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    Postado em 31 de Maio de 2016 às 11h11

    Infidelidade - Perguntas e respostas

    Casais (31)

    Falando sobre infidelidade

    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Falando sobre infidelidade No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a...
    No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a infidelidade. Fiz uma mescla de alguns deles e vou respondê-los a fim de esclarecer alguns mitos.
    1. Quando revelada a infidelidade, há o divórcio: Ninguém casa pensando que um dia vai ser traído, mas é inevitável também não pensar sobre isso. Diversas pessoas, quando não passaram por tal situação enchem a boca para dizer que jamais perdoariam e depois a história muda. Na grande maioria dos casos a infidelidade não é “o” problema, e sim a forma de manifestação de um problema. Para muitos casais com os quais trabalho a infidelidade é uma forma de reconstruir o casamento, amadurecer a relação e torná-la mais forte.
    2. Todo mundo trai. A infidelidade tem realmente crescido. Isso leva cada vez mais casais a buscarem ajuda psicológica. Mas estamos longe de dizer que TODOS traem. Isso seria uma posição confortável para aquele que trai. Pode aliviar a consciência apenas. Diversos casais vivem bem sem passar por esta turbulência.
    3. Quem trai não ama o cônjuge. Muitas vezes é apenas uma forma de mostrar a insatisfação, mesmo que ainda exista amor. Ainda que condenável, o início de relação extraconjugal está mais perto de uma falta de capacidade de lidar com os problemas de uma relação, de um casamento, do que a falta de amor. Às vezes a falta de diálogo para pequenos desgostos como rotina, desgaste, falta de afeto, etc.
    4. A terceira pessoa é mais bonita, mais elegante ou mais inteligente do que o cônjuge. Claro que num primeiro momento a gente pensa que se há uma troca, deve ser para melhor. Mas precisamos pensar que em qualquer início de relação há umanovidade, baseada na sobrevalorização das qualidades e na desvalorização dos defeitos, trás o frescor que parecia perdido, a paixão, o êxtase, “as borboletas no estômago”.
      A terceira pessoa representa, sobretudo, a oportunidade de viver momentos geradores de bem-estar (em oposição aos momentos de tensão do casamento). O que é valorizado é o prazer destes encontros, e não as qualidades pessoais do(a) amante.
    5. A responsabilidade é do cônjuge traído. Isso ainda é um papo que apareceu nas gerações mais antigas, mas ainda há quem acredite que a infidelidade aconteceu porque o cônjuge traído não “esteve à altura”. O pior, tem traídos que acreditam nisso. É preciso olhar para a relação no seu todo: compreender o papel que a infidelidade veio ocupar na história do casal é um processo mais complexo e profundo.
    6. A infidelidade apimenta a relação. Esta é outra ideia confortável para o cônjuge traidor. Ninguém gosta de ser enganado, seja em que área da vida for. Há formas consentidas de apimentar a relação como swing que seria trazer uma terceira pessoa a relação. Uma traição revela um problema que representa uma quebra de confiança a qual nem sempre é recuperável.
    7. É possível esconder “o caso” e proteger o casamento. Mesmo que o cônjuge traído não busque medidas radicais como colocar um detetive, a maioria das relações extraconjugais acaba por ser descoberta de uma ou de outra forma. Às vezes é por via dos filhos, outras vezes o próprio cônjuge traidor abre o jogo, ou deixa rastros tão evidentes que se faz descobrir, etc.A revelação do segredo pode constituir um forte abalo para todos os membros da família e, ao mesmo tempo, funcionar como um ponto onde se pode virar o jogo. Nenhum casamento está protegido quando há segredos desta natureza.
    8. A infidelidade é mais comum entre os casais que estão sempre a discutir. A verdade e realidade de cada casal está muito distante daquilo que observamos, por isso algumas vezes somos surpreendidos por pessoas que nos pareciam modelos e estão em processo de separação. Discutir não é necessariamente mau. Os casais que temem o confronto, a discussão sadia, estão tão vulneráveis ao problema da traição quanto aqueles que discutem muito. A harmonia conjugal não é mensurável através do número de discussões.
    9. Quem trai não sofre. A infidelidade não pode ser confundida com um azar, fruto de qualquer conspiração divina. Quem trai faz uma escolha e deve assumir essa responsabilidade. Mas isso não implica que a pessoa mereça ser condenada ou que não esteja a sofrer. Poucas pessoas conseguem manter uma relação extraconjugal sem se sentirem debaixo de forte pressão. Os sentimentos contraditórios por que passam podem ser difíceis de entender para quem acabou de ser traído, mas são reais. A atração pelo desconhecido e pela novidade, junta-se a sentimentos de culpa e amor ao cônjuge e podem gerar a sensação de que não há saída possível. Por isso, há pessoas que procuram ajuda especializada nestas circunstâncias.
    10. Lembre-se, fidelidade é uma questão de opção.

