Blog Casais

    Postado em 31 de Maio de 2016 às 11h11

    Infidelidade - Perguntas e respostas

    Casais (31)

    Falando sobre infidelidade

    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Falando sobre infidelidade No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a...
    No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a infidelidade. Fiz uma mescla de alguns deles e vou respondê-los a fim de esclarecer alguns mitos.
    1. Quando revelada a infidelidade, há o divórcio: Ninguém casa pensando que um dia vai ser traído, mas é inevitável também não pensar sobre isso. Diversas pessoas, quando não passaram por tal situação enchem a boca para dizer que jamais perdoariam e depois a história muda. Na grande maioria dos casos a infidelidade não é “o” problema, e sim a forma de manifestação de um problema. Para muitos casais com os quais trabalho a infidelidade é uma forma de reconstruir o casamento, amadurecer a relação e torná-la mais forte.
    2. Todo mundo trai. A infidelidade tem realmente crescido. Isso leva cada vez mais casais a buscarem ajuda psicológica. Mas estamos longe de dizer que TODOS traem. Isso seria uma posição confortável para aquele que trai. Pode aliviar a consciência apenas. Diversos casais vivem bem sem passar por esta turbulência.
    3. Quem trai não ama o cônjuge. Muitas vezes é apenas uma forma de mostrar a insatisfação, mesmo que ainda exista amor. Ainda que condenável, o início de relação extraconjugal está mais perto de uma falta de capacidade de lidar com os problemas de uma relação, de um casamento, do que a falta de amor. Às vezes a falta de diálogo para pequenos desgostos como rotina, desgaste, falta de afeto, etc.
    4. A terceira pessoa é mais bonita, mais elegante ou mais inteligente do que o cônjuge. Claro que num primeiro momento a gente pensa que se há uma troca, deve ser para melhor. Mas precisamos pensar que em qualquer início de relação há umanovidade, baseada na sobrevalorização das qualidades e na desvalorização dos defeitos, trás o frescor que parecia perdido, a paixão, o êxtase, “as borboletas no estômago”.
      A terceira pessoa representa, sobretudo, a oportunidade de viver momentos geradores de bem-estar (em oposição aos momentos de tensão do casamento). O que é valorizado é o prazer destes encontros, e não as qualidades pessoais do(a) amante.
    5. A responsabilidade é do cônjuge traído. Isso ainda é um papo que apareceu nas gerações mais antigas, mas ainda há quem acredite que a infidelidade aconteceu porque o cônjuge traído não “esteve à altura”. O pior, tem traídos que acreditam nisso. É preciso olhar para a relação no seu todo: compreender o papel que a infidelidade veio ocupar na história do casal é um processo mais complexo e profundo.
    6. A infidelidade apimenta a relação. Esta é outra ideia confortável para o cônjuge traidor. Ninguém gosta de ser enganado, seja em que área da vida for. Há formas consentidas de apimentar a relação como swing que seria trazer uma terceira pessoa a relação. Uma traição revela um problema que representa uma quebra de confiança a qual nem sempre é recuperável.
    7. É possível esconder “o caso” e proteger o casamento. Mesmo que o cônjuge traído não busque medidas radicais como colocar um detetive, a maioria das relações extraconjugais acaba por ser descoberta de uma ou de outra forma. Às vezes é por via dos filhos, outras vezes o próprio cônjuge traidor abre o jogo, ou deixa rastros tão evidentes que se faz descobrir, etc.A revelação do segredo pode constituir um forte abalo para todos os membros da família e, ao mesmo tempo, funcionar como um ponto onde se pode virar o jogo. Nenhum casamento está protegido quando há segredos desta natureza.
    8. A infidelidade é mais comum entre os casais que estão sempre a discutir. A verdade e realidade de cada casal está muito distante daquilo que observamos, por isso algumas vezes somos surpreendidos por pessoas que nos pareciam modelos e estão em processo de separação. Discutir não é necessariamente mau. Os casais que temem o confronto, a discussão sadia, estão tão vulneráveis ao problema da traição quanto aqueles que discutem muito. A harmonia conjugal não é mensurável através do número de discussões.
    9. Quem trai não sofre. A infidelidade não pode ser confundida com um azar, fruto de qualquer conspiração divina. Quem trai faz uma escolha e deve assumir essa responsabilidade. Mas isso não implica que a pessoa mereça ser condenada ou que não esteja a sofrer. Poucas pessoas conseguem manter uma relação extraconjugal sem se sentirem debaixo de forte pressão. Os sentimentos contraditórios por que passam podem ser difíceis de entender para quem acabou de ser traído, mas são reais. A atração pelo desconhecido e pela novidade, junta-se a sentimentos de culpa e amor ao cônjuge e podem gerar a sensação de que não há saída possível. Por isso, há pessoas que procuram ajuda especializada nestas circunstâncias.
    10. Lembre-se, fidelidade é uma questão de opção.

    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h45

    A infidelidade é capaz de trazer benefícios ao relacionamento?

    Casais (31)
    A todo o momento ouvimos e vemos reportagens, entrevistas, relato de vida e histórias sobre casamento, sexualidade, amor e traição.
    O que é traição? Uns defendem que só olhar e desejar outra pessoa já é traição. Outros defendem que fazer sexo com outra pessoa é traição. Alguns ainda defendem que um envolvimento afetivo é que é traição. Há quem defenda que se e o outro não ficar sabendo, não há problema algum, porque “ninguém foi prejudicado”. Há ainda os que defendem que sexo e amor são coisas diferentes, portanto “transar” com outra pessoa não é problema.
    Mas são estes os únicos termos em que se pode examinar a infidelidade? Ou haverá outros fatores que vão além da moral tradicional e da conveniência social? Gostaríamos de sugerir que há pelo menos três maneiras pelas quais a infidelidade pode ser desastrosa para o futuro de qualquer casamento.
     
