Blog Medos e fobias

    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h35

    A crise masculina, diante de tantas mudanças e novas exigências

    Medos e fobias (12)

    Ainda confuso diante das novas – e às vezes conflitantes – conquistas e solicitações femininas e sociais, o homem esforça-se para mudar, teme perder o lugar historicamente garantido, mas acumula ganhos inegáveis à medida que lida melhor com seu lado emocional.

    A crise que nossa cultura passa hoje é uma crise que questiona os padrões da masculinidade. Começa nos anos 60 com todo o movimento mundial por mudanças. Houve um questionamento muito grande dos padrões do que estava se esperando do ser humano. Na década de 70 começou esta questão da sensibilização do homem, da necessidade de mudança da postura masculina.

    O homem se depara hoje com novas exigências da mulher, antes ela tinha vida familiar somente ao redor dos filhos e a vida sexual somente com um homem, hoje ela tem termos de comparação, além de conversar com amigas sobre o assunto. E o pedido da mulher se torna ambíguo. Por um lado ela busca um homem que deixe aflorar sua sensibilidade, que mostre de forma mais humana seus sentimentos...mas ainda sente-se mal em ver um homem fragilizado, com medo, chorando. Não sabe como agir, fica sentindo-se culpada. E na realidade quando se consegue esse tipo de comunicação na relação, de cada um poder explicitar o seu sentimento, a relação torna-se ainda mais forte, porque ninguém é o “todo poderoso”.

    As mulheres têm mesmo um jogo de cintura para lidar com as relações afetivas muito melhor do que o homem. Assim como descobre um jeito de fazer menos força física e criar uma máquina, o homem também descobre o jeito de ter relações sexuais sem se envolver. Isso ele resolve facilmente – como ter uma vida sexual sem fazer força, a força que seria o envolvimento afetivo. Mas o domínio das relações afetivas foi abortado dele, do inconsciente..

    Ele tinha isso quando criança, com a mãe, com a família. Mas quando foi crescendo foi ouvindo: “ homem não chora”. E quando foi a luta no campo de trabalho, mesmo com medo, não falou, se escondeu dentro de si mesmo. Não podia entrar em contato com o que sentia.

    A mulher, por sua vez, teve todo o tempo para sentir, ser tímida, frágil, pedir ajuda, não querer se expor muito ao mundo, ficar em casa mais apegada à mãe. Assim, a mulher vai desenvolvendo a aoutopercepção do que sente em relação às pessoas e vai aprendendo a lidar com isso. E hoje, com a conquista da formação profissional e intelectual, sabe muito mais como as relações acontecem. Se articula mais, se não está bem com “x”, procura “y”, se está sozinha procura companhia dos amigos...Já o homem não sabe lidar com isso. Busca múltiplas relações e se enfia rapidamente numa relação com o pânico de ficar sozinho. Acaba num beco sem saída. E fica lá porque é melhor estar num lugar em que tenha uma constância afetiva relativa, mesmo infeliz. São as nossas diferenças. Não estamos falando de certo e errado, estamos falando de diferenças de educação, e vale aqui lembrar que quem educa um homem (menino) ainda é uma mulher.

    Em muitos momentos os homens sabem o que as mulheres querem, sabem do que precisam, mas não tem disposição de discutir isso. E sofrem mais de inúmeras doenças por não falarem de seus sentimentos. Mas não sabem faze-lo e têm medo de perder o controle sobre suas emoções (que sempre aprenderam a deixar guardadas) se falarem sobre elas. Todos nós temos falhas, medos, tristezas, alegrias...Ninguém é “super” o tempo todo. E quando exigimos isso do outro estamos colocando em suas costas um peso muito grande, o peso de não poder ser quem realmente é.

    Em minha prática clínica há homens que buscam psicoterapia especificamente para tratar da sexualidade, (isso precisa ser feito por algum profissional que tenha formação na área, ou seja, em sexologia), e aqui é importante lembrar que a relação sexual é um espelho da relação afetiva. A mulher cresceu, lutou, conquistou espaços. O resultado pode ser, para o homem, mais insegurança. E na cama isso pode manifestar-se como o nome de ejaculação precoce. (Como o problema não é só dele, é importante que sua parceira participe da busca de soluções.)

    Homens e mulheres representam sempre vários papéis dentro de um relacionamento. Um homem deve ser para uma mulher um pouco pai, um pouco amante, um pouco sócio, um pouco aliado e um pouco filho. E a mulher deve ser o correspondente complementar a cada um desses papéis. Se o homem se fixa num só desses papéis ou se em vez de sócio se comporta como dono e, em vez de aliado, como comandante, e nem cogita ser um pouco filho, o desequilíbrio reproduz uma relação desigual.

    Após a fase de dominação masculina e da antítese da rebeldia feminina, talvez estejamos nos encaminhando para a síntese. Um momento histórico para pesar os prós e contras das experiências passadas e escolher um caminho mais harmonioso. Quem sabe seja o fim da guerra dos sexos. Em conseqüência a mulher pode mostrar sua força e o homem pode mostrar sua sensibilidade (que não tira sua força), sua acessibilidade, ficar mais próximo da mulher, numa posição que não é acima nem à frente, é ao lado.



    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h31

    Você tem dificuldade de tomar decisões?

    Medos e fobias (12)

    Todos os dias as pessoas têm uma série de decisões para tomar. Geralmente são decisões pequenas como: o que comer no almoço, se vão nesse ou no outro supermercado, que cor de vestido usar, qual camisa usar, em que momento levantar da cadeira para tomar um cafezinho, qual o horário a dormir, etc.

