmados ou não, pelas pessoas com quem nos relacionamos e principalmente pelos nossos pais. É desta aprovação que surge a sensação de segurança interna que todos possuímos em maior ou menor quantidade, e também nossa auto-estima. É claro que para os pais não é uma tarefa fácil, pois implica em ter uma noção clara do que é ser adequado, o que depende de sua maturidade emocional.

    Há 40 anos atrás questionar uma ordem paterna, por mais absurda que ela fosse era praticamente um crime, castigável sem sombra de dúvida, com diversas formas de agressão tanto físicas como emocionais. Hoje em dia o questionamento já começa a ser entendido como algo positivo, pois ao trazer questionamentos novos a questões antigas aumentam-se as possibilidades de criar e descobrem-se novas formas de existir. O conhecimento deixa de ser percebido como uma “conserva cultural” e passa a ser percebido como algo dinâmico e em constante transformação e renovação.

    Mas como oferecer liberdade sem tornar a sociedade um caos?
    Introduzindo as noções de responsabilidade e respeito. Quando falamos em liberdade, falamos em respeito ao outro e em respeito a si mesmo, caso contrário estamos falando em invasão, e em desrespeito. Para convivermos em sociedade precisamos de algo que nos auxilie a lidar com as diferenças entre as pessoas, suas particularidades na sua forma de existir e de entender o mundo, pois apesar de sermos todos humanos, e similares em nossas necessidades, a forma de expressar nossos desejos difere de um para o outro, pois se relaciona ao grau de maturidade de cada um.
    Crescemos em famílias com crenças e culturas diferentes e somos influenciados pelo meio social no qual nos desenvolvemos. Esta delicada mistura é responsável pelos diferentes tipos de pessoas que nos tornamos. Portanto para vivermos socialmente necessitamos de alguns parâmetros, que se traduzem nas noções de ética, cidadania, gratidão e senso moral. Desta forma, quando pensamos em educar, precisamos checar dentro de nós como nos posicionamos em relação a isto e como esses parâmetros estão sendo exercitados nas relações que desenvolvemos.

    A educação se constitui basicamente naquilo que dizemos, confrontados pelo que fazemos. Ou seja, se pregamos o respeito mútuo e a honestidade, mas no dia-a-dia, valorizamos o “esperto”, aquele que sempre se dá bem, estamos sendo incoerentes e certamente essa incoerência fará parte de nossos de ensinamentos. A criança não aprende só pelo que houve e sim também pelo que vê.

    O mais importante ao processo de educação é o amor. Este gera a segurança interna, a confiança e a respeitabilidade, ingredientes indispensáveis para que a relação de intimidade necessária num processo de educação possa se estabelecer. Educar implica em intimidade, e você só ensina algo se é autorizado pelo outro, com esta autorização que se dá pela confiança que nasce nas relações onde o amor e a amizade são as palavras de ordem.

    Muitos pais se referem frequentemente às dificuldades em colocar limites, confusos entre cercear demais ou de menos. Esta dificuldade nasce de uma forma de entender o amor muitas vezes equivocada, onde se confunde limite com abandono e desamor, e consequentemente amar torna-se sinônimo de total permissividade, com a antítese do “nada pode” passando a ser o “pode-se tudo”.

    Colocar limites é ensinar que existe a frustração, que apesar de desagradável, faz parte do mudo real, ao vivo e a cores. O limite nos ajuda a perceber quem somos, o respeito nos ensina que temos limites e aumenta nossa consciência pessoal, e a responsabilidade nos ensina que tudo tem seu preço, pois estamos sempre em relações de troca, colhendo aquilo que semeamos. Oferecendo amor certamente colheremos alegria e felicidade. Para exercer o papel de educador, precisamos reavaliar o entendimento do "não", para esta importante palavra não se transformar numa forma de tirania e sim uma forma de proteção, exercício do amor e respeito a quem amamos.



    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h18

    Seu filho não quer mais estudar?

    Psicologia Adolescente (19)

    Em meu consultório tenho ouvido muitos pais reclamando que seus filhos não querem mais estudar. Não se motivam, não enxergam motivos nem necessidades. Acompanhando estas famílias fica bastante evidente o que pode estar acontecendo.

    Nossos pais ou avós sempre nos disseram: “no nosso tempo é que era difícil, hoje em dia tudo é mais fácil”. Sim, no tempo deles as necessidades básicas eram realmente bem mais complicadas. Com famílias que vieram buscar melhores condições de vida na região sul do pais, eles careciam de tudo (água, esgoto, roupa, calçado, comida...). E hoje em dia? Hoje em dia temos tantas informações que a dificuldade está na concorrência, em saber o que nos serve, em filtrar, em estar com o conhecimento suficiente, etc. Ou seja, hoje em dia o maior problema está na quantidade de informações que recebemos a cada segundo, de todos os lugares e acabamos não conseguindo dar conta de todas elas.