    1. Inevitavelmente, ela causa desapontamento ao outro cônjuge.
    Entendemos por casamento, mais do que um estado legal, mas uma união pelo amor, onde há um comprometimento de aceitar a responsabilidade um pelo outro. O casamento inicia com a fé, onde duas pessoas se confiam uma a outra, acreditando que nenhum tentará magoar o outro e que juntos procurarão realizar-se.
    O primeiro rompimento desta fé é a básica. Não é algo relacionado ao sexo e sim quando um dos cônjuges resolve afastar-se do seu companheiro em busca de outro tipo de intimidade e satisfação...E faz disso um segredo. Vai alegar que tudo o que o outro não souber não o magoará. Mas o próprio afastamento gradual sem que o outro saiba, a questão de contar a outros o que não conta mais ao companheiro presente, o mau humor em muitos momentos...São formas de demonstrar que o segredo não é um segredo. E a simples suspeita torna o outro constrangido e desvalorizado.
     
    2. Encobre o verdadeiro problema
    A infidelidade pode, por algum momento, aliviar os sintomas de descontentamento, mas encobre o verdadeiro mal e permite que ele aumente. Muitos casais fazem de conta que se contentam como uma situação atual e receiam falar ao parceiro o que lhes incomoda. Sentem-se embaraçados para falar de sexo ou sentem-se envergonhados de pedir auxílio e amor. Seja qual for o motivo, não se arriscam a dizer: “Escuta, estou infeliz. Há algo que está errado... estou frustrado...”. Ou seja lá o que for. Não há diálogo, e a pessoa prefere começar outra relação em vez de resolver os problemas desta, imaginando que nesta outra relação não haverá problemas. É importante lembrar que o que não resolvemos nesta relação levaremos junto para outra relação. Ou seja, é o nosso padrão de lidar com os problemas que levamos junto. E quando houver um problema na nova relação, a pessoa vai fugir de novo.
    Mas as pessoas, na maioria das vezes, não procuram um diálogo franco, com seus riscos e promessas.
    Uma separação sem diálogo, sem que haja uma compreensão das razões, deixa muita mágoa e uma situação muito pior do que se tivesse havido uma conversa franca.
     
    3.  Tende a machucar a personalidade
    O cônjuge infiel que finge que, mantendo casos secretos, está protegendo seu casamento, está enganando a si mesmo. A traição transforma a pessoa traída em inimigo, uma pessoa que trai a si mesma é sua pior inimiga.
    O mentiroso também paga um preço alto por mentir. Há o sentimento de culpa, além do medo de ser desmascarado...Mas há ainda o preço biológico. Porque? Como qualquer ser humano buscamos o prazer e fugimos da dor. Contam a verdade é uma forma de procurar o prazer da intimidade. Contar mentiras é uma forma de evitar castigo e dor. Quando sentimos que precisamos mentir a alguém que confia em nós, ficamos presos naquilo que os psicólogos chamam de dilema duplo. O que quer que façamos, perderemos. E quando mentimos, em vez de nos aproximarmos, nos distanciamos. Porque tendo mentido, não pode mais falar do fundo do seu coração. Precisa censurar todos os seus pensamentos antes de falar. Isso gera uma tensão física muito grande e uma falta de relaxamento e satisfação.
    É possível se livrar disso? Claro. Talvez não sem dor, mas é preciso resolver este conflito dentro de si mesmo. A fim de recuperar sua integridade emocional, precisa admitir que mentiu a si mesmo e compreender o que isso significa. É necessário ainda livrar-se da idéia de que infidelidade protege o parceiro e o casamento. Isso é uma inverdade. Dê escolhas ao outro e a si. O que nos ajuda sempre é um diálogo.
    Mas o mais precioso é ser sincero consigo mesmo. Ser fiel a si mesmo. E quem é fiel a si mesmo, não esconde, possui a fidelidade do amor, não do temor; da escolha, não do acaso; do diálogo, não da mentira.
     
     Por Ieda Dreger. 

    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h43

    Acabando com as brigas constantes

    Casais (31)
    Todos os casais discutem e o conflito até é importante numa relação afetiva. No entanto, há discussões intensas, que nem sempre versam sobre assuntos importantes, que deixam marcas e que se transformam em novelos difíceis de desfazer. Fazer as pazes nem sempre é fácil e, quanto maior é a escalada de agressividade, mais difícil se torna a reaproximação. Pior do que isso: quando as discussões intensas se tornam relativamente frequentes, a recuperação é ainda mais difícil. Mas não é impossível!
     