    Há 40 anos atrás, quando íamos ao supermercado em busca de algum produto, tínhamos apenas algumas opções. Hoje existe uma série delas para cada produto. É a indústria da escolha.

    Temos um excesso de informações de todos os lados, pressão por desempenho em todos os setores e repletas de alternativas, as pessoas precisam tomar decisões também a respeito de assuntos delicados. E pior, devem fazer isso sem ter muito tempo para pensar.

    Cada vez mais, o sucesso e a satisfação pessoal dependem da habilidade de fazer escolhas adequadas. Com frequência, as pessoas são obrigadas a tomar uma decisão que pode modificar sua vida.

    Até 40 anos atrás os empregos eram para sempre, assim como os casamentos. O número de decisões a tomar, a concorrência na questão profissional e a exigência do conhecimento eram menores.

    Atualmente, você escolher se vai se matricular numa pós graduação ou se inscrever naquele curso de extensão sobre liderança. No campo da aposentadoria, são mais de 260 fundos de previdência privada. A sua formação, seu trabalho e sua aposentadoria foram privatizadas. Passaram a ser de sua exclusiva responsabilidade. Agora, cabe apenas a você, e só a você, decidir o caminho a seguir.

    A vida afetiva já era privada, mas ninguém “ficava” nem dormia com a namorada ou namorado na casa dos pais.

    Então, o que fazer? Como ter certeza de tomar a decisão correta? Somente chegamos ao acerto por meio do sistema de tentativa e erro. Portanto recomenda-se cautela quando se fala e pensa a respeito de um problema. Não basta sentar-se num canto, fechar os olhos e meditar. Quando agem dessa forma, as pessoas tendem a adotar soluções com base em impulsos, ignorando até mesmo os aspectos mais simples.

    As melhores decisões, costumam ser tomadas de uma forma mais disciplinada, até mesmo com a ajuda de papel e lápis. Pode parecer brincadeira, mas os estudiosos recomendam que as pessoas não apenas analisem os prós e os contras de cada opção em jogo mas escrevam cada uma delas em colunas separadas como forma de avaliá-las e tê-las sempre diante dos olhos.

    A idéia básica, é sempre a mesma: reduzir a subjetividade a seu tamanho necessário. Por isso, a adoção de uma metodologia que reduz a impulsividade das decisões e ajuda a pessoa a ter munição. Isso tem o objetivo de fazer um julgamento pessoal de cada possibilidade em jogo. Pessoas mais bem treinadas e mais bem informadas tem mais condições de intuir o rumo a seguir.

    Mais de 20% das pessoas ficam paralisadas diante da necessidade de fazer uma escolha. Essas pessoas costumam ser muito ansiosas, adotam a idéia de ocupar o tempo com diversas atividades e sofrem por concluir uma tarefa que exija um posicionamento seu, são aquelas que quase sempre atrasam a declaração do imposto de renda e o pagamento de contas, deixam de fazer o trabalho quando estão livres com o argumento de que funcionam melhor sob pressão. Para esse grupo de indecisos, a recomendação é perceberem sua dificuldade em tomar decisões como um problema e procurar a ajuda de um profissional. A indecisão atrapalha não apenas a pessoa indecisa mas também aqueles que o cercam.

    De qualquer maneira, a melhor forma de se tomar decisões, é estar conectado com tudo que está acontecendo ao seu redor. Como uma gama de informações, você consegue fazer mais facilmente as colunas sugeridas de prós e contras para sua tomada de decisões.
    Se você se considera uma pessoa que tem dificuldades de tomar decisões, procure a ajuda de um profissional. Com certeza e isso facilitará a sua vida.


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h27

    Como você lida com os imprevistos da vida?

    Medos e fobias (12)
    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Toda pessoa tem sonhos, ideais e objetivos de vida. A energia que a pessoa gasta para concretizar isso geralmente é recompensada de uma ou de outra...

    Toda pessoa tem sonhos, ideais e objetivos de vida. A energia que a pessoa gasta para concretizar isso geralmente é recompensada de uma ou de outra forma. A simples idéia de trabalhar para concretizar um sonho já é algo que reconforta, dá ânimo. De resto, há pessoas que não chegam a atingir determinadas metas mas que morrem felizes porque passaram a vida lutando por aquilo que queriam. Nenhum de nós sabe exatamente como estará daqui a cinco ou dez anos. Mesmo assim gostamos de planejar e é bom que o façamos. É tranquilizador e revigorante, por exemplo, sabermos que, se trabalharmos, se dermos o nosso melhor, seremos capazes de juntar dinheiro para fazer uma viagem ou para comprar uma casa ou para cumprir qualquer outro sonho.

    Independentemente das convenções sociais e daquilo que as pessoas mais próximas esperam de nós, agrada-nos pensar acerca daquilo que queremos fazer da nossa vida. Algumas pessoas “sabem” que vão querer casar-se antes dos 30, outras assumem a sua vontade de terem um determinado número filhos e outras definirão a altura em que ambicionam ganhar o seu primeiro milhão. Isso é desejo e planejamento.

    Mas a vida não corre sempre como nós queremos e, à medida que amadurecemos, percebemos que alguns dos nossos sonhos vão ter de ficar pelo caminho e temos que aprender a lidar com os imprevistos. Dificilmente conseguimos entrar na vida adulta sem que nos deparemos com obstáculos, perdas ou rejeições com que não contávamos. Nessas alturas, podemos escolher viver as emoções associadas ao respectivo acontecimento e contornar o obstáculo, mesmo que isso implique algum tempo e muita energia, ou, pelo contrário, fingir que nada mudou e ignorar os próprios sentimentos ou até a nova realidade.

