Postado em 23 de Maio de 2016 às 15h39

    Festa de casamento: você está preparada?

    Casais (33)
    A Festa de casamento é feita a fim de partilhar a alegria de um momento especial na vida dos noivos. É um longo período de preparação, geralmente demanda um ano. Há uma gama variada de itens a resolver como: jogos, musica, vestidos, cabelo, unhas, maquiagem, lugar, decoração, convite, lembrancinhas, bolo, musica, etc. Tudo deve estar impecável. Há ainda a questão corporal, os noivos desejam estar elegantes, então se preocupam com certa antecedência com os quilinhos a perder a fim de que a roupa tenha um melhor caimento, que o cabelo esteja no comprimento correto, ou seja, uma cobrança sem fim para que o dia especial seja perfeito.
    E aqui é que importa pensar. Queremos o perfeito, mas perfeito existe? Será que vale a pena sofrer tanto? Podemos baixar um pouco nossa expectativa e curtir mais? Porque quando nos damos conta estamos comprometendo todo nosso tempo nesta organização e não sobra tempo para viver.
    Sem perceber, sua vida vai girando em torno da festa. Todo o tempo livre você está ocupando para isso. Pesquisando na internet detalhes, conversando com amigas, com a família, com o noivo. Os finais de semana são dias de falar com fornecedores, fazer visitas a floriculturas e casas de doces. Enfim, durante um bom tempo de sua vida antes do casamento você está dormindo a acordando sonhando com seu grande dia. Isso envolve você de tal forma que você não se dá conta. E quando isso acaba? Quando o casamento acontece e depois você precisa voltar ao trabalho, cuidar da casa, das contas, do marido? Quando percebe que toda aquela dedicação, cuidado, ansiedade e comprometimento acabaram? O que fazer?
    Muitas noivas sentem-se aliviadas por não terem mais tantas obrigações, mas outras ficam tristes, como se não existisse mais um objetivo de vida. Elas precisam suprir a falta da correria dos preparativos com outras atividades. Sim, existe a “depressão pós festa de casamento”. Mas esta depressão só acontece para algumas pessoas, para aquelas que já tinham uma pré disposição. É possível perceber sinais de que isso pode acontecer? Sim, durante o planejamento vários sinais são dados, como um nervosismo muito grande, irritabilidade excessiva, perda de sono, etc. que são ignorados, achando que tudo voltará ao normal depois da festa. Já fui procurada por uma noiva seis meses depois do casamento, quando o quadro depressivo já estava instalado.
    Parece um exagero, mas sim, ocorre e é comum. Por isso, preste atenção em você, nos seus sinais, não ultrapasse seus limites e tenha um casamento perfeito, e não apenas uma festa perfeita! Veja as 5 dicas do profissional:
    1. Case com a pessoa que você escolheu para viver ao seu lado o resto de sua vida. Não dê ouvido às pressões familiares, que são muito comuns em casamentos que não dão certo;
    2.  Divida com seu noivo as responsabilidades, evitando assim uma sobrecarga só da noiva;
    3. Aprenda a respeitar os seus limites e saiba pedir ajuda das pessoas mais próximas, como mãe, tia, amiga;
    4. Tenha foco na razão da festa, que é o casamento. Muitas noivas se envolvem tanto com os preparativos da festa que acabam se esquecendo que ela só está ocorrendo por conta de algo muito mais importante em suas vidas, que é a vida a dois;
    5. Faça terapia. Por meio dela você poderá resolver os seus conflitos, verbalizar suas dúvidas e receber ajuda profissional, para que a ansiedade não tome conta de você, para que recarregue suas energias semanalmente e se prepare para o convívio a dois
    Espero que este artigo auxilie as noivas mais ansiosas e desejo que todo o casamento seja um momento de muita felicidade e quando o grande dia passar, que fiquem apenas as boas lembranças e um casamento duradouro.
     
    Por Ieda Dreger. 

    Postado em 23 de Maio de 2016 às 15h37

    Como anda sua relação com os sogros?