    Em primeiro lugar, e embora seja difícil, importa reconhecer que quando duas pessoas que se amam discutem há alguma probabilidade de uma estar a atacar enquanto a outra procura defender-se. Tratam-se como adversários, usando sobretudo o pronome “Tu” – “TU não és capaz de fazer NADA do que eu peço”, “Como é possível que TU me acuses?”. Ou quando usam o “Eu”, nomeadamente para reforçar a crítica – “EU sou o teu escravo”, “EU sou a única a tentar salvar esta relação”. De um modo geral, ambos querem ter razão e lutam arduamente para o conseguir. Mas uma discussão conjugal não tem de ser uma guerra. Olhar para estes momentos de tensão usando o “Nós” não é apenas uma questão de semântica. Quando dizemos “NÓS estamos cansados de discutir desta maneira” ou quando perguntamos ao nosso cônjuge “NÓS não estamos a chegar a um consenso. Não é melhor pararmos?” olhamos de forma diferente para o conflito.
    Se não é fácil travar a escalada, pode ser particularmente difícil assumir a nossa própria responsabilidade no que diz respeito à manutenção dos ciclos viciosos. Quando as discussões perigosas se instalam, ambos estão a errar, mesmo que involuntariamente. Quando um dos membros do casal começa por perceber que quanto mais grita, mais o cônjuge se isola, por maior que seja o seu desespero, a racionalidade começa a surgir. Como ninguém grita com a pessoa que ama “por acaso”, o desafio é imensamente difícil. É preciso controlar os impulsos, é preciso perceber que o desespero não tem de ser exteriorizado desta forma, é preciso assumir que os gritos e a exaltação constituem autênticas ameaças ao cônjuge. Mesmo que a mensagem que se quer transmitir seja “Ouve-me, por favor”. Claro que do outro lado o exercício também tem de ser feito. Quem “foge” à discussão, mostrando-se imperturbável perante os gritos histéricos do cônjuge, até pode estar a tentar conter a escalada, mas, na prática, está tornando o problema ainda maior  e deve ser capaz de o assumir.
    Quando somos capazes de perceber que existem padrões comportamentais que estão nos impedindo de dialogar com o nosso cônjuge, abre-se a porta para que possamos falar abertamente sobre o mais importante – os nossos sentimentos. Mas este não é um desafio mais fácil do que os anteriores, já que nem sempre somos capazes de expressar as nossas emoções sem cair na tentação de atacar o outro. Então, o reconhecimento dos nossos sentimentos não pode ser dissociado da tentativa de perceber os sentimentos do cônjuge. Não podemos esquecer que as nossas feridas nos toldam o discernimento e que, por isso, não raras vezes nos sentimos dominados pelo medo e acabamos por ignorar que estamos a tocar nas feridas emocionais (pontos fracos) da pessoa que amamos e, assim, a contribuir ativamente para a manutenção do ciclo vicioso.
    Mas como é que eu posso saber como é que o meu cônjuge se sente verdadeiramente? Como posso compreender as suas emoções mais profundas, em particular se ele(a) não se expõe?Precisamos perguntar. Quando abandonamos o padrão segundo o qual estamos sistematicamente à espera do pior do nosso cônjuge, começamos a mostrar interesse genuíno acerca daquilo que ele(a) verdadeiramente sente ao longo da escalada de agressividade. Mostramos o nosso interesse de forma clara.
    Que emoções estão, de um modo geral, por detrás destes ciclos viciosos? Muitas vezes a tristeza e a vergonha, mas também a ansiedade, o medo de perder o cônjuge. Claro que não são estas as emoções que mostramos / a que acedemos durante as discussões – mostramos / vemos sobretudo fúria e desprendimento.
    Quando o marido se queixa de forma muito negativa de que se sente pouco acarinhado pela mulher, pode não ser capaz de transmitir a mensagem de forma clara. A verdade é que está furioso e até tem legitimidade para tal. Em vez de mostrar que se sente vulnerável e de dizer que teme que a mulher esteja a deixar de gostar dele, acaba por acusá-la quase de forma ininterrupta - “Sou SEMPRE EU que te dou um beijo quando chego a casa. TU NUNCA me abraças, NUNCA me dás um miminho. Há quanto tempo não fazemos amor? TU não me dás afeto, não me dás atenção, não me dás sexo, não me dás NADA.” Enquanto descarrega a sua fúria, o mais provável é que a mulher se sinta pressionada, atacada e que, reaja a estas acusações revirando os olhos, abanando a perna, suspirando… Em suma, está saturada e acaba por não só não compreender as queixas do marido, que ama, como por mostrar um imenso desprezo.
    A partir do momento em que somos capazes de identificar os padrões disfuncionais, é um pouco mais fácil aceder às emoções reais. Se a mulher for capaz de perceber que, quando rejeita a tomada de iniciativa do seu marido para que haja intimidade sexual este sente-se rejeitado e teme perdê-la, ser-lhe-á mais fácil confortá-lo. Em vez de ignorar as suas reclamações ou de o chamar de “tarado”, dir-lhe-á algo como “Eu sei que fui fria contigo, mas estava esgotada. Sabia que querias fazer amor comigo, mas tive medo da tua reação, então, limitei-me a virar-me para o outro lado”.
    Quando assumimos a nossa responsabilidade na dinâmica de uma discussão e compreendemos que os nossos comportamentos (aquilo que dizemos de forma verbal e não verbal) desencadeiam no cônjuge alguns medos, torna-se mais fácil assimilar aquilo que o outro sente, partilhar a sua dor perante a rejeição.


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h26

    Adoção e afetividade, um encontro que tem tudo para dar certo

    Casais (31)
    A motivação mais freqüente para adotar um filho é a condição de esterilidade de um ou ambos os pais adotivos. Existem também outros fatores de motivação, como: a morte anterior de um filho; o desejo de ter filhos quando já se passou da idade de tê-los biologicamente; o desejo de ajudar crianças necessitadas e fazer o bem; o contato com alguma criança que desperta o desejo de paternidade ou maternidade; homens e mulheres que anseiam por ser pais, mas não têm um parceiro amoroso; casais homossexuais que desejam ter um filho; o medo de uma gravidez, etc.
     
