Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h24

    Filho mal educado o seu trabalho é dobrado

    Psicologia Adolescente (19)

    Se você sente que a educação do filhote escapou ao seu controle, é hora de reavaliar a maneira como conduz a relação com ele.

    Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Certas ou erradas, as suas atitudes refletem nas ações dos herdeiros: pais são modelos e o filho é o espelho.

    Além da relação com os pais, outras variantes interferem no comportamento infantil: problemas emocionais, fatores genéticos e disfunções do organismo. Nenhuma delas deve levá-lo ao desespero, pois há solução para tudo; basta encarar o problema.

    Se não deu para prevenir, corrija

    Boca suja: Você fala palavrão? Quando está dirigindo, às vezes, escapa um, não é? Então, sinta o puxão de orelha! Crianças aprendem imitando os adultos. Antes de repreender seu filho por falar palavras feias, corrija o seu próprio comportamento.

    Se esse não é o caso, uma dica que funciona com os pequenos, é chamar sua atenção dizendo que vai lavar a boquinha suja deles. Também não permita que tios, primos e avós achem graça na situação: essa atitude estimula a criança a continuar falando bobagens.

    A hora de dormir ou quando a criança brinca tranqüilamente são ótimos momentos para reforçar que palavrões são feios e não devem ser repetidos. Na "calmaria" elas ficam atentas e absorvem facilmente aquilo que lhes for dito. Adequar a maneira de falar à idade de seu filho é importante: uma criança de 3 anos repete o palavrão e não sabe o que quer dizer, mas uma criança de 8 anos já sabe.

    Escândalo em público: Jamais atenda a exigências de seu filhote por vergonha da choradeira diante das outras pessoas. Se o fizer, ensinará que, gritando, chorando e se jogando ao chão, ele conseguirá o que quiser.

    Ajoelhe para ficar da altura da criança e chamar a sua atenção. Peça, com firmeza, que olhe para você. Dê a ela a oportunidade de desabafar, perguntando o que quer e por quê. 

    Proponha comprar o objeto do desejo no aniversário ou no Natal. Ou diga que sente muito, mas não dispõe de dinheiro. Descreva os motivos com calma, paciência e gestos afetuosos. Se a criança continuar agitada, explique que espernear não resolverá o problema e a convide-a a ver outras vitrines.

    Se a criança aceitar o acordo, beije-a ou faça um gesto de carinho. Ensinar a passividade e a desistência dos desejos acarreta o risco de forjar um adulto sem expectativas nem forças para lutar por ideais, que abre mão dos desafios diante do primeiro obstáculo. E não é isso que queremos.

    Para acabar com as brigas: Converse com a criança antes da visita chegar. Discretamente, sem mostrar a sua preocupação, sugira ao seu filho que mostre os brinquedos para os amiguinhos que logo estarão com ele.

    Sugira a ele selecionar os brinquedos: guardar em lugar seguro aqueles que não quer dividir e deixar os outros disponíveis para brincar com os colegas. Isso evita confusão.

    Criança levada, atenção redobrada:Comportamento agressivo e gestos bruscos merecem um olhar atento, pois há riscos de acidentes. A mensagem que a criança passa é a seguinte: "Olhe para mim, estou aqui, fale comigo".

    Dê a atenção exigida no momento. Não é correto pular no sofá, mas a criança não espera gritos, nem tapas, apenas uma historinha ou um aconchego. Há atitudes que funcionam como "calmantes". Quando o filho não pára de correr, pular e gritar pela casa, faça cócegas nele, sussurre palavras doces e dê um abraço gostoso. Acalma a criança e dá a ela a segurança e o colo de que precisa.

    Esporte descarrega a energia; para a meninada agitada é uma ótima pedida. Brincar em lugares abertos, também: dá para correr, andar de bicicleta e jogar bola. Não esqueça de alimentá-los e hidratá-los bem para essas atividades.

    Regras que resultam em boa conduta

    • Prometer e não cumprir tem um péssimo significado para os filhos, pois quebra a confiança depositada nos pais.
    • Não encha a criança de brinquedos caros e sofisticados para compensar a sua ausência: quando adulto pensará que pode comprar tudo na vida, inclusive pessoas.
    • Melhore o seu comportamento, ou logo estará se perguntando: "com quem esse menino aprende essas coisas?"
    • Use o bom senso para impor limites. Se a criança pular no sofá com você por perto para garantir que não se machuque, tudo bem. Mas se pendurar no lustre é abuso!
    • Faça questão de chegar na hora certa aos compromissos que envolvem seu filho - reunião na escola, pediatra e festa dos amiguinhos. Atrasos fazem a criança pensar que não é importante para você, desencadeando rebeldia.
    • Questione aspectos morais, fale da convivência em sociedade e mostre indignação diante de coisas erradas para deixar bem clara a importância da ética e da honestidade.
    • Obrigações domésticas ensinam noções de organização: guardar brinquedos, arrumar o próprio quarto, retirar o prato da mesa, colocar o copo na pia e hora certa para as tarefas da escola.

    Se você perceber que não está conseguindo ou que perdeu o controle sobre a situação, busque auxílio de um profissional capacitado em lidar com famílias. Ele poderá auxiliar vocês. Nunca estamos sozinhos e não há problemas sem solução.

    Por Ieda Dreger

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