    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h45

    A infidelidade é capaz de trazer benefícios ao relacionamento?

    Casais (31)
    A todo o momento ouvimos e vemos reportagens, entrevistas, relato de vida e histórias sobre casamento, sexualidade, amor e traição.
    O que é traição? Uns defendem que só olhar e desejar outra pessoa já é traição. Outros defendem que fazer sexo com outra pessoa é traição. Alguns ainda defendem que um envolvimento afetivo é que é traição. Há quem defenda que se e o outro não ficar sabendo, não há problema algum, porque “ninguém foi prejudicado”. Há ainda os que defendem que sexo e amor são coisas diferentes, portanto “transar” com outra pessoa não é problema.
    Mas são estes os únicos termos em que se pode examinar a infidelidade? Ou haverá outros fatores que vão além da moral tradicional e da conveniência social? Gostaríamos de sugerir que há pelo menos três maneiras pelas quais a infidelidade pode ser desastrosa para o futuro de qualquer casamento.
     
    1. Inevitavelmente, ela causa desapontamento ao outro cônjuge.
    Entendemos por casamento, mais do que um estado legal, mas uma união pelo amor, onde há um comprometimento de aceitar a responsabilidade um pelo outro. O casamento inicia com a fé, onde duas pessoas se confiam uma a outra, acreditando que nenhum tentará magoar o outro e que juntos procurarão realizar-se.
    O primeiro rompimento desta fé é a básica. Não é algo relacionado ao sexo e sim quando um dos cônjuges resolve afastar-se do seu companheiro em busca de outro tipo de intimidade e satisfação...E faz disso um segredo. Vai alegar que tudo o que o outro não souber não o magoará. Mas o próprio afastamento gradual sem que o outro saiba, a questão de contar a outros o que não conta mais ao companheiro presente, o mau humor em muitos momentos...São formas de demonstrar que o segredo não é um segredo. E a simples suspeita torna o outro constrangido e desvalorizado.
     
    2. Encobre o verdadeiro problema
    A infidelidade pode, por algum momento, aliviar os sintomas de descontentamento, mas encobre o verdadeiro mal e permite que ele aumente. Muitos casais fazem de conta que se contentam como uma situação atual e receiam falar ao parceiro o que lhes incomoda. Sentem-se embaraçados para falar de sexo ou sentem-se envergonhados de pedir auxílio e amor. Seja qual for o motivo, não se arriscam a dizer: “Escuta, estou infeliz. Há algo que está errado... estou frustrado...”. Ou seja lá o que for. Não há diálogo, e a pessoa prefere começar outra relação em vez de resolver os problemas desta, imaginando que nesta outra relação não haverá problemas. É importante lembrar que o que não resolvemos nesta relação levaremos junto para outra relação. Ou seja, é o nosso padrão de lidar com os problemas que levamos junto. E quando houver um problema na nova relação, a pessoa vai fugir de novo.
    Mas as pessoas, na maioria das vezes, não procuram um diálogo franco, com seus riscos e promessas.
    Uma separação sem diálogo, sem que haja uma compreensão das razões, deixa muita mágoa e uma situação muito pior do que se tivesse havido uma conversa franca.
     
