Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h50

    Síndrome do Pânico e o medo de tudo

    Medos e fobias (12)

    Sem aviso prévio, você começa a sentir o coração bater acelerado, suor intenso, opressão no peito, tontura, falta de ar, boca seca e dor no estômago (ou algumas delas apenas). Em crises passageiras ou demoradas, essas sensações podem passar a correr periodicamente deixando você paralisado. A síndrome do pânico é assim: uma sucessão avassaladora de sintomas que se manifestam de repente e podem ocorrer em qualquer lugar - em casa, diante da TV, no elevador ou mesmo no volante do carro. Um distúrbio raro? Nada disso. Atinge de 2 a 4 por cento da população mundial.

    Reconhecida a partir da década de 90 como doença pela Organização Mundial de Saúde, a Síndrome do Pânico provoca um medo incontrolável, que aprisiona, que paralisa, enclausura e torna o sofrimento parte central da vida de uma pessoa.

    A primeira manifestação da doença é muitas vezes espontânea, e em geral, ocorre depois de um esforço físico muito grande, trauma emocional, cobrança exaustiva...Aliás, hoje em dia a cobrança que nos impomos e que o mundo nos impõem têm levado muitas pessoas a desenvolverem a Síndrome do Pânico. Não basta sermos bons, temos que ser os melhores.

    Não basta ter dinheiro para viver, precisamos o carro do ano, a bolsa da moda...o mercado de trabalho está a cada dia mais concorrido e vivemos correndo atrás de cursos, de livros, de conhecimento. Isso tudo provoca uma pressão muito grande sobre a pessoa que em alguns momentos, não suportando, desenvolve alguma Síndrome.

    Num estudo realizado sobre o assunto na UNICAMP foi observado que muitos pacientes tiveram ataques de pânico desencadeado por uma situação de estresse afetivo, familiar, profissional ou social. Em outros casos pode começar repentinamente, após o parto, uma cirurgia ou algum tipo de infecção. Uma vez desencadeada a doença, as crises passam a acontecer de forma autônoma, independente dos fatores que possam tê-las gerado.

    O ataque de pânico é, de fato, uma das experiências mais devastadoras que um ser humano pode enfrentar. Pior que a primeira crise, só o sofrimento de saber que outra pode vir. Os sintomas são parecidos com os de um infarto, e, nesse instante, a falsa morte iminente adquire os contornos de certeza. O doente se enclausura, instala-se então um quadro de fobia generalizada.

    Apavorada com a idéia de voltar a sentir os sintomas, a pessoa passa a fugir dos ambientes onde os ataques ocorreram, como se tal atitude pudesse evita-los. Pensamentos confusos se atropelam numa velocidade tamanha, que muitos acham que estão enlouquecendo. Quem sofre deste mal vive num verdadeiro inferno: às vezes deixa de sair de casa, evita lugares fechados, não transita em lugares lotados e, em casos graves, nem mesmo consegue atravessar a rua sem ajuda.

    A doença, ainda que não gere graves conseqüências, anula a pessoa como indivíduo, degenera sua personalidade e arrasa sua vontade. Pelo menos não gera conseqüências físicas, embora muitos pacientes com Transtorno de Pânico desenvolvem preocupações constantes com doenças físicas.

    O ataque de pânico, apesar de ser extremamente desagradável, nunca passa das sensações já descritas. Importante: são apenas sensações.

    O tratamento se mostra eficiente na grande maioria dos casos, independente da gravidade e duração dos sintomas. Além de acompanhamento de psicólogo, medicamentos que atuem sobre os neurotransmissores e tranqüilizantes específicos costumam ter bons resultados. A melhora começa a ser observada dentro de algumas semanas e, com as crises sob controle, o paciente se torna capaz de enfrentar situações que antes lhe causavam todos aqueles sintomas. Lembre-se, não desista, todos os casos, mesmo os mais graves tem solução.


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h49

    Sexo na adolescência: Você está preparado?

    Psicologia Adolescente (19)

    O sexo é uma parte importante e significativa da vida. No sexo, como em muitas outras partes da vida, é importante você respeitar a si própria em primeiro lugar para só depois respeitar os outros. Isso inclui a capacidade de saber dizer “não” quando você não quer! Nem sempre é fácil dizer não!

    Muitas vezes o seu desejo de dizer não entra em conflito com o que seus amigos pensam, o seu namorado quer. É muito comum as meninas e os meninos se questionarem se devem ou não ter relações sexuais. Todos os seus amigos transam, todo mundo só fala nisso, você tem curiosidade...Mas o que fazer? Você deve deixar de lado o seu desejo de não querer fazer sexo só para satisfazer o seu namorado?

    Aqui vão algumas frases comuns que você já deve ter ouvido muitas vezes: O que é que tem? Todo mundo faz...isso é normal!

    Muitos dos seus amigos dizem que fazem só pra se aparecer, prá contar. Claro que há mesmo muitas pessoas que fazem, mas uma boa parte não faz e mente para não se sentir inferior. Isso acontece muito entre os meninos que não querem "ficar por baixo" dos colegas, outros tantos fazem sexo porque se deixaram convencer pelos colegas e não porque queriam mesmo! Garanto que você já deve ter ouvido aquela frase: "ahhhhh...só quando você fizer sexo é que saberá o que é se sentir uma mulher mesmo!"

