Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h06

    Insegurança, como resolver?

    Personalidade (33)

    Um dos motivos que mais leva as pessoas a buscarem o serviço de psicologia é a insegurança. E como ela é reconhecida? É quando você sente dificuldade grande em realizar uma tarefa mesmo que tenha plena capacidade para a mesma. Ou seja, você tem conhecimento sobre o assunto mas não consegue expor, sente-se travado. Outras vezes você não tem consciência que sabe sobre o assunto. Nunca se deu a oportunidade de trazer esta capacidade a tona, e no entanto, tem a crença de que não consegue. Esta crença não lhe permite prosseguir, nem ao menos tentar.

    A insegurança aparece também nas pequenas iniciativas do dia a dia, ir ao clube, ao cinema, almoçar fora de casa sozinho, puxar conversa com alguém interessante. Até na hora de buscar ajuda de um psicólogo, fica aquela angústia: “o que os outros vão pensar”, “o que eu vou falar”, “será que consigo pagar”, etc.

    Claro que a única forma de conseguir é tentar. Mas se você tem tentado com freqüência e não tem conseguido, isso vai te colocando a cada dia mais para baixo, então está na hora de buscar ajuda. Porque as próprias tentativas frustradas vão te dando a idéia de não conseguir e você passa a acreditar nisso.

    O que está por trás da insegurança é sempre um medo, medo de ser rejeitado, medo de que as coisas não dêem certo, medo de ficar só, medo de ficar pobre, de ficar desempregado, etc.
    Em outros momentos o medo da reação da outra pessoa, o que ela vai fazer, dizer, de que forma vai se comportar, vai ser agressiva, humilhante, etc. Qualquer possibilidade de se deparar com uma situação ou pessoa difícil lhe tira o ânimo de tentar e vem uma voz dizendo: fique fora desta, você não vai dar conta. E a insegurança se junta com a baixa autoestima.

    A gente percebe que a pessoa é insegura quando adia interminavelmente as coisas, “ depois eu faço”, e não faz nunca. Adia uma conversa, adia uma compra, adia uma atitude, adia um curso, adia sua terapia.

    A Insegurança pode ser a base para uma depressão e também de crenças irracionais, aquelas que não fazem sentido, tipo: preciso fazer tudo correto sempre para que me amem ou preciso ser maravilhosa para que me olhem. São pessoas que sempre buscam o valor de si próprios pelo que os outros dizem. Mas é uma atitude que trás extremo desconforto e sofrimento.

    Como uma pessoa fica insegura? Algumas pessoas já tem uma personalidade insegura, outros passaram por tanta dificuldade na vida, por eventos incapacitantes, que deixaram a pessoa mais sensível e mais inseguro. Mas é certo dizer que o inseguro sente-se inferior.

    E associa-se neste quadro a desesperança. Ela é a sensação de que não tem o que fazer, a sensação de não ter forças para mudar nada. O que trás a culpa. De qualquer forma a pessoa se acha um fracasso.

    O que está errado? O autoconceito, que é a forma como a pessoa se vê. Geralmente as pessoas tem um autoconceito cheio de erros de interpretação. Na verdade passam a se ver como uma pessoa que tem pouco valor, quando, se interpretado de outra forma, tem muito valor. Apenas não explora seus valores.

    A psicoterapia auxilia neste sentido, ou seja, que você possa ir reconhecendo os seus valores. Reconhecendo você, suas habilidades, seus defeitos, olhar a si mesmo de uma forma madura, completa, cheia de carinho, a fim de deixar brotar habilidades escondidas e de ver com atenção mudanças necessárias.

    Para cada situação existe uma solução, para cada pessoa também. Se você tem problemas, busque soluções. Viva a vida de forma plena.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h04

    De que forma a mania de limpeza afeta seu dia a dia?

    Personalidade (33)

    Uma das manias que mais afetam o relacionamento familiar é a de limpeza. Pessoas, principalmente mulheres, que dedicam todo o seu tempo para limpar as janelas, portas, vidros, lustrar móveis, lavar chão, podem estar perdendo o controle, o que podem indicar doença.