    3.  Tende a machucar a personalidade
    O cônjuge infiel que finge que, mantendo casos secretos, está protegendo seu casamento, está enganando a si mesmo. A traição transforma a pessoa traída em inimigo, uma pessoa que trai a si mesma é sua pior inimiga.
    O mentiroso também paga um preço alto por mentir. Há o sentimento de culpa, além do medo de ser desmascarado...Mas há ainda o preço biológico. Porque? Como qualquer ser humano buscamos o prazer e fugimos da dor. Contam a verdade é uma forma de procurar o prazer da intimidade. Contar mentiras é uma forma de evitar castigo e dor. Quando sentimos que precisamos mentir a alguém que confia em nós, ficamos presos naquilo que os psicólogos chamam de dilema duplo. O que quer que façamos, perderemos. E quando mentimos, em vez de nos aproximarmos, nos distanciamos. Porque tendo mentido, não pode mais falar do fundo do seu coração. Precisa censurar todos os seus pensamentos antes de falar. Isso gera uma tensão física muito grande e uma falta de relaxamento e satisfação.
    É possível se livrar disso? Claro. Talvez não sem dor, mas é preciso resolver este conflito dentro de si mesmo. A fim de recuperar sua integridade emocional, precisa admitir que mentiu a si mesmo e compreender o que isso significa. É necessário ainda livrar-se da idéia de que infidelidade protege o parceiro e o casamento. Isso é uma inverdade. Dê escolhas ao outro e a si. O que nos ajuda sempre é um diálogo.
    Mas o mais precioso é ser sincero consigo mesmo. Ser fiel a si mesmo. E quem é fiel a si mesmo, não esconde, possui a fidelidade do amor, não do temor; da escolha, não do acaso; do diálogo, não da mentira.
     
     Por Ieda Dreger. 

    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h43

    Acabando com as brigas constantes

    Casais (31)
    Todos os casais discutem e o conflito até é importante numa relação afetiva. No entanto, há discussões intensas, que nem sempre versam sobre assuntos importantes, que deixam marcas e que se transformam em novelos difíceis de desfazer. Fazer as pazes nem sempre é fácil e, quanto maior é a escalada de agressividade, mais difícil se torna a reaproximação. Pior do que isso: quando as discussões intensas se tornam relativamente frequentes, a recuperação é ainda mais difícil. Mas não é impossível!
     