    Na experiência humana existe o sonho que muitas vezes transforma-se em realidade. As pessoas pensam, imaginam e têm idéias e a partir disso montam suas realidades.
    Escrevo isso para falar dos filhos na vida de uma pessoa. O filho é sempre apenas um sonho, que pode ou  não se tornar realidade.
    A busca por um filho não é apenas uma conquista genética, deve ser também uma conquista ética, porque é preciso ter respeito por toda uma história impar que esse ser trás consigo. 
    Algumas pessoas geram filhos, estes são os genitores. Para serem pais precisamos, além de gerar, manter relações afetivas. Assim, o grande desafio é fazer daquilo que seria meramente biológico, em uma conduta afetiva. Sem dúvida, procriar é uma condição dada pela natureza; criar é uma responsabilidade no âmbito da ética entre os homens. Procriar é um momento; criar é um processo. Procriar é fisiológico; criar é afetivo.
    Filho adotivo não pode vir de fora, e sim de dentro (dentro do coração) como vem o filho biológico. Arrisco dizer que o filho que se adota é o filho que deve ter ser “gestado” no coração e mente de seus pais, assim, o filho biológico de uma pessoa torna-se filho de outra pessoa através das ligações de afeto.
    O amor vem antes do conhecimento, neste caso o amor ao filho. Não precisamos conhecê-lo para amá-lo. O amor passa a ser uma vontade interna que acontece mesmo sem termos uma montanha de dados sobre a criança (pelo menos deveria ser assim, porque filho não é mercadoria de marca, cor, “tempo de uso”, etc. que se compra em supermercado).
    A partir do momento que acontece uma adoção, é muito importante não esquecer que cada pessoa tem uma história, ou seja, vem de um contexto histórico. A criança adotada também precisa estabelecer ligações com sua história pessoal. Isso acontece a partir do conhecimento de suas origens, porque não existe pessoa real sem história. Claro que dizer a verdade para a criança causa desconforto, medo, angústia. Alguns pais têm medo que, se a história for revelada, isso possa destruir o afeto entre pais e filhos. As dificuldades nas relações entre pais e filhos adotivos poderão surgir muito mais pela manutenção dos segredos do que pela revelação da verdade. A verdade não machuca quando vem acompanhada de afeto.
    Por volta dos 3 ou 4 anos, a criança começa a se interessar por questões de sexualidade e de origem. É quando ela começa a perguntar como nascem os nenês. Nesta fase ela já está preparada para começar a tomar consciência de sua história de adoção. A revelação não precisa ocorrer de forma abrupta. Os pais podem ir familiarizando-a com o tema através de histórias ou filmes nos quais há um personagem adotado. Quando sentem que a criança está pronta, podem lhe dizer que sua história é parecida com a do personagem. Já vi muitos casos em que os pais não precisaram fazer esta comparação. A própria criança perguntou: "esta não é a minha história?". É importante que se vá contando os detalhes da adoção conforme a criança vá perguntando, respeitando o seu ritmo próprio. Às vezes a criança passa um longo tempo sem fazer perguntas, como que digerindo as informações. É importante que os pais estejam atentos, e não forcem o assunto, mas também não o deixem morrer, pois às vezes tanto eles com a criança gostariam de esquecer que entre eles há uma história de adoção
    Quando se fala em adoção, lembra-se de rejeição. Sim, porque a criança adotada vive uma rejeição pela mãe de origem, mesmo que a impossibilidade de criá-la tenha sido decorrente da morte. Existe também o medo da rejeição da nova família, assim como os pais adotivos tem medo de não serem aceitos pelo filho adotado.
    Alguns filhos adotivos tem também a dificuldade de aceitar que foram “aceitos”, porque isso gera uma responsabilidade que muitas vezes é difícil de assumir.
    Se nos referenciarmos aos pais que adotam, sabemos que adultos com problemas orgânicos para gerar filhos, não estão atendendo ao que a sociedade espera deles, ou seja, crescer e multiplicar  Por esse motivo, os inférteis carregam o estigma social de não atenderem a  esses requisitos, convivendo com o peso do fracasso.
    Sentimentos como o de inferioridade quase sempre são encontrados na subjetividade dos pais adotivos, sendo estes sentimentos transportados para a relação com seus filhos.
    Esses sentimentos de inferioridade desencadeiam um outro: o de baixa auto-estima, que gera um conflito camuflado aceito pelos pais e sentido pelos filhos. Como não há por parte dos pais a verbalização desses sentimentos conflitantes que perpassam por essa relação parental, mas sim a tentativa de escondê-los, esses tendem a ser canalizados e transformados em comportamentos prejudiciais, ou, no mínimo, causadores de ansiedade para as crianças que estão diretamente inseridas nesse processo. Quando a linguagem não fala, é o comportamento que exerce essa função.
    Quando a adoção não ocorre por amor ou desejo de ter um filho, mas sim por uma necessidade de mascarar a realidade da infertilidade, há uma grande probabilidade de problemas futuros na família. A adoção aparece como necessidade de satisfazer uma convenção social. Nesses casos, os pais arrumam uma alternativa equivocada para superar uma frustração que acreditam ser uma deficiência pessoal.
    É bastante freqüente associar adoção com distúrbios de comportamento. As pessoas falam: "Ah, ele é assim porque é adotivo..." Na verdade, filhos adotivos dão problemas como os biológicos dariam, percebo que em grande parte, quando os filhos adotivos “dão problemas”, temos pais não preparados para sua função e papel, assim como isso também ocorre com filhos biológicos.
    Ao longo de sua existência, toda família apresenta conflitos. As famílias que optam pela adoção não são diferentes. Aliás, em nada diferem das famílias naturais, pois os vínculos de afeto vêm se mostrando tão funcionais como os vínculos biológicos.
    A saúde emocional de uma família adotiva e de outras de diferentes formações depende do modo como são passados os seus valores, e como se aprende a experimentar os vínculos de confiança que são estabelecidos através de verdades sobre os segredos da história que perpassa por todos os seus membros.
    Assim, tanto família com filhos adotivos como as de filhos biológicos, precisam ter afeto, respeito, amor, cordialidade, valores éticos e morais, etc. porque é isso que vai permear as relações e fazer com que elas dêem certo ou não. Vale a pena tentar, vale a pena amar.
     
    Dicas de livros
     
    Laços de Ternura
    Autora: Lídia Weber
    Editora: Juruá / PR
     
    Os caminhos do coração
    Autora: Maria Tereza Maldonado
    Editora: Saraiva
     
    Por causa de um colchão
    Autora: Mafalda Pereira Boing
    Editora: Do autor / SC
     
    Compreendendo o Filho Adotivo
    Autor: Luiz Schettini Filho
    Editora: Bagaço / Recife
     
    Compreendendo os pais Adotivos
    Autor: Luiz Schettini Filho
    Editora: Bagaço / Recife
     
    Adoção: origem, segredo e revelação
    Autor: Luiz Schettini Filho                                                                                         
    Editora: Bagaço / Recife
     
    Dicas de filmes
     
    Ensinando a Viver
    Sinopse: Um homem que enviuvou recentemente decide adotar uma criança que acredita ser um marciano em missão de exploração na Terra. Com Jon Cusack, Amana Peet, Joan Cusack, Oliver Platt e Sophie Okonedo.
     
    Um verão para toda vida
    Sinopse - Quatro órfãos que são muito amigos são enviados para férias numa casa de praia. Lá eles conhecem um casal que não pode ter filhos, que se interessa por adotar um deles. Com Daniel Radcliffe.
     