    Agora imagine a seguinte situação: você está apaixonada por um menino e ele quer ter relações sexuais com você, e você, querendo aproveitar a chance de estar com ele e de conquistá-lo, vai pra cama com ele mesmo não querendo. Você sente medo de que, se não fizer sexo com ele, jamais irá conquistá-lo! Será mesmo que vale a pena fazer isso? Será que você irá conquistá-lo desta maneira? Tenho as minhas dúvidas, provavelmente o que aquele garoto queria mesmo era só fazer sexo com você e mais nada. E o mais triste desta história é que, no final, você se sentirá apenas usada, triste, não é?

    E aí você pode estar se perguntando: Afinal, o que é o certo e o errado em sexo? Qual é a hora certa de transar?

    Não existe o certo ou o errado, mas existe aquilo que é ou não melhor para você. Pergunte-se: O que é o certo para você mesma? Você se sente preparada para fazer sexo com alguém?
    Não adianta perguntar para os seus amigos, pois todos nós somos diferentes, cada um de nós pensa de uma forma e o que é bom para uma pessoa nem sempre é bom para a outra. E é você quem tem que decidir por você mesma, afinal, quem vai estar lá na hora H será você, não os seus amigos!!! Decidir por você mesma não é fácil, mas vale a pena!

    Nem sempre você se sente preparada para isso! Tente entender o porquê, a educação que seus pais lhe deram condena o sexo antes do casamento? Você concorda com eles? Sua religião não permite?

    Pense...É muito importante ser bem honesta com você mesma! Por que você quer ter relações sexuais com aquela pessoa X? Quais seriam os motivos?

    Se for para conquistar, talvez não valha a pena...

    Você não quer se sentir "diferente" dos seus amigos? E quem disse que dizer não é ser diferente? Seus amigos precisam aprender a respeitar você e não é sendo igual a eles contra a sua vontade que eles irão respeitá-la, se você não se respeita, dificilmente alguém te respeitará!

    Talvez seus amigos pensem que você é homossexual porque não quer fazer sexo, puro preconceito! A sua sexualidade só diz respeito a você mesma(o) e mais ninguém. Não precisa provar nada para ninguém!

    Quer experimentar o mesmo que você vê em filmes e na TV? Lembre-se que nem sempre a vida real é como nos filmes,o importante é saber como você se sentirá no dia seguinte!

    Nas festas, tudo termina em sexo...e daí? Por que para você tem que ser assim também se você não quer?

    Existem, ainda, uma série de outros motivos seus. Pense com carinho sobre todos os eles. Ser "honesta" com você mesma pode ajudá-la a compreender porque é que algumas pessoas têm relações sexuais antes de se sentirem preparadas para isso e, principalmente, para você entender as razões que podem estar levando você a querer fazer algo que vai contra a sua vontade! Aprenda a respeitar a si mesma!

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h47

    Não tenha vergonha de ter medo

    Medos e fobias (12)

    MEDO palavrinha conhecida de todos nós, quem já não teve medo de algo? Inúmeras pessoas sofrem com seus medos, mas poucas são capazes de admiti-los, principalmente para não se sentirem infantis ou ridículas.

    Há vários tipos de medos, aqueles que sabemos porque existem e aqueles que nem imaginamos de onde vêm. Nas duas alternativas nos sentimos impelidos a fazer algo.

    Algumas vezes o medo é tão terrível que algumas pessoas simplesmente travam, como se perdessem as forças para enfrentá-lo. Outros reagem ao impulso agredindo seu provável agressor. As reações dependem de um conjunto de características pessoais onde se incluem sua forma particular de entendimento do mundo e suas características de personalidade influenciadas pela saúde emocional de cada um.

    Paradoxalmente o medo nos serve como parâmetro quando está aliado a dados de realidade, nesse caso, damos a ele o nome de cautela, sensatez e até mesmo maturidade.

    Em outros momentos o medo está relacionado a nossa área da ilusão e da fantasia. O medo do escuro, de baratas, de ratos, ou até mesmo da morte, nasce da mesma matriz, a sensação de fragilidade e da necessidade de se proteger, correlaciona-se a nossa autopsiam e às nossas crenças. Mas não podemos esquecer que estamos falando de um sentimento e portanto é dominado pela esfera das emoções e não da razão.

    É comum ouvir frases do tipo “racionalmente eu sei que a barata nada pode fazer contra mim, mas, é algo mais forte que minha razão, o medo toma conta de tal forma que perco o controle, corro, grito e se não tiver como fugir, chego até a desmaiar”... esses e outros relatos são comuns no consultório quando falamos de medos.

    Alguns dos caminhos utilizados para tratá-los em psicoterapia, é a busca de significados associados, geralmente um medo está entrelaçado a uma cadeia de significados. Para facilitar a compreensão imaginem uma cebola: a camada mais visível seria a fonte de temor (barata, bola, bexiga, água, namorar, dirigir etc...), e as outras, até chegar ao miolo seriam os outros significados associados. O núcleo ou o que gerou o problema relaciona-se à sua história de vida, ou seja, os fatos propriamente ditos, captados pelas “lentes” de suas características pessoais, por exemplo, sua forma de vivenciar, perceber e entender os acontecimentos.