    Algumas pessoas são mais resistentes à mudança do que outras, porque sentem mais dificuldades em lidar com o que não estava planejado, com os desvios impostos pela vida. Encaram os acidentes de percurso como pequenos estorvos porque não estão dispostas a abdicar dos seus sonhos, ou de olhar a história de outra forma. Na verdade estas pessoas tem menos resiliência que as outras. Uma não é melhor que outra, apenas quem tem menos resiliência acaba sofrendo um pouco mais com as mudanças de rumo, porque tem menos “jogo de cintura”.

    Quando falamos no impacto desta dificuldade podemos falar de situações mais sérias, como as que envolvem a negação por parte dos pais da existência de uma doença em algum dos seus filhos. Com certeza que não será fácil assumir (para si mesmo ou para o exterior) que o filho é esquizofrênico, vai perder uma perna, vai ter mais dificuldade em estudar que outras crianças, etc. Este assunto implica num desvio considerável em relação às expectativas que um pai ou uma mãe construiu em relação ao seu filho, mas implica sobretudo que os pais vão precisar arregaçar as mangas, olhar a vida com outra perspectiva, buscar ajuda e ajudar o filho a encontrar saídas para ter qualidade de vida. Quando, pelo contrário, um casal se recusa a aceitar que o emagrecimento excessivo da sua filha esteja relacionado com um problema sério como a anorexia nervosa, abastecendo-se de caixas de vitaminas, está, de modo infrutífero, tentando fugir da realidade de um ACIDENTE DE PERCURSO.

    Sejamos nós um anônimo qualquer ou uma celebridade mundialmente reconhecida, vamos nos confrontar com o não planejado, o não esperado. É possível que algum dos nossos sonhos seja subitamente interrompido por um acidente, pela perda de emprego ou por qualquer outro imprevisto. De repente, tudo muda, às vezes de forma definitiva. Aquilo que fazemos quando isso acontece pode determinar a duração da nossa ansiedade, bem como do resto da família. Quando nos agarramos a uma visão distorcida da realidade, negando a existência do problema, alimentamos a esperança de que o sonho possa, ainda assim, concretizar-se, como se dependesse apenas da nossa força de vontade. Mas a verdade é que esta é uma escolha que faz com que soframos ainda mais e que nos mantem presos numa teia de sofrimentos e mentiras.

    Seguir em frente implica reconhecer os imprevistos e aceitar que a vida é recheada de eventos não planeados e indesejados. “Esbravejar” perante uma realidade que já aconteceu é importante, mas permanecer apenas esbravejando sem tomar outra decisão e ter outra atitude de seguir em frente com escolhas sensatas fará com que gastemos o nosso (precioso) tempo e a nossa energia. Cuide-se.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 18h02

    Será que o Homem também tem medo?

    Medos e fobias (12)

    Os homens têm medos comuns, ou seja, medo de quase tudo: de barata, de brochar, de se meter numa briga de rua , de descobrirem que são uma farsa. Também morrem de medo de ter seu desempenho sexual comparado com a performance dos futuros parceiros dela, de serem comparados com os parceiros passados, de chorar, de perder o emprego, de engravidar a mulher, de não engravidar a mulher, de ter um filho que não se parece em nada com o papai, de decepcionar o filho, de ser comparado com o pai do melhor amigo do filho e, pior do que isso, de ser comparado com o irmão da mulher. O cunhado. Só porque ele tem mais dinheiro, sucesso e centímetros de altura.

    Neste mundo povoado por semideuses, não há lugar para o medo. É por esse motivo que o maior medo masculino é justamente o medo de ter medo. É assim porque os homens nascem , crescem e vivem sob a ordem biológica e ancestral de serem campeões em tudo. A prova disso temos desde cedo, na escola. Enquanto as meninas expõem detalhadamente seus sentimentos, compartilham experiências e discutem frustrações, aos meninos jamais é permitido ser inseguros sobre qualquer assunto.

    Isso acontece quando eles têm 11, 12 anos. Um monte de hormônios no sangue em nenhum manual de instruções. Costumo dizer que o menino de onze anos é o mais solitário dos seres da natureza, pois aprende tudo sem poder perguntar nada a ninguém. Ele não tem a quem recorrer. Se cometerem a imprudência de perguntar aos amigos como funciona uma menina, estão liquidados. Nesta idade, qualquer demonstração de inexperiência é fatal. Será motivo de piada, pois a crueldade entre meninos da escola não tem limites. São forjados para serem senhores do universo, samurais invencíveis, garanhões indomáveis. E quem agüenta este peso? Quem vai cuidar desses pobres meninos quando crescerem? As mulheres, é claro.

    O homem não fala de suas angústias porque está se preservando da possibilidade de ser criticado. Ele é educado para não passar vergonha, para nunca ser chamado de tolo. Obriga-se o menino a enfrentar precocemente situações para as quais ele não está preparado, mas tem de ir em frente porque é homem. Não pode ter medo dos colegas, não pode voltar da escola chorando, porque corre o risco de demonstrar muita sensibilidade. E sensibilidade para homem é sinal de fragilidade. Ele entra na vida adulta com as emoções resfriadas.

    O homem sabe muito pouco sobre as próprias emoções, embora tenha sentimentos. Por isso também evita discutir a relação. Não sabe falar de sentimentos e muitas vezes nem nominá-los adequadamente, simplesmente porque nunca lhe foi permitido viver desta forma.