    Em primeiro lugar, e embora seja difícil, importa reconhecer que quando duas pessoas que se amam discutem há alguma probabilidade de uma estar a atacar enquanto a outra procura defender-se. Tratam-se como adversários, usando sobretudo o pronome “Tu” – “TU não és capaz de fazer NADA do que eu peço”, “Como é possível que TU me acuses?”. Ou quando usam o “Eu”, nomeadamente para reforçar a crítica – “EU sou o teu escravo”, “EU sou a única a tentar salvar esta relação”. De um modo geral, ambos querem ter razão e lutam arduamente para o conseguir. Mas uma discussão conjugal não tem de ser uma guerra. Olhar para estes momentos de tensão usando o “Nós” não é apenas uma questão de semântica. Quando dizemos “NÓS estamos cansados de discutir desta maneira” ou quando perguntamos ao nosso cônjuge “NÓS não estamos a chegar a um consenso. Não é melhor pararmos?” olhamos de forma diferente para o conflito.
    Se não é fácil travar a escalada, pode ser particularmente difícil assumir a nossa própria responsabilidade no que diz respeito à manutenção dos ciclos viciosos. Quando as discussões perigosas se instalam, ambos estão a errar, mesmo que involuntariamente. Quando um dos membros do casal começa por perceber que quanto mais grita, mais o cônjuge se isola, por maior que seja o seu desespero, a racionalidade começa a surgir. Como ninguém grita com a pessoa que ama “por acaso”, o desafio é imensamente difícil. É preciso controlar os impulsos, é preciso perceber que o desespero não tem de ser exteriorizado desta forma, é preciso assumir que os gritos e a exaltação constituem autênticas ameaças ao cônjuge. Mesmo que a mensagem que se quer transmitir seja “Ouve-me, por favor”. Claro que do outro lado o exercício também tem de ser feito. Quem “foge” à discussão, mostrando-se imperturbável perante os gritos histéricos do cônjuge, até pode estar a tentar conter a escalada, mas, na prática, está tornando o problema ainda maior  e deve ser capaz de o assumir.
    Quando somos capazes de perceber que existem padrões comportamentais que estão nos impedindo de dialogar com o nosso cônjuge, abre-se a porta para que possamos falar abertamente sobre o mais importante – os nossos sentimentos. Mas este não é um desafio mais fácil do que os anteriores, já que nem sempre somos capazes de expressar as nossas emoções sem cair na tentação de atacar o outro. Então, o reconhecimento dos nossos sentimentos não pode ser dissociado da tentativa de perceber os sentimentos do cônjuge. Não podemos esquecer que as nossas feridas nos toldam o discernimento e que, por isso, não raras vezes nos sentimos dominados pelo medo e acabamos por ignorar que estamos a tocar nas feridas emocionais (pontos fracos) da pessoa que amamos e, assim, a contribuir ativamente para a manutenção do ciclo vicioso.
    Mas como é que eu posso saber como é que o meu cônjuge se sente verdadeiramente? Como posso compreender as suas emoções mais profundas, em particular se ele(a) não se expõe?Precisamos perguntar. Quando abandonamos o padrão segundo o qual estamos sistematicamente à espera do pior do nosso cônjuge, começamos a mostrar interesse genuíno acerca daquilo que ele(a) verdadeiramente sente ao longo da escalada de agressividade. Mostramos o nosso interesse de forma clara.
    Que emoções estão, de um modo geral, por detrás destes ciclos viciosos? Muitas vezes a tristeza e a vergonha, mas também a ansiedade, o medo de perder o cônjuge. Claro que não são estas as emoções que mostramos / a que acedemos durante as discussões – mostramos / vemos sobretudo fúria e desprendimento.
    Quando o marido se queixa de forma muito negativa de que se sente pouco acarinhado pela mulher, pode não ser capaz de transmitir a mensagem de forma clara. A verdade é que está furioso e até tem legitimidade para tal. Em vez de mostrar que se sente vulnerável e de dizer que teme que a mulher esteja a deixar de gostar dele, acaba por acusá-la quase de forma ininterrupta - “Sou SEMPRE EU que te dou um beijo quando chego a casa. TU NUNCA me abraças, NUNCA me dás um miminho. Há quanto tempo não fazemos amor? TU não me dás afeto, não me dás atenção, não me dás sexo, não me dás NADA.” Enquanto descarrega a sua fúria, o mais provável é que a mulher se sinta pressionada, atacada e que, reaja a estas acusações revirando os olhos, abanando a perna, suspirando… Em suma, está saturada e acaba por não só não compreender as queixas do marido, que ama, como por mostrar um imenso desprezo.
    A partir do momento em que somos capazes de identificar os padrões disfuncionais, é um pouco mais fácil aceder às emoções reais. Se a mulher for capaz de perceber que, quando rejeita a tomada de iniciativa do seu marido para que haja intimidade sexual este sente-se rejeitado e teme perdê-la, ser-lhe-á mais fácil confortá-lo. Em vez de ignorar as suas reclamações ou de o chamar de “tarado”, dir-lhe-á algo como “Eu sei que fui fria contigo, mas estava esgotada. Sabia que querias fazer amor comigo, mas tive medo da tua reação, então, limitei-me a virar-me para o outro lado”.
    Quando assumimos a nossa responsabilidade na dinâmica de uma discussão e compreendemos que os nossos comportamentos (aquilo que dizemos de forma verbal e não verbal) desencadeiam no cônjuge alguns medos, torna-se mais fácil assimilar aquilo que o outro sente, partilhar a sua dor perante a rejeição.


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h26

    Adoção e afetividade, um encontro que tem tudo para dar certo

    Casais (31)
    A motivação mais freqüente para adotar um filho é a condição de esterilidade de um ou ambos os pais adotivos. Existem também outros fatores de motivação, como: a morte anterior de um filho; o desejo de ter filhos quando já se passou da idade de tê-los biologicamente; o desejo de ajudar crianças necessitadas e fazer o bem; o contato com alguma criança que desperta o desejo de paternidade ou maternidade; homens e mulheres que anseiam por ser pais, mas não têm um parceiro amoroso; casais homossexuais que desejam ter um filho; o medo de uma gravidez, etc.
     