    Utilizamos diferentes técnicas para atingir esses esclarecimentos, ao passo que se trabalha a percepção de si, o autoconhecimento o fortalecimento da auto-estima, e da autonomia. Fantasia e realidade, mundo interno e mundo externo, são considerados dinamicamente.

    Era prática comum associar medos a “coisas de criança”, ou “coisas de mulher”, subestimando os males causados por esse sentimento e ao mesmo tempo associando um caráter de fragilidade àqueles que o assumissem. Isto fez (e ainda faz) com que muitas pessoas deixassem de falar sobre seus sentimentos e principalmente demorassem para descobrir que os medos podem ser tratados e resolvidos a medida que aprendemos a lidar com eles. Muitos homens sofreram e ainda sofrem com esse preconceito, mas felizmente na atualidade as pessoas estão cada vez mais voltadas a buscar uma melhor qualidade de vida, buscando ajuda para suas questões com profissionais especializados.

    O medo é o termômetro humano para a preservação e proteção da própria espécie, quando passamos a evitar a vida (como se fosse possível) por medo de vivê-la, estamos “usando” esse sentimento nocivamente. 

    Portanto se você tem algo que lhe incomoda, qualquer tipo de medo, não importa se for de bichos, coisas, objetos, ou mesmo de se relacionar não deixe de procurar ajuda de um psicólogo, pois certamente você estará trabalhando em prol de sua liberdade, transformando sua vida num caminho mais prazeroso e feliz.

    Considero este tema muito amplo e interessante, neste artigo abordei apenas algumas faces desta questão, existem obviamente outros graus de medo muito mais limitantes como o Pânico e outros tipos de Fobias por exemplo, que abordarei nos próximos artigos.


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h45

    O que é o medo?

    O medo faz parte da vida de toda a pessoa e trata-se de um instinto de sobrevivência. Ele é um fator de proteção contra os perigos e adversidades, fator esse que as pessoas adquirem ao longo da vida.

    Eles costumam aparecer na infância e às vezes escondem problemas mais graves. Tem gente que tem de trovão e avião. Outros de injeção e escuridão. Tem gente que tem de polícia. E de ladrão. E você tem medo de quê?

    Divido os medos em duas categorias: os normais/racionais e os irracionais. Os primeiros são aqueles que se encaixam na explicação científica do medo. São os temores que nos previnem do perigo, os que fazem com que a gente não se jogue da janela para saber como é voar, por medo de morrer; ou não xingue o chefe, por medo de ser demitido.

    Já os irracionais são os que fazem com que a pessoa mude sua rotina. É a diferença entre uma pessoa que se cuida para não ser assaltada e outra que não sai de casa por medo de roubo.
    A melhor maneira de descobrir de onde vêm os medos é escarafunchar a história de sua vida. Na maioria das vezes, ele surgem quando se é criança — e quase sempre é incutido por pessoas com as quais convivemos ou por experiências de alguma maneira traumáticas. O medo é aprendido. A criança pequena não teme nada. Ela aprende com outras pessoas, ou na prática.

    E por trás de um medo aparentemente banal podem estar problemas mais graves. Uma pessoa quem te medo de dirigir, por exemplo, pode estar mergulhado em outras reações paralisantes.

    Os livros e cursos que vêm surgindo para ajudar as pessoas a se livrar do medo são reflexo de uma sociedade competitiva e violenta. Quando o medo começa a atrapalhar a vida, a solução quase sempre é simples na teoria e difícil na prática: levantar a cabeça e compartilhar. É importante descobrir que outros sentem os mesmos temores e discutem como enfrentá-los.

    Ter medo é mais normal do que se pensa, mas a partir do momento que ele começa a tomar conta da vida da pessoa a ponto que ela sinta medo até de sair de casa, é sinal que algo está errado e aí é preciso procurar um profissional.

    Se a pessoa começa a se isolar em casa porque tem medo de ser assaltada ou fica apreensiva quando alguém chega perto dela, isto se torna perigoso. O medo não pode comandar a vida de ninguém. Neste caso dizemos que o medo é limitador porque as pessoas não conseguem fazer mais nada por achar que algo vai acontecer com ela.

    Apenas dois medos nascem com a gente; o medo do barulho e o medo de cair; os demais são adquiridos. A pessoa quando está com medo ou se sentindo ameaçada, começa a ter temores, suores e até taquicardia; ela fica com um nível muito alto de adrenalina. Neste caso, quando o medo domina, é necessário a procura de um profissional que ajudará a superar o problema. Os familiares devem compreender que isto é normal e a paciência deve prevalecer.

    Geralmente o perfil da pessoa que tem medos irracionais - que são aqueles além do normal - são de pessoas inteligentes, bem sucedidas, perfeccionistas e não suportam críticas. As pessoas que têm este medo incontrolável gostam sempre de controlar uma situação. Tem tudo sob controle e não sabem lidar com as situações imprevisível. É preciso que as pessoas não tenham vergonha do que sentem e saibam que um profissional pode ajudá-la a conviver melhor com esta situação.