    Uma família inesperada
    Sinopse - Novaiorquina independente e trabalhadora é forçada a cuidar de seus dois sobrinhos pequenos, quando sua irmã os abandona em sua casa e parte para uma viagem. Diante dessa nova realidade, ela descobre que terá que aprender coisas que nunca sonhou, inclusive a gostar de crianças.
     

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h24

    Afinal, quem deve mudar?

    Casais (31)

    Uma das questões com que sou confrontada frequentemente na terapia de casal diz respeito às mudanças. Claro que quase todas as pessoas que buscam terapia de casal buscam também mudanças, geralmente do outro. Mas também é claro que os anos de vida em comum trazem alguma desesperança em relação as capacidades de mudança do cônjuge.
    Ouço diversas vezes questões como: “Valerá a pena investir na terapia de casal se ninguém muda de personalidade?” Ou “Ele(a) não vai mudar, não é?”, ou ainda “ela nem vai querer mais fazer terapia”. Sim, é impossível mudar o cônjuge, a não ser que ele queira, mas qualquer pessoa é capaz de implementar mudanças, às vezes ela própria, no sentido de salvar a sua relação. A pessoa de quem gostamos não deve ser forçada a mudar de personalidade em função das nossas exigências – até porque nenhum de nós suportaria ser confrontado com tamanho pedido.
    E se um casal reconhecer que se ama mas for incapaz de chegar a um consenso? E quando as discussões tomam conta do quotidiano de duas pessoas que assumem que gostam muito uma da outra? Alguém tem de ceder? Quem tem razão? Quem deve mudar? E o que deve e pode ser alterado? Qualquer profissional desta área vai perceber que na maioria dos casos o problema é diferente daquele que é apresentado pelo casal. Por exemplo: às vezes um casal relata crises imensas com xingamentos e palavras baixas, talvez este não seja o verdadeiro problema, que por trás deste fato o que realmente acontece é a falta de atenção de um para com o outro, o que faz com que gritem. Ao terapeuta de casal compete ajudar aquelas pessoas a reconhecer que, há dificuldades de comunicação que poderão estar impedindo-os de olhar para “o problema” da forma clara. E que forma é essa? Aquela que permite reconhecer as necessidades de cada um dos membros do casal, as emoções por detrás dos momentos de tensão. A raiva é o sentimento que comumente mostramos quando nos frustramos e discutimos com a pessoa que amamos. Mas a raiva é, de um modo geral, apenas a ponta do icebergue.
    Quando nos sentimos inseguros, quando achamos que o nosso companheiro não está colocar-nos em primeiro lugar, nos sentimos desamparados e nos irritamos. Ora, esse desespero é muitas vezes evidenciado sob a forma de críticas, acusações, birras. Se a situação for pontual, o nosso cônjuge verá além da birra e vai compreender que precisamos de conforto; mas se as inseguranças forem regulares, irá se instalar facilmente um ciclo vicioso em que há um que desesperadamente tenta chamar a atenção (ainda que de forma errada) e outro que vigorosamente procura acalmar o ambiente (fugindo da discussão ou ignorando o cônjuge).
    Todas as relações afetivas e particularmente as relações amorosas incluem questões básicas como “Você precisa de mim?”, “Sou importante para ti?” e “Posso contar contigo/ confiar em ti?”. Para que nos sintamos seguros precisamos saber que a pessoa que amamos recorre a nós, precisa de nós em termos afetivos, mostra-nos regularmente e de forma clara que somos especiais e que podemos confiar nela. Quando algum destes pilares se fragiliza, sentimos medo, reclamamos (tantas vezes da pior maneira) e, à medida que o cônjuge se afasta, sentimo-nos progressivamente menos esperançados de que o amor seja recuperável e “gritamos” ainda mais.
    Na terapia de casal, e em função das dificuldades específicas de cada casal, ambos precisam mudar. Ambos precisam alterar uma parte dos comportamentos, sem que isso implique que se anulem e/ou que deixem de ser quem são. Mas aquilo que muda mais drasticamente é, de um modo geral, a definição dos problemas. Quando cada um é capaz de olhar para o comportamento do outro e identificar o que aquele comportamento quer dizer, em vez de apenas se esquivar, xingar, não gostar, etc, o ciclo vicioso quebra e a conexão recomeça.
    É importante que quem está magoado ou se sentido de lado seja capaz de perceber o que o está magoando e possa dizer isso abertamente ao outro e que o outro também esteja aberto a perceber o que pode melhorar. Ou seja, a mudança precisa ser dos dois.
    Tem uma frase que gosto muito que diz: “nada muda se você não mudar”. Sim, se o outro não quer mudar, comece mudando você, busque terapia você, veja o que você pode fazer para ajudar o outro que não quer, a princípio, fazer nada.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h17

    Brigas: a culpa é de quem, dele ou dela?

    Casais (31)