    Para o adolescente também é assim. Na adolescência, a vida social vai ficando mais interessante. Namoros, baladas, uma certa liberdade, a possibilidade de ficar mais fora de casa, de sair mais sozinho, net, internet, computador, celular. E aí fica difícil concorrer com escola, estudo e prova. A vida escolar, que até então era um importante veículo para inserir a garotada na sociedade, cai em importância e cresce em implicância. Mas será que existe um jeito de fazer o adolescente estudar?

    Aprender é um ato de metacognição. A pessoa aprende sozinha, ninguém te ensina nada.

    Há falhas na estrutura do ensino, em várias escolas, os conteúdos são apresentados sem que se faça uma conexão com a vida real. Ou seja: a melhor maneira de incentivar o aprendizado é mostrar ao jovem para que serve, na prática, o que ele está estudando.

    Além disso, temos o famoso exemplo. Não adianta pais falarem que estudar é importante se não lêem, não buscam informação, não evidenciam que o estudo é importante.

    Filhos de pais com uma boa condição financeira, que ganhar além do que necessitam, também encontram maior probabilidade de se desestimularem com os estudos. Afinal, já têm mais do que precisam, porque estudar.

    Brigar, punir, castigar não resolve. Cobrar resultados - "Estudou? Fez a lição? Tem prova?" - isoladamente, de forma pontual, pode transformar a casa num inferno, e também não resolve.Os pais precisam se envolver com o processo de aprendizagem como um todo, não só no momento da prova. É preciso levar o cotidiano escolar para o cotidiano da família. Muitas vezes é preciso ajudar o filho a pegar o ritmo de estudar. Organizar horários, olhar cadernos, cobrar tarefas, enfim acompanhar mais de perto.

    A solução do conflito entre adolescentes e pais na hora de estudar passa, certamente, pela abordagem e eficácia do discurso: O VALOR DO ESTUDO NA FAMÍLIA.

    Os pais têm de fazer a lição de casa em relação a isso. Como eles encaram estudar? Gostam de estudar? Qual o valor do estudo? Entretanto, mesmo quem acha que estudar é perda de tempo tem de mandar o filho para escola. E pode exigir que o filho seja profissional nisso, o que significa ser responsável e comprometido com os estudos.

    Há famílias em que basta tirar 5. Em outras, é o limite da escola. A exigência tem de ser feita sem prêmios, mas não sem elogios. Não dá para barganhar viagens, presentes. O elogio não deve ser pelo resultado, mas pelo esforço.

    E QUANDO O PROBLEMA JÁ ESTÁ INSTALADO? Em primeiro lugar, compreender a situação ("entendo que a escola está difícil, que você não gosta do professor etc."). Em seguida pedir que o próprio jovem apresente propostas de solução. Considere as possibilidades, aceite as idéias, anote, escolha com ele as que são possíveis para os dois. Não dá para acertar as regras e não tocar mais no assunto. Seu filho é sua obrigação

    Outro aspecto que deve ser considerado: o ambiente de estudos. Não há necessidade nenhuma de luxo, mas é importante que o filho tenha o seu ambiente privativo de estudo, nem que seja uma simples mesinha, mas que seja só dele! O ambiente inclui ter os elementos necessários ao estudo sempre à mão. Ter que parar um trabalho para procurar uma caneta, uma borracha ou uma folha de papel, acaba desmotivando um pouco.

    O ponto a seguir é polêmico, mas insisto em sua eficácia! Temos que estar atentos as habilidades de nossos filhos e ignorar suas deficiências e dificuldades. Se ele, por exemplo, diz que nada entendeu de uma determinada matéria, ajude-o a descobrir o que ele entendeu da matéria, até que ponto ele acompanhou e compreendeu com perfeição. O grande problema da educação está exatamente nesse enfoque errado que a maioria dos professores têm em relação às dúvidas. NUNCA ensinaremos nada a ninguém se quisermos saber o que esse alguém não entendeu! Precisamos saber exatamente o que ele entendeu! Só a partir do elemento compreendido (e bem compreendido) poderemos levá-lo a entender o restante.

    Portanto, não perca a autoridade e nem . Estudar é necessário e seu filho precisa disto. Mas se você não está conseguindo dar conta desta tarefa doméstica, busque ajuda. Muitas vezes a dificuldade está em como tratamos o assunto e não necessariamente no assunto.

    Por Ieda Dreger