    Na experiência humana existe o sonho que muitas vezes transforma-se em realidade. As pessoas pensam, imaginam e têm idéias e a partir disso montam suas realidades.
    Escrevo isso para falar dos filhos na vida de uma pessoa. O filho é sempre apenas um sonho, que pode ou  não se tornar realidade.
    A busca por um filho não é apenas uma conquista genética, deve ser também uma conquista ética, porque é preciso ter respeito por toda uma história impar que esse ser trás consigo. 
    Algumas pessoas geram filhos, estes são os genitores. Para serem pais precisamos, além de gerar, manter relações afetivas. Assim, o grande desafio é fazer daquilo que seria meramente biológico, em uma conduta afetiva. Sem dúvida, procriar é uma condição dada pela natureza; criar é uma responsabilidade no âmbito da ética entre os homens. Procriar é um momento; criar é um processo. Procriar é fisiológico; criar é afetivo.
    Filho adotivo não pode vir de fora, e sim de dentro (dentro do coração) como vem o filho biológico. Arrisco dizer que o filho que se adota é o filho que deve ter ser “gestado” no coração e mente de seus pais, assim, o filho biológico de uma pessoa torna-se filho de outra pessoa através das ligações de afeto.
    O amor vem antes do conhecimento, neste caso o amor ao filho. Não precisamos conhecê-lo para amá-lo. O amor passa a ser uma vontade interna que acontece mesmo sem termos uma montanha de dados sobre a criança (pelo menos deveria ser assim, porque filho não é mercadoria de marca, cor, “tempo de uso”, etc. que se compra em supermercado).
    A partir do momento que acontece uma adoção, é muito importante não esquecer que cada pessoa tem uma história, ou seja, vem de um contexto histórico. A criança adotada também precisa estabelecer ligações com sua história pessoal. Isso acontece a partir do conhecimento de suas origens, porque não existe pessoa real sem história. Claro que dizer a verdade para a criança causa desconforto, medo, angústia. Alguns pais têm medo que, se a história for revelada, isso possa destruir o afeto entre pais e filhos. As dificuldades nas relações entre pais e filhos adotivos poderão surgir muito mais pela manutenção dos segredos do que pela revelação da verdade. A verdade não machuca quando vem acompanhada de afeto.
    Por volta dos 3 ou 4 anos, a criança começa a se interessar por questões de sexualidade e de origem. É quando ela começa a perguntar como nascem os nenês. Nesta fase ela já está preparada para começar a tomar consciência de sua história de adoção. A revelação não precisa ocorrer de forma abrupta. Os pais podem ir familiarizando-a com o tema através de histórias ou filmes nos quais há um personagem adotado. Quando sentem que a criança está pronta, podem lhe dizer que sua história é parecida com a do personagem. Já vi muitos casos em que os pais não precisaram fazer esta comparação. A própria criança perguntou: "esta não é a minha história?". É importante que se vá contando os detalhes da adoção conforme a criança vá perguntando, respeitando o seu ritmo próprio. Às vezes a criança passa um longo tempo sem fazer perguntas, como que digerindo as informações. É importante que os pais estejam atentos, e não forcem o assunto, mas também não o deixem morrer, pois às vezes tanto eles com a criança gostariam de esquecer que entre eles há uma história de adoção
    Quando se fala em adoção, lembra-se de rejeição. Sim, porque a criança adotada vive uma rejeição pela mãe de origem, mesmo que a impossibilidade de criá-la tenha sido decorrente da morte. Existe também o medo da rejeição da nova família, assim como os pais adotivos tem medo de não serem aceitos pelo filho adotado.
    Alguns filhos adotivos tem também a dificuldade de aceitar que foram “aceitos”, porque isso gera uma responsabilidade que muitas vezes é difícil de assumir.
    Se nos referenciarmos aos pais que adotam, sabemos que adultos com problemas orgânicos para gerar filhos, não estão atendendo ao que a sociedade espera deles, ou seja, crescer e multiplicar  Por esse motivo, os inférteis carregam o estigma social de não atenderem a  esses requisitos, convivendo com o peso do fracasso.
    Sentimentos como o de inferioridade quase sempre são encontrados na subjetividade dos pais adotivos, sendo estes sentimentos transportados para a relação com seus filhos.
    Esses sentimentos de inferioridade desencadeiam um outro: o de baixa auto-estima, que gera um conflito camuflado aceito pelos pais e sentido pelos filhos. Como não há por parte dos pais a verbalização desses sentimentos conflitantes que perpassam por essa relação parental, mas sim a tentativa de escondê-los, esses tendem a ser canalizados e transformados em comportamentos prejudiciais, ou, no mínimo, causadores de ansiedade para as crianças que estão diretamente inseridas nesse processo. Quando a linguagem não fala, é o comportamento que exerce essa função.
    Quando a adoção não ocorre por amor ou desejo de ter um filho, mas sim por uma necessidade de mascarar a realidade da infertilidade, há uma grande probabilidade de problemas futuros na família. A adoção aparece como necessidade de satisfazer uma convenção social. Nesses casos, os pais arrumam uma alternativa equivocada para superar uma frustração que acreditam ser uma deficiência pessoal.
    É bastante freqüente associar adoção com distúrbios de comportamento. As pessoas falam: "Ah, ele é assim porque é adotivo..." Na verdade, filhos adotivos dão problemas como os biológicos dariam, percebo que em grande parte, quando os filhos adotivos “dão problemas”, temos pais não preparados para sua função e papel, assim como isso também ocorre com filhos biológicos.
    Ao longo de sua existência, toda família apresenta conflitos. As famílias que optam pela adoção não são diferentes. Aliás, em nada diferem das famílias naturais, pois os vínculos de afeto vêm se mostrando tão funcionais como os vínculos biológicos.
    A saúde emocional de uma família adotiva e de outras de diferentes formações depende do modo como são passados os seus valores, e como se aprende a experimentar os vínculos de confiança que são estabelecidos através de verdades sobre os segredos da história que perpassa por todos os seus membros.
    Assim, tanto família com filhos adotivos como as de filhos biológicos, precisam ter afeto, respeito, amor, cordialidade, valores éticos e morais, etc. porque é isso que vai permear as relações e fazer com que elas dêem certo ou não. Vale a pena tentar, vale a pena amar.
     