    Ao chegar em casa, ele olha com raiva para ela, parece que nada dá certo e ele já sabe o que vai acontecer em seguida. Ela vem com uma cara amarrada, provavelmente dizendo que alguma coisa esta quebrada ou alguma coisa de errado ele fez. Ele sente que a vida está um inferno e a culpa por isso.
    Para sermos justos.
    Ele chega em casa, jogando sua pasta em qualquer lugar e em ato continuo paletó gravata sapato etc e tal. Ela olha a bagunça e pensa como sua vida é um inferno. Cadê aquelas palavras de carinho? E pior, daqui a pouco vai querer trepar como se tudo estivesse bem, ou pior nem vai querer trepar. Ele não ouve o que a está perturbando.
    Perigo!
    Perigo!
    Esses sentimentos de frustração e de responsabilizar o outro pelo nosso vazio na vida normalmente se transformam no mais intoxicante e destrutivo fator para um casamento.
    Não podemos esquecer o mais triste, quando um dos parceiros diz "eu estou infeliz" em geral o outro homem ou mulher diz "não, você está complicando tudo e não me ama mais". O outro está com medo de perder o parceiro querido e obviamente, em pouco tempo a cena volta a ocorrer, mas os personagens trocam de lado.
    É preciso lembrar que talvez a sublime beleza de um relacionamento seja tentar vencer o medo, olhar para a infelicidade do seu parceiro e, de alguma forma, apesar do medo, olhar para o rosto do seu companheiro e querer mudar, não por ser "moderninho", mas por ser a possibilidade de continuidade desse casamento, dessa relação.
    É preciso entender que quando alguém diz que está infeliz é preciso ouvi-lo e amá-lo para ajudá-lo na mudança e, com isso, ajudar o próprio casal a mudar.
    Quando alguém pede socorro (em geral esses "socorros" são mudos e surdos nos casamentos) e não é atendido, esse socorro produz ,e como produz, rancores e mágoas, que muitas vezes no final acabam se resumindo sempre na velha e infeliz frase "a culpa é dela (e)".
    Casar, apesar do que muitos pensam, é mudar e é olhar para o outro para saber para onde mudar.
    Casar é olhar para o outro. Casar é lutar com o outro pelo bem estar do casal e não contra o outro.
    É lutar contra a vontade de apenas culpar o outro pelas suas dores.
    Dizer que a culpa é do outro é uma saída para não olhar seus próprios problemas e dificuldades. É mais fácil, mas vamos empurrando nossos desacertos com a barriga. Às vezes terminamos uma relação e entramos em outra achando que “o outro” é culpado pelos problemas. Se você não está feliz,não adiante responsabilizar unicamente o outro por isso. Procure em você as responsabilidades também. O outro não tem o dever de nos fazer felizes, isso seria peso demais. Ele pode nos ajudar, mas a responsabilidade está em nós.
    Manter uma relação não é fácil, estar sozinho também não. Busque compreender onde estão os seus problemas e procure formas de resolvê-los, em conjunto ou separadamente. Mas não se acomode.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 10h50

    Brincando com o jogo da sedução

    Casais (31)
    A sedução é a expressão da sexualidade, através da sensualidade. Trata-se do assumir que é alguém que tem desejos e que é passível de ser desejado. Sedução implica em ousadia, auto conhecimento, confiança, segurança, desinibição. É um jogo relacional onde você dá sinais de que se interessa pelo outro e torna-se alvo de sua atenção. Se é correspondido pode avançar alguns passos e vice versa tudo depende de seu objetivo, preparo emocional e de sua capacidade para tolerar frustração. 
    Culturalmente a sedução masculina sempre foi mais explícita e a feminina mais escondida. Para os homens sedução era sinônimo de virilidade e para as mulheres de promiscuidade e desvalor. 
    Hoje a mulher também escolhe, não é apenas escolhida, a relação de sedução é mais clara, ela não precisa ou não deseja ficar mais no papel de chapeuzinho vermelho ou da bela que dorme, enquanto seus desejos aguardam ser despertos. Hoje a mulher está mais para “Mulher Gato” (no filme I’m Batman) sensual, forte, intrigante e ágil.  O homem também mudou, não é apenas o príncipe encantado que tem que ser belo, rico, forte e “sarado” em seu cavalo branco, ele já aceita dividir a conta do restaurante ou ajudar nas tarefas domésticas, sem achar que está perdendo sua masculinidade. 
    E o medo? O que fazemos com ele? Como sustentar um olhar sem suar frio, como desmontar o mito - inconsciente, na maioria das vezes, mas algumas vezes consciente, fruto de preconceitos culturais - que paquerar não é sinônimo de promiscuidade, não é coisa de mulher que não presta, ou de homem que não vale nada?! É verdade!! Alguns homens também sofrem com isso. 
    O medo de se expor se correlaciona com o medo a crítica, a opinião e avaliação alheia. Algumas pessoas, geralmente as mais tímidas, carregam um equívoco importante, deduzem que ser o “bom moço” ou a “boa moça” significa não desejar nada, apenas esperar ser desejado ou escolhido, e consequentemente quem deseja estaria se oferecendo descaradamente. 
    Novamente caímos na idéia de bom e mau, mocinho e bandido. O ser humano é bom e mau, temos as duas coisas , nossa saúde vem da relação que estabelecemos com o bom e com o mau que existe dentro de nós. Esta relação é guiada ela noção de respeito que desenvolvemos por nós e pelos outros, e por nosso entendimento de nossos direitos e deveres como seres vivos e seres sociais. 
    Desejar é natural e humano, o entendimento que desejo é algo feio ou imoral advém de uma sociedade baseada nos contos de fada, na separação simplista de pureza e impureza, bom e mau, céu e inferno, que se afasta da realidade humana e pior, onde a sexualidade torna-se feia e suja. Obviamente quando me refiro a jogos de sedução, o estou considerando entre pessoas adultas e autônomas, e não quando a sedução é usada contra crianças ou pessoas indefesas, nestes casos, considero um ato absurdo e covarde.
    Vamos desmistificar isso, paquerar como disse antes, significa mostrar interesse , certo? Este interesse primeiramente será de conhecer o outro, não necessariamente é um pedido “transe comigo”, e mesmo que seja, caberá a você decidir se quer ou não. 
    Torna-se mais fácil arriscar quando não se tem nada a perder e difícil quando não se sabe como reagirá a uma negativa, se você acredita em si e em sua capacidade de ser aceito, amar e ser amado, em seu “taco”, o medo torna-se menor.
    Sempre temos a idéia de que se alguém não nos aceita o problema está conosco. Quando levamos um fora nos perguntamos: O que eu tenho de errado? Não paramos para pensar que às vezes o outro também pode ter problemas, que não há nada errado comigo, mas que pode haver com o outro.
    Algumas pessoas dizem “não sei paquerar” ou quando mais velhas...”passei dessa fase, não tenho coragem, seria ridículo”. O que realmente está em jogo nessas situações é o medo, medo de não agradar, medo de não ser aceito, de não ser interessante, não ser inteligente o suficiente, bonito o suficiente, magra ou suficiente. A diferença entre os “paqueradores” dos primeiros exemplos e estes é como você lida com seu medo, é claro que o bonitão ou o não tão bonito também têm medo, mas a diferença é que arriscam, ousam, tentam, usam sua auto estima como base. 
    Nossa auto estima é responsável por vários comportamentos que implicam em segurança pessoal, portanto, procurar cuidar de sua saúde emocional conhecer melhor suas características pessoais, tanto as boas como as más, será sempre o melhor caminho para seu desenvolvimento e para melhorar sua qualidade de vida. 
    O jogo da sedução pode ser algo lúdico e fortalecedor da auto estima quando utilizado de forma saudável, afinal de contas, quem não gosta de uma “massagem” no ego de vez em sempre! Cuide de você e cuide de sua auto estima.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 10h38

    Casais com infertilidade, como ficam?