    Uma das proezas da revolução feminina foi desmascarar o papel social do homem como macho autoritário, poderoso e provedor. Desmontada a farsa, foi permitido ao homem ser sensível, ordem que alguns deles obedeceram prontamente, nascia, então, o novo homem.

    Nesse movimento, porém, as mulheres perceberam que alguns homens passaram do ponto.

    Tornaram-se tão sensíveis e motivos que pareciam pouco másculo. Daí a queixa tão frequente e nos dias de hoje de que “não há mais homens de verdade” ou “estou cheia de ser o homem da relação”. Os homens ficaram sem saber o que fazer: se as mulheres querem tanto que sejam sensíveis e delicados, porque correm atrás dos cafajestes? Porquê trocam os homens, mesmo que só na imaginação, por “personal” com barriga definida?

    Muitas vezes os homens não expõem sentimentos por medo de serem cobrados depois. Elas geralmente usam as confidências contra eles. Eles também sabem que elas estão esperando um sujeito bem-sucedido, potente sexualmente e que possa oferecer segurança em todas as áreas. Fantasias demais. Ninguém pode ser perfeito, nem elas são.

    Quando você perceber que seu parceiro está numa enrascada, pode ser profissional pessoal, e morrendo de medo de errar, a melhor maneira de ajudá-lo é apoiar-se interferir muito. Em vez de aumentar a pressão, cobrando essa ou aquela atitude com o dedo em riste, diga apenas que confia nele, que ele saberá resolver o problema da melhor forma possível. Para um homem, nada mais reconfortante do que saber que voltará da batalha e será acolhido, mesmo depois de uma derrota. Ouvir eu te amo ainda é o melhor dos remédios.

    Essa confusão entre os sexos está instaurada faz muito tempo. E é bom o agente se entender logo, pois os anos andam rápido demais e já perdemos muito tempo com as comparações e com uma guerra que jamais terá vencedor. Vamos nos entender e nos fascinar com a maravilhosa diferença entre machos e fêmeas, homens e mulher ou que nome tenha essa aventura. Que seja romântica, mas sem deixar de ser divertida jamais.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h58

    Medo de dirigir?

    Medos e fobias (12)

    O medo de dirigir independe de classe social, credo, histórico familiar, etc. De um lado temos as pessoas inseguras, sejam elas homens ou mulheres, que apresentam insegurança em outras áreas da vida também, e que essa insegurança se reflete também no ato de dirigir (ou não) um carro. De outro lado temos as pessoas seguras demais em muitas áreas da vida e inseguras para dirigir. Destas, a maior parte são mulheres e estão numa faixa etária de 30 a 45 anos. E, quase todas tem vida profissional definida. Socialmente são consideradas vitoriosas.

    Dão conta de vida profissional, do lar, do papel de mãe, de esposa, de filha...Mas dão pouca atenção a si mesmas. Trata-se de pessoas bastante responsáveis, que, se assumem um compromisso, dão conta dele da melhor maneira possível. São confiáveis, organizadas, detalhistas. Preocupam-se com o problema dos outros e procurar não ferir ninguém.

    Mas não gostam de críticas. A crítica dos outros pode magoá-las e irritá-las. Não admitem errar, e por não admitirem-se errar, evitam fazer determinadas coisas. Entre fazer e errar, (mesmo que seja um erro natural, já que precisa de tempo e dedicação para aprender a dirigir) preferem não fazer.

    Se pararmos para pensar, você já foi criancinha, sabe o tempo que demora e o quanto de paciência nossos pais precisam ter para que aprendamos a caminhar. Depois para aprendermos a andar de bicicleta. Para a alfabetização. Tudo leva seu tempo, precisa de investimento pessoal, de paciência, de dedicação diária, para a arte de aprender a dirigir um carro.

    Com isso não quero dizer que depende unicamente de sua força de vontade a solução do seu medo de dirigir. É preciso perceber o que há por trás do medo de dirigir um carro. É preciso saber primeiro quem está no volante de sua vida, e depois, esclarecer que atitudes você deve tomar no volante do carro.

    Você já sabe o que faz, muitos ao seu redor reconhecem sua capacidade em muitas áreas de sua vida, porque você faz com perfeição, e se não faz desta forma, sofre. Você quer fazer, mas quer garantias de sucesso. E nem sempre isso é possível. Mas você pode e deve ir em frente, com determinação sim, mas sem se agredir.

    É preciso estabelecer prioridades. Você tem tempo para administrar a casa, para ser esposa, para a sua profissão, para o laser, para ser mãe...qual o tempo que você se proporciona para fazer alguma coisa que pode lhe trazer benefícios? Quanto tempo você tem dedicado a aprender a dirigir um carro? Será que você não está dando ênfase apenas a uma das áreas de sua vida? Você já fez uma lista de tudo o que quer conseguir daqui pra frente em sua vida e qual a ordem de prioridades?

    Tanto para os seguros como para os inseguros, o que importa é perceber que querer dirigir envolve um planejamento. Vencer o medo de dirigir também. Talvez você precise de ajuda de algum profissional para lidar com seus medos. Se sentir necessidade disso, um psicoterapeuta (psicólogo) é a melhor pessoa para lhe ajudar.

    No entanto, lembre-se de coisas básicas:

    1) Você precisa investir no ato de aprender a dirigir, como investe em qualquer outra atividade (computação, costura, natação...)


    2) Aprender é gradativo, acontece passo a passo


    3) É necessário que você compreenda que homens e mulheres são diferentes na vida e no trânsito.


    4) Peça o carro, pegue o carro, assuma o carro e não se cobre tanto. Você já faz tantas coisas que dão certo.