    O problema está na pessoa, porque busca uma perfeição que não existe, que é uma ilusão.No máximo, o que ela irá conseguir é ficar ainda mais nervosa, pois, para manter a casa arrumada e limpa sempre, ninguém haveria de morar nela, sem contar o problema da poeira que toma conta após algum tempo. É saudável querer manter a casa limpa, mas quando a limpeza se torna a prioridade do dia a dia em detrimento de outras atividades, aí se torna um problema.

    A mania pode complicar o cotidiano de quem a possui, quando a pessoa deixa de viajar ou de fazer um passeio para fazer faxina, não dá atenção à família, ou mesmo não convive com outros por causa da necessidade de manter tudo limpo, mesmo que a casa já esteja desta forma.

    Para exemplificar: uma paciente relatou que acreditava que se não limpasse de imediato o local onde outras pessoas haviam tocado, vírus e bactérias invadiriam sua casa e trariam doenças. Ela nem dava atenção à visita, direcionando seus olhos para as portas “sujas”, refletindo se ainda daria tempo de limpá-las e evitar que as bactérias dominassem o ambiente.

    Vale dizer que, por não dar atenção às pessoas, elas acabavam por se afastar do convívio e esta senhora se queixava da falta de amigos, de que ninguém lhe dava atenção, embora ela mesma fosse a causadora deste afastamento.

    A mania de limpeza não é perceptível para quem a possui, já que sua ação é feita de forma inconsciente. Ocorre que, na verdade, a mania não passa de uma forma da pessoa esconder seu verdadeiro tormento, apontando para a limpeza sua única tarefa, fugindo das dificuldades cotidianas.

    A pessoa que tem mania de limpeza pode ser caracterizada como doente?

    Nem sempre se pode considerar doente uma pessoa com mania de limpeza. O problema é a intensidade desta limpeza, quanto tempo de sua vida a pessoa gasta com esta limpeza e se ela sempre prioriza a limpeza em detrimento de outras atividades, ou seja, se ela praticamente vive em função de manter tudo limpo.

    Esta mania pode estar ligada ao Transtorno Obsessivo Compulsivo? (TOC)

    As obsessões e compulsões são comportamentos decorrentes da elevação da ansiedade em níveis acima do normal e aceitável. A pessoa descobre/percebe que o ato/ritual de limpar alivia os sintomas de sua ansiedade de imediato e passa a limpar e limpar no sentido de manter este alívio ou de evitar que sua ansiedade se eleve novamente.

    Pessoas que sofrem do Transtorno Obsessivo Compulsivo, em geral, costumam ser negativas, culpam-se por tudo o que acontece de errado, pensam que só elas são capazes de fazer o melhor, buscam a perfeição e não admitem errar, vivem preocupadas com a opinião alheia, tem medos e uma ansiedade elevadíssima.

    Qual o papel dos parentes que perceberem algo semelhante em sua família?

    A família acaba por ficar muito irritada com essa mania de limpeza, pois sente-se limitada em seu próprio espaço (por causa de frases como: "não suje", "cuidado, não derrube migalhas", "eu já não falei que não quero que você ande aqui porque vai sujar?", "acabei de limpar, que coisa!" etc...), o que pode gerar conflitos, brigas e um clima muito ruim na convivência. De nada vai adiantar ficar brigando com ela, mostrando a "irracionalidade" do comportamento dela, até porque, como diz o ditado, "santo de casa não faz milagre". A família deve entender que esta pessoa tem problemas que não consegue resolver sozinha e que precisa de ajuda especializada para sair deste círculo vicioso em que entrou e a melhor maneira de ajudar esta pessoa é levá-la para uma avaliação psicológica e posterior tratamento.

    Que tipo de orientação pode ser dada para que a pessoa saiba dosar isto com prudência, fazendo a limpeza normal sem tornar isso uma paranóia?

    Querer ter uma casa em ordem, limpa e arrumada é um desejo de todos nós e que nos traz prazer e satisfação. Mas deixar de viver a vida em função de manter uma casa limpa, deixar de aproveitar momentos únicos por causa da "obrigação da limpeza" é sinal de que a pessoa não está feliz e de bem consigo mesma. É muito importante cuidar de si mesma em primeiro lugar e buscar outros prazeres além do prazer da casa em ordem.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 16h58

    O que fazer com a raiva?

