Postado em 24 de Maio de 2016 às 15h06

    Filhos de pais separados, que problemas enfrentam?

    Gerais (42)

    O estigma de que filhos de pais separados sofrem mais, têm menor rendimento escolar, mais problemas emocionais e auto-estima mais baixa que os filhos de casais que permanecem juntos tem caído por terra. Existem situações em que as crianças sentem-se melhor com a separação dos pais. As crianças que apresentam dificuldades emocionais, baixa auto-estima ou problemas na escola são aquelas que não têm uma estrutura familiar saudável. O que produz o desenvolvimento delas não é o estado civil dos pais, mas o estado emocional deles ou daqueles que as criam.
    No momento da separação há um certo trauma porque nenhum filho quer ver os pais divorciados. Porém, com o tempo essas crianças ganham experiências e sentimentos valiosos, nem sempre vivenciados por outras. Muitas crianças se sentem aliviadas com a separação dos pais. Mas isso não impede que elas sintam-se frustradas de não terem mais pai e mãe juntos.
    Nos casos em que a situação no lar é insustentável, em que a criança vive no meio de brigas, discórdias, uso de álcool, drogas, enfim num ambiente caótico e amedrontador, ela sente alívio quando termina e fica longe de tudo isso. É necessário desmistificar a visão maniqueísta do bem e do mal absoluto. Ou seja, quando se trata de comportamento nada é 100% bom ou ruim. O fato é que toda vez em que há uma separação ocorre a morte da família original e no imaginário dos pais e das crianças o casamento e a família são para sempre. O que acontece atualmente, são separações menos traumatizantes, mas não sem traumas. Antigamente, passava-se uma idéia de que todos os filhos de pais separados eram infelizes e isso, não é verdade. É como no processo de adoção. É inegável que antes da generosidade, afeto e amor gerado pela pessoa que adota a criança houve uma rejeição. Uma coisa boa não exclui a presença de algo nefasto, ruim.
    Todas as crianças querem ver os pais vivos, juntos e se possível felizes. Quando isso não ocorre elas criam uma ordem de eliminação, por exemplo: "Bom, já que eles não estão juntos ainda bem que pelo menos estão vivos e felizes", pensam. Com a separação dos pais, o primeiro benefício gerado na criança é sair do ambiente desfavorável de desamor e por vezes hostil e de brigas. Em seguida, vem a ampliação do convívio com novas pessoas e ambientes, já que os pais retomam antigas amizades. Além de laços familiares mais amplos.
    O ideal para a criança é que pai e mãe se relacionem bem, independente de estarem casados ou não. Ao mesmo tempo, não precisam ser falsos, pois os filhos percebem. Toda e qualquer pessoa necessita sentir que alguém a ama e a admira, mesmo com todos os defeitos que ela possa ter e é por isso que a criança deve sentir-se e ser amada pelos pais. Estado emocional tem mais peso que o civil.
    Um casal com filhos que decide se separar deve tomar alguns cuidados com eles. Um deles, é deixar claro às crianças que o conflito é entre os parceiros e não com os filhos. Outro é informá-los que apesar da separação, o amor e a relação de pai e mãe irá continuar. Para a separação dos pais ser o menos traumática possível para os filhos é necessário que seja tratada em particular e nunca na frente deles. É natural das crianças querer resolver o problema dos pais ao presenciarem uma discussão. Elas não sabem qual dos dois devem apoiar e isso as deixa confusas, além de sentirem-se culpadas, mesmo não sendo. Passado o momento da separação em si, homens e mulheres devem manter um relacionamento amigável para o bem dos filhos.
    Os pais, neste caso os homens, por vezes se sentem culpados por estarem fora do lar, por exemplo, e tentam compensar essa ausência com concessões, atenção e presentes, sempre de forma exagerada. A criança que é criada sem limites, aquela que tem e pode tudo, sofrerá muito na vida adulta e provavelmente não irá suportar os limites impostos pelo mundo, pela vida. Os pais devem mostrar o significado e o porque a vida de seus filhos mudou, e dizer-lhes que ela voltará a se reestruturar, possivelmente, para melhor.
    Quatro coisas que os pais nunca devem fazer:
    Falar mal um do outro para o filho; Usar os filhos como espiões para saber da vida do outro; Fazer chantagens ou usá-los como moeda de troca. Por exemplo: “Você não vai ver seu filho enquanto não depositar a pensão”; Discutir na frente das crianças
    Quatro coisas que os pais devem fazer, sempre:
    Falar e ouvir seus filhos; Ter bom senso; Impor limites; Amar seus filhos, independente da situação em que se encontra o relacionamento amoroso dos pais.
    Tanto o pai quanto a mãe não devem se esquecer que o maior papel deles consiste em apoiar, compreender e dialogar sempre com seus filhos, independente de estarem bem ou não entre si. Se mesmo assim você sentir dificuldades, procure ajuda profissional capacitada para você e seus filhos.

    Por Ieda Dreger. 

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