    5)
    Seja você mesma. Faça de acordo com o seu ritmo. Não invente uma pessoa que você não é.

    Vá em frente e boa sorte!

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h55

    Medo de errar

    Medos e fobias (12)

    Todos nós, algum dia, já tivemos medo de errar, de tomar alguma decisão e mais tarde chegar à conclusão de que ela não foi a decisão mais acertada!

    Mas existem pessoas que têm verdadeiro pavor de errar até nas mínimas coisas. Estão sempre preocupadas, agitadas, nervosas, aflitas, fazendo de tudo para acertar, policiando-se o tempo todo! E, mesmo que não queiram, sempre procuram fazer de tudo para não errar (tudo mesmo).

    Quer um exemplo de como pensam estas pessoas? Vamos nos colocar no lugar delas e imaginar uma situação...

    Você vai sair hoje à noite: é o primeiro encontro! Comece pensando nas condições climáticas: será que vai chover? Seria bom levar um guarda-chuva. E se esfriar? É melhor levar também uma blusa. Mas também é preciso pensar que a temperatura pode estar amena. Que roupa usar? Qual delas será a melhor? Antes de sair, você vai passar horas na frente do espelho fazendo caras e bocas, vai imaginar todas as situações possíveis de acontecer (se a pessoa disser isto, eu vou dizer tal coisa..., vou passar a mão no cabelo três vezes, vou cruzar apenas a perna direita, não vou colocar o cotovelo na mesa, etc...) e planejar a melhor forma de se comportar para causar a melhor e mais perfeita impressão possível.

    Para essas pessoas é necessário, imprescindível, que tudo dê certo nos seus mínimos detalhes! E esta situação se repete, praticamente, em todos os momentos da vida destas pessoas que não aceitam errar!

    É claro que todos nós desejamos que tudo sempre dê certo, mas, na maioria das vezes, feliz ou infelizmente, as coisas não acontecem conforme planejamos. Para aquele que tem medo de errar isto é um caos. Ele sempre pensa: "Onde foi que eu errei? A culpa é toda minha porque eu não pensei que isto poderia ocorrer!”

    A culpa é sempre dele, porque ele não foi capaz de prever aquela situação, nunca de outra pessoa ou mesmo do acaso! O que fazer para evitar se sentir culpado? Prever e planejar cada vez mais cada detalhe para tudo dar certo (porque a sensação de culpa provoca uma dor insuportável e é preciso evitá-la a qualquer custo!).

    Quanto tempo perdido! Que sofrimento, não é?

    E é por isso que essas pessoas vivem agitadas, nervosas, tensas...Sempre pensando, tentando prever o que fazer para não errar e, na maioria das vezes, errando e sofrendo...Perdem um tempo enorme de suas vidas, muitas vezes deixam de viver momentos preciosos por estarem ocupadas com seus pensamentos e planos...E elas jamais se conscientizam de que a vida é imprevisível, e que quase sempre as coisas acontecem de forma diferente do que esperamos.

    O importante é ser autêntico, ou seja, ser você mesmo. Ser o que você imagina que o outro estaria esperando de você é ser um falso você. Ser o que você acha que seria o mais perfeito de você também é ser um falso você. Ser alguma coisa apenas para agradar aos outros ainda é ser um falso você.

    A maior parte das pessoas não se conhece e assim, não sabe quem é, não tem claros seus atributos, seus defeitos, suas qualidades...e vai vivendo conforme o que é importante para os outros. Quando sabemos quem somos, aprendemos a lidar com erros e acertos, tendo certeza de que o que estamos fazendo é o nosso melhor naquele momento.

    Lembre-se: ninguém é perfeito, errar é humano. É preciso aceitar os erros e aprender com eles - em vez de ficar se culpando - e ter claro quer todos nós erramos am vários momentos de nossas vidas. Mas ainda mais importante é perceber que as coisas que dão certo e errado nem sempre dependem somente de nós. Existem fatores externos além dos internos, e nenhum deles é sempre previsível.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h50

    Síndrome do Pânico e o medo de tudo

    Medos e fobias (12)

    Sem aviso prévio, você começa a sentir o coração bater acelerado, suor intenso, opressão no peito, tontura, falta de ar, boca seca e dor no estômago (ou algumas delas apenas). Em crises passageiras ou demoradas, essas sensações podem passar a correr periodicamente deixando você paralisado. A síndrome do pânico é assim: uma sucessão avassaladora de sintomas que se manifestam de repente e podem ocorrer em qualquer lugar - em casa, diante da TV, no elevador ou mesmo no volante do carro. Um distúrbio raro? Nada disso. Atinge de 2 a 4 por cento da população mundial.

    Reconhecida a partir da década de 90 como doença pela Organização Mundial de Saúde, a Síndrome do Pânico provoca um medo incontrolável, que aprisiona, que paralisa, enclausura e torna o sofrimento parte central da vida de uma pessoa.

    A primeira manifestação da doença é muitas vezes espontânea, e em geral, ocorre depois de um esforço físico muito grande, trauma emocional, cobrança exaustiva...Aliás, hoje em dia a cobrança que nos impomos e que o mundo nos impõem têm levado muitas pessoas a desenvolverem a Síndrome do Pânico. Não basta sermos bons, temos que ser os melhores.

    Não basta ter dinheiro para viver, precisamos o carro do ano, a bolsa da moda...o mercado de trabalho está a cada dia mais concorrido e vivemos correndo atrás de cursos, de livros, de conhecimento. Isso tudo provoca uma pressão muito grande sobre a pessoa que em alguns momentos, não suportando, desenvolve alguma Síndrome.