    Entre os medos mais comuns está p medo de dirigir, medo insetos e o de se relacionar.
    Se você tem algum medo que está lhe impedindo de fazer suas atividades normais, busque ajuda de um profissional capacitado. Isso vai lhe ajudar a perceber que sempre é possível viver melhor.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h40

    Síndrome do Pânico, O que é?

    Medos e fobias (12)

    O pânico é uma "super crise de ansiedade", normalmente acompanhada de sintomas físicos e que acontece sem aviso e sem causa aparente, podendo pegar uma pessoa de surpresa em qualquer situação: dirigindo, trabalhando, em casa ou mesmo dormindo.

    A sensação é de morte iminente, mesmo que a pessoa não esteja exposta há nenhum risco real. O mal-estar é tão grande que provoca no indivíduo um medo intenso de que ele possa se repetir, o que leva a mais ansiedade.

    Inicialmente, a pessoa tenta correlacionar a crise com algum evento e a tendência geral é a de evitar este evento. Por exemplo: se a crise ocorreu no carro, o paciente procura evitar andar de carro. Porém, com o tempo, as crises passam a ocorrer em inúmeras situações diferentes e a pessoa tende a ter medo de exercer qualquer atividade..

    A síndrome do pânico apresenta os seguinte sintomas: palpitações, sudorese, tremores, sensação de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, tontura, sensação de ser outra pessoa, medo de perder o controle ou de enlouquecer, medo de morrer, formigamento, calafrios ou ondas de calor.

    Sabemos hoje que a síndrome do pânico está biologicamente associada a uma disfunção dos neurotransmissores a qual criaria um fator agravante na sensação do medo. A síndrome do pânico pode ou não estar associada com a depressão.

    Sabemos que hoje temos um número bem maior de informações das quais devemos dar conta: entendemos facilmente que houve um terremoto no Japão, um atentado terrorista nos EUA e um bombardeio no oriente médio. Mas o que podemos fazer com a carga emocional que cada uma dessas notícias contém?

    Somemos a isso o estresse que a pressão da propaganda nos impõe: temos que ter o tal carro do ano, temos que usar a tal roupa de grife, o celular mais bacana, e temos que dar ao nosso filhos o tal brinquedo eletrônico e computadorizado que ele viu na tevê, e raramente nossa renda acompanha os gastos destas "necessidades" criadas pelo marketing.
    Para piorar, não conseguimos ter o controle de nossas atividades diárias: normalmente se exige de cada um mais tarefas do que seriam possíveis nas 24h de um dia. Nos únicos momentos de relaxamento e descontração, dedicamos a receber mais informações cognitivo-emocional conflitantes, quando nos dispomos a um filme de ação cheio de violência e terror ou simplesmente nos anestesiamos com substâncias entorpecentes como o álcool e drogas.

    Fora isso temos cada vez menos contato interpessoal o que é vital para qualquer ser humano. Até o exercício físico somente é possível mediante compromisso agendado nas academias que acabam trazendo mais informações desnecessárias e mais exigências impostas pela sociedade de consumo.

    Cada indivíduo consegue lidar com uma quantidade de estresse: cada um de nós tem seu próprio limite. Ultrapassado este limiar, o cérebro humano está programado para detonar sinais de alerta e declarar, que estamos submetidos a uma situação emergencial. Esse alerta é o pânico.

    O tratamento sempre é feito com um médico psiquiatra que estará vendo qual a melhor medicação a ser usada. Também é muito importante que a pessoa faça psicoterapia, que é o tratamento com um psicólogo especializado no assunto, para que esta pessoa tenha a capacidade de discernir quais os fatos que o levaram a síndrome do pânico e o auxiliar na superação dos problemas diários.

    Algumas atividades e posturas simples podem evitar o surgimento de novas crises e até mesmo o agravamento delas. Entretanto, trata-se apenas de recomendações; nada do que escreverei abaixo é regra ou tratamento, nem tão pouco resolverá todo o problema, sendo necessária também o tratamento como descrito acima.

    1. Procure encarar os seus problemas de maneira mais tranquila.

    Afinal, quem não tem problemas? Eles são normais na vida de qualquer pessoa, o importante é não se deixar abater, por mais difícil que a situação seja.

    2. Exija menos de si próprio.

    Ninguém pode salvar o mundo nem ser perfeito. Não fique se culpando pelo que já passou.

    3. Jamais se sinta um fraco ou covarde por estar com síndrome do pânico.

    Esse problema pode afetar qualquer pessoa e não é fruto da fraqueza de ninguém. É de um distúrbio químico há absolutamente tratável

    4. Atividades manuais podem ser um bom remédio para driblar a ansiedade.

    Artesanato, pintura ou até mesmo o clássico tricô podem ajudar a manter a mente despreocupada. Escolha uma atividade que lhe dê prazer e se encaixe em seu perfil.

