Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h10

    Como nos adaptamos às mudanças?

    Personalidade (33)

    Conversando com um casal de idosos e ouvindo suas histórias, fiquei pensando nos inúmeros desconfortos que temos nos dias de hoje.

    Eles gostam muito de nos relatar as suas dificuldades, que eram realmente muitas. No entanto,quase todas elas voltadas a problemas primários, aqueles ligados a roupa, calçados, e comida. Não são maiores nem menores que os atuais, apenas diferentes.

    A maioria de nós não tem mais problemas primários, não que estejamos ricos, apenas que conseguimos superar essa fase. Talvez porque tenhamos saído da agricultura, talvez porque a qualidade de vida melhorou.

    Um dos problemas maiores com o qual nos deparamos nos dias de hoje é a concorrência. A concorrência está em toda parte. Não adiante mais fazer a graduação, importa tudo o que fizermos após isso. Cursos, pós graduação, mestrado...a gama de informações é tanta que a gente acha que nunca sabe o suficiente. E a maioria não sabe mesmo. Não porque não tem tempo, mas porque busca informações nas fontes erradas e busca sempre o caminha mais fácil.

    Mas de uma forma geral, quem estuda sempre compreende que ainda não sabe o suficiente e não consegue articular este tempo com a família e outros afazeres.

    O fato de a mulher ter saído de casa para trabalhar também trouxe inúmeras diferenças. É muito bom para a mulher, mas trás problemas diferentes que não estávamos acostumados e enfrentar. Primeiro a culpa da mulher, de não estar em casa com seus filhos. Depois os pais que chegam cansados, não querem brigar e são permissivo demais. Por outro lado, trás uma maior tranqüilidade para o casal em termos financeiros e um reconhecimento à mulher, que busca também o aprimoramento profissional e realização que não apenas a de ser mãe.

    As crianças estão cada vez mais precoces e bombardeadas de informações que também não sabem por onde seguir. O trabalho sempre nos exige mais e mais, comemos mal, nos organizamos mal e já não temos tempo para todas as coisas que gostaríamos de fazer.

    Outra coisa que também é nova e que nos incita a pensar é o “diferente” de uma forma geral que está tentando encontrar seu espaço na sociedade. Podemos observar os gays (masculinos e femininos), os deficientes, negros...que de alguma forma viveram a margem e agora lutam por seu espaço de forma mais efetiva. Precisamos formar opiniões para que possamos educar nossos filhos com coerência.

    A mudança na vida e sexualidade da mulher e do homem também. A mulher sente-se mais liberada, algumas perderam a noção do bem estar, outras estão mais equilibradas. O homem perdeu seu lugar de valor necessário, alguns não sabem ainda que lugar ocupam.

    Algo também que precisamos cuidar muito para não sucumbir, é a questão da mídia. Não é mais necessário ter um televisor grande e sim um grande, imenso, muito fino. Agora já tem outro que é semelhante a uma folha de papel. Não importa ter uma cortina, melhor é ter uma cortinha com controle remoto. Não importa apenas um celular, e sim um celular que nos dê a possibilidade de acessar a internet e o mundo. Estamos na verdade, sempre buscando mais e mais material. Às vezes nos esquecemos que para lidar com todas essas mudanças, precisamos ter uma lado emocional muito equilibrado e que precisamos investir nele também.

    A era da comunicação, da informática, do mundo interligado se transformou em realidade. Olhamos no mapa uma cidade no outro continente e em horas estamos lá. Se não estamos podemos saber o que acontece lá em tempo real.

    Tudo isso trás comodidade, mas uma série de situações com as quais não estamos acostumados a viver. Nos trazem também novos desafios e novas realidades que temos que encarar e enfrentar. Aprender coisas diferentes, em tudo. Até e superior a tudo, acerca de nós mesmos. É importante que cada um busque se conhecer melhor, saber seus limites, buscas, necessidades reais, sonhos...para que não se perca numa busca frenética. Como se costuma dizer,” não adianta correr se não sabemos onde ir”.

    Olhe onde você está indo. Veja se o caminho vale a pena, se a forma como está sendo conduzido vale a pena. Só siga se estiver certo disso. Se precisar de ajude, busque.

    Por Ieda Dreger

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