    Num estudo realizado sobre o assunto na UNICAMP foi observado que muitos pacientes tiveram ataques de pânico desencadeado por uma situação de estresse afetivo, familiar, profissional ou social. Em outros casos pode começar repentinamente, após o parto, uma cirurgia ou algum tipo de infecção. Uma vez desencadeada a doença, as crises passam a acontecer de forma autônoma, independente dos fatores que possam tê-las gerado.

    O ataque de pânico é, de fato, uma das experiências mais devastadoras que um ser humano pode enfrentar. Pior que a primeira crise, só o sofrimento de saber que outra pode vir. Os sintomas são parecidos com os de um infarto, e, nesse instante, a falsa morte iminente adquire os contornos de certeza. O doente se enclausura, instala-se então um quadro de fobia generalizada.

    Apavorada com a idéia de voltar a sentir os sintomas, a pessoa passa a fugir dos ambientes onde os ataques ocorreram, como se tal atitude pudesse evita-los. Pensamentos confusos se atropelam numa velocidade tamanha, que muitos acham que estão enlouquecendo. Quem sofre deste mal vive num verdadeiro inferno: às vezes deixa de sair de casa, evita lugares fechados, não transita em lugares lotados e, em casos graves, nem mesmo consegue atravessar a rua sem ajuda.

    A doença, ainda que não gere graves conseqüências, anula a pessoa como indivíduo, degenera sua personalidade e arrasa sua vontade. Pelo menos não gera conseqüências físicas, embora muitos pacientes com Transtorno de Pânico desenvolvem preocupações constantes com doenças físicas.

    O ataque de pânico, apesar de ser extremamente desagradável, nunca passa das sensações já descritas. Importante: são apenas sensações.

    O tratamento se mostra eficiente na grande maioria dos casos, independente da gravidade e duração dos sintomas. Além de acompanhamento de psicólogo, medicamentos que atuem sobre os neurotransmissores e tranqüilizantes específicos costumam ter bons resultados. A melhora começa a ser observada dentro de algumas semanas e, com as crises sob controle, o paciente se torna capaz de enfrentar situações que antes lhe causavam todos aqueles sintomas. Lembre-se, não desista, todos os casos, mesmo os mais graves tem solução.


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h47

    Não tenha vergonha de ter medo

    Medos e fobias (12)

    MEDO palavrinha conhecida de todos nós, quem já não teve medo de algo? Inúmeras pessoas sofrem com seus medos, mas poucas são capazes de admiti-los, principalmente para não se sentirem infantis ou ridículas.

    Há vários tipos de medos, aqueles que sabemos porque existem e aqueles que nem imaginamos de onde vêm. Nas duas alternativas nos sentimos impelidos a fazer algo.

    Algumas vezes o medo é tão terrível que algumas pessoas simplesmente travam, como se perdessem as forças para enfrentá-lo. Outros reagem ao impulso agredindo seu provável agressor. As reações dependem de um conjunto de características pessoais onde se incluem sua forma particular de entendimento do mundo e suas características de personalidade influenciadas pela saúde emocional de cada um.

    Paradoxalmente o medo nos serve como parâmetro quando está aliado a dados de realidade, nesse caso, damos a ele o nome de cautela, sensatez e até mesmo maturidade.

    Em outros momentos o medo está relacionado a nossa área da ilusão e da fantasia. O medo do escuro, de baratas, de ratos, ou até mesmo da morte, nasce da mesma matriz, a sensação de fragilidade e da necessidade de se proteger, correlaciona-se a nossa autopsiam e às nossas crenças. Mas não podemos esquecer que estamos falando de um sentimento e portanto é dominado pela esfera das emoções e não da razão.

    É comum ouvir frases do tipo “racionalmente eu sei que a barata nada pode fazer contra mim, mas, é algo mais forte que minha razão, o medo toma conta de tal forma que perco o controle, corro, grito e se não tiver como fugir, chego até a desmaiar”... esses e outros relatos são comuns no consultório quando falamos de medos.

    Alguns dos caminhos utilizados para tratá-los em psicoterapia, é a busca de significados associados, geralmente um medo está entrelaçado a uma cadeia de significados. Para facilitar a compreensão imaginem uma cebola: a camada mais visível seria a fonte de temor (barata, bola, bexiga, água, namorar, dirigir etc...), e as outras, até chegar ao miolo seriam os outros significados associados. O núcleo ou o que gerou o problema relaciona-se à sua história de vida, ou seja, os fatos propriamente ditos, captados pelas “lentes” de suas características pessoais, por exemplo, sua forma de vivenciar, perceber e entender os acontecimentos.

    Utilizamos diferentes técnicas para atingir esses esclarecimentos, ao passo que se trabalha a percepção de si, o autoconhecimento o fortalecimento da auto-estima, e da autonomia. Fantasia e realidade, mundo interno e mundo externo, são considerados dinamicamente.

    Era prática comum associar medos a “coisas de criança”, ou “coisas de mulher”, subestimando os males causados por esse sentimento e ao mesmo tempo associando um caráter de fragilidade àqueles que o assumissem. Isto fez (e ainda faz) com que muitas pessoas deixassem de falar sobre seus sentimentos e principalmente demorassem para descobrir que os medos podem ser tratados e resolvidos a medida que aprendemos a lidar com eles. Muitos homens sofreram e ainda sofrem com esse preconceito, mas felizmente na atualidade as pessoas estão cada vez mais voltadas a buscar uma melhor qualidade de vida, buscando ajuda para suas questões com profissionais especializados.

