Postado em 24 de Maio de 2016 às 18h02

    Será que o Homem também tem medo?

    Medos e fobias (12)

    Os homens têm medos comuns, ou seja, medo de quase tudo: de barata, de brochar, de se meter numa briga de rua , de descobrirem que são uma farsa. Também morrem de medo de ter seu desempenho sexual comparado com a performance dos futuros parceiros dela, de serem comparados com os parceiros passados, de chorar, de perder o emprego, de engravidar a mulher, de não engravidar a mulher, de ter um filho que não se parece em nada com o papai, de decepcionar o filho, de ser comparado com o pai do melhor amigo do filho e, pior do que isso, de ser comparado com o irmão da mulher. O cunhado. Só porque ele tem mais dinheiro, sucesso e centímetros de altura.

    Neste mundo povoado por semideuses, não há lugar para o medo. É por esse motivo que o maior medo masculino é justamente o medo de ter medo. É assim porque os homens nascem , crescem e vivem sob a ordem biológica e ancestral de serem campeões em tudo. A prova disso temos desde cedo, na escola. Enquanto as meninas expõem detalhadamente seus sentimentos, compartilham experiências e discutem frustrações, aos meninos jamais é permitido ser inseguros sobre qualquer assunto.

    Isso acontece quando eles têm 11, 12 anos. Um monte de hormônios no sangue em nenhum manual de instruções. Costumo dizer que o menino de onze anos é o mais solitário dos seres da natureza, pois aprende tudo sem poder perguntar nada a ninguém. Ele não tem a quem recorrer. Se cometerem a imprudência de perguntar aos amigos como funciona uma menina, estão liquidados. Nesta idade, qualquer demonstração de inexperiência é fatal. Será motivo de piada, pois a crueldade entre meninos da escola não tem limites. São forjados para serem senhores do universo, samurais invencíveis, garanhões indomáveis. E quem agüenta este peso? Quem vai cuidar desses pobres meninos quando crescerem? As mulheres, é claro.

    O homem não fala de suas angústias porque está se preservando da possibilidade de ser criticado. Ele é educado para não passar vergonha, para nunca ser chamado de tolo. Obriga-se o menino a enfrentar precocemente situações para as quais ele não está preparado, mas tem de ir em frente porque é homem. Não pode ter medo dos colegas, não pode voltar da escola chorando, porque corre o risco de demonstrar muita sensibilidade. E sensibilidade para homem é sinal de fragilidade. Ele entra na vida adulta com as emoções resfriadas.

    O homem sabe muito pouco sobre as próprias emoções, embora tenha sentimentos. Por isso também evita discutir a relação. Não sabe falar de sentimentos e muitas vezes nem nominá-los adequadamente, simplesmente porque nunca lhe foi permitido viver desta forma.

    Uma das proezas da revolução feminina foi desmascarar o papel social do homem como macho autoritário, poderoso e provedor. Desmontada a farsa, foi permitido ao homem ser sensível, ordem que alguns deles obedeceram prontamente, nascia, então, o novo homem.

    Nesse movimento, porém, as mulheres perceberam que alguns homens passaram do ponto.

    Tornaram-se tão sensíveis e motivos que pareciam pouco másculo. Daí a queixa tão frequente e nos dias de hoje de que “não há mais homens de verdade” ou “estou cheia de ser o homem da relação”. Os homens ficaram sem saber o que fazer: se as mulheres querem tanto que sejam sensíveis e delicados, porque correm atrás dos cafajestes? Porquê trocam os homens, mesmo que só na imaginação, por “personal” com barriga definida?

    Muitas vezes os homens não expõem sentimentos por medo de serem cobrados depois. Elas geralmente usam as confidências contra eles. Eles também sabem que elas estão esperando um sujeito bem-sucedido, potente sexualmente e que possa oferecer segurança em todas as áreas. Fantasias demais. Ninguém pode ser perfeito, nem elas são.

    Quando você perceber que seu parceiro está numa enrascada, pode ser profissional pessoal, e morrendo de medo de errar, a melhor maneira de ajudá-lo é apoiar-se interferir muito. Em vez de aumentar a pressão, cobrando essa ou aquela atitude com o dedo em riste, diga apenas que confia nele, que ele saberá resolver o problema da melhor forma possível. Para um homem, nada mais reconfortante do que saber que voltará da batalha e será acolhido, mesmo depois de uma derrota. Ouvir eu te amo ainda é o melhor dos remédios.

    Essa confusão entre os sexos está instaurada faz muito tempo. E é bom o agente se entender logo, pois os anos andam rápido demais e já perdemos muito tempo com as comparações e com uma guerra que jamais terá vencedor. Vamos nos entender e nos fascinar com a maravilhosa diferença entre machos e fêmeas, homens e mulher ou que nome tenha essa aventura. Que seja romântica, mas sem deixar de ser divertida jamais.

    Por Ieda Dreger. 

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