    Casais (33)

    Depois das festas de final de ano, a reclamação maior que tenho percebido no consultório é a má relação das pessoas com seus sogros.
    Bem, se pensarmos que este é um dos fatores de maior desgaste numa relação (outros são sexo e dinheiro) vamos entender que aqui temos um nó. E quando há um nó, ele acaba se refletindo em outros fatores da vida do casal.
    Em geral as pessoas queixam-se DA SOGRA. Que ela é metida, que quer opinar demais na relação, tem uma influência muito grande sobre o cônjuge, etc. O que interfere na vida do casal. Mas quando falamos de sogras metidas, estamos falando de alguém que não consegue dar limites. De quem é a responsabilidade sobre este emaranhamento? De quem é a obrigação de mostrar as fronteiras necessárias?
    Cada família precisa de fronteiras para proteger sua diferenciação e coesão. Quando um casal se casa precisa diferenciar-se da família de origem de ambos (pais e irmãos). Precisa estabelecer fronteiras para que pais, irmãos, tios, amigos, colegas, etc. não interfiram em seu relacionamento. Quando duas pessoas se casam, trazem consigo uma bagagem formada por suas experiências de vida, pelos valores provenientes de sua família de origem e de sua história pessoal, pelas influências do contexto, e irão necessitar de um espaço próprio para negociar estas diferenças sem a intermediação de terceiros. O casal precisa construir um conjunto de regras e valores próprios, formando assim um novo conjunto de duas pessoas em interação (e que não devem corresponder à "importação" dos hábitos e regras de um dos lados). Os primeiros anos de relacionamento podem incluir alguns braços-de-ferro ou lutas de poder que, mais cedo ou mais tarde, dão lugar a coesão e à compreensão de que, para que a nova família evolua, é preciso que ambos abram mão de algumas convicções.
    Quando a família de origem continua exercendo influencia na vida do novo casal e este não consegue estabelecer limites até onde esta influência por acontecer, a vida conjugal fica vulnerável. Pode ocorrer também que em cada dificuldade do casal, os cônjuges recorram às famílias de origem buscando alianças que cada vez mais dificultam a coesão do próprio casal.
    Muitas vezes quando as pessoas tentam construir uma relação, enfrentam diferenças imensas na forma como se relacionam com suas famílias de origem. Porque há um telefonema aos pais ou dos pais diariamente, em momentos impróprios e que toma horas e horas da atividade do casal, ou porque há um que acha aceitável que os pais ajudem financeiramente, enquanto o outro não concorda com isso; ou porque em uma família é comum que o novo casal seja visitado sem combinações prévias e o outro cônjuge acha isso insuportável porque isso implica uma ajuda importante com as tarefas domésticas e os cuidados com as crianças em quanto o outro se sente sufocado dentro de sua própria casa.
    È verdade que as regras do casal devem ser construídas pelo próprio casal, mas também é verdade que quando esta construção não deu certo ou não está dando resultado, é importante recorrer à terapia de casal para resolver esta situação e para repor a harmonia e as fronteiras.
    Nem sempre é fácil reconhecer os sinais de emaranhamento e muito menos ser solidário para com as queixas do cônjuge. Mas só se os problemas forem identificados e as necessidades de cada um forem consideradas é possível avançar para as mudanças que promovam o bem-estar de toda a família. Muitas vezes um dos membros do casal vive com medo de magoar os próprios pais e, por isso, protela decisões importantes. Mas o preço a pagar pode ser o fracasso do próprio projeto familiar.
    Lembrem, não é impossível colocar limites, embora possa ser difícil em algumas situações. Sim, porque não estamos falando em distanciamento afetivo, mas, do estabelecimento de regras que possam facilitar a exteriorização dos afetos. Porque a união familiar não equivale ao emaranhamento dos papéis. Porque quem ama respeita o espaço do outro. E porque os pais têm de viver as suas vidas em vez de tentarem viver através das vidas dos filhos.

    Por Ieda Dreger.