    Dicas de livros
     
    Laços de Ternura
    Autora: Lídia Weber
    Editora: Juruá / PR
     
    Os caminhos do coração
    Autora: Maria Tereza Maldonado
    Editora: Saraiva
     
    Por causa de um colchão
    Autora: Mafalda Pereira Boing
    Editora: Do autor / SC
     
    Compreendendo o Filho Adotivo
    Autor: Luiz Schettini Filho
    Editora: Bagaço / Recife
     
    Compreendendo os pais Adotivos
    Autor: Luiz Schettini Filho
    Editora: Bagaço / Recife
     
    Adoção: origem, segredo e revelação
    Autor: Luiz Schettini Filho                                                                                         
    Editora: Bagaço / Recife
     
    Dicas de filmes
     
    Ensinando a Viver
    Sinopse: Um homem que enviuvou recentemente decide adotar uma criança que acredita ser um marciano em missão de exploração na Terra. Com Jon Cusack, Amana Peet, Joan Cusack, Oliver Platt e Sophie Okonedo.
     
    Um verão para toda vida
    Sinopse - Quatro órfãos que são muito amigos são enviados para férias numa casa de praia. Lá eles conhecem um casal que não pode ter filhos, que se interessa por adotar um deles. Com Daniel Radcliffe.
     
    Uma família inesperada
    Sinopse - Novaiorquina independente e trabalhadora é forçada a cuidar de seus dois sobrinhos pequenos, quando sua irmã os abandona em sua casa e parte para uma viagem. Diante dessa nova realidade, ela descobre que terá que aprender coisas que nunca sonhou, inclusive a gostar de crianças.
     

    Por Ieda Dreger. 


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