    Personalidade (33)

    O que é raiva? É o sentimento de sentir-se irritado, ofendido, ser posto de lado, molestado, importunado, enraivecido.

    As pessoas ficam com raiva quando foram magoadas; assim, de vez em quando, não há quem não fique com raiva. Quando alguém lhe disser que nunca ficou com raiva, na verdade essa pessoa está dizendo que nunca reconheceu sua raiva.

    A maior parte das pessoas tem medo do sentimento de raiva, medo de perderem o controle, de serem violentas ou têm vergonha de dizer que estão enraivecidas. Como se a raiva fosse um sentimento menos nobre, mas é um sentimento como outro qualquer, como a dor, amor, carinho, saudade.

    O primeiro passo para lidar com a raiva é enraivecendo-se. Ou seja, tornando a raiva reconhecida e não fazendo de conta que ela não existe.

    O segundo passo é dirigir a raiva contra um alvo apropriado. Mas expressar a raiva é uma reação muito natural e saudável e é necessária para manter nossas emoções equilibradas.

    O problema vem quando a fonte de nossa mágoa não está a disposição para ficarmos enraivecidos ou quando não conseguimos falar. Isso provoca uma dor de tal forma inaceitável que a raiva fica bloqueada e os sentimentos ficam gritando dentro de nós.

    A raiva reprimida só faz aumentar a mágoa que a originou. As defesas que impedem a raiva de fluir naturalmente para fora, ficam dentro de você, dirigindo-se contra você. Sempre alguém paga pela raiva e é melhor que seja quem causou a dor do que você que a recebeu. Ao segurar a raiva dentro de si mesmo você estará se punindo. Se você deixar ela sair isso vai aliviar seu coração e iniciar a cura.

    As pessoas cronicamente enraivecidas, aquelas cheias de mágoas não expressas muitas vezes se sentem roubadas pela vida e acusam os outros por seus problemas. Raramente recebem aquilo que acham que merecem. Não entendem que poucas pessoas conseguem, durante sua vida, uma boa quantidade seja lá do que for, sem trabalhar muito para isso. Mas admitir isso significaria que a pessoa teria que aceitar parte de sua parcela de contribuição para a situação chegar onde chegou. E é muito mais fácil culpar os outros pelos rumos de nossa vida ou pelas coisas que não dão certo do que parar para analisar onde estamos contribuindo para estarmos assim.

    É importante compreender que as únicas pessoas que não ficam magoadas, e que, portanto, não ficam com raiva, são as que proclamam ser invulneráveis. E gente invulnerável é gente dura, sem sentimento. São pessoas que não capazes de reagir aos sentimentos de outras pessoas, nem de compartilhar tais sentimentos, nem de serem íntimas delas, por não terem acesso aos próprios sentimentos.

    As pessoas que tem medo de manifestar raiva não percebem que os dois extremos são ruins, “armar barraco” e ficar calado. É necessário encontrar um meio termo. É importante, pelo menos para a pessoa magoada, que ela possa expressar isso. Para não entrar em tons acusatórios do tipo “você me fez isso”, é possível usar expressões do tipo: “lembra do que aconteceu ontem? EU me senti muito mal...”.

    No entanto, se você não puder, não souber ou não tiver oportunidade, mesmo assim, coloque sua raiva para fora. Encontre um local onde você possa gritar muito, escrever uma carta muito furiosa e mal educada e não colocar no correio, telefonar para a pessoa que a magoou sem tirar o fone do gancho deixando toda a sua raiva explodir, socar um travesseiro, rasgar uma revista inteira...

    O importante é não guardar raiva dentro de você, porque raiva guardada se torna rancor e começa a tomar da vida o seu significado, nos trazendo a depressão.

    Extravasar a raiva quando você a sentir é toda a diferença para nosso bem estar.

    Por Ieda Dreger


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 16h57

    O que você sabe sobre anorexia?