    5. O contato com a natureza é sempre muito saudável e relaxante

    Se você tiver a possibilidade de se retirar ou até mesmo de ir a um parque tranquilo na sua cidade, e respirar ar puro, colocar o pé na terra, pode ter certeza de que isto ajuda bastante.
    É importante que a família também procure ajudar o paciente, que não menospreze o problema, não exerça mais pressão, evite formas de incentivo grosseiras ou agressivas, evite contar histórias trágicas ou de enfermidades para quem tem síndrome do pânico, mantenha a calma durante as crises, evite tratar quem tem um problema como um coitadinho e seja paciente com a pessoa e consigo mesma.

    Não esqueça, a síndrome do pânico tem tratamento. Busque ajuda.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h37

    A epidemia do Homem moderno: Pânico

    Medos e fobias (12)

    A Síndrome do pânico tornou-se conhecida por seus vários sintomas: palpitações, tonturas, dificuldades para respirar, dores no peito, sensação de formigamento ou fraqueza nas mãos, e quase invariavelmente um medo secundário de morrer, perder o controle ou ficar louco.

    Geralmente esses sintomas não estão restritos a uma situação específica, o que os torna, portanto, imprevisíveis. Esta doença de fundo emocional, traz em sua base um medo intenso, desmedido e incontrolável que vai tomando proporções assustadoras.

    Quando se sofre de Pânico, cada crise aumenta a ansiedade e o medo da próxima, tornando a doença um ciclo. Como resultado a pessoa passa a evitar tudo o que possa aproximá-la da situação que lhe causa temor de forma cada vez mais ampla e genérica a ponto de qualquer estímulo poder tornar-se uma ameaça.

    O ser humano percebe, sente e compreende o mundo e os estímulos que recebe de forma muito particular, em diferente intensidade, variando de acordo com as características físicas e emocionais de cada um. Durante toda a história da humanidade o medo esteve presente, protegendo, quando aprendemos a traduzi-lo em cautela e sensatez e fazendo sofrer ao nos tornar escravos de nossas ilusões e de nossa impotência, limitando-nos e roubando nossa espontaneidade e nossa criatividade. Muitas vezes esse medo é nutrido por um entendimento equivocado sobre os valores pessoais, fruto, entre outras coisas, da falta de conhecimento de nossas potencialidades, preconceitos e baixa auto-estima. Desde nossa infância precisamos aprender a enfrentar nossos medos para termos a possibilidade de viver feliz e em paz.

    O medo patológico é um sentimento que se fortalece no desconhecimento, é o resultado da falta de fé em si e no mundo. A fé não é algo que possamos treinar, a fé implica em entrega, não de forma ingênua pois transformaria-se em alienação, mas de forma consciente e íntegra, multiplicando-se em disponibilidade para perceber-se como um ser ao mesmo tempo insignificante e genuinamente especial, singular entre todas as criaturas. Ter fé implica em saber exatamente quem é, com seus próprios limites e contradições. Em nossa mente a fé nasce do espaço intermediário entre a fantasia e a realidade. É vital para o desenvolvimento humano e sua transcendência, pois implica na noção de si e do outro, em respeito, dignidade, generosidade, amor, enfim, implica na noção do todo, fornecendo-nos parâmetros existenciais.

    O amor que recebemos de nossos pais, parentes e amigos ou mesmo das pessoas com quem nos relacionamos durante nossa vida, alimenta as reservas de esperança e fé, que possuímos. Quando o ser humano não recebe amor, respeito, compaixão, solidariedade ele torna-se amargo, violento, rude, incrédulo no outro e consequentemente, em si mesmo.

    A pessoa que sofre de crises de pânico não é necessariamente a que não recebeu amor, mas é aquela que não tem certeza do amor que recebeu ou não o tem internalizado, tornando-se uma pessoa insegura e frágil emocionalmente, sentindo-se pobre em recursos internos para sua auto-proteção. Volta-se mais às possibilidades de morte do que às de vida. Não trata-se de uma escolha, a ansiedade e o desespero invadem sua vida cegando-a.

    Essa Síndrome tornou-se a carcereira do homem moderno por gradativamente retirar seu direito à liberdade de se relacionar seja com as pessoas, seja com a vida. Como todas as dificuldades ou qualquer tipo de doença, quanto mais rapidamente se inicia um tratamento melhores são os prognósticos. Segundo as pesquisas mais recentes da OMS, os tratamentos indicados como tendo os melhores resultados, são os que associam a medicação à psicoterapia.

    Aprender a pedir ajuda é um ato de coragem e de fé, independente de qual seja o tipo de dificuldade. Algumas pessoas desacreditam que possam ser ajudadas, tomando uma atitude de suposta auto-suficiência, evitando dividir suas dores e angústias, o que muitas vezes provoca um agravamento dos sintomas, tornando os tratamentos mais sofridos e doloridos.
    Acreditar em si e respeitar-se alimenta e fortalece nossa auto-estima; negar nossas dificuldades ou tentar escondê-las apenas nos enfraquece. Entender que existem dificuldades e limites é ao mesmo tempo, desmistificá-los e aceitar nossa condição humana, num processo dinâmico de desenvolvimento e amadurecimento.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h35

    Consumo compulsivo, o que é?

    Ansiedade e depressão (6)

    O consumo descontrolado pode revelar que algo não anda bem na esfera íntima.