    Postado em 23 de Maio de 2016 às 15h35

    O casal e os problemas financeiros

    Casais (33)

     

     

    Como comentei em outra matéria, os assuntos que mais problemas trazem aos casais são: família, sexo e dinheiro. Talvez porque o maior problema de todos ainda seja a falta efetiva de uma comunicação verdadeiramente clara e saudável.
    Como com a sexualidade, há muito pudor em abordar a questão financeira e assim fica tudo subentendido.
    No início da relação, quando ainda namorados, as coisas são mais contornáveis. Cada um mora na sua casa, e cada um está a gerir o seu próprio orçamento. O que muda com a disposição de viverem juntos.
    E vem as duvidas: quem ganha mais vai contribuir com uma parcela maior nos gastos? Vai ser em percentual ou com contas fixas? E se apenas um trabalhar, quais vão ser as responsabilidades do outro? E se os dois trabalharem, mas um deles é um gastador compulsivo o que deixa ambos endividados sempre, o que fazer? Como resolver estes problemas?
    Bem, atendi em meu consultório, queixas distintas, como:
    A mulher ganhava bem mais, mas trabalhava bem mais. Ele não queria trabalhar mais, não abria mão da maior renda dela, mas queria que ela trabalhasse menos. E as brigas começaram.
    Em outro caso, apenas o marido trabalhava, porque segundo a esposa, não dava para ela trabalhar fora, mesmo com graduação, porque tinha dois filhos adolescentes que exigiam muito dela. Mas ele nunca estava satisfeito com o tanto que ela fazia. Ou seja, talvez ela nem precisasse necessariamente trabalhar fora, desde que eles pudessem conversar e ver o que seriam as responsabilidades de cada um.
    Num terceiro caso, ela não trabalhava fora e gastava abusivamente. Chegava a comprar 6 pares de calçado do mesmo modelo, apenas de cores diferentes. Ele chegou a abrir empresas para que ela tivesse ocupação, mas nada deu certo. Nada progrediu. As brigas ficaram gigantes e o casamento se desmantelou.
    Num último caso, a mulher esperava casar com um homem que a provesse. Embora ela fosse capaz de se prover. E casou com um homem que sabia que não seria capaz de prove-la. Passou a fazer do casamento um inferno e anular seu marido porque ele não era capaz de provê-la.
    Importa compreender que às vezes se briga por sexo, por discordâncias daqui e dali, quando na verdade se está falando de dinheiro. Daquilo que não ficou claro, que não se combinou, que não foi dito.
    Mesmo que os membros do casal optem em ter contas separadas, ainda assim precisam conversar sobre quanto do salário vão investir, quanto vão guardar (para viagens, doença, necessidades outras, etc), e planejar o que vão fazer em cada passo.
    Isso não quer dizer que ninguém mais é “dono” de seu dinheiro, mas que, enquanto casal, precisam decidir juntos quanto e como vão gastar e investir, bem como, de que forma vão organizar suas vidas.
    Percebo muitas vezes que, principalmente as mulheres, se dizem desamparadas por seus companheiros na questão financeira. Dizem que por vezes precisam e eles não ajudam. Por sua vez, não chegam a deixar claro que precisam e eles não entendem as meias palavras que elas usam. Por exemplo, a mulher chega em casa e diz: nossa, estou apertada este mês. Esperando que o cônjuge se ofereça para ajudar. Muitas vezes ele não compreendeu a necessidade, que precisa ser dita com mais clareza.
    Só é possível criticar a falta de apoio do cônjuge quando o problema é verbalizado de forma clara e o pedido de ajuda também. De outro modo, mesmo que o outro conheça o aparecimento de despesas inesperadas, pode não estar claro que a sua ajuda é necessária. Frases como “Ele nem se ofereceu para ajudar…” ou “Ele não me perguntou como é que eu iria pagar esta despesa” não fazem muito sentido porque podem traduzir a inexistência de comunicação eficaz, mas são muito frequentes nas consultas com casais.
    Para que o assunto dinheiro não se transforme num termino de casamento, importa que se converse sobre o assunto. Cada um de vocês vem de educações e compreensões diferentes sobre o dinheiro. Assim, vão precisar encontrar um equilíbrio para seguirem adiante.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 23 de Maio de 2016 às 15h32

    Falando sobre Infidelidade (perguntas e respostas)