    Personalidade (33)

    Há bem pouco tempo, estava no consultório de um amigo meu, aguardando-o terminar seu trabalho para irmos a uma palestra. Peguei então, uma dessas revistas comuns em salas de espera, e fui folheando. Deparei-me com uma reportagem que falava sobre a anorexia da filha da rainha Silvia da Suécia.. Lembrei-me que anteriormente tinha sido veiculada uma notícia sobre a anorexia da Princesa Caroline de Mônaco.

    Isso nos leva a pensar no ambiente e a mídia. As mulheres muito magras aparecem em comerciais, nas novelas, nas revistas de modas e outros. Isso faz parecer que a beleza que interessa no indivíduo está do lado de fora apenas. Estamos a cada dia mais, transferindo para a aparência, o que devia ser também interno: a beleza. E o que é pior: fazemos disso nossa forma de contato com o mundo. É interessante observar que a anorexia é desconhecida em locais onde a magreza não é considerada um padrão de beleza.

    A anorexia nervosa teve sua incidência duplicada desde a década de 60 que foi quando começou a exigência das manequins magérrimas e então, estabeleceu-se um padrão feminino completamente diferente. Lembrei-me de uma outra mulher, uma figura importante da música Pop americana, Karen Carpenter, que havia morrido em virtude de uma anorexia.

    A anorexia nervosa é um estado de busca incessante pelo emagrecimento causada por um pavor de ficar gordo. Normalmente, 85% dos anoreticos são do sexo feminino, mas o homem também é acometido por esse transtorno. A preocupação com o peso nos anoréticos, geralmente surge por volta da adolescência. Isso aponta para um distúrbio de auto-estima. No contato com esses pacientes, a gente consegue observar uma falta de força para lidar com o mundo, ou seja, a maior parte não compreende que tem potências para lidar com os problemas. Essas pessoas dependem muito das opiniões alheias, fazem de tudo para agradar as pessoas.

    O indivíduo só pode estar seguro na vida quando ele sente que pode seguir vivendo com tranqüilidade na medida em que, sempre haverá algum tipo de recurso interno ou externo para lidar com as dificuldades que surgem. A dependência do outro deveria ser relativa e não absoluta. Sabe-se que agradar o outro é uma possibilidade comum assim como é também o fato de desagradar. Mas sabe-se também que o desagradar pode não estar só no nosso gesto, mas na impossibilidade do outro em perceber o que está sendo oferecido, ou seja, podemos oferecer tudo ao outro para agrada-lo mas se ele não está interessado nisso, de nada vai adiantar nossa oferta.

    Sabe-se que as pessoas se diferenciam por certas qualidades mas que todas são pessoas e ninguém é melhor que ninguém. É essa mesma noção de potência que nos deixa à vontade com nossa forma de ser e nos permite mostrá-la à todos sem receio da reprovação ou necessidade da aprovação: vivemos bem com nossas próprias características. Aliás, como já disse antes, é justamente a mistura de nossas qualidades e defeitos, que nos fazem especial e amados por alguns. Sabemos que as coisas são o que são, por suas particularidades e por isso se diferenciam.

    Quando estudamos a história de vida dos casos de anorexia, observamos que a doença ocorre com mais freqüência naquelas meninas que passaram a vida, tentando agradar seus pais. Esse comportamento de querer agradar os pais na infância, já aponta para problemas com a auto estima, pois, se elas têm que se esforçar para agradar, é porque percebem que não conseguem fazer isso sendo simplesmente quem são.

    Quando entram na adolescência, tornam-se pessoas negativas que têm que fazer sacrifícios para agradar as pessoas à sua volta. Assim, se a auto estima é ruim, passa a buscar outros padrões para agradar, e o padrão corporal é um deles.

    É importante que a pessoa que se preocupa demais com os padrões externos comece a perceber o que tem também “no lado de dentro”, ou seja, que todos temos algo a ser admirado. O que você tem?

    O importante é ser apenas quem somos, com erros e acertos, se isso não nos é suficiente, precisamos de ajuda profissional. Você é o melhor de você mesmo, o melhor que pode ser, não desista de si mesmo para ser o que é importante aos outros. Auto-estima é importante para toda a sua vida, em todos os níveis, sejam eles relacionais, de emprego, ou outros. Então, vá em frente e busque sempre o melhor para você.

    Por Ieda Dreger