    Um problema que parece ser pouco notado pelas pessoas é o consumo compulsivo. Ele não tem nada a ver com endividamento puro e simples ligado a fatores econômicos ou sociais e possui muito mais semelhança a uma doença. O consumidor compulsivo é aquele que compra mais do que necessita, para satisfazer com o ato da compra e de ter um objeto.

    Quando olhamos mais perto vemos que estas pessoas buscam um alívio para sensações de carência e ansiedade, e o mal-estar é provisoriamente apaziguado com o comportamento de consumo. Porém como o comprar não é o que de fato a pessoa precisa, ela estará sempre comprando, num processo que tende ao infinito.

    Uma pessoa está nesse quadro a partir do instante em que ela “compra por comprar” ou porque “o preço estava bom”, sem que tenha alguma utilidade para se servir daquilo. “Ela não se preocupa como vai pagar, se tem dinheiro disponível para isso, vive comprando qualquer coisa e fica impaciente e ansiosa se passa algum tempo sem comprar nada. Vale dizer que o ato de comprar parece ‘aliviar’ a sua ansiedade.

    A insatisfação e a infelicidade estão muito presentes porque a alegria da compra se esgota rapidamente e a pessoa logo sente necessidade de buscar um novo alívio no consumo, como um drogado atrás da promessa de prazer na próxima dose.

    O consumo compulsivo é um estado de sofrimento psicológico que necessita atenção e cuidado profissional, pois as pessoas que possuem esse mal têm problemas afetivos compensados pela compra desenfreada. É como se a pessoa tivesse um abismo de carências que ela tenta preencher com bolsas, carros, jóias, relógios, etc, mas que nunca satisfazem porque na verdade não é isto que está faltando. Parar e poder olhar para o vazio interior, para as suas reais necessidades é o que vai poder ajudar esta pessoa a interromper este ciclo perpétuo de sofrimento e ilusão.

    Há dois anos, a programadora Clarice, 40 anos, encontrava alívio para a frustração, de não conseguir engravidar, nos vestidos e blusas que comprava. “Quando a médica ligava para dar a notícia, vinha um sentimento de decepção muito grande. Então, eu pegava o carro e ia ao centro. Acho que substituía o objeto de desejo – um filho – pela peça comprada”, admite.

    A mania de comprar é comum a pessoas extremamente preocupadas com a opinião do outro. Para quem sofre com a baixa auto-estima, por exemplo, a compra funciona como um carinho em si mesmo, uma forma de maquiar e camuflar a carência afetiva. A aquisição do objeto só faz mascarar o problema. Não resolve. Depois, a pessoa vai e compra novamente, sem atacar a causa.

    O consumo desenfreado é um distúrbio de comportamento ligado à ansiedade e à preocupação extrema com a opinião dos outros. Tem a ver com o desejo de aprovação e aceitação. É similar ao que acontece com os adolescentes que se vestem igual para se sentir pertencentes ao grupo.

    Em última instância, a busca é por reconhecimento. Queremos ser amados e, para isto, queremos ter tudo aquilo que nos faça ser mais desejados, admirados, importantes, valorizados. O objeto de consumo tenta preencher um lugar vazio em nós: o lugar que gostaríamos de ver ocupado pelo amor.

    O consumidor descontrolado também age sob a influência dos apelos das campanhas publicitárias que situam produtos como passaportes para a felicidade.

    Muito mais do que o próprio produto, as campanhas vendem realização, felicidade, prazer.

    Para confirmar a tendência, basta sentar em frente à tevê e assistir a comerciais como o da pasta de dente que promete um beijo ardente; do celular que promete diálogo e aproximação entre pais e filhos; da calça de grife que faz a usuária roubar todos os olhares na rua; do desodorante que torna o homem irresistivelmente atraente. Enfim, de produtos que vendem o sonho em forma de algo que pode ser comprado logo ali na esquina.

    Podemos perceber que o consumo compulivo é um problema maior do que se pode imaginar. Assim, se você perceber-se neste artigo, busque ajuda profissional. Procure um profissional competente e se resolva, você com certeza viverá bem melhor.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h33

    Você tem medo da Paixão?

    Medos e fobias (12)

    A paixão é comparada ao fogo: intensa, forte, quente, envolvente e extremamente sedutora.

    Não manda aviso que está chegando nem pede licença para entrar em sua vida.
    Algumas pessoas temem a paixão pelo movimento de entrega que ela implica. Paixão é envolvimento, o apaixonado mistura-se ao outro e às próprias expectativas em relação ao outro.

    Usamos o termo “cegos de paixão”, porque realmente esta “dança” parece algo cega, não “enxergamos” o outro como se houvesse entre nós uma cortina de fumaça composta por nossas ilusões, fantasias e desejos. Na paixão enxergamos apenas o que queremos ver, nossas necessidades, nossa completude.

    E o que isso significa? É ruim a paixão? Saúde ou loucura?

    Toda cegueira traz consigo a escuridão e a insegurança. O sentimento de segurança não se desenvolve a partir de nossos olhos, mas dentro de nós. O que nos protege contra o medo é nossa certeza de poder superá-lo. A paixão é uma forma de envolvimento emocional; o que possibilita o permitir-se apaixonar é a sensação de individualidade; quando sabemos quem somos e o que desejamos, a paixão chega como um movimento que acrescenta e nos transforma, mas, quando estamos perdidos dentro de nós, frágeis e imaturos, a paixão torna-se perigosa e viciante, nascem as relações doentias onde o outro passa a ser a parte que necessitamos insanamente.