    O medo é o termômetro humano para a preservação e proteção da própria espécie, quando passamos a evitar a vida (como se fosse possível) por medo de vivê-la, estamos “usando” esse sentimento nocivamente. 

    Portanto se você tem algo que lhe incomoda, qualquer tipo de medo, não importa se for de bichos, coisas, objetos, ou mesmo de se relacionar não deixe de procurar ajuda de um psicólogo, pois certamente você estará trabalhando em prol de sua liberdade, transformando sua vida num caminho mais prazeroso e feliz.

    Considero este tema muito amplo e interessante, neste artigo abordei apenas algumas faces desta questão, existem obviamente outros graus de medo muito mais limitantes como o Pânico e outros tipos de Fobias por exemplo, que abordarei nos próximos artigos.


    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h40

    Síndrome do Pânico, O que é?

    Medos e fobias (12)

    O pânico é uma "super crise de ansiedade", normalmente acompanhada de sintomas físicos e que acontece sem aviso e sem causa aparente, podendo pegar uma pessoa de surpresa em qualquer situação: dirigindo, trabalhando, em casa ou mesmo dormindo.

    A sensação é de morte iminente, mesmo que a pessoa não esteja exposta há nenhum risco real. O mal-estar é tão grande que provoca no indivíduo um medo intenso de que ele possa se repetir, o que leva a mais ansiedade.

    Inicialmente, a pessoa tenta correlacionar a crise com algum evento e a tendência geral é a de evitar este evento. Por exemplo: se a crise ocorreu no carro, o paciente procura evitar andar de carro. Porém, com o tempo, as crises passam a ocorrer em inúmeras situações diferentes e a pessoa tende a ter medo de exercer qualquer atividade..

    A síndrome do pânico apresenta os seguinte sintomas: palpitações, sudorese, tremores, sensação de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, tontura, sensação de ser outra pessoa, medo de perder o controle ou de enlouquecer, medo de morrer, formigamento, calafrios ou ondas de calor.

    Sabemos hoje que a síndrome do pânico está biologicamente associada a uma disfunção dos neurotransmissores a qual criaria um fator agravante na sensação do medo. A síndrome do pânico pode ou não estar associada com a depressão.

    Sabemos que hoje temos um número bem maior de informações das quais devemos dar conta: entendemos facilmente que houve um terremoto no Japão, um atentado terrorista nos EUA e um bombardeio no oriente médio. Mas o que podemos fazer com a carga emocional que cada uma dessas notícias contém?

    Somemos a isso o estresse que a pressão da propaganda nos impõe: temos que ter o tal carro do ano, temos que usar a tal roupa de grife, o celular mais bacana, e temos que dar ao nosso filhos o tal brinquedo eletrônico e computadorizado que ele viu na tevê, e raramente nossa renda acompanha os gastos destas "necessidades" criadas pelo marketing.
    Para piorar, não conseguimos ter o controle de nossas atividades diárias: normalmente se exige de cada um mais tarefas do que seriam possíveis nas 24h de um dia. Nos únicos momentos de relaxamento e descontração, dedicamos a receber mais informações cognitivo-emocional conflitantes, quando nos dispomos a um filme de ação cheio de violência e terror ou simplesmente nos anestesiamos com substâncias entorpecentes como o álcool e drogas.

    Fora isso temos cada vez menos contato interpessoal o que é vital para qualquer ser humano. Até o exercício físico somente é possível mediante compromisso agendado nas academias que acabam trazendo mais informações desnecessárias e mais exigências impostas pela sociedade de consumo.

    Cada indivíduo consegue lidar com uma quantidade de estresse: cada um de nós tem seu próprio limite. Ultrapassado este limiar, o cérebro humano está programado para detonar sinais de alerta e declarar, que estamos submetidos a uma situação emergencial. Esse alerta é o pânico.

    O tratamento sempre é feito com um médico psiquiatra que estará vendo qual a melhor medicação a ser usada. Também é muito importante que a pessoa faça psicoterapia, que é o tratamento com um psicólogo especializado no assunto, para que esta pessoa tenha a capacidade de discernir quais os fatos que o levaram a síndrome do pânico e o auxiliar na superação dos problemas diários.

    Algumas atividades e posturas simples podem evitar o surgimento de novas crises e até mesmo o agravamento delas. Entretanto, trata-se apenas de recomendações; nada do que escreverei abaixo é regra ou tratamento, nem tão pouco resolverá todo o problema, sendo necessária também o tratamento como descrito acima.

    1. Procure encarar os seus problemas de maneira mais tranquila.

    Afinal, quem não tem problemas? Eles são normais na vida de qualquer pessoa, o importante é não se deixar abater, por mais difícil que a situação seja.

    2. Exija menos de si próprio.

    Ninguém pode salvar o mundo nem ser perfeito. Não fique se culpando pelo que já passou.

    3. Jamais se sinta um fraco ou covarde por estar com síndrome do pânico.

    Esse problema pode afetar qualquer pessoa e não é fruto da fraqueza de ninguém. É de um distúrbio químico há absolutamente tratável

    4. Atividades manuais podem ser um bom remédio para driblar a ansiedade.

    Artesanato, pintura ou até mesmo o clássico tricô podem ajudar a manter a mente despreocupada. Escolha uma atividade que lhe dê prazer e se encaixe em seu perfil.

    5. O contato com a natureza é sempre muito saudável e relaxante

    Se você tiver a possibilidade de se retirar ou até mesmo de ir a um parque tranquilo na sua cidade, e respirar ar puro, colocar o pé na terra, pode ter certeza de que isto ajuda bastante.
    É importante que a família também procure ajudar o paciente, que não menospreze o problema, não exerça mais pressão, evite formas de incentivo grosseiras ou agressivas, evite contar histórias trágicas ou de enfermidades para quem tem síndrome do pânico, mantenha a calma durante as crises, evite tratar quem tem um problema como um coitadinho e seja paciente com a pessoa e consigo mesma.

