Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h50

    Síndrome do Pânico e o medo de tudo

    Medos e fobias (12)

    Sem aviso prévio, você começa a sentir o coração bater acelerado, suor intenso, opressão no peito, tontura, falta de ar, boca seca e dor no estômago (ou algumas delas apenas). Em crises passageiras ou demoradas, essas sensações podem passar a correr periodicamente deixando você paralisado. A síndrome do pânico é assim: uma sucessão avassaladora de sintomas que se manifestam de repente e podem ocorrer em qualquer lugar - em casa, diante da TV, no elevador ou mesmo no volante do carro. Um distúrbio raro? Nada disso. Atinge de 2 a 4 por cento da população mundial.

    Reconhecida a partir da década de 90 como doença pela Organização Mundial de Saúde, a Síndrome do Pânico provoca um medo incontrolável, que aprisiona, que paralisa, enclausura e torna o sofrimento parte central da vida de uma pessoa.

    A primeira manifestação da doença é muitas vezes espontânea, e em geral, ocorre depois de um esforço físico muito grande, trauma emocional, cobrança exaustiva...Aliás, hoje em dia a cobrança que nos impomos e que o mundo nos impõem têm levado muitas pessoas a desenvolverem a Síndrome do Pânico. Não basta sermos bons, temos que ser os melhores.

    Não basta ter dinheiro para viver, precisamos o carro do ano, a bolsa da moda...o mercado de trabalho está a cada dia mais concorrido e vivemos correndo atrás de cursos, de livros, de conhecimento. Isso tudo provoca uma pressão muito grande sobre a pessoa que em alguns momentos, não suportando, desenvolve alguma Síndrome.

    Num estudo realizado sobre o assunto na UNICAMP foi observado que muitos pacientes tiveram ataques de pânico desencadeado por uma situação de estresse afetivo, familiar, profissional ou social. Em outros casos pode começar repentinamente, após o parto, uma cirurgia ou algum tipo de infecção. Uma vez desencadeada a doença, as crises passam a acontecer de forma autônoma, independente dos fatores que possam tê-las gerado.

    O ataque de pânico é, de fato, uma das experiências mais devastadoras que um ser humano pode enfrentar. Pior que a primeira crise, só o sofrimento de saber que outra pode vir. Os sintomas são parecidos com os de um infarto, e, nesse instante, a falsa morte iminente adquire os contornos de certeza. O doente se enclausura, instala-se então um quadro de fobia generalizada.

    Apavorada com a idéia de voltar a sentir os sintomas, a pessoa passa a fugir dos ambientes onde os ataques ocorreram, como se tal atitude pudesse evita-los. Pensamentos confusos se atropelam numa velocidade tamanha, que muitos acham que estão enlouquecendo. Quem sofre deste mal vive num verdadeiro inferno: às vezes deixa de sair de casa, evita lugares fechados, não transita em lugares lotados e, em casos graves, nem mesmo consegue atravessar a rua sem ajuda.

    A doença, ainda que não gere graves conseqüências, anula a pessoa como indivíduo, degenera sua personalidade e arrasa sua vontade. Pelo menos não gera conseqüências físicas, embora muitos pacientes com Transtorno de Pânico desenvolvem preocupações constantes com doenças físicas.

    O ataque de pânico, apesar de ser extremamente desagradável, nunca passa das sensações já descritas. Importante: são apenas sensações.

    O tratamento se mostra eficiente na grande maioria dos casos, independente da gravidade e duração dos sintomas. Além de acompanhamento de psicólogo, medicamentos que atuem sobre os neurotransmissores e tranqüilizantes específicos costumam ter bons resultados. A melhora começa a ser observada dentro de algumas semanas e, com as crises sob controle, o paciente se torna capaz de enfrentar situações que antes lhe causavam todos aqueles sintomas. Lembre-se, não desista, todos os casos, mesmo os mais graves tem solução.


    Por Ieda Dreger. 

    Veja também

    Solidão é sempre ruim?24/05/16 A solidão possui dois lados em uma mesma moeda: de uma forma a pessoa se sente abandonada por não ter amigos ou uma companhia mais próxima, em outra ela pode ser por própria opção da pessoa, que se sente bem em ficar sozinha, pois sente-se livre ou protegida. Porque protegida? Porque quem não interage não precisa buscar mudar, não percebe as......
    Bate papo com o Psicólogo24/05/16 1. Psicólogo é médico de “louco?” Não. O psicólogo atende pessoas que num determinado momento de suas vidas, sentem-se confusos, com dúvidas a respeito de questões como trabalho, amor, vida......
    Festa de casamento: você está preparada?23/05/16 A Festa de casamento é feita a fim de partilhar a alegria de um momento especial na vida dos noivos. É um longo período de preparação, geralmente demanda um ano. Há uma gama variada de itens a resolver como: jogos,......

    Voltar para Blog