Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h04

    De que forma a mania de limpeza afeta seu dia a dia?

    Personalidade (33)

    Uma das manias que mais afetam o relacionamento familiar é a de limpeza. Pessoas, principalmente mulheres, que dedicam todo o seu tempo para limpar as janelas, portas, vidros, lustrar móveis, lavar chão, podem estar perdendo o controle, o que podem indicar doença.

    O problema está na pessoa, porque busca uma perfeição que não existe, que é uma ilusão.No máximo, o que ela irá conseguir é ficar ainda mais nervosa, pois, para manter a casa arrumada e limpa sempre, ninguém haveria de morar nela, sem contar o problema da poeira que toma conta após algum tempo. É saudável querer manter a casa limpa, mas quando a limpeza se torna a prioridade do dia a dia em detrimento de outras atividades, aí se torna um problema.

    A mania pode complicar o cotidiano de quem a possui, quando a pessoa deixa de viajar ou de fazer um passeio para fazer faxina, não dá atenção à família, ou mesmo não convive com outros por causa da necessidade de manter tudo limpo, mesmo que a casa já esteja desta forma.

    Para exemplificar: uma paciente relatou que acreditava que se não limpasse de imediato o local onde outras pessoas haviam tocado, vírus e bactérias invadiriam sua casa e trariam doenças. Ela nem dava atenção à visita, direcionando seus olhos para as portas “sujas”, refletindo se ainda daria tempo de limpá-las e evitar que as bactérias dominassem o ambiente.

    Vale dizer que, por não dar atenção às pessoas, elas acabavam por se afastar do convívio e esta senhora se queixava da falta de amigos, de que ninguém lhe dava atenção, embora ela mesma fosse a causadora deste afastamento.

    A mania de limpeza não é perceptível para quem a possui, já que sua ação é feita de forma inconsciente. Ocorre que, na verdade, a mania não passa de uma forma da pessoa esconder seu verdadeiro tormento, apontando para a limpeza sua única tarefa, fugindo das dificuldades cotidianas.

    A pessoa que tem mania de limpeza pode ser caracterizada como doente?

    Nem sempre se pode considerar doente uma pessoa com mania de limpeza. O problema é a intensidade desta limpeza, quanto tempo de sua vida a pessoa gasta com esta limpeza e se ela sempre prioriza a limpeza em detrimento de outras atividades, ou seja, se ela praticamente vive em função de manter tudo limpo.

    Esta mania pode estar ligada ao Transtorno Obsessivo Compulsivo? (TOC)

    As obsessões e compulsões são comportamentos decorrentes da elevação da ansiedade em níveis acima do normal e aceitável. A pessoa descobre/percebe que o ato/ritual de limpar alivia os sintomas de sua ansiedade de imediato e passa a limpar e limpar no sentido de manter este alívio ou de evitar que sua ansiedade se eleve novamente.

    Pessoas que sofrem do Transtorno Obsessivo Compulsivo, em geral, costumam ser negativas, culpam-se por tudo o que acontece de errado, pensam que só elas são capazes de fazer o melhor, buscam a perfeição e não admitem errar, vivem preocupadas com a opinião alheia, tem medos e uma ansiedade elevadíssima.

    Qual o papel dos parentes que perceberem algo semelhante em sua família?

    A família acaba por ficar muito irritada com essa mania de limpeza, pois sente-se limitada em seu próprio espaço (por causa de frases como: "não suje", "cuidado, não derrube migalhas", "eu já não falei que não quero que você ande aqui porque vai sujar?", "acabei de limpar, que coisa!" etc...), o que pode gerar conflitos, brigas e um clima muito ruim na convivência. De nada vai adiantar ficar brigando com ela, mostrando a "irracionalidade" do comportamento dela, até porque, como diz o ditado, "santo de casa não faz milagre". A família deve entender que esta pessoa tem problemas que não consegue resolver sozinha e que precisa de ajuda especializada para sair deste círculo vicioso em que entrou e a melhor maneira de ajudar esta pessoa é levá-la para uma avaliação psicológica e posterior tratamento.

    Que tipo de orientação pode ser dada para que a pessoa saiba dosar isto com prudência, fazendo a limpeza normal sem tornar isso uma paranóia?

    Querer ter uma casa em ordem, limpa e arrumada é um desejo de todos nós e que nos traz prazer e satisfação. Mas deixar de viver a vida em função de manter uma casa limpa, deixar de aproveitar momentos únicos por causa da "obrigação da limpeza" é sinal de que a pessoa não está feliz e de bem consigo mesma. É muito importante cuidar de si mesma em primeiro lugar e buscar outros prazeres além do prazer da casa em ordem.

    Por Ieda Dreger

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