Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h40

    Síndrome do Pânico, O que é?

    Medos e fobias (12)

    O pânico é uma "super crise de ansiedade", normalmente acompanhada de sintomas físicos e que acontece sem aviso e sem causa aparente, podendo pegar uma pessoa de surpresa em qualquer situação: dirigindo, trabalhando, em casa ou mesmo dormindo.

    A sensação é de morte iminente, mesmo que a pessoa não esteja exposta há nenhum risco real. O mal-estar é tão grande que provoca no indivíduo um medo intenso de que ele possa se repetir, o que leva a mais ansiedade.

    Inicialmente, a pessoa tenta correlacionar a crise com algum evento e a tendência geral é a de evitar este evento. Por exemplo: se a crise ocorreu no carro, o paciente procura evitar andar de carro. Porém, com o tempo, as crises passam a ocorrer em inúmeras situações diferentes e a pessoa tende a ter medo de exercer qualquer atividade..

    A síndrome do pânico apresenta os seguinte sintomas: palpitações, sudorese, tremores, sensação de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, tontura, sensação de ser outra pessoa, medo de perder o controle ou de enlouquecer, medo de morrer, formigamento, calafrios ou ondas de calor.

    Sabemos hoje que a síndrome do pânico está biologicamente associada a uma disfunção dos neurotransmissores a qual criaria um fator agravante na sensação do medo. A síndrome do pânico pode ou não estar associada com a depressão.

    Sabemos que hoje temos um número bem maior de informações das quais devemos dar conta: entendemos facilmente que houve um terremoto no Japão, um atentado terrorista nos EUA e um bombardeio no oriente médio. Mas o que podemos fazer com a carga emocional que cada uma dessas notícias contém?

    Somemos a isso o estresse que a pressão da propaganda nos impõe: temos que ter o tal carro do ano, temos que usar a tal roupa de grife, o celular mais bacana, e temos que dar ao nosso filhos o tal brinquedo eletrônico e computadorizado que ele viu na tevê, e raramente nossa renda acompanha os gastos destas "necessidades" criadas pelo marketing.
    Para piorar, não conseguimos ter o controle de nossas atividades diárias: normalmente se exige de cada um mais tarefas do que seriam possíveis nas 24h de um dia. Nos únicos momentos de relaxamento e descontração, dedicamos a receber mais informações cognitivo-emocional conflitantes, quando nos dispomos a um filme de ação cheio de violência e terror ou simplesmente nos anestesiamos com substâncias entorpecentes como o álcool e drogas.

    Fora isso temos cada vez menos contato interpessoal o que é vital para qualquer ser humano. Até o exercício físico somente é possível mediante compromisso agendado nas academias que acabam trazendo mais informações desnecessárias e mais exigências impostas pela sociedade de consumo.

    Cada indivíduo consegue lidar com uma quantidade de estresse: cada um de nós tem seu próprio limite. Ultrapassado este limiar, o cérebro humano está programado para detonar sinais de alerta e declarar, que estamos submetidos a uma situação emergencial. Esse alerta é o pânico.

    O tratamento sempre é feito com um médico psiquiatra que estará vendo qual a melhor medicação a ser usada. Também é muito importante que a pessoa faça psicoterapia, que é o tratamento com um psicólogo especializado no assunto, para que esta pessoa tenha a capacidade de discernir quais os fatos que o levaram a síndrome do pânico e o auxiliar na superação dos problemas diários.

    Algumas atividades e posturas simples podem evitar o surgimento de novas crises e até mesmo o agravamento delas. Entretanto, trata-se apenas de recomendações; nada do que escreverei abaixo é regra ou tratamento, nem tão pouco resolverá todo o problema, sendo necessária também o tratamento como descrito acima.

    1. Procure encarar os seus problemas de maneira mais tranquila.

    Afinal, quem não tem problemas? Eles são normais na vida de qualquer pessoa, o importante é não se deixar abater, por mais difícil que a situação seja.

    2. Exija menos de si próprio.

    Ninguém pode salvar o mundo nem ser perfeito. Não fique se culpando pelo que já passou.

    3. Jamais se sinta um fraco ou covarde por estar com síndrome do pânico.

    Esse problema pode afetar qualquer pessoa e não é fruto da fraqueza de ninguém. É de um distúrbio químico há absolutamente tratável

    4. Atividades manuais podem ser um bom remédio para driblar a ansiedade.

    Artesanato, pintura ou até mesmo o clássico tricô podem ajudar a manter a mente despreocupada. Escolha uma atividade que lhe dê prazer e se encaixe em seu perfil.

    5. O contato com a natureza é sempre muito saudável e relaxante

    Se você tiver a possibilidade de se retirar ou até mesmo de ir a um parque tranquilo na sua cidade, e respirar ar puro, colocar o pé na terra, pode ter certeza de que isto ajuda bastante.
    É importante que a família também procure ajudar o paciente, que não menospreze o problema, não exerça mais pressão, evite formas de incentivo grosseiras ou agressivas, evite contar histórias trágicas ou de enfermidades para quem tem síndrome do pânico, mantenha a calma durante as crises, evite tratar quem tem um problema como um coitadinho e seja paciente com a pessoa e consigo mesma.

    Não esqueça, a síndrome do pânico tem tratamento. Busque ajuda.

    Por Ieda Dreger. 

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