    A maturidade emocional traz segurança e parâmetro para nos lançarmos na paixão. Isto não significa “medir” o quanto se entregar, ou envolver-se de forma moderada tentando evitar um possível sofrimento, pelo contrário, significa ter internamente a certeza que existe um “eu” que está se apaixonando, capaz de se defender e que não “desintegrará” com uma frustração, sofrerá sim, caso se decepcione ou não for correspondido, mas certamente sairá renovado e fortalecido dessa experiência.

    A paixão é um movimento intenso onde reina a emoção e onde a razão de nada ou pouco interfere. Como todos os “movimentos” humanos, pode ser positiva, à medida que possibilita crescimento e transformação, ou negativa à medida que torna o indivíduo alienado e dependente emocionalmente.

    O ser humano necessita amar e ser amado para se desenvolver. Existem várias formas de amar, acredito que o amor é um sentimento que conquistamos, implica em carinho, ternura, gratidão, companheirismo, desejo, amizade, aceitação, e muitas outras coisas, mas, principalmente implica em conhecer o outro.

    É comum as pessoas se apaixonarem por alguém que conhecem muito pouco, simplesmente, porque a paixão vem de outra esfera, a esfera da ilusão, tão necessária para nossa vida. Com o decorrer da relação, e ao passo que as pessoas vão se conhecendo melhor, suas qualidades e desejos, suas particularidades, ela vai naturalmente tomando novas formas podendo se transformar em amor, amizade, ternura ou - nas piores hipóteses - em relações doentias, onde reinam outros sentimentos como raiva, posse, inveja, mágoa e ressentimento.

    Muitas vezes nos relacionamos buscando no outro o que não temos, ou o que pensamos que não temos. Nas relações patológicas o outro passa a desempenhar o papel ou a função na qual temos dificuldade. Por exemplo, se não sabemos nos defender, colocamos o outro como nosso defensor ao assumirmos a posição de vítimas, enquanto poderíamos usá-lo como modelo, aprendendo com ele a nos “autoproteger”, a sermos mais seguros e assertivos em nossos desejos e responsáveis por nossas atitudes.

    O caminho que cada relação vai tomar, dependerá da saúde emocional de cada um dos envolvidos. Devemos cuidar de nossa saúde emocional da mesma forma que cuidamos de nossa saúde física, pois ela interfere em todas as relações que fazemos, sejam pessoais ou profissionais e em nossa busca de viver de forma prazerosa e feliz.

    Em síntese: Paixão é vida, é arriscar, é ousar, é envolver-se, é sentir e não apenas pensar. Aprendemos com a experiência a avaliar a relação custo/benefício de nossos atos, mas também aprendemos que a vida não pode ser conduzida pelo medo, pois é preciosa demais para ser desperdiçada.

    Então... você ainda tem medo da paixão?


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h33

    Depressão: O que é e como tratar

    Ansiedade e depressão (6)

    1 - O que é depressão?

    A depressão é um transtorno do humor. Isto significa uma diminuição do humor que é acompanhado por um conjunto de outros sintomas como: ansiedade, agitação, lentidão do funcionamento mental, falta de energia e de vontade, idéias de que nada vale a pena, disfunções fisiológicas (como insônia ou excesso de sono), idéias suicidas e queixas diversas.

    2 - Como diferenciar a tristeza e a depressão?

    É normal que uma pessoa experimente sentimentos de tristeza diante de alguns fatos da vida (como morte de uma pessoa querida, divórcio, perda de trabalho, perda de saúde, mudança, etc. ).

    A depressão é uma alteração muito mais grave do humor e pode causar danos maiores à pessoa com o problema.

    As relações com outras pessoas ficam bastante difíceis e podem levar a perdas de relacionamentos em ligações de amizades, namoro, casamento ou profissionais.

    3 - Como podemos saber se uma pessoa tem uma depressão?

    As pessoas experimentam a depressão de maneiras muito diferentes. Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Se alguém apresenta alguns dos sintomas abaixo, por um período grande ou se os sintomas são tão severos que interferem em sua vida diária, podemos desconfiar que ela apresenta uma depressão.

    - Tristeza prolongada, “sensação de vazio” e ataques de choro sem explicação.
    - Dormir muito pouco ou dormir demais.
    - Perda de apetite e de peso ou aumento de apetite e de peso.
    - Perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram prazerosas.
    - Inquietação ou irritabilidade.
    - Dificuldades para concentrar-se, recordar ou tomar decisões.
    - Fadiga ou perda de energia.
    - Sentimento de culpa, de desesperança ou inutilidade.
    - Pensamentos recorrentes sobre a morte ou suicídio.

    4 - Qual o primeiro passo para ajudar uma pessoa que consideramos estar padecendo de uma depressão?

    O primeiro passo é entrar em contato com um profissional de saúde. Somente ele poderá estabelecer um diagnóstico e indicar as melhores opções de tratamento.

