Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h18

    Seu filho não quer mais estudar?

    Psicologia Adolescente (19)

    Em meu consultório tenho ouvido muitos pais reclamando que seus filhos não querem mais estudar. Não se motivam, não enxergam motivos nem necessidades. Acompanhando estas famílias fica bastante evidente o que pode estar acontecendo.

    Nossos pais ou avós sempre nos disseram: “no nosso tempo é que era difícil, hoje em dia tudo é mais fácil”. Sim, no tempo deles as necessidades básicas eram realmente bem mais complicadas. Com famílias que vieram buscar melhores condições de vida na região sul do pais, eles careciam de tudo (água, esgoto, roupa, calçado, comida...). E hoje em dia? Hoje em dia temos tantas informações que a dificuldade está na concorrência, em saber o que nos serve, em filtrar, em estar com o conhecimento suficiente, etc. Ou seja, hoje em dia o maior problema está na quantidade de informações que recebemos a cada segundo, de todos os lugares e acabamos não conseguindo dar conta de todas elas.

    Para o adolescente também é assim. Na adolescência, a vida social vai ficando mais interessante. Namoros, baladas, uma certa liberdade, a possibilidade de ficar mais fora de casa, de sair mais sozinho, net, internet, computador, celular. E aí fica difícil concorrer com escola, estudo e prova. A vida escolar, que até então era um importante veículo para inserir a garotada na sociedade, cai em importância e cresce em implicância. Mas será que existe um jeito de fazer o adolescente estudar?

    Aprender é um ato de metacognição. A pessoa aprende sozinha, ninguém te ensina nada.

    Há falhas na estrutura do ensino, em várias escolas, os conteúdos são apresentados sem que se faça uma conexão com a vida real. Ou seja: a melhor maneira de incentivar o aprendizado é mostrar ao jovem para que serve, na prática, o que ele está estudando.

    Além disso, temos o famoso exemplo. Não adianta pais falarem que estudar é importante se não lêem, não buscam informação, não evidenciam que o estudo é importante.

    Filhos de pais com uma boa condição financeira, que ganhar além do que necessitam, também encontram maior probabilidade de se desestimularem com os estudos. Afinal, já têm mais do que precisam, porque estudar.

    Brigar, punir, castigar não resolve. Cobrar resultados - "Estudou? Fez a lição? Tem prova?" - isoladamente, de forma pontual, pode transformar a casa num inferno, e também não resolve.Os pais precisam se envolver com o processo de aprendizagem como um todo, não só no momento da prova. É preciso levar o cotidiano escolar para o cotidiano da família. Muitas vezes é preciso ajudar o filho a pegar o ritmo de estudar. Organizar horários, olhar cadernos, cobrar tarefas, enfim acompanhar mais de perto.

    A solução do conflito entre adolescentes e pais na hora de estudar passa, certamente, pela abordagem e eficácia do discurso: O VALOR DO ESTUDO NA FAMÍLIA.

    Os pais têm de fazer a lição de casa em relação a isso. Como eles encaram estudar? Gostam de estudar? Qual o valor do estudo? Entretanto, mesmo quem acha que estudar é perda de tempo tem de mandar o filho para escola. E pode exigir que o filho seja profissional nisso, o que significa ser responsável e comprometido com os estudos.

    Há famílias em que basta tirar 5. Em outras, é o limite da escola. A exigência tem de ser feita sem prêmios, mas não sem elogios. Não dá para barganhar viagens, presentes. O elogio não deve ser pelo resultado, mas pelo esforço.

    E QUANDO O PROBLEMA JÁ ESTÁ INSTALADO? Em primeiro lugar, compreender a situação ("entendo que a escola está difícil, que você não gosta do professor etc."). Em seguida pedir que o próprio jovem apresente propostas de solução. Considere as possibilidades, aceite as idéias, anote, escolha com ele as que são possíveis para os dois. Não dá para acertar as regras e não tocar mais no assunto. Seu filho é sua obrigação

    Outro aspecto que deve ser considerado: o ambiente de estudos. Não há necessidade nenhuma de luxo, mas é importante que o filho tenha o seu ambiente privativo de estudo, nem que seja uma simples mesinha, mas que seja só dele! O ambiente inclui ter os elementos necessários ao estudo sempre à mão. Ter que parar um trabalho para procurar uma caneta, uma borracha ou uma folha de papel, acaba desmotivando um pouco.

    O ponto a seguir é polêmico, mas insisto em sua eficácia! Temos que estar atentos as habilidades de nossos filhos e ignorar suas deficiências e dificuldades. Se ele, por exemplo, diz que nada entendeu de uma determinada matéria, ajude-o a descobrir o que ele entendeu da matéria, até que ponto ele acompanhou e compreendeu com perfeição. O grande problema da educação está exatamente nesse enfoque errado que a maioria dos professores têm em relação às dúvidas. NUNCA ensinaremos nada a ninguém se quisermos saber o que esse alguém não entendeu! Precisamos saber exatamente o que ele entendeu! Só a partir do elemento compreendido (e bem compreendido) poderemos levá-lo a entender o restante.

    Portanto, não perca a autoridade e nem . Estudar é necessário e seu filho precisa disto. Mas se você não está conseguindo dar conta desta tarefa doméstica, busque ajuda. Muitas vezes a dificuldade está em como tratamos o assunto e não necessariamente no assunto.

    Por Ieda Dreger

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