Postado em 23 de Maio de 2016 às 15h35

    O casal e os problemas financeiros

    Casais (31)

     

     

    Como comentei em outra matéria, os assuntos que mais problemas trazem aos casais são: família, sexo e dinheiro. Talvez porque o maior problema de todos ainda seja a falta efetiva de uma comunicação verdadeiramente clara e saudável.
    Como com a sexualidade, há muito pudor em abordar a questão financeira e assim fica tudo subentendido.
    No início da relação, quando ainda namorados, as coisas são mais contornáveis. Cada um mora na sua casa, e cada um está a gerir o seu próprio orçamento. O que muda com a disposição de viverem juntos.
    E vem as duvidas: quem ganha mais vai contribuir com uma parcela maior nos gastos? Vai ser em percentual ou com contas fixas? E se apenas um trabalhar, quais vão ser as responsabilidades do outro? E se os dois trabalharem, mas um deles é um gastador compulsivo o que deixa ambos endividados sempre, o que fazer? Como resolver estes problemas?
    Bem, atendi em meu consultório, queixas distintas, como:
    A mulher ganhava bem mais, mas trabalhava bem mais. Ele não queria trabalhar mais, não abria mão da maior renda dela, mas queria que ela trabalhasse menos. E as brigas começaram.
    Em outro caso, apenas o marido trabalhava, porque segundo a esposa, não dava para ela trabalhar fora, mesmo com graduação, porque tinha dois filhos adolescentes que exigiam muito dela. Mas ele nunca estava satisfeito com o tanto que ela fazia. Ou seja, talvez ela nem precisasse necessariamente trabalhar fora, desde que eles pudessem conversar e ver o que seriam as responsabilidades de cada um.
    Num terceiro caso, ela não trabalhava fora e gastava abusivamente. Chegava a comprar 6 pares de calçado do mesmo modelo, apenas de cores diferentes. Ele chegou a abrir empresas para que ela tivesse ocupação, mas nada deu certo. Nada progrediu. As brigas ficaram gigantes e o casamento se desmantelou.
    Num último caso, a mulher esperava casar com um homem que a provesse. Embora ela fosse capaz de se prover. E casou com um homem que sabia que não seria capaz de prove-la. Passou a fazer do casamento um inferno e anular seu marido porque ele não era capaz de provê-la.
    Importa compreender que às vezes se briga por sexo, por discordâncias daqui e dali, quando na verdade se está falando de dinheiro. Daquilo que não ficou claro, que não se combinou, que não foi dito.
    Mesmo que os membros do casal optem em ter contas separadas, ainda assim precisam conversar sobre quanto do salário vão investir, quanto vão guardar (para viagens, doença, necessidades outras, etc), e planejar o que vão fazer em cada passo.
    Isso não quer dizer que ninguém mais é “dono” de seu dinheiro, mas que, enquanto casal, precisam decidir juntos quanto e como vão gastar e investir, bem como, de que forma vão organizar suas vidas.
    Percebo muitas vezes que, principalmente as mulheres, se dizem desamparadas por seus companheiros na questão financeira. Dizem que por vezes precisam e eles não ajudam. Por sua vez, não chegam a deixar claro que precisam e eles não entendem as meias palavras que elas usam. Por exemplo, a mulher chega em casa e diz: nossa, estou apertada este mês. Esperando que o cônjuge se ofereça para ajudar. Muitas vezes ele não compreendeu a necessidade, que precisa ser dita com mais clareza.
    Só é possível criticar a falta de apoio do cônjuge quando o problema é verbalizado de forma clara e o pedido de ajuda também. De outro modo, mesmo que o outro conheça o aparecimento de despesas inesperadas, pode não estar claro que a sua ajuda é necessária. Frases como “Ele nem se ofereceu para ajudar…” ou “Ele não me perguntou como é que eu iria pagar esta despesa” não fazem muito sentido porque podem traduzir a inexistência de comunicação eficaz, mas são muito frequentes nas consultas com casais.
    Para que o assunto dinheiro não se transforme num termino de casamento, importa que se converse sobre o assunto. Cada um de vocês vem de educações e compreensões diferentes sobre o dinheiro. Assim, vão precisar encontrar um equilíbrio para seguirem adiante.

    Por Ieda Dreger. 

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