    Casais (31)

    Vivemos numa sociedade em plena mutação de valores e de hábitos. Atualmente o casamento e a gestação de um filho passam a ser coisas que podem ser pensadas separadamente, denunciando uma nova ordem social e moral; os valores são questionados todo o tempo e tornaram-se mais flexíveis. A mulher primariamente educada a casar e constituir família como prioridade, incluiu em sua vida outros objetivos, ampliando seus horizontes. O sucesso profissional e a independência financeira não são mais atributos, ou necessidades apenas masculinas. Somadas a essas mudanças sociais, a maturidade, um importante atributo da evolução emocional, estimula que os casamentos, ou as propostas de uniões estáveis, sejam cada vez mais planejados e consequentemente, realizados mais tarde.
    Pensar mais sobre os próprios interesses e objetivos tornou a gravidez um ato mais cuidadoso, assumindo claramente um caráter de escolha, agora não mais apenas para o homem, mas também para a mulher. Como tudo que podemos escolher a decisão de ter ou não um filho torna-se um entre tantos outros objetivos a ser alcançado, e sua prioridade depende das características pessoais de cada homem e cada mulher. A mulher redimensionada em seu papel social revê suas necessidades e possibilidades postergando esta escolha. A questão é que fomos educados para sermos férteis. Nossa sociedade não está preparada para a possibilidade de infertilidade, simplesmente porque a idéia era improvável para uniões de jovens casais. Portanto, neste panorama, a infertilidade surge para muitos como uma surpresa, um pesadelo, nunca antes imaginado.
    Com o passar da idade biologicamente mais fértil, as possibilidades naturalmente diminuem e as chances caem a cada ano. Somam-se a essas dificuldades os problemas de infertilidade que podem variar muito entre homens e mulheres. Deparamo-nos com uma nova realidade e novas frustrações. Os tratamentos para infertilidade são muitos hoje em dia e se relacionam a medicação diária específica, controle rigoroso do ciclo menstrual, acompanhamento médico entre outros. Trata-se de um processo dispendioso não só financeiramente falando, mas emocionalmente. O aspecto emocional se relaciona a altos e baixos protagonizados por uma gangorra de esperanças e frustrações. A espera, a dúvida, o medo que assola durante a incerteza do resultado e as fantasias que aparecem tornam o processo mais penoso. Um furacão de questionamentos surge em meio da angústia de uma nova decepção. Muitas vezes a relação conjugal se abala, causando brigas e separações. Existem casais que não conseguem superar todo tipo de acusações mútuas que surgem, principalmente quando são veladas.
    Então como lidar com tudo isso? Acima e tudo é essencial que exista um desejo muito forte de ambas as partes em gerar um filho, e que seja uma escolha clara e consciente. É importante se informar sobre o processo e sobre as próprias possibilidades e chances de sucesso. É fundamental que o casal esteja assessorado médico especialista no tratamento de infertilidade - e por um psicólogo especialista no tratamento de pessoas com esse problema. O suporte emocional neste momento não é algo descartável ou menos importante como alguns podem pensar, pois quando falamos de fertilidade estamos nos referindo a toda visão de si mesmo que construímos durante toda uma vida e que de repente simplesmente cai por terra, trazendo um forte sentimento de impotência e insegurança. Da mesma forma a visão do outro, daquele que você ama também se modifica, por que muitas vezes o problema é desconhecido até então. É importante que o casal esteja muito consciente e decidido sobre a importância e a delicadeza desse processo para que possa superar junto as dificuldades. A ciência conhece ainda muito pouco, mas já o bastante para trazer essa alegria, esse milagre da vida até àqueles que já estavam sem esperança. Portanto, não desista antes de ter decidido junto com seu cônjuge verdadeiramente por isso.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 10h37

    Casamento antecipado por gravidez, você precisa estar atento!

    Casais (31)

    A chegada de um filho na vida de qualquer casal causa um grande impacto e muda o sistema, imagine na vida de uma casal que nem teve tempo de solidificar a vida conjugal. É preciso ter muito cuidado para que a relação não se perca antes mesmo de se desenvolver.