    Devemos lembrar que quanto antes isto for feito, melhor. A depressão traz um risco de suicídio muito elevado. É uma condição que necessita de um tratamento vigoroso.

    5 - A depressão é tratável? Como são os tratamentos?

    Sim. É uma condição que quando corretamente diagnosticada e tratada apresenta melhora significativa. Em geral, os tratamentos da depressão são feitos com o uso de medicamentos antidepressivos e psicoterapia. Como as pessoas experimentam a depressão de maneiras diferentes, somente o profissional de saúde mental poderá fazer a melhor indicação dos recursos de tratamento a serem usados.

    6 - Como os amigos e familiares podem ajudar a pessoa deprimida?

    Com incentivo à continuidade do tratamento e conversando bastante com a pessoa deprimida, ajudando a entender que este momento tão sofrido não é para sempre.

    É muito importante a ajuda de amigos e familiares porque há muito preconceito em relação aos problemas de depressão e a pessoa deprimida sente-se fracassada, como se tratasse de uma falha moral, de uma fraqueza de caráter. É muito importante ajudar o deprimido a aceitar e encarar de uma forma realística a sua condição, evitando tomar decisões importantes, como separação conjugal, mudanças de emprego, venda de propriedade, etc. durante o período agudo da depressão.

    A família e amigos devem evitar exigências de que a pessoa faça aquilo que no momento não é possível para ela. É importante estimular mas não exigir. Devem ser evitadas frases como “você não tem nada”, “se quiser é capaz de trabalhar e estudar”.

    Quem nunca teve uma depressão pode ter dificuldade de entender o profundo sofrimento de uma pessoa deprimida.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h30

    Você tem medo de que?

    Medos e fobias (12)

    O medo é uma emoção básica que nos permite a sobrevivência, visto que ajuda a nos defenderemos dos perigos reais.

    Nascemos com medo, os bebês se assustam diante do que sai da rotina e choram, algumas crianças tem medo do escuro, outras tem medo de que seus pais saiam e não voltem mais, ou seja, temos medo de tudo o que pode nos ameaçar de forma grande ou pequena.

    Depois de anos, essa criança se torna adulta, mas nem sempre consegue se libertar de medos irracionais como o escuro, então adotam uma forma particular de enfrentar seus medos. Alguns mascaram, se fazem de valentes. E diante de seus medos, agridem. Utilizam a agressão, então, como forma de esconder seus medos. Os meninos, geralmente, são ensinados a engolirem seus medos, pois desde muito pequenos lidam com competições e não podem se dar ao luxo de parar no meio do caminho por medo.

    O medo mais básico é o medo do desconhecido e o mistério da morte. Os medos podem nos levar a grandes ansiedades. Por exemplo, uma criança que passou por grandes dificuldades de não ter ao menos o que comer diariamente, poderá criar um medo imenso de perder tudo, mesmo se, quando adulto, tiver a oportunidade de ter uma boa renda financeira. Isso gera uma imensa ansiedade.

    A única possibilidade de nos livrarmos dos medos é enfrentando-os, porque eles são, na verdade, muros que nos impedem de visualizar o horizonte, o real.

    Costumo dizer que todos nós temos medo, a diferença em quem vence e quem é derrotado é que alguns enfrentam seus medos e outros sucumbem a ele. Isso é bastante claro quando você investe na leitura de biografias. Praticamente inexiste alguém que não tenha tido medo.
    Quando é que o medo se torna patológico, problemático? Quando a pessoa tenta controlar a realidade, com a ilusão de que isso é possível.

    Na vida não há certezas absolutas para nada. Posso entrar numa guerra com excelentes armamentos e mesmo assim não vencer. Na vida, no nosso dia a dia, não dependemos apenas de nós, dependemos também de outras pessoas e de uma realidade bem mais ampla.
    As pessoas que tentam ter o controle completo de uma realidade incontrolável, são as que mais têm propensão a doenças.

    Porque não há forma de controlarmos a realidade? Porque estamos inseridos nela, dentro dela, e assim, percebemos apenas alguns aspectos dela e não o todo.

    Preocupar-se significa ocupar-se de algo antes do tempo necessário para isso. Ou fatos que talvez nunca venham a ocorrer. Significa também estar sempre na defensiva, porque não há confiança em nada.

    Precisamos aprender a confiar no fluxo da vida.

    Quantas coisas renunciamos por medo? Medo de deixar um parceiro que não representa mais um amor, medo de deixar um trabalho seguro mas que nos deixa frustrados, medo de tentar coisas novas por não acreditar no desconhecido, medo da doença, medo do mundo, da chuva, dos raios, do sol, do tráfico, de que alguém nos traia, de que alguém nos abandone, de que alguém não goste de nós, etc., que nos deixam trancados dentro de nós mesmos.

    Como a segurança absoluta não existe e não estamos seguros em nenhum lugar, melhor medir os riscos e se render, tentar, soltar e se lançar para a vida, para novos objetivos, para novos desafios. Buscando sempre o melhor de você mesmo. Trace um caminho e siga, se tiver com problemas, busque ajuda, mas não se entregue. Persista.

    Por Ieda Dreger.