    Casais (33)
    No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a infidelidade. Fiz uma mescla de alguns deles e vou respondê-los a fim de esclarecer alguns mitos.
    1. Quando revelada a infidelidade, há o divórcio: Ninguém casa pensando que um dia vai ser traído, mas é inevitável também não pensar sobre isso. Diversas pessoas, quando não passaram por tal situação enchem a boca para dizer que jamais perdoariam e depois a história muda. Na grande maioria dos casos a infidelidade não é “o” problema, e sim a forma de manifestação de um problema. Para muitos casais com os quais trabalho a infidelidade é uma forma de reconstruir o casamento, amadurecer a relação e torná-la mais forte.
    2. Todo mundo trai. A infidelidade tem realmente crescido. Isso leva cada vez mais casais a buscarem ajuda psicológica. Mas estamos longe de dizer que TODOS traem. Isso seria uma posição confortável para aquele que trai. Pode aliviar a consciência apenas. Diversos casais vivem bem sem passar por esta turbulência.
    3. Quem trai não ama o cônjuge. Muitas vezes é apenas uma forma de mostrar a insatisfação, mesmo que ainda exista amor. Ainda que condenável, o início de relação extraconjugal está mais perto de uma falta de capacidade de lidar com os problemas de uma relação, de um casamento, do que a falta de amor. Às vezes a falta de diálogo para pequenos desgostos como rotina, desgaste, falta de afeto, etc.
    4. A terceira pessoa é mais bonita, mais elegante ou mais inteligente do que o cônjuge. Claro que num primeiro momento a gente pensa que se há uma troca, deve ser para melhor. Mas precisamos pensar que em qualquer início de relação há umanovidade, baseada na sobrevalorização das qualidades e na desvalorização dos defeitos, trás o frescor que parecia perdido, a paixão, o êxtase, “as borboletas no estômago”.
      A terceira pessoa representa, sobretudo, a oportunidade de viver momentos geradores de bem-estar (em oposição aos momentos de tensão do casamento). O que é valorizado é o prazer destes encontros, e não as qualidades pessoais do(a) amante.
    5. A responsabilidade é do cônjuge traído. Isso ainda é um papo que apareceu nas gerações mais antigas, mas ainda há quem acredite que a infidelidade aconteceu porque o cônjuge traído não “esteve à altura”. O pior, tem traídos que acreditam nisso. É preciso olhar para a relação no seu todo: compreender o papel que a infidelidade veio ocupar na história do casal é um processo mais complexo e profundo.
    6. A infidelidade apimenta a relação. Esta é outra ideia confortável para o cônjuge traidor. Ninguém gosta de ser enganado, seja em que área da vida for. Há formas consentidas de apimentar a relação como swing que seria trazer uma terceira pessoa a relação. Uma traição revela um problema que representa uma quebra de confiança a qual nem sempre é recuperável.
    7. É possível esconder “o caso” e proteger o casamento. Mesmo que o cônjuge traído não busque medidas radicais como colocar um detetive, a maioria das relações extraconjugais acaba por ser descoberta de uma ou de outra forma. Às vezes é por via dos filhos, outras vezes o próprio cônjuge traidor abre o jogo, ou deixa rastros tão evidentes que se faz descobrir, etc.A revelação do segredo pode constituir um forte abalo para todos os membros da família e, ao mesmo tempo, funcionar como um ponto onde se pode virar o jogo. Nenhum casamento está protegido quando há segredos desta natureza.
    8. A infidelidade é mais comum entre os casais que estão sempre a discutir. A verdade e realidade de cada casal está muito distante daquilo que observamos, por isso algumas vezes somos surpreendidos por pessoas que nos pareciam modelos e estão em processo de separação. Discutir não é necessariamente mau. Os casais que temem o confronto, a discussão sadia, estão tão vulneráveis ao problema da traição quanto aqueles que discutem muito. A harmonia conjugal não é mensurável através do número de discussões.
    9. Quem trai não sofre. A infidelidade não pode ser confundida com um azar, fruto de qualquer conspiração divina. Quem trai faz uma escolha e deve assumir essa responsabilidade. Mas isso não implica que a pessoa mereça ser condenada ou que não esteja a sofrer. Poucas pessoas conseguem manter uma relação extraconjugal sem se sentirem debaixo de forte pressão. Os sentimentos contraditórios por que passam podem ser difíceis de entender para quem acabou de ser traído, mas são reais. A atração pelo desconhecido e pela novidade, junta-se a sentimentos de culpa e amor ao cônjuge e podem gerar a sensação de que não há saída possível. Por isso, há pessoas que procuram ajuda especializada nestas circunstâncias.
    10. Lembre-se, fidelidade é uma questão de opção.

      Por Ieda Dreger