    Qualquer gravidez, mesmo aquelas programadas, implicam em uma série de arranjos e organizações na vida do casal. Quando nasce um novo bebê, se organiza um novo casal e um novo sistema familiar.
    No entanto, quando um casal decide se casar por uma gravidez inesperada, seja lá a idade que tiverem, é importante que boa parte da atenção seja direcionada para a relação do casal, para que tenham tempo de se conhecerem como casal.
    Em meados do século passado casar grávida era uma vergonha para a mulher e para a família, tanto que muitas mulheres escondiam a gravidez, não casavam de branco, viviam verdadeiros conflitos. Hoje em dia, quando as futuras mamães resolvem casar-se, não só usam branco como valorizam a barriguinha proeminente. No entanto, interiormente continuam vivendo uma série de emoções que nem conhecem, gerada por todas as mudanças pelo filho que vai chegar e pela necessidade de diversas adaptações.
    A chegada de um filho, não raras vezes, implica em tudo o que conhecemos já, uma mulher mais sensível, uma programação de vida, de quarto para filhos, de casa para os pais, de enxoval para pais e filho, uma reorganização financeira, readaptação com amigos e familiares, auxilio de toda a família, conversas sobre educação, e um olhar especial da mãe, que também não raras vezes prioriza o filho em detrimento do casal.
    Se tudo isso pode provocar um descompasso na vida de qualquer casal, mesmo daqueles que já tem uma vida conjugal estabelecida pelo tempo e pela qualidade da convivência, imagine a ameaça que não representa para os parceiros que tem uma união antecipada pela gravidez. É comum que até a chegada do bebê o casal não tenha tido tempo hábil para fortalecer o casamento.
    Então é importante dar uma atenção especial ao vínculo do casal que se casa nestas circunstâncias. Para que o casamento não de deteriore é importante que ambos percebam o tempo que cada um dedica com exclusividade para a relação do casal. Além disso, muito diálogo é necessário e um olhar profundo para a intimidade. Este casal consegue continuar namorando? Como se tratam? Como se vêem? Apenas como futuros pais?
    Outro ponto importante é olhar as expectativas que cada um tem sobre o outro. O que cada um espera do outro e o que cada um tem para dar ao relacionamento. Se o que se espera e o que se tem para dar está em descompasso, é preciso ajustar o passo. É preciso conversar muito, para que estas condições fiquem claras, para que depois não haja cobranças nem frustrações que minam o relacionamento. O que espera do parceiro agora não pode ser o que se esperava quando não havia um filho. Também a divisão da responsabilidade deve ser devidamente combinada., até porque uma criança exige muitos cuidados.
    Lembrem-se que o pai deve se aproximar do filho e a mãe deve permitir e promover a aproximação, não só para que o pai participe das funções do dia a dia e desenvolver com prazer as funções cotidianas mas também para que o casal possa trocar idéias e emoções sobre a experiência única e enriquecedora ligada a maternidade e paternidade. Assim, em vez de apresentar risco de afastamento o filho pode consolidar a relação do casal.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 10h35

    Um papo sobre casamento: fases & crises

    Casais (31)
    Muitas pessoas me perguntam a respeito de fases onde as crises são mais propícias no casamento. A meu ver, determinados eventos podem acontecer no decorrer da união, apesar de não poder haver uma generalização destes dados, e o fato disto desencadear uma crise depende muito de cada casal, tanto como indivíduos quanto da configuração de seu relacionamento, entre outros fatores.
    Vejamos as perguntas mais comuns que me fazem a respeito destas fases e possíveis respostas:
     1) Início do casamento. O casal fica agora frente a frente com a vida que construiu para si. O que poderia levar a uma crise nesta fase?
    R. No início da união existem muitas fantasias sobre como é um casamento e quando as pessoas se deparam com a realidade do dia-a-dia com o companheiro, alguém que tem tanto defeitos quanto qualidades e nem sempre se comporta como pensávamos que se comportaria, a frustração e a desilusão podem levar a uma crise.
    Além disso, uma crise pode acontecer porque o casal está passando por várias mudanças ligadas ao seu novo papel de casado e isto causa um estresse que pode modificar o modo com que eles se comportavam um com o outro e se viam antes do casamento.
    Cada um tem que se adaptar a morar em um lugar novo, com uma pessoa com hábitos e modos de ver o mundo diferentes do dele, passa a ser requisitado de maneira diversa do que era antes, de acordo com o novo papel de esposo e esposa que passa a desempenhar agora, tem que se encaixar também na família do parceiro, tem que fazer em um período curto de tempo várias escolhas e resolver várias questões domésticas e burocráticas e responder a expectativas diversas. O estresse causado pelas mudanças pode levar a oscilações de humor, irritação, os pensamentos e sentimentos sobre o companheiro nem sempre são amistosos devido a isso, o que pode acabar levando a desentendimentos e conflitos, gerando assim uma crise.
    Para não se deixar levar, algumas dicas são aprender a lidar com as situações de estresse e diminuir expectativas irrealistas. Dependendo do caso, psicoterapia individual pode ajudar.
     2)Passou a surpresa do sexo. A rotina prevalece sobre a aventura, a renovação. Como lidar, especialmente se isso for um peso para um dos dois?
    R. Para o casal lidar com a rotina no plano sexual, primeiro ele tem que se conscientizar de que o com o passar do tempo é normal a paixão diminuir e outras preocupações da vida de casado tomarem maior tempo dos dois. Mas isto não quer dizer que o sexo precisa deixar de ser prazeroso. Com conversa e envolvimento, os parceiros podem tornar sua vida sexual mais criativa e não deixá-la cair na pasmaceira.
     3)Três anos de casada: planos de vida podem se chocar. As coisas que vinham adiando - como ter filhos, fazer uma pós no exterior - podem se revelar um plano mais forte para um dos dois. Como sair dessa crise?
    Aqui, a questão da escolha é o ponto mais importante. Para sair desta crise, o casal deve conversar francamente, um tentar ver o lado do outro, a perspectiva do outro, e tentar procurar uma solução que, na medida do possível, satisfaça a ambos. Dependendo do plano de vida que está se chocando, esta solução pode ser um meio termo entre os dois planos, ou pode ser adiar um dos planos por mais tempo, ou um dos dois abrir mão do seu plano.
     4) Sete anos de casada: Reavalição. Será que isso vai durar para sempre? Será que minha vida é será só isso? Enfim, uma crise com o rumo que a vida vem tomando.
    Novamente é sobre escolha que estamos falando com esta reavaliação. E reavaliar o casamento também é reavaliar o que se quer da própria vida, o que se estava procurando até aqui e o que se quer alcançar a partir de então. Ao olhar para dentro de si a pessoa pode se dar conta dos significados simbólicos dos seus desejos e do papel que estes significados desempenham na análise do seu casamento e da sua vida. Uma crise pode levar à desestruturação, mas também pode levar à transformação. Cabe a cada um reconhecer seus desejos e prioridades e eleger o modo de alcançá-los e conduzi-los, integrando o futuro ao seu presente e ao seu passado. E cabe ao casal a incumbência de aperfeiçoar sua relação e se dar a oportunidade para buscar soluções para as dificuldades e desentendimentos que vão surgindo com o passar dos anos.

    Por Ieda Dreger. 


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