Postado em 24 de Maio de 2016 às 16h35

    Você está sempre buscando um final feliz?

    Personalidade (33)

    Os veículos de comunicação mudaram o mundo, temos mais acesso à informação e entretenimento. Com eles vieram novelas, filmes, programas de auditórios, reality shows com lindas histórias de amor.

    Estas diferentes formas de ficção e realidade têm em comum a forma como tentam nos fazer olhar a vida, ou seja: finais felizes. Isso fica claro quando, ao lermos um livro ou vendo um filme e não nos deparando com um final feliz, nos frustramos. Também nos programas de auditório da vida real, sempre se apresenta o propósito de histórias com finais felizes. Sem nos darmos conta deste fato, passamos a olhar a vida à espera de finais assim, cobertos e recheados por sorrisos radiantes e satisfações plenas.

    Não nos damos conta das feridas e traumas que carregamos, e se dermos, ainda assim esperamos o felizes por inteiro. Buscamos médicos e remédios para o sofrimento do coração, para a tristeza, angústia, saudade, etc. Como se não tivéssemos condições alguma de convier com um mínimo de dor.

    Claro que alguém que perdeu um familiar, que sofreu algum tipo de abuso, vai querer buscar sair do estado depressivo em que se encontra. Também não há nada de errado em querermos nos livrar de nossos traumas. Mas a tristeza não vai nos deixar totalmente sem nunca mais voltar.

    Verdade que nossas dores são digeridas de forma que não nos impeçam de continuas a sonhar, mas também não podemos apagar o passado. Precisamos aprender e viver e conviver com ele.

    Por exemplo: um pai que perdeu o filho vai lembrar-se sempre dele, se não em todos os momentos, ao menos em datas especiais, mesmo depois de 10 anos de sua morte. Um filho que teve um pai violento, vai lembrar-se disso o resto da via em alguns momentos. Mas a tristeza pontual é diferente daquele estado depressivo constante.

    Assim também são os momentos de alegria, eles são pontuais.

    Quem está feliz não anda com um sorriso de orelha a orelha todos os dias, ou de mãos dadas o tempo todo, ou com a sensação de ter o melhor emprego do mundo. Ainda que o emprego seja bom, vai trazer problemas também.

    Se ficarmos esperando que a vida nos presenteie com um cônjuge maravilhoso, com filhos maravilhosos, com saúde, trabalho e tudo o mais de forma maravilhosa, sem medos nem preocupações, estaremos vivendo no mundo da fantasia. E mais, além de ser fantasia, é muito perigoso, porque estaremos deixando de viver as coisas boas de cada dia, projetando nos outros nossas ilusões e não aceitando nada que não se enquadre em nosso sonho de perfeição.

    Passamos a exigir de cada um o que o outro não tem para dar, ficamos amargos e chatos cobrando dos outros o que achamos que ele deveria nos dar.

    Esquecemos que mesmo os felizes experimentam momentos de dor, mágoa, tristeza e desesperança. Todos experimentam problemas, a única diferença entre nós é a forma como cada um lida com eles. Uns aceitam e progridem, outros se desesperam e se acabam. Há ainda aqueles que não aceitam nenhuma dor.

    Existem pessoas que pensam que as outras pessoas estão na vida apenas para lhes servir. Que tudo precisa ser como elas imaginam, se algo sair deste traçado, elas deprimem. Outras pessoas acham que felicidade é um estado de espírito. Na verdade é importante compreender que enquanto vivermos, teremos momentos felizes e outros nem tanto. O riso eterno é insano a tristeza constante é doença. Enquanto não conseguirmos encarar isso, estaremos sofrendo sem necessidade. Aceitar as coisas não é ficar prostrado, é compreender que algumas coisas podem ser modificadas e outras, não.

    Por Ieda Dreger

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