Postado em 24 de Maio de 2016 às 16h45

    Dependência química e terapia: um grande desafio que pode dar certo

    Gerais (41)

    O uso de drogas tem acompanhado o homem na história da humanidade e provocou diferentes impactos no decorrer dos tempos. Passou lentamente de um uso ritualístico, com finalidade de transcendência durante a Antigüidade, para o consumo contemporâneo de busca de prazer, alívio imediato de desconforto físico, psíquico ou de pressão social, a vontade de estar desinibido numa situação social, rebater cansaço e sono, “abrir a mente” e além disso, a facilidade na aquisição, estando presente em todas as classes sociais. Este fenômeno, complexo e multicausal, (não é determinado por uma causa apenas) no entanto, não é individual, pois afeta tanto o indivíduo como seu sistema familiar.
    A presença da droga no meio familiar assume várias funções, por isso é necessário o estudo do funcionamento do relacionamento dessas famílias. A droga (cocaína, maconha, morfina, heroína, ecstasy e outras) assim como o álcool, geram dependência e com isso, uma doença psíquica, física e progressiva que pode ser fatal.
    As pesquisas mostram um perfil familiar nas famílias de dependentes químicos, como: sentimentos de abandono, desamparo, solidão, ansiedade, baixa auto-estima, condições de vida adversas, pobreza, violência, desemprego, e exclusão social são alguns mantenedores homeostáticos nessas famílias.
    Deve-se entender que o Dependente Químico, de qualquer natureza, tem dificuldades para lidar com seus sentimentos. Ele não entra diretamente em contato com suas limitações, utilizando a droga e/ou o álcool como válvula de escape. Quando consciente de suas dificuldades, busca tratamento, geralmente passando por um período de desintoxicação (em uma instituição ou por conta própria). Neste período geralmente se distancia um pouco dos familiares e é de suma importância que o faça também dos “amigos” da ativa e dos locais que freqüentava para obter a droga.
    Começa então a enfrentar suas dificuldades afetivas e emocionais sem o falso escudo protetor do efeito químico. Essa experiência facilitará o perceber-se, o olhar seu interior e, principalmente, o sentir-se, pois, quando se encontrava na “ativa” era justamente uma das suas maiores barreiras.
    Começa então, de fato, seu período de recuperação. A desintoxicação é apenas uma fase; a recuperação real poderá durar o resto de sua vida. sem os aspectos químicos que alteravam seu estado de humor, deverá conseguir manter-se sem drogas ou álcool e encarar “de frente” seus problemas.
    Manter-se abstinente exige: freqüência aos grupos de ajuda mútua e, principalmente, suporte terapêutico, com profissionais que compreendam a Dependência Química como doença, lidando com seus conflitos emocionais que são as verdadeiras armadilhas mentais que a doença utiliza para aproximá-lo do uso.

    Por Ieda Dreger. 

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