    Não esqueça, a síndrome do pânico tem tratamento. Busque ajuda.

    Por Ieda Dreger. 


    Postado em 24 de Maio de 2016 às 17h37

    A epidemia do Homem moderno: Pânico

    Medos e fobias (12)

    A Síndrome do pânico tornou-se conhecida por seus vários sintomas: palpitações, tonturas, dificuldades para respirar, dores no peito, sensação de formigamento ou fraqueza nas mãos, e quase invariavelmente um medo secundário de morrer, perder o controle ou ficar louco.

    Geralmente esses sintomas não estão restritos a uma situação específica, o que os torna, portanto, imprevisíveis. Esta doença de fundo emocional, traz em sua base um medo intenso, desmedido e incontrolável que vai tomando proporções assustadoras.

    Quando se sofre de Pânico, cada crise aumenta a ansiedade e o medo da próxima, tornando a doença um ciclo. Como resultado a pessoa passa a evitar tudo o que possa aproximá-la da situação que lhe causa temor de forma cada vez mais ampla e genérica a ponto de qualquer estímulo poder tornar-se uma ameaça.

    O ser humano percebe, sente e compreende o mundo e os estímulos que recebe de forma muito particular, em diferente intensidade, variando de acordo com as características físicas e emocionais de cada um. Durante toda a história da humanidade o medo esteve presente, protegendo, quando aprendemos a traduzi-lo em cautela e sensatez e fazendo sofrer ao nos tornar escravos de nossas ilusões e de nossa impotência, limitando-nos e roubando nossa espontaneidade e nossa criatividade. Muitas vezes esse medo é nutrido por um entendimento equivocado sobre os valores pessoais, fruto, entre outras coisas, da falta de conhecimento de nossas potencialidades, preconceitos e baixa auto-estima. Desde nossa infância precisamos aprender a enfrentar nossos medos para termos a possibilidade de viver feliz e em paz.

    O medo patológico é um sentimento que se fortalece no desconhecimento, é o resultado da falta de fé em si e no mundo. A fé não é algo que possamos treinar, a fé implica em entrega, não de forma ingênua pois transformaria-se em alienação, mas de forma consciente e íntegra, multiplicando-se em disponibilidade para perceber-se como um ser ao mesmo tempo insignificante e genuinamente especial, singular entre todas as criaturas. Ter fé implica em saber exatamente quem é, com seus próprios limites e contradições. Em nossa mente a fé nasce do espaço intermediário entre a fantasia e a realidade. É vital para o desenvolvimento humano e sua transcendência, pois implica na noção de si e do outro, em respeito, dignidade, generosidade, amor, enfim, implica na noção do todo, fornecendo-nos parâmetros existenciais.

    O amor que recebemos de nossos pais, parentes e amigos ou mesmo das pessoas com quem nos relacionamos durante nossa vida, alimenta as reservas de esperança e fé, que possuímos. Quando o ser humano não recebe amor, respeito, compaixão, solidariedade ele torna-se amargo, violento, rude, incrédulo no outro e consequentemente, em si mesmo.

    A pessoa que sofre de crises de pânico não é necessariamente a que não recebeu amor, mas é aquela que não tem certeza do amor que recebeu ou não o tem internalizado, tornando-se uma pessoa insegura e frágil emocionalmente, sentindo-se pobre em recursos internos para sua auto-proteção. Volta-se mais às possibilidades de morte do que às de vida. Não trata-se de uma escolha, a ansiedade e o desespero invadem sua vida cegando-a.

    Essa Síndrome tornou-se a carcereira do homem moderno por gradativamente retirar seu direito à liberdade de se relacionar seja com as pessoas, seja com a vida. Como todas as dificuldades ou qualquer tipo de doença, quanto mais rapidamente se inicia um tratamento melhores são os prognósticos. Segundo as pesquisas mais recentes da OMS, os tratamentos indicados como tendo os melhores resultados, são os que associam a medicação à psicoterapia.

    Aprender a pedir ajuda é um ato de coragem e de fé, independente de qual seja o tipo de dificuldade. Algumas pessoas desacreditam que possam ser ajudadas, tomando uma atitude de suposta auto-suficiência, evitando dividir suas dores e angústias, o que muitas vezes provoca um agravamento dos sintomas, tornando os tratamentos mais sofridos e doloridos.
    Acreditar em si e respeitar-se alimenta e fortalece nossa auto-estima; negar nossas dificuldades ou tentar escondê-las apenas nos enfraquece. Entender que existem dificuldades e limites é ao mesmo tempo, desmistificá-los e aceitar nossa condição humana, num processo dinâmico de desenvolvimento e amadurecimento.

    Por Ieda Dreger. 


    Você tem medo da Paixão?24/05/16 A paixão é comparada ao fogo: intensa, forte, quente, envolvente e extremamente sedutora. Não manda aviso que está chegando nem pede licença para entrar em sua vida. Algumas pessoas temem a paixão pelo movimento de entrega que ela implica. Paixão é envolvimento, o apaixonado mistura-se ao outro e às próprias expectativas em......
    Você tem medo de que?24/05/16 O medo é uma emoção básica que nos permite a sobrevivência, visto que ajuda a nos defenderemos dos perigos reais. Nascemos com medo, os bebês se assustam diante do que sai da rotina e choram, algumas crianças......