Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h19

    Impaciência também pode ajudar

    Personalidade (33)

    Sentimento pode ser o motor para a busca de algo melhor

    Apesar da paciência e da serenidade se mostrarem importantes no desenrolar da vida dos seres humanos, algumas pitadas de inquietação, insatisfação e até da própria impaciência podem ser ingredientes vitais na confecção da receita de uma carreira profissional e de uma vida pessoal mais apimentada, fora da rotina e da acomodação.

    É importante ver o aspecto positivo da impaciência no fato de ser um elemento que motive a pessoa na busca para resolver seu problema.

    Tanto a inquietação quanto a impaciência são estados de excitação, de nervosismo, de preocupação, de ansiedade. Ou seja, no momento em que estamos impacientes, ficamos ansiosos e a ansiedade traz inquietude, agitação.

    Alerto para o lado nocivo da paciência, muitas vezes a paciência pode mascarar a submissão ou o conformismo. Há pessoas que passam a vida em busca da solução perfeita, anos e anos arquitetando um plano perfeito que nunca se concretiza, enquanto outras, por impulso, acabam por agir de forma impaciente e resolvem o problema. Portanto, vale a pena dosar a paciência para trazer benefícios à sua vida.

    Ter paciência pode significar uma virtude?

    A paciência é mesmo uma virtude: é a capacidade de aceitarmos que nem tudo pode ser da forma como desejamos ou gostaríamos que acontecesse; é a capacidade de suportarmos determinadas situações ruins esperando/buscando o melhor depois. É também a capacidade de entender que todas as pessoas são diferentes entre si e que nem sempre elas nos entendem, desejam ou agem da forma como queríamos que elas agissem!

    Para viver e conviver em sociedade é preciso mesmo ter paciência: afinal, cada pessoa está preocupada em satisfazer as suas próprias vontades, os seus desejos e nem sempre o que uma pessoa deseja é o que a outra deseja e vice-versa. Além disso, é preciso ter a paciência de esperar que as coisas aconteçam da forma como devem acontecer, que nem sempre o tempo que desejamos e esperamos é o tempo de algo acontecer. Como está escrito na Bíblia, tudo tem o seu tempo: tempo de plantar, tempo de colher... precisamos saber esperar este tempo passar!

    O que pode explicar a costumeira falta de paciência das pessoas em alcançar objetivos, conquistar coisas, etc...?

    Nascemos egoístas, viemos de dentro da barriga da mãe onde todas as nossas necessidades eram satisfeitas de imediato. Ao nascermos, passamos a descobrir, mesmo que seja a contra gosto, que o mundo não gira ao nosso redor, que nem todas as nossas necessidades são satisfeitas da forma ou no momento exato em que desejamos. Na medida em que vamos crescendo e convivendo com outras pessoas, percebemos que é preciso ser paciente para poder conviver bem com elas e sermos felizes.

    Pessoas impacientes, em geral, não sabem lidar com limites, costumam vir de famílias que, por excesso ou falta de amor, sempre satisfizeram as suas vontades enquanto crianças. São pessoas que não aceitam um não como resposta, justamente porque não aprenderam dentro de casa a lidar com este limite.

    O cotidiano que vivemos pode responder a essa impaciência?

    De certa forma sim, porque estamos sempre correndo, sempre agitados, sempre sendo cobrados a fazermos algo imediatamente, sem muito tempo para pensar. Há determinadas situações que, ou decidimos de imediato ou perdemos a chance de algo bom para nós mesmos, embora, em geral, na maioria das vezes em que agimos por impulso ou por impaciência, costumamos ter mais derrotas, erros e sofrimento do que vitórias ou acertos.

    O que fazer para buscar um equilíbrio na vida que traga a tranqüilidade como algo permanente para poder realizar as coisas?

    Em primeiro lugar, saber onde se quer chegar, se conhecendo bem. Depois aceitar que nem tudo é da forma como gostaríamos que fosse: isso não é conformismo, mas aceitar aquilo que não pode ser mudado por nós mesmos, aquilo que independe de nossa vontade. Em terceito lugar, aceitar que problemas fazem parte da vida e que o melhor a fazer é resolvê-los de maneira que não tenhamos outros problemas futuros gerados pela impaciência de solucioná-los de imediato, sem refletirmos mais detidamente ou sem nos importarmos com as conseqüências de uma atitude impaciente.

    É importante que se busque um equilíbrio entre um extremo e outro e isso existe mais facilmente quando nos conhecemos profundamente, conhecemos nossos limites, nossas facilidades, onde estamos e onde queremos chegar. Para o auto-conhecimento é importante buscar uma psicoterapia que ajude você a descobrir seus pontos fortes e fracos e como lidar com eles. Ela será muito benéfica.

    